Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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20.11.25

Por que nunca se deve dar tapinhas na bunda do gato

Quando eu vi a chamada no Youtube, provavelmente fiz essa mesma cara com que vocês estão encarando a tela agora. Que exagero! São tapinhas de amor, não? Acontece que não dá para argumentar contra fatos e Jujuba esfrega meu erro na cara todos os dias.


O veterinário Tiago Franco começava o vídeo explicando a anatomia felina: a coluna lombar dos peludos tem uma alta concentração de terminações nervosas, e, como a medula não é bem-formada nessa região, os nervos ficam meio soltos, facilitando a ocorrência de lesões em uma área já naturalmente mais sensível.

Ele apelava, então, ao comportamento: avessos a estímulos brutos, os bichanos tendem a preferir carinho leve, na face, nas bochechas, no queixo e nas têmporas, sempre respeitando a direção do pelo. Alguns animais até toleram a pandeirada, mas não quer dizer que gostem.


Aí, entrava a parte neurológica: o que a gente traduz como prazer pode significar hiperexcitação e o excesso de estímulos acaba causando frustração, estresse e, muitas vezes, agressividade (contra bípedes e quadrúpedes) ― quando não incômodo físico. Nos casos de hiperestesia, em que o bicho percebe os estímulos sensoriais normais de forma ainda mais intensa, a situação se agrava.

E veio o golpe final: os microtraumas gerados ao longo da vida, tanto na musculatura quanto na articulação e na cartilagem, uma vez que na natureza os felinos não interagem com nada que tenha essa força, provavelmente virarão artrose na velhice ― seja na coluna ou na articulação coxofemoral.

Lembrei na hora da dificuldade de subir e descer dos móveis que Chocolate e Pufosa, as gatas que mais "amavam" os tapinhas, demonstraram no final. A insistência também pode causar dor crônica, piorando a doença. E as microlesões musculares ainda atrapalham a regeneração, formando estruturas cartilaginosas que enrijecem o músculo com o tempo.

Mas eu abri o texto falando da Jujuba, né? Pois a gata que não dava esse tipo de intimidade porque só aprendeu a ronronar aos 13 anos passou ilesa pelos tapinhas e chegou às vésperas dos 19 voando pela casa. Entre as poucas coisas que eu faria diferente com a gangue se tivesse chance, essa certamente encabeçaria a lista.

11.4.25

Quatro anos de casa nova-velha, sem blog

Foi em 31 de março, mas eu não tinha como contar aqui, pois a Hostinger, empresa que hospeda o Gatoca, conseguiu nos deixar 27 dias fora do ar, por causa de um boleto que vencia no sábado e o banco jogou o pagamento para segunda-feira, respaldado tanto pela Lei 7089/83 quanto pelo Código Civil, no Art. 132 ― e comigo apelando por e-mail, Procon até parar no Juizado Especial Cível.

Ufa! Eu precisava muito botar isso para fora, desculpem. Quando chegou o aviso de que apagariam todo o conteúdo do servidor, no último sábado, vi 18 anos de projeto indo para o lixo ― o painel que me permitia acessar os arquivos já estava zerado, como se a gente nunca tivesse existido por lá. Quanto vale uma gastrite, seu juiz?

Agora, sim, a comemoração! No aniversário de 2024, eu disse que a gente havia instalado a lendária porta do banheiro, né? Mas a verdade é que, como faltava o batente do lado de dentro, Leo tirou para pintar tudo junto e, entre uma morte e outra de gato, mais um ano e meio se passou ― vocês também se perguntam para onde vai esse tempo, que parece tão lento quando se olha de dentro?

O desfecho da epopeia ocorreu em 23 de março e pedia registro, né? Spoiler alert: a gente ainda não sabia que a porta não cumpriria sua função a contento.


E esse foi o grande feito dos últimos 365 dias em Araçoiaba da Serra ― junto com os surtos de arrumação, doação, jardinagem e a visita de amigas cultivadas há três décadas. Isso porque na lista dos fatos esquecíveis estão a morte inesperada da Pimenta, apesar de velhinha, e as partidas esperadas, mas igualmente tristes, da Chocolate e da Keka, deixando Jujuba sozinha pela primeira vez em 17 anos e meio ― Jujuba, a gata que me rendeu uma escarificação e agora não desgruda.


Por falar em grude, outra transformação produzida ao longo desses 12 meses foi a do Intrú, que não perde uma oportunidade de ganhar carinho, inclusive quando me vê desmontada da caminhada ― e ainda espera uma casa onde possa morar do lado de dentro da porta de vidro lavanderia.


Termino este retorno de brasileiro-que-não-desiste-nunca com dois pedidos:

🚨 Divulguem aos amigos os links do Gatoca que permitem comprar no Petz (com 10% de desconto!), na Amazon, na Shopee e agora também no Mercado Livre, revertendo uma parte do valor ao projeto. Como a Hostinger derrubou o blog 17 horas depois que publiquei o post, ninguém viu ― e perdemos as vendas justo do Dia do Consumidor. 😢

🚨 Esse período todo inacessível prejudicou também a indexação no Google dos textos que ajudavam gatos doentes, principalmente renais, e acolhiam seus tutores, como mostra o relato que Aline compartilhou recentemente no Cluboca. Bora fazer uma força-tarefa para que eles voltem a aparecer nos resultados de busca? Preciso que vocês interajam com os posts que redivulgarei nas redes sociais ao longo das próximas semanas. 😊


Para ampliar, cliquem na imagem

Obrigada! Obrigada! Obrigada! ❤️

6.12.24

Quem cuida dos cuidadores?

Jujuba já tinha assumido o papel de enfermeira de Gatoca ao aconchegar a mãe e as irmãs enquanto morriam.


(Pipoca e Pufosa com dois dias de diferença, exigindo malabarismos de todos os envolvidos.)


Mas eu não imaginava que não desgrudaria também da Chocolate, que deixava clara sua preferência por não trocar calorzinho com ninguém ― a gente tirava a bichinha de perto e ela voltava, feito iôiô.


E, quando chegou a vez da Pimenta, comecei a me preocupar: quem cuidaria da malhada?


Claro que ela tem a mim, mas não é a mesma coisa ― poder desligar do mundo colada a um corpo quentinho e peludo, que só sairá de perto depois de você.

Exatamente como aconteceu com a Keka.


Pela primeira vez sozinha em 17 anos e meio, Jujuba se aproximou mais de mim. Na hora de dormir, porém, se encaixa entre as almofadas do sofá, onde antes existiam outros nove gatos, e meu coração engasga.

31.5.24

Suco para gato debilitado que não aceita comida

Atualizado às 19h45

O estágio avançado da doença renal exige um equilíbrio delicado: se a gente tenta empatar nas seringadas a quantidade de comida diária de um animal saudável, o gato debilitado acaba vomitando. Se fica com pena de alimentar desse jeito, o resultado é o mesmo, porque barriga vazia e desidratação aumentam o enjoo ― rins que não filtram direito deixam passar mais ureia para o sangue (uremia), causando náusea e úlceras no estômago (gastrite).

Chocolate já estava nos últimos dias (17 anos e meio!) quando começou a travar os dentes para o sachê batido no blender ― melhor forma de conseguir uma textura lisinha para passar na seringa. Maru, uma das vets dos bigodes, sugeriu então o suco de maçã. Não, não dá para manter um animal saudável à base de suco de frutas, mas, no caso da Choco, ajudaria a forrar o estômago e segurar a hidratação, com um sabor docinho que ela adorou ― como bônus, maçã tem fibras, minerais, vitamina C e pouca frutose.


A receita é básica: eu batia também no blender (salvador!) uma maçã sem casca por vez, já que o gosto se altera rápido e a pequena tomava de pouquinho, acrescentando apenas a quantidade de água para formar um purê ― mais fácil de engolir e com mais nutrientes.




A ranhetinha aproveitou por 11 dias e se despediu.

*

Importante: no estômago de um bichano cabem, confortavelmente, 20 ml, ele demora cerca de 40 minutos para esvaziar e a quantidade diária de líquido deve equivaler a 50 ml por quilo de peso do animal. Mas, nessa fase de partida, a gente só dava os 3,5 ml da seringa por vez, encurtando os intervalos. E o que ela conseguisse tomar já ajudava a minimizar o mal-estar.


Outras infos essenciais:

:: Doença renal, pelo maior especialista em gatos do Brasil
:: 7 dicas que podem salvar seu amigo
:: Diagnóstico renal não significa sentença de morte
:: Sobrevida de 11 anos (e contando)!
:: 9 sinais de doença que a gente não percebe
:: Teste: seu peludo sente dor? Descubra pela cara!
:: Como identificar mal-estar sem sintomas
:: Quando correr ao veterinário?
:: Dicas salvadoras (e vídeo) para dar remédio
:: O difícil equilíbrio ao cuidar de gatos
:: Pesando bichanos com precisão
:: Como estimular a beber água
:: A importância de ter potes variados
:: Gatos sentem o sabor da água
:: O melhor bebedouro para o verão!
:: 13 macetes para dar líquidos na seringa
:: A seringa (quase) perfeita
:: Seringa que goteja para cuidar de gato doente
:: O milagre da água na seringa, seis anos depois
:: Pele flácida: velhice ou desidratação?
:: Soro subcutâneo: dicas e por que vale o esforço
:: Soro fisiológico, ringer ou ringer com lactato?
:: Em quanto tempo o soro faz efeito?
:: O desafio da alimentação natural
:: Quando a alimentação natural não dá certo
:: Ração úmida mais barata para gato renal
:: Seu pet não come ração úmida (patê, sachê, latinha)?
:: Como ensinar o bichano a amar ração úmida natural
:: Truque para quem não come ração úmida 'velha'
:: Ração em molho: nós testamos!
:: Calculadora de ração felina, seca e úmida
:: A importância das seringadas de comida na velhice
:: Como deixar o patê lisinho (para seringa!)
:: Cuidado com alimentação forçada!
:: Alimentação de emergência para animal desidratado
:: Suporte para comedouro pode cessar vômitos
:: Gato vomitando: 4 dicas que ninguém dá
:: Diarreia em bichanos: o que fazer?
:: Quando e como usar fralda
:: Gastrite causada por problemas renais
:: Luto: gatos sentem a morte do amigo? O que fazer?

18.4.24

Saudade

Esta é uma história sobre escolhas. Começou no dia 14 de fevereiro de 2007, quando João te encontrou pequena, rabinho quebrado, o clássico nariz de chocolate que viraria nome, lembra? Eu escolhi te deixar para adoção no pet shop, porque acreditava que não daria conta de cuidar de quatro gatos. Mas a gaiola estava lotada e não voltei na semana seguinte.

Você poderia ter tido uma família mais exclusiva ― não só dei conta de cuidar de quatro gatos como de cinco, de sete, de dez (e algumas dezenas de temporários). Geniosa, ficava na ponta mais afastada do montinho felino ou reinando exclusiva na estante do escritório, em sua almofada de joaninha ― que nos acompanhou por três mudanças, ganhou uma cestinha, um remendo à la Tim Burton e só aposentou com a cama nuvem, depois de uma tentativa fracassada de roupinha.


Em Sorocaba, escolheu a lavanderia, menos disputada, para chamar de sua. Eu achava que era por causa da estante, aquela que ficava no escritório de São Bernardo, mas você gostava mesmo é da caixa suja do aspirador de pó ― e continuou gostando aqui em Araçoiaba. Da lavanderia, da estante, da caixa suja do aspirador de pó.

Já para Guda nunca deu bola ― e ela tentou até o fim, um ano atrás. Como pode caber tanta rabugice em uma gata-anã, que pesou 2,5 kg praticamente a existência inteira (até perder 900 gramas nos dois últimos meses)? E que roubava glutadela com esta carinha. E miava feito cabrita, soltando barulhinhos onomatopeicos quando subia nas coisas, pulava no chão, percebia nosso toque, bebia água, mastigava a ração.

Aí, escolhi cuidar do Intrú, que não tinha a sorte de morar do lado de dentro da porta de vidro de alguém e resolveu montar acampamento bem do lado de fora da porta de vidro da sua lavanderia ― fiz justiça gastando a maior parte dos lencinhos umedecidos dele com você. Veio, então, a ataxia, a cistite e os sintomas respiratórios, uma possível artrose, um possível trombo, a apatia.

Eu não sabia se sentia dor ou estava só sendo ranheta você ― esperei sete anos para te ter enrodilhada no colo. Se a pele flácida era de desidratação ou velhice. Se voltaria a afiar as garras no tronquinho do gatil ― três meses antes, você caçava animada os croquetes no parquinho! O raio-x indicou apenas problemas na coluna pela idade. Mas você, sempre sem parada, seguiu aquietando ― e Jujuba insistindo em ficar grudada.




Achei que não passaria de sexta ― a do dia 29 de março! E escolhi parar a vida. Botei fraldinha, liberei o quarto para dormir, aquele em que você nunca pôde entrar porque tenho alergia a gatos, comecei a te carregar por todo o lado para garantir que não cairia. Mas você não morreu. Ficou presa em um corpinho que não funcionava direito ― hidratada, com as mucosas coradas, olhos brilhantes (os mais lindos de Gatoca), sem qualquer episódio de vômito ou diarreia.




Como não conseguia mais chegar sozinha no jardim, te ajeitei no catnip só para voltar com formigas na cabeça e uma lesma entrando na boca. Pensei em parar sua vida. Eis que você adorou o suco de maçã. De manhã, acordava com a carinha colada à minha, não importava em que posição te colocasse. E sonhava loucamente.


Escolhi continuar. E também sonhei: você encostava a testa na minha e pressionava nossas cabeças uma contra a outra com as patinhas. Parecia uma despedida. Quando um dos dentes se pôs a sangrar, escrevi ao veterinário da cidade perguntando sobre a eutanásia. Só no consultório.

Em vez do terror da viagem de carro pelas estradas de terra esburacadas, escolhi te levar no sling improvisado para um último passeio pelo bairro, que você sorveu com os faróis ainda mais gigantes, cada folha, cada bicho, cada portão ― surda há uns dois anos, os cachorros latiam no vazio.



De segunda para cá, a dúvida foi me consumindo: havia algo mais para aproveitar? Será que eu tinha passado do ponto? Nesta madrugada, você arrumou um jeito de me confortar. Ignorando quaisquer limitações neurológicas, deitou no meu peito e só percebi quando acordei pela primeira vez ― na segunda, você estava encaixada entre minhas pernas, como um pacotinho.




Partiu na sua inseparável cama nuvem (como encará-la desocupada?), enquanto ganhava um cafuné com a mão que não estava tentando responder os e-mails atrasados.


Não te dei uma família exclusiva, mas garanti 17 anos e dois meses de presença, trabalhando em casa muito antes de o home office ser moda. E uma aposentadoria entre capuchinhas e passarinhos, mudando para o interior de aluguel e tomando um golpe da empresa de contêineres.


Podem ter sido escolhas inexperientes, de gateira de primeira viagem, e desajeitadas, de quem tantas mortes depois ainda não aprendeu a perder. Mas você sabe que foram as melhores que consegui fazer, né?

11.4.24

Teste: você tem a personalidade ideal para um gato?

O veterinário espanhol Carlos Gutierrez definiu como deve ser o tutor perfeito, baseado nos estudos da Universidade Autônoma de Barcelona, que realizou o primeiro levantamento populacional do mundo sobre a relação entre pessoas e bichanos, e de pesquisadores das Universidades da Flórida, Carroll e Marquette, que mapearam as principais diferenças de personalidade entre gateiros e cachorreiros.

Aproveitando a habilidade que todo jornalista pagador de boletos tem de transformar conteúdo em entretenimento, eu inventei, então, este teste. Quantas características valorizadas pelos peludos você coleciona?


Empatia

Pessoas com maior sensibilidade emocional conseguem se colocar no lugar de seus gatos e perceber o que estão sentindo, qualidade essencial para quem tem bichos que se afetam facilmente por coisas que não fazem tanta diferença para outros animais ― e evitar situações de estresse ajuda a prevenir problemas de saúde como gripe e lipidose hepática.

Timidez

Introversão costuma vir acompanhada de um grande poder de observação, permitindo ao tutor tímido ser o primeiro a identificar mudanças comportamentais nos peludos, como o fato de passarem a comer menos depois da chegada do novo pet.

Introspecção

Quem gosta de estar consigo mesmo, desfrutando do tempo de seu jeitinho, dará aos gatos, avessos a barulho e agito, uma casa mais tranquila, sem necessidade de descobrirem todos os buracos à prova de festa.

Criatividade

Um humano criativo estará sempre pensando em formas de enriquecer o ambiente e entreter criaturas que tende a se entediar fora de seu habitat natural ― e não hesitam em trocar brinquedos caros por aquela caixa de papelão em que veio o mop.

Inconformismo

Em um mundo desenhado para cachorros, domesticados há mais tempo, pessoas com o espírito combativo conquistaram adequações importantes para os bichanos, como as clínicas especializadas em felinos ― e seguem na luta.

Independência

Por mais que o pequeno seja ronronento, você deve ter notado que ele também aprecia ficar em seu cantinho. E ninguém melhor do que um indivíduo autossuficiente para encontrar o equilíbrio entre os momentos de solidão que seu amigo tanto precisa e de socialização com cafuné liberado.


RESPOSTA

:: Até 3 características

Você provavelmente integra o grupo dos tutores de gato pragmáticos, representado por 35% dos participantes do estudo. Apesar de considerar o bichano parte da família, não tem um vínculo afetivo tão forte e acha trabalhoso cuidar dele.

:: A partir de 4 características

Bem-vindo ao universo das emoções complexas, coabitado por 65% dos gateiros, que sentem grande conexão com seus companheiros, sempre a postos quando precisam de apoio ― confessando, inclusive, compartilhar coisas que jamais diriam a outras pessoas.

31.3.24

3 anos de casa nova, menos 5 gatos, mais 1 intruso

Por quanto tempo uma casa ainda pode ser considerada nova? E se antes mesmo de você mudar, a casa em questão, construída do zero, já colecionava problemas? Talvez, em 2025 eu troque o título para "4 anos de Araçoiaba da Serra". Ou não ― a ideia de novo faz a vida parecer menos velha, principalmente quando a gente lida com impotência e morte.

Sei que pareço um disco quebrado, mas a conjuntura não colabora, né? Nos últimos 365 dias, Pipoca e Pufosa ajudaram a superpopulacionar nosso cat sematary. E Chocolate e Keka andam flertando com o empreendimento. Ao contrário dos gatos, as plantas finalmente ganharam autonomia e paramos de apanhar do solo seco, das formigas vorazes, das pragas multicoloridas ― quem rouba nossas frutas agora são os saguizinhos.


Enfermaria ao ar livre


Duplinha do sachê


Contorcionista

Preciso contar também que, às vésperas de completar dois anos e sete meses, mais especificamente em 7 de outubro de 2023, instalamos a lendária porta do banheiro ― embora ela ainda continue sem batente de um dos lados.


Conseguimos arrumar também o cantinho dos bigodes, com prateleiras almofadadas, caixas de madeira, arranhadores de formatos variados, sofá em acquablock e um parquinho vertical que rendeu uma verdadeira obra ― grande conquista para quem começou essa jornada numa mesinha plástica de jardim.

E tentamos ter uma piscina inflável, que esvaziava sempre que chovia (longa história), depois bichou (desculpem pelo surto de dengue!) e acabou furando no limoeiro (que limão mesmo não quis saber de dar até o presente momento).


Este post-comemorativo não poderia excluir o frajola figura que decidiu morar em Gatoca, contra a vontade de Gatoca, e me rouba sorrisos úmidos nos dias difíceis com poses assim:

28.3.24

Chocolate não anda mais

Pensem em uma gata de 17 anos e meio que tem os olhos brilhantes, as mucosas coradas mesmo sem comer sozinha, hidratação de fazer inveja à gen-z, zero ocorrência de vômito, cocô de exposição. Mesmo assim, Chocolate foi saindo cada vez menos de sua cama nuvem, parou de ronronar, o miado ficou rouco.


Ok, nos últimos meses rolaram uns sintomas respiratórios em parzinho com a Jujuba. E a ataxia, que de vez em quando escorregava uma pata ou atrapalhava um salto ― bem mais sutil do que em dezembro. E a respiração acelerada, sem diagnóstico certo. Mas eu aceitei que ela não conseguiria mais caçar croquetes no parquinho vertical e seguimos.

Na esperança de desvendar o mistério da apatia repentina, paguei, então, um veterinário da cidade para vir aqui em casa. Ele cogitou problema no coração, que explicaria a respiração acelerada, a apatia e a ataxia intermitente, pela falta de oxigenação adequada do sistema nervoso central. Só que não pegou nada na auscultação.


A respiração acelerada também podia ter a ver com uma broncopatia, resquício de infecções respiratórias malcuradas, o que justificaria o catarro na garganta e os engasgos bizarros que vem e vão. Só que não apareceu na auscultação igualmente ― nem as tais áreas de silêncio, que dedaram o derrame pleural da Pipoca.

Temperatura, linfonodos e tireoide estavam ok, a elasticidade da pele foi considerada exemplar para a idade e recebi elogios pela longevidade ― o vet brincou que a pequena havia envelhecido melhor do que ele, que nem velho era. Durante a palpação da região lombar, porém, ela mordeu o coitado, ressuscitando a suspeita de artrose.

Eu não queria fazer os exames. Choco é uma gata sensível à manipulação, que passou dias com diarreia de pingar só porque lhe botaram um estetoscópio no peito, no ano passado. E teve cistite quando aumentei as seringadas de patê, receosa com o leve emagrecimento. Mas o homeopata escreveu um pedido tão fofo que cedi.


A equipe de raio-x veio aqui também, porque decidi não economizar nos últimos cuidados com os bigodes, todos na sobrevida ― almoços fora podem esperar e roupa já nem compro mesmo. A ranheta pareceu tranquila e só com o sague no xixi da manhã seguinte é que percebi que sofreu calada.


O resultado deu coração "com dimensões usuais para a idade referida" e pulmões "com aspecto de senescência" ― no latim vulgar, pulmões de velha. O problema estava na coluna, com um combo de espondilose ventral (sim, artrose) + esclerose das placas terminais + espaços intervertebrais com acentuada redução + opacificação/mineralização do forâmen intervertebral.

E da última visita ao tronquinho no gatil, com o equilíbrio prejudicado, para cá, menos de dez dias depois, a peluda perdeu quase completamente a mobilidade, andando com dificuldade apenas até o banheiro, colado ao colchonete coberto com tapete higiênico.


As patas traseiras ainda amanheceram inchadas hoje e o nível avançado desse desafio a prestações pode compreender um trombo ― coágulo de sangue que surge em um vaso sanguíneo do corpo, impedindo a circulação.


O prognóstico definitivamente não é bom, mas com a Keka dividindo os cuidados intensivos, que têm avançado madrugada adentro e recomeçado antes de clarear, só me restou encaixar o choro na hora do banho.

20.3.24

Última visita da Chocolate ao tronquinho?

Minha foto favorita da Chocolate é a do aniversário do ano passado, em que ela curte o vento de olhos fechados, já surda, no seu lugar preferido do gatil: o tronco de árvore que Leo arrastou pelo bairro quando nos mudamos para Araçoiaba, depois de um dos surtos de poda sem critério da companhia de energia elétrica.

Foram dois anos e pouco de contemplação de paisagem, afiação frenética das garrafas, degustação de matinho ― sempre emoldurada pelas capuchinhas, a flor perfeita para quem prefere cuidar de gatos. Com a ataxia intermitente, porém, o equilíbrio da pequena ficou prejudicado e hoje me toquei que ela não consegue mais aproveitar o tronquinho.


Havia levado a peluda ao jardim para os cliques do Gramado da Fama e ela subiu sozinha, como nos velhos tempos, mas fez a travessia inteira se esforçando para não cair ― até desistir e voltar para a caminha. Veterinário da cidade e equipe de raio-x já passaram por aqui, conto com calma em outro post. Todo mundo elogiou os 17 anos da ranheta. Mas isso não me impediu de ficar chateada.


Obrigada triplamente por quem continua acompanhando o Gatoca nesta fase geriátrica! ❤ E especialmente aos apoiadores, que acreditam que a gente ainda pode despiorar o mundo juntos ― só estou tomando um ar, rs. No último mês, 10% das assinaturas do Catarse acabaram inativadas e essa grana faz diferença. :\

Bem-vinda, Isabella Cantelles! Espero que o Cluboca seja a acolhida que você buscava para a Jova e seu rim solo. Já Gabi e Vera Fromme podem botar o pé no sofá porque estão nos bastidores do projeto desde a adoção da Flea e do Snow ― 14 anos, gente!


Encerro com um aperto a distância nos resilientes Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Marcelo Verdegay, Patrícia Urbano, Fernanda Leite Barreto...

... Bárbara Toledo, Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Marilene Eichinger, Guiga Müller, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Karine Eslabão, Michely Nishimura...

...Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida, Ana Cris Rosa, Ana Hilda Costa, Lia Paim, Elisângela Dias, Ivoneide Rodrigues, Melissa Menegolo, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro, Elaigne Rodrigues, Simone Castro, Beatriz Terenzi, Viviane Silva, Regina Hansen, Arina Alba, July Grafe e Sandra Malacrida! 🤗


(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer se tornar apoiador também? Dá uma fuçada nas recompensas da campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 16 anos e meio de projeto. ❤)

28.2.24

Pele flácida em gato: velhice ou desidratação?

Atualizado em 11 de março de 2024

Em algum mês de 1994, eu passava vergonha inclinando cada vez mais na cadeira do oftalmologista, enquanto a assistente tentava alcançar o olho em fuga para ensinar como colocar a lente de contato ― morro de aflição, cheguei a desmaiar nos exames pré-operatórios dos 5,5 graus de miopia. Três décadas depois, eis que o veterinário me manda puxar a pálpebra inferior justo da Chocolate.


A vida é mesmo uma roda gigante, não?

Mas me atropelo. Essa conversa começa com uma possível rinotraqueíte, em uma gata de 17 anos, doente renal crônica. E sem que eu soubesse avaliar se a pele estava flácida pela queda na produção de colágeno, como acontece com idosos humanos, ou por desidratação, apesar da persistência nas seringadas de patê.


Aqui entra a orientação do vet de puxar a pálpebra, porque elas dificilmente ficam flácidas por velhice, servindo de critério de desempate ao apontar graus maiores de desidratação. O teste funciona desta forma:


Como a pele retorna assim que Leo solta (vocês não acharam que eu encararia essa bomba, né?), diferente da lateral do corpo, que demora mais, a hidratação da pequena pode ser considerada sob controle. E para dar um parâmetro de comparação, segue um vídeo da Keka quando era mais nova:


Se a pele do seu amigo levar três (ou mais) segundos para se reestruturar e ele não estiver velhinho como a gangue aqui, corra ao veterinário. Vale ressaltar também que mesmo a flacidez de velhice pode mudar de animal para animal, porque depende da compleição física de cada um ― Keka ainda tem a pele mais firme e a diferença de idade para Choco é de apenas sete meses.


Outras infos importantes:

:: Doença renal, pelo maior especialista em gatos do Brasil
:: 7 dicas que podem salvar seu amigo
:: Diagnóstico renal não significa sentença de morte
:: Sobrevida de 11 anos (e contando)!
:: 9 sinais de doença que a gente não percebe
:: Teste: seu peludo sente dor? Descubra pela cara!
:: Como identificar mal-estar sem sintomas
:: Quando correr ao veterinário?
:: Dicas salvadoras (e vídeo) para dar remédio
:: O difícil equilíbrio ao cuidar de gatos
:: Pesando bichanos com precisão
:: Como estimular a beber água
:: A importância de ter potes variados
:: Gatos sentem o sabor da água
:: O melhor bebedouro para o verão!
:: 13 macetes para dar líquidos na seringa
:: A seringa (quase) perfeita
:: Seringa que goteja para cuidar de gato doente
:: O milagre da água na seringa, seis anos depois
:: Soro subcutâneo: dicas e por que vale o esforço
:: Soro fisiológico, ringer ou ringer com lactato?
:: Em quanto tempo o soro faz efeito?
:: O desafio da alimentação natural
:: Quando a alimentação natural não dá certo
:: Ração úmida mais barata para gato renal
:: Seu pet não come ração úmida (patê, sachê, latinha)?
:: Como ensinar o bichano a amar ração úmida natural
:: Truque para quem não come ração úmida 'velha'
:: Ração em molho: nós testamos!
:: Calculadora de ração felina, seca e úmida
:: A importância das seringadas de comida na velhice
:: Como deixar o patê lisinho (para seringa!)
:: Cuidado com alimentação forçada!
:: Alimentação de emergência para animal desidratado
:: Suco para gato debilitado que não aceita comida
:: Suporte para comedouro pode cessar vômitos
:: Gato vomitando: 4 dicas que ninguém dá
:: Diarreia em bichanos: o que fazer?
:: Quando e como usar fralda
:: Gastrite causada por problemas renais
:: Luto: gatos sentem a morte do amigo? O que fazer?

21.2.24

Existe gato dominante (ou alfa)? | EG #27

Chocolate adoraria. Mas a verdade é que ninguém liga para os esbravejos dela. O mais perto de um líder que Gatoca teve foi Simba, aquele ímã social que Jackson Galaxy, autor de O Encantador de Gatos, livro que inspira esta série, chama de "mojito" ― falamos sobre os arquétipos felinos aqui. Confiante, ele tirava a vida de letra, enquanto "napoleões" e "invisíveis" ficam obcecados em cuidar das próprias coisas, passando a maior parte do dia ansiosos por isso.

A dominância clássica só existe em relacionamentos marcados por uma hierarquia rígida e há poucas evidências de grupos de bichanos que tenham um único gato sempre no topo. Adeptos à flexibilidade e ao compartilhamento, eles ocupam diferentes funções, dividindo o tempo em seus pontos favoritos, e podem revezar o papel de manter tudo sob controle.

Comportamentos que entendemos como agressivos ou "dominantes", demonstram as pesquisas, estão mais relacionados à idade e à familiaridade dos integrantes da gangue. E esse rótulo acaba fazendo com que a gente enxergue os peludos como adversários, tentando subjugá-los em vez de compreendê-los.



(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer se tornar apoiador também? Dá uma fuçada nas recompensas da campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 16 anos de projeto. ❤)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino?
CAPÍTULO 12: Feromônios e os cheiros na comunicação
CAPÍTULO 13: Tem outro bichano vivendo dentro do seu!
CAPÍTULO 14: O segredo da gatitude!
CAPÍTULO 15: Conheça sua maquininha de matar: tato
CAPÍTULO 16: Conheça sua maquininha de matar: bigodes
CAPÍTULO 17: Conheça sua maquininha de matar: visão
CAPÍTULO 18: Conheça sua maquininha de matar: audição
CAPÍTULO 19: Como e o que os gatos caçam?
CAPÍTULO 20: E como eles comem?
CAPÍTULO 21: Felinos se limpam como a cena de um crime
CAPÍTULO 22: E dormem menos do que parece
CAPÍTULO 23: Qual é o arquétipo do seu bichano?
CAPÍTULO 24: Identifique os lugares de confiança dele
CAPÍTULO 25: Gato medroso: faça do esconderijo casulo!
CAPÍTULO 26: 13 curiosidades felinas
CAPÍTULO 28: A importância dos três Rs para um gato
CAPÍTULO 29: Três Rs: o jeito infalível de brincar
CAPÍTULO 30: Três Rs: como alimentar a gatitude
CAPÍTULO 31: Três Rs: limpeza e sono felinos
CAPÍTULO 33: Gatificação: arranhar sem estragos (estreia no dia 18 de outubro!)

14.2.24

Aniversariante do mês – fevereiro de 2024

Hoje, Chocolate* completa 17 anos de adoção e a sensação é de montanha-russa. No último aniversário, contei que ela havia passado a sair cada vez menos do cantinho seguro desde que ficou surda, lembram? Acontece que sua arqui-inimiga unilateral morreu 37 dias depois e a pequena tornou a ganhar confiança de se espalhar pela casa.


E ocupa espaço, viu? Miado de cabrita com ego de leoa compactados em 2,5 kg de gata, nossa gata-anã. Nas últimas semanas, porém, sintomas respiratórios e desidratação se juntaram à doença renal crônica, à ataxia intermitente e ao desconforto de uma provável artrose ― a gente nunca sabe se a criatura sente dor ou está só sendo rabugenta ela. Novo retrocesso.


Tratei, conseguimos reverter boa parte da nhaca, ontem comemoramos o passeio no jardim das fotos acima. Até assistir à coitada sair correndo manquitola para alternar banheiros. Cistite, que só acalmou quando deitou na pia geladinha do lavabo ― reparei agora nessa fixação por lavabos (2010 e 2023). rs


A longevidade tem sabor de brigadeiro, mas às vezes cobra seu preço em jiló.


*Novelinha: Conheça a história da Chocolate

Outros aniversários: 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

2.2.24

Artista mostra como os gatos enxergam!

Eu já falei sobre a visão dos bichanos na série inspirada em O Encantador de Gatos, livro do Jackson Galaxy. Mas o artista digital Nickolay Lamm mostrou como eles efetivamente enxergam usando fotografias editadas. O projeto What do Cats See? contou com a orientação de biólogos e veterinários, e eu fiquei sabendo dele pelo canal espanhol Mascotas y Familias Felices.

O que vocês imaginam que a Chocolate estava vendo quando olhava para mim?


Campo visual

A visão panorâmica dos peludos é maior que a nossa (200 graus contra 180), por isso as imagens que simulam nosso olhar têm uma tarjinha preta nas pontas ― nas laterais eles enxergam 30 graus, contra os nossos 20.


Visão noturna

Como os gatos possuem mais bastonetes, que capturam a luz com mais eficiência, também veem melhor no escuro ― de seis a oito vezes, em comparação ao ser humano.




Em plena luz do dia, por outro lado, ficam saturados, como se o mundo fosse um filme esbranquiçado.


Foco

A predominância dos bastonetes também faz com que os bichanos enxerguem mais embaçado, já que a nitidez é de responsabilidade dos cones, que eles têm em menor quantidade. No geral, nós conseguimos ver imagens bem-focadas a uma distância máxima de 30 a 60 metros, enquanto para os peludos essa distância se reduz a 6 metros.


Cor

Os cones respondem, ainda, pela captação das cores, portanto, outra vantagem nossa, que contamos com uma paleta não só mais variada como vívida. Os gatos são considerados dicromáticos, distinguindo comprimentos de onda de 450 a 454 nanômetros (azul-violeta) e de 550 a 561 nanômetros (amarelo-verde), e não enxergam vermelho. Há estudos, porém, que dizem que o verde para eles fica mais brilhante.




Movimento

Deixei o mais curioso para o final: os peludos veem em câmera lenta! Isso não significa mais devagar, mas, sim, que percebem coisas que nos passam batido, porque se movem muito rápido, como o bater de asas do beija-flor ― habilidade muito útil quando se lida com pequenos animais que mudam de direção rapidamente durante uma perseguição.

Esse poder, no entanto, vem com uma fraqueza associada: aos seus olhos, objetos que se movem muito lentamente parecem parados ― nós temos a capacidade enxergar velocidades dez vezes mais lentas do que nossos amigos.