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28.1.22

Quando a gata te deixa furiosa...

Restam duas opções: descer ao nível dela e se vingar ou transformá-la na estrela do primeiro Gramado da Fama de 2022 — o que dá praticamente na mesma, porque os bigodes odeiam minha direção de fotografia, rs. "Mas como pode uma coisa fofa dessas ter tirado alguém do sério?", talvez vocês estejam se perguntando.

Pois imaginem urros. Na porta do quarto, ao apagar a luz para dormir. Por 55 minutos, ininterruptos. E de novo, às três da madrugada, horário do cortisol que seu organismo asmático já não produz com eficiência. Pela primeira vez, em 15 anos, prendi a criatura na lavanderia — onde fica a cestinha com almofada de joaninha que ela ama. E foi justamente nela que a encontrei de manhã, curtindo a soneca dos que não se abalam.


Voltando ao assunto do post, quem entrou para o Cluboca no último mês foi minha xará Maria Beatriz Ribeiro, que encontrou no Gatoca acolhimento durante o final da doença renal da Chica — Cluboca é nosso grupo de apoiadores e o financiamento coletivo mantém esta iniciativa de pé, além de me permitir investir em projetos alternativos, como a série sobre O Encantador de Gatos (primeiro capítulo aqui, mas não deixem de olhar as outras recompensas no Catarse!).


E ela se junta aos apertáveis Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Danilo Régis, Marcelo Verdegay, Patrícia Urbano, Fernanda Leite Barreto, Bárbara Toledo, Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Ana Fukui, Marilene Eichinger, Guiga Müller, Sérgio Amorim...

...Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Lilian Gladys de Carvalho, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Amanda Midori, Karine de Cabedelo, Michely Nishimura, Ana Paula de Vilas Boas, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida e Ana Cris Rosa, Ana Hilda Costa, Liam Paim, Márcia Mentz, Carmen Lucia Aguiar, Elisângela Dias, Amanda Herrera, Ivoneide Rodrigues, Melissa Menegolo, Vanessa Almeida e Vivian Vano.

Obrigada pela companhia na caminhada, gente! ❤️

27.1.22

O pesadelo dos lagartinhos!

Gostando a gente ou não, gatos são carnívoros e carnívoros caçam. Pimenta, a assassina oficial da casa, começou com baratas, evoluiu para lagartixas e terminou nos passarinhos, para minha imensa tristeza. Esses dias, eu estava cozinhando (vegetais, porque seres humanos não são carnívoros) e notei a criatura encolhida.

Quando a cabeça levantou da grama, um lagartinho (nossa lagartixa do interior) despontou tremelicante na boca. Minha estratégia involuntária, nessas horas, é gritar e se a presa for esperta, aproveita a gata atordoada para fugir. Só que o infeliz resolveu se fingir de morto, me obrigando a prender a frajola na cozinha, com esta cara de incompreensão:


Espero que os parentes não busquem vingança.

20.1.22

O mistério do ronronar dos gatos | EG #7

Sabiam que, de todos os grandes felinos, só o guepardo ronrona? É que eles possuem o hioide (um ossinho no pescoço) flexível, cordas vocais achatadas e retangulares, e um trato vocal mais longo, que permite emitir sons altos e graves com menos esforço, os temidos rugidos.

Já nossos bichanos não conseguem rugir, mas intrigam a ciência com seu motorzinho, provavelmente acionado por uma combinação do osso hioide, no caso deles firme, com as pregas vocais. Temos quase certeza, inclusive, de que se trata de reflexo, não de um movimento controlado — o cérebro manda um sinal para os músculos da laringe, que vibram as cordas vocais cerca de 25 vezes por segundo, enquanto os peludos inspiram e expiram.


A motivação para o ronronar, em geral, é positiva, lembrança de quando a mãe se valia da estratégia para manter a ninhada por perto, liberando endorfina, que ajudava tanto a criar laços quanto a ninar os pequenos. Mas o ronrom também aparece em gatos estressados, machucados e até morrendo — acredita-se que sua frequência, entre 20 e 140 Hz, se assemelha àquelas capazes de curar ferimentos e fraturas.


Há quem diga, ainda, que, usado durante a mordida letal, ele faz com que a presa entre em um estado catatônico. E muito tutor obedece direitinho aos ronrons de urgência por comida, segundo estudo de 2009, coordenado pela Dr. Karen McComb, professora de comportamento e cognição animal na Universidade de Sussex. rs

Estão curtindo a série inspirada em O Encantador de Gatos, livro do Jackson Galaxy, financiada coletivamente pelos leitores do Gatoca? Considerem se tornar apoiadores também — aqui tem um resumo das principais ações (on e offline) destes 14 anos e meio. :)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!

19.1.22

O que eu faria diferente com os gatos #2

Quem já leu três posts do Gatoca provavelmente pegou uma referência à arisquice das Gudinhas, nascidas aqui em casa — quer dizer, lá em São Bernardo. Em algum momento da infância, que não sei precisar bem quando, as pequenas foram se afastando da gente até se fechar de vez na família felina.

Isso significa que Pipoca se deixou tocar apenas aos 5 anos, porque estava morrendo. E Jujuba soltou o primeiro ronrom com 13! Se pudesse voltar no tempo, então, eu não descuidaria da socialização das meninas. Os tratamentos veterinários teriam sido mais fáceis, a mudança para o apertamento não me renderia uma escarificação no braço e a gente teria aproveitado mais.

O desafio, neste finzinho de vida delas, é multiplicar colos e carinhos. rs


Máquina do tempo: #1

14.1.22

O melhor bebedouro para gato no verão!

Atualizado às 22h10

Já dizia Jesus: é mais fácil fazer um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um gato tomar água. E não podemos culpá-los porque, na natureza, quando caçavam animais menores, eles acabavam ingerindo 70% de água junto. O problema está na alimentação seca (prática e "barata") que oferecemos atualmente.

Com mais bichanos renais do que eu gostaria, vivo testando estratégias para aumentar a hidratação da gangue — tem links importantes no fim do post. E a última descoberta foi o bebedouro de cerâmica (o bom e velho barro), dica da Aline Silpe, no nosso grupo de apoiadores.


Comprei o modelo mais em conta (R$ 78) de presente de Natal, com os mimos do post 3 ideias para qualquer gato brincar.


E dias de frustração se passaram até me tocar que as criaturas se recusavam a usar porque a água devia estar com gosto de detergente. Feita a limpeza adequadamente, com a esponja quase sem espuma e muito enxágue, os bigodes não trocam por nada!

O líquido sai da torneirinha muito mais gelado do que nos bebedouros de plástico — dá para sentir ao colocar o dedo. E não junta bactérias. Mas não poderia deixar de compartilhar os contras, né? O trambolho pesa uma tonelada, parece louco para estatelar no chão, tem material poroso, de acabamento meio tosco, e anda juntando um bolorzinho* do lado de fora nestes dias úmidos.

Dizem que a versão de inox alcança a perfeição, só que o preço, na faixa dos R$ 300, a torna um sonho distante para a maioria dos brasileiros — se não quiserem passar nervoso, não cliquem no site do Jackson Galaxy! Resumo da bebedeira: minha vida piorou, mas a dos bigodes está bem mais fresca. rs


*Guiga Müller me ensinou que o que chamei de bolorzinho é, na verdade, eflorescência: um fenômeno que ocorre quando a água atravessa os poros do barro, ao trocar calor com o ambiente, e evapora, deixando os sais minerais contidos nela do lado de fora do filtro — quanto mais sais minerais, mais eflorescência. Os dias chuvosos devem ter coincidindo com o excesso de cloro que a prefeitura de Araçoiaba vira e mexe despeja na água.


Infos essenciais:

:: Doença renal, pelo maior especialista em gatos do Brasil
:: 7 dicas que podem salvar seu gato
:: Como fazer o bichano beber água
:: 13 macetes para dar líquidos na seringa
:: A seringa perfeita
:: Soro subcutâneo: dicas e por que vale o esforço
:: Soro fisiológico, ringer ou ringer com lactato?
:: 9 sinais de doença que a gente não percebe
:: O desafio da alimentação natural
:: Quando a alimentação natural não dá certo
:: Ração úmida mais barata para gato renal
:: Seu pet não come ração úmida (patê, sachê, latinha)?
:: Alimentação de emergência para bichano desidratado
:: Seringa que goteja para cuidar de gato doente

13.1.22

Luto: tempo contado em girassóis

Primeiro, a gente achou que os passarinhos tinham roubado as sementes plantadas com a Clara. Aí, despontaram microfolhas no solo, depois um botão desajeitado e parei de compartilhar a jornada do luto em flores com o girassol gótico. Mas o jardim nada-secreto seguiu seu caminho de cura — e quanto mais o tempo passava, mais colorido ficava.


Foi emocionante enxergar estrelas no miolo do girassol amarelo.


E precisei segurar com estacas os caules que decidiram a gestar múltiplos botões.

O vermelhão demorou, mas apareceu.


E logo se juntaram a ele versões purpurinadamente mescladas.


Sofremos um ataque de fungo, tratado com bordalesa e autoacolhimento.


A plantação superou meus 1,70 m!


Por dois meses, vimos este quadro se renovar na janela do quarto:


Até que as formigas venceram.

Eu estaria mentindo se dissesse que não fiquei chateada. Mas os girassóis não nasceram justamente da impotência?


Despedida da Clara
:: Saudade
:: Nunca foi tão difícil plantar girassóis
:: Os primeiros 30 dias
:: Clara finalmente virou girassol!
:: Girassóis góticos de Halloween

7.1.22

2021

Ano de baixar as expectativas.

Era para falar de pandemia no passado, comemorar a casa nova com os bigodes, realizar um projeto antigo. Mas nós continuamos quarentenados, tomamos golpe da empresa de customização dos contêineres enquanto Clara morria, vimos expirar o edital que viabilizaria a trilogia de livros infantis nos portões fechados das escolas municipais.

E integramos o grupo dos privilegiados, em um país de 19,1 milhões de famintos. Como não desanimar? A verdade é que eu desanimei. E, pela primeira vez, em 14 anos, este blog passou dois meses sem atualizações. Só voltei, na real, por causa de vocês — e dos relatos de como o Gatoca ainda ajuda e acolhe leitores.

Nosso banheiro segue sem porta. As brigas quase viraram divórcio. E o luto da Clara durou meses, da despedida aos girassóis — plantados com bolhas nas mãos, regados nem sempre com água da torneira e germinados timidamente. Mas a vida foi assentando. Dentro e fora.

Nasceram, então, girassóis exuberantes, a gangue ganhou uma floresta, o gatil lendário saiu do papel! Pipoca, na batalha de uma década contra a doença renal, até caçou um passarinho — o que me rendeu sentimentos mais conflitantes do que o episódio do atum vegano.

O livro da Rosana Rios inspirado no nosso trabalho entrou para o clube de leitura da Organização das Nações Unidas (ONU), na categoria redução das desigualdades. E nós recebemos do Catarse o selo de "projetos que amamos" — seletos 181, entre mais de 5 mil.

Teve texto também sobre roupinha para gato, cuidados paliativos, seringa perfeita para dar remédio, larvas e bicheira, o perigo das coleiras, esponja mágica para sujeira pesada, ração úmida improvisada, o barato do matatabi, luto em animais, riscos de não urinar, bebedouro inusitado, dosador oral que goteja, o que eu faria diferente com os bigodes, brinquedos para qualquer idade, como os bichanos gastariam seu tempo na natureza.

E a série nova, baseada na bíblia O Encantador de Gatos, escrita pelos especialistas em comportamento Jackson Galaxy e Mikel Delgado: Existe um canto do planeta sem eles?, A primeira gateira da história, Como a humanidade se curvou aos felinos, Seu amigo vem da América ou do Velho Mundo?, 8 mudanças genéticas modernas e 44 raças lindas, mas doentes.

No ativismo, a gente divulgou a Leia, deu entrevista para o UOL (e acabou obrigado a discutir a estigmatização da "louca dos gatos"), participou de bate-papo com ambientalistas sobre educação, homenageou a luta LGBTQIA+, levou a polêmica dos testes com animais à Folhinha, descobriu que ajudou a salvar um filhote famoso, arrecadou dinheiro para o tratamento do Conan.

E não dava para abandonar, justo neste ano-bomba, os posts de entretenimento, né? Vida com gatos #8, Felinos modernos, 6 coisas estúpidas que fiz quando adotei, Guardiãs felinas, Quando o X marca o tesouro, Pimenta à milanesa, Gatos, tijolos e frases desmotivacionais, A causa da rabugice felina, Cantinho da reflexão, Receita de pão de gato, 'Abaporu', de Gatinha do Amaral e Uma caixinha especial.

Clara, Guda e Gudinhas tiveram seus aniversários ignorados no caos da mudança para Araçoiaba da Serra, interior do interiorrr. Mas nós comemoramos o da Chocolate, o do Mercvrivs (nascimento e adoção), os 14 anos de concepção e lançamento do Gatoca (jornalista de papel, gente), o primeiro botãozinho da Clara coincidindo com o quinto ano sem Simba, seu grande amor. E o amigo secreto de talentos, que já virou um clássico!

Tudo isso só aconteceu porque vocês nos apoiam. ❤️ E continuaram mesmo com o Brasil em crise — o Gramado da Fama mais emocionante foi o de Natal! Lembram que eu disse que não ia fazer dancinha no TikTok, aliás? As meninas do Cluboca insistiram, a Cat Friday e o boletim do Catarse compactuaram e nós acabamos de bater a meta de desbravar a rede social chinesa!

Que em 2022 a gente só precise rebolar por ludicidade!


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