Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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23.1.26

Diário dos Gatos Yon & Mu: encontro 'Cluboca do Livro'

A moda do anime no Brasil já me pegou velha (de alma). Mas há tempos queria dar uma chance a um mangá e a combinação inusitada de Junji Ito, o mestre do terror japonês, com história fofa felina parecia perfeita, empolgando a galera do Cluboca a ler comigo Diário dos Gatos Yon & Mu (sinopse aqui).

O começo rolou meio atabalhoado, porque fui direto para a última página e perdi as instruções de que a ordem dos quadros também respeitava o sentido inverso, ou seja, da direita para a esquerda. Aí, veio um revival de revistinha Coquetel, interrompendo a narrativa gráfica com perguntas do público para o autor. E cheguei ao fim sem entender por que a Akko não tem pupilas.

A experiência, no entanto, me permitiu revisitar 20 anos de Gatoca ― Jota relutante com a adoção de Yon, peludo dos pais da noiva, e Mu, um norueguês da floresta, depois tentando conquistá-los sem muito jeito, até terminar blindando os pés da cadeira do escritório com rolos de fita crepe para não atropelar rabos inconsequentes.


Eu também chorei no veterinário por um frajola de quem achava não gostar. Mercv queimou os bigodes na vela, contrariando o instinto de sobrevivência. Lily adorava morder. Pufosa desfilava com cocô de Natal no pelo. Pimenta espirrava nas paredes. Intrú voltou semimorto da castração. Toda gangue ostenta um ladrão de ração. Jujuba anda me fazendo ver monstros por privação de sono.

A exposição de animais de raça, de onde saiu Mu, me agradaria mais como abrigo de ONG. Dava para abordar os perigos do acesso à rua em tom menos didático. E a arte não é espetacular, mas gostei bastante da versão polvo da Akko brincando com a dupla e do Goro, o arisquinho dos pais dela, representado por hachuras ― as Gudinhas me submetiam a esse constrangimento social.

Junji Ito, que trabalhava como técnico de prótese dentária, tirou a inspiração para seus contos dos artrópodes (insetos e aranhas) do banheiro da família, localizado ao fim de um túnel. E a encomenda para escrever sobre gatos veio do editor, duas décadas depois, ao notar a mudança no desenho de seus bichanos, antes assustadores, entregando a recente adoção.


A edição estadunidense traz o relato da morte de Yon por insuficiência cardíaca, em fevereiro de 2011, chamado Yon Went to Heaven (Yon Foi para o Céu), e uma carta da esposa de Ito comentando o luto ― conteúdo produzido para uma coletânea japonesa que visava a ajudar os abrigos felinos afetados pelo Grande Terremoto de Tohoku, em 2011.

No nosso encontro de discussão, realizado no último domingo, conversamos também sobre as raízes do mangá, lá no século 8, com os primeiros rolos de pintura japonesa, que associavam textos para contar uma história à medida que se desenrolavam. Os vários gêneros literários, de ação-aventura a negócios e comércio. E a polêmica da pedofilia.

Só em 1999 e 2004 o Japão aprovou leis que criminalizam a prostituição infantil e criação e venda de material pornográfico envolvendo menores. Mas a posse desses materiais segue permitida, dividindo opiniões ― há quem milite pela extensão da punição e quem argumente que personagens fictícios não podem ser vítimas de violência e isso feriria a liberdade de expressão.

Como mulher, exausta com a objetificação e alarmada pelo aumento de feminicídios no país, não posso concordar com conteúdos que normalizem a violência, mesmo que coloridos, com olhos grandões.

Por aqui, aliás, também tem gente produzindo mangá (ganhando prêmio e fazendo sucesso no exterior), graças à globalização. Segundo o PublishNews, entre os 100 quadrinhos mais vendidos no Brasil, de julho de 2023 a julho de 2024, 71% são mangás. E eles representam 46,7% do total de títulos comercializados no período.

Alguns participantes do grupo sentiram dificuldade de se conectar com o formato, porque perdiam informações dos desenhos, que não costumam contemplar. A comunicação truncada do casal, as camas separadas e os animais com nomes de números, que a gente já havia visto em Vou te Receitar um Gato, também chamaram a atenção.


Fernanda curtiu com a filha. Paula recomenda para quem está descobrindo o universo felino. Viviane amou as fotos reais dos peludos. Eliane achou tudo tão esquisito que acabou ficando ótimo. Lorena disse que gosta do clube justamente por desafiá-la a ler coisas que não leria normalmente. E mesmo Cris, que não gostou de nada, admitiu que concluiu em uma sentada.

Ainda pretendo comprar Os Gatos do Louvre, de Taiyo Matsumoto, sobre os peludos que moram no sótão do museu parisiense, dando vida às galerias que abrigam obras de arte mundialmente famosas. E Spy × Family, de Tatsuya Endo, que tem um espião disfarçado de pai de família, casado com uma assassina disfarçada de mãe de família e uma filha adotiva que sabe a verdadeira identidade de ambos porque lê mentes ― em algum momento, Yor vai salvar um gatinho!

*

Quer viver outras histórias, cair na risada junto, se emocionar e culpar o clima seco, basta apoiar o Gatoca com qualquer valor a partir de R$ 15, escolher uma bebida e comprar sua edição favorita ― usando nossos links, uma porcentagem vem para o projeto. :)


Discussões anteriores

:: Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida
:: O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov
:: Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman
:: Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie
:: Felinos e Macabros, coletânea de contos de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker

16.1.26

A gente veio aqui para beber ou se banhar?

Depois de ler a coletânea inteira do Sherlock Holmes, fazer mestrado em Lie to Me, doutorado em Bull, pós-doc em Criminal Minds e curtir as férias entre Agatha Christie e Uma Mente Excepcional, eu sabia que Intrú não tinha lavado o pé no pote de vidro.


É verdade que ele já apareceu por aqui empanado no barro. Mas não precisaria derrubar a água toda para fora tentando contornar o estrago. Aquela terra no fundo da vasilha transbordada contava uma história bem mais improvável. Lembrei, então, do meliante rugoso rondando o terreno ― não entendia, inclusive, por que ele insistia em ficar perto do gato.

Cheguei a fazer uma enquete no Instagram, sem apresentar provas, mas com convicção da suspeita.


Até que dei de cara com o sapo relaxando no spa improvisado.



Gatoca, que já foi Pomboca, Cachorroca (essa e mais sete vezes), Passarinhoca e, quase, Vacoca, estreia a temporada Sapoca.

P.S.: Quer dar risada da minha luta contra a IA para fazer a graça do final do vídeo? Clique aqui!


Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Intrú destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos

9.1.26

2025

Eu podia estar na piscina, lendo na rede ou sendo devorada por formigas em um piquenique, mas estou aqui, lutando contra a epopeia de asfaltamento da prefeitura para escrever esta retrospectiva ― em vez de oferecer o sossego das cidades rurais, Araçoiaba da Serra surpreende com dengue + dez meses de obra, sem conseguir concluir sete quarteirões.

2025, porém, foi o primeiro ano em que nenhum integrante de Gatoca morreu e, para quem teve as expectativas dos últimos quatro réveillons destroçadas, considero que saí no lucro ― se chegar a 22 de maio, Jujuba fará 19 anos! Os 18 ela completou inteiraça. Até pediu o primeiro colo!

Só não sei quais crimes a privação de sono me levará a cometer ― a caminha de tubarão contornou bem a miação de madrugada, mas ainda acordo entre 3h e 5h para dar o sachê, na esperança de evitar os vômitos ornamentais da doença renal.


Este blog também comemorou a maioridade, com esquenta ― quantos projetos vocês conhecem que resistem desde 2007? E gente que não gostava de gatos e passou duas décadas cuidando de uma centena deles? ― em junho visitei o Snow, doado em 2010!

Agora, a versão para celular permite encontrar as informações de um jeito muito mais fácil, graças ao menu sanduíche programado pelo Beto e à busca parida na força do ódio por quem só cursou técnico em processamento de dados porque as outras opções eram mecânica e eletrônica.

As amigas dessa época seguem amigas, aliás, e vieram festejar meu aniversário, pós-faxina descarrego para encerrar a repetição de um 2020 da marmota ― só não funcionou com o celular da Samsung, que estufou com um quarto do tempo que durou o iPhone anterior (nunca mais!).

Leo e eu também quebramos o ciclo de mudar de casa a cada quatro anos ― e finalmente instalamos a rede e a porta do banheiro! O que não podia ter quebrado era a validação da autoridade do Gatoca pelo Google, que mostrava nossos posts nas primeiras páginas, rendendo texto com mais de meio milhão de visualizações.


Para ampliar, cliquem na imagem

Só que a Hostinger tirou o blog do ar por injustificáveis 27 dias, desindexando-o do buscador, deixando milhares de tutores e seus animais sem ajuda e nos fazendo perder apoiadores essenciais para a gincana dos boletos ― a sentença do Juizado Especial Cível saiu nove meses depois, com uma indenização irrisória.

Mas vou continuar gastando canetinha neste planeta árido e botando vocês no Gramado da Fama ― com os programas de afiliados, dá para apoiar o trabalho sem tocar na carteira! O Focus, que compete em idade com a Jujuba, agradece. Assim como Chicão, que me salvou de ficar sem embreagem na estrada. rs

Nossa comunidade é maravilhosa, com direito a amigo secreto de talentos ― nesta edição, transformei a gangue da Paula em livro para colorir. ❤️ E passamos mais um Natal com quem importa. Os laços ainda se estreitaram com o Cluboca do Livro, projeto de que morro de orgulho.

A gente leu e discutiu O Mestre e Margarida, fantasia satírica do russo Mikhail Bulgakov, Um Homem Chamado Ove, comédia dramática do sueco Fredrik Backman, Um Gato Entre Pombos, mistério de detetive da inglesa Agatha Christie, Felinos e Macabros, coletânea de contos de suspense de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker.

Já está agendado, inclusive, o encontro de Diário dos Gatos Yon & Mu, mangá fofo do mestre do terror Junji Ito. Nosso diferencial são, claro, os gatos ― como personagens, no título da obra, ilustrando a capa ou na biografia do autor. E procuro sempre equilibrar escritores homens e mulheres, sem repetir os países nem os gêneros literários.

Nesta retrospectiva, não poderiam faltar os clássicos posts de serviço, sobre os perigos do tapinha na bunda, agressividade por frustração, miados de madrugada, brinquedinhos automáticos, colher com balança para ração, potinhos e hipertireoidismo, enriquecimento alimentar e comedouros interativos, como cortar unha de antissociais, quantas palavras um bichano entende, como usar a IA para cuidar melhor do seu amigo.

E a continuação da série inspirada em O Encantador de Gatos, bíblia do Jackson Galaxy, com os capítulos sobre gatificação: mundo vertical e autoestradas, relógio solar e TV felina, necessidades especiais e mapa da gatice, ferramenta queridinha dos especialistas em comportamento para acabar com a destruição de móveis e disputas de território.

Como os algoritmos das redes sociais entregam conteúdo orgânico para cada vez menos gente, vocês garantem não perder nada assinando nosso boletim (gratuito), de casa nova no Substack. Por falar em casa nova, Intrú ainda não ganhou a ele.

Até descobrimos que tinha uma família bastarda, mas era inadequada como a nossa. Aí, ele ficou doente, seguiu brigando com os intrusos que o sucederam, fez mais inimizades pelo bairro, cavou um cantinho no estúdio do Leo, surtou preso com o temporal e veio para a lavanderia, completou dois anos me roubando sorrisos, sem sensibilizar ninguém.


Que 2026 seja onírico ― porque isso significará que consegui voltar a dormir e que a gata de dentro e o gato de fora estão bem.


Retrospectivas dos anos anteriores: 2024 | 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008 | 2007

2.1.26

Amores brutos

Eles se estranham direto. Intrú foge quando Leo aparece com o chapéu de jardineiro (não sem motivo), Leo fica puto quando ele sobe na mesa do estúdio e se planta na frente dos monitores (justo também).

Mas, no primeiro dia do Ano-Novo, depois de eu ter chacoalhado o gato três vezes para soltar o lagarto travado na boca e a peste conseguir pegá-lo de volta em todas elas, o frajola sai de baixo do contêiner, onde se enfiou para escapar de mim, e deixa a caça preciosa aos pés do amigo.

(Que a levou disfarçadamente para a liberdade, fora do nosso terreno ― e, na semana anterior, já havia resgatado o tapetinho de ioga novo que doei no lugar do velho, por exaustão. Quem precisa de cavalo branco?)



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Intrú destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis

24.12.25

Natal com quem importa

Atualizado no dia 28, para contar que a IA finalmente me pegou

Eu sou vegana e vou cear nhoque. Quando vi Jujuba sentada neste arranhador que mais parece uma travessa, porém, tive de fotografar. 😂 Ela e Intrú já desembrulharam os presentes de Natal, sachês novos da Pet Delícia, que valem um post exclusivo ― com calma, no ano que vem.


Para vocês, desejo a experiência de ser escolhido por um animal de estimação ― esse, certamente, seria o vídeo mais emocionante que qualquer criatura com acesso à internet veria, se não se tratasse de uma obra de inteligência artificial (minha irmã caiu e me pegou de guarda baixa). Tem a versão felina, menos elegante, mas igualmente irreal.

Ainda assim, me fizeram relembrar duas décadas de Gatoca, do Mercv ao intruso com patinhas de elefante, porque, se dependesse de iniciativa, eu não adotaria nem de gato de pelúcia ― sou alérgica a ambos. Celebro este fim de ciclo com a estreia da Ines Rudzit no Gramado da Fama!


Obrigada pela companhia na jornada também, Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Marcelo Verdegay, Fernanda Leite Barreto, Bárbara Toledo...

... Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Marilene Eichinger, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Karine Eslabão, Michely Nishimura, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida, Ana Cris Rosa...

... Ana Hilda Costa, Elisângela Dias, Ivoneide Rodrigues, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro, Elaigne Rodrigues, Simone Castro, Viviane Silva, Arina Alba, July Grafe, Erika Urakawa, Vera e Gabriela Fromme, Lucia Trindade, Aline Silva, Sara Gonçalves, Soraia Mancilha, Celina Matsuda, Paula Martinez, Eliane Clal e Beto "Pena" Spinelli!

*

Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer participar do melhor grupo de WhatsApp ou de um clube do livro diferente? Dá uma fuçada na nossa campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 18 anos de Gatoca.

18.12.25

Quantas palavras um gato entende?

Jujuba acho que não compreende mais nada porque ficou surdinha e Intrú ignora todos os sons que não estejam relacionados à comida ― seja ela viva ou morta, rs. Segundo o veterinário espanhol Carlos Gutierrez, porém, os bichanos conseguem identificar entre 20 e 50 palavras — Billi até se comunicava bidirecionalmente, demandando sua humana com botões e um vocabulário invejável.

Sim, ela foi treinada (a gata, não a humana), mas estudos indicam que os bichanos parecem estar aprendendo a associar palavras no cotidiano, como acontece com os bebês de gente, sem promessas de recompensa ou punição.

Um artigo de 2022, publicado na Scientific Reports, por exemplo, constatou que eles se reconhecem pelo nome e diferenciam os nomes dos amigos de substantivos genéricos. Os pesquisadores tocavam um áudio do tutor chamando um dos irmãos e exibiam a foto certa (condição congruente), depois combinavam outro áudio com a foto errada (condição incongruente). No par incongruente, os peludos se demoravam mais, demonstrando certo estranhamento.

Em gangues como a nossa, a associação entre nome e rosto foi mais frequente, provavelmente porque existem mais oportunidades de ouvir esses nomes em ação. O tempo de exposição aos estímulos também ajuda no processo, dando vantagem aos integrantes mais antigos da família ― essa facilidade pode ter a ver igualmente com a idade, já que as habilidades cognitivas se desenvolvem ao longo da vida.


Já no estudo de 2024, publicado na mesma revista, a maioria dos gatos se habituou à combinação de estímulo visual e sonoro após quatro ensaios com nove segundos de exposição, compreendendo duas tentativas para cada par, enquanto bebês humanos precisam de quatro ensaios de 20 segundos para um único par, uma associação bem mais demorada.

Os bigodes também conseguem distinguir nossa voz da voz de desconhecidos, mapeiam mentalmente onde estamos quando solicitados e preveem nosso humor. Essa capacidade de aprendizagem está ligada à socialização e curiosidade do animal.

Para estimular, escolham palavras curtas e diretas ("vem", "comida", "não", "bem/bom", "dormir"), repitam usando tons mais agudos e alegres, como se conversassem com uma criança, e recompensem oferecendo carinho ou petiscos ― o exercício é mais sobre linguagem corporal e como a gente pronuncia os sons do que sobre as palavras em si.

Eu mesma fracassei na missão durante duas décadas, mas Mercvrivs aprendeu a miar "mãe" espontaneamente para me dobrar. ❤️

11.12.25

O potinho do seu gato pode causar hipertireoidismo

Quando eu adotei o Mercvrivs, não se testava para FIV e FeLV, ninguém falava de enriquecimento ambiental (muitos gatos ainda iam para a rua) e os comedouros eram de plástico. Ao longo de duas décadas, virei do avesso o manejo com os bigodes, mas os potinhos sempre ficavam, porque, tirando a Pufosa, a gangue preferia comer neles.

Sabia que o material poroso acumulava mais bactérias, causando a acne felina, só que considerava menos pior do que ter nove renais em greve de fome. Na semana passada, porém, ouvi em um podcast com a Isa Gateira e a veterinária Gabrielle Martins que a maioria dos comedouros de plástico para animais contém BPA (bisfenol A), substância química potencialmente cancerígena ― proibida em embalagens de alimentos na união Europeia, China e Canadá.

E, como se não bastasse uma doença que vem acompanhada de quimioterapia, o BPA ainda desregula os hormônios da tireoide, favorecendo o hipertireoidismo. Agora sobrou apenas Jujuba, que inclusive tem essa suspeita, e Intrú, cuja comida preciso regular, então pretendo testar de novo opções de vidro, inox e cerâmica.


O BPA também é usado no revestimento de latas, que geralmente levam iodo em excesso, outro fator de predisposição à enfermidade. Como sou entusiasta da Pet Delíciamais de oito anos, me sinto na obrigação de explicar que as latinhas de alimentação úmida deles não têm BPA e a quantidade de iodo respeita o mínimo sugerido pela The European Pet Food Industry Federation, uma média de 0,20 mg por quilo.

Informações sobre hipertireoidismo em gatos vocês encontram aos montes na internet. Mas vale resumir que os sintomas se confundem com outras doenças, como a renal e diabetes, compreendendo emagrecimento rápido (mesmo comendo mais), agitação e até irritação, pelo opaco e quebradiço, vômito e diarreia.

A tireoide aparece aumentada na palpação, durante o exame clínico, e trata-se de uma disfunção que acomete mais bichanos idosos, embora fatores imunológicos também possam influenciar o quadro, como a produção exacerbada de imunoglobulinas.

Tem, ainda, a matéria bizarra da Veja culpando a poeira de móveis e equipamentos eletrônicos produzidos com "retardantes de chamas bromados" (BFR, em inglês), usados para evitar que peguem fogo, segundo pesquisa da Universidade de Estocolmo, na Suécia, mas essa eu deixo para vocês lerem lá. rs

26.11.25

Enriquecimento alimentar e comedouros interativos

Atualizado às 23h, para inserir os vídeos prometidos

Gatos são criaturas ativas e curiosas, o oposto das almofadas em que se transformam quando ficam presos em casa. Isso quer dizer que vocês devem deixar o peludo dar aquela virada de lata pelo bairro? Claro que não. Muito já se discute, aliás, sobre enriquecimento ambiental, mas ainda ouço falar pouco de enriquecimento alimentar.


Pensem que, quando a barriga começa a roncar na natureza, o bichano tem todo o trabalho de procurar a presa e raciocinar como pegá-la, estratégia que a gente até pode transformar em brincadeira, se não trabalhasse fora o dia inteiro. Resta aos coitados o tédio da alimentação monótona: mesma ração, mesmo potinho, mesma localização.

Aí, entram os comedouros interativos ou inteligentes, que incentivam o forrageamento (ato de buscar e explorar recursos comestíveis), evitando ansiedade e outros problemas comportamentais. Os principais pilares do enriquecimento alimentar, segundo a veterinária Larissa Rüncos são, portanto, complexidade, dificuldade e novidade.


Esses quebra-cabeças (ou puzzle toys) também ajudam a regular o ritmo das refeições, contribuindo para uma digestão saudável e prevenindo obesidade. Foi por isso, inclusive, que comprei um tabuleiro para o Intrú, o gorducho que já tinha ganhado uma colher com balança digital, 😂 ― e só pude estrear um ano e meio depois, já que no jardim as formigas não permitiam.


A teoria parece perfeita, mas funciona na prática?

Depende da velocidade de alimentação do animal e do formato do comedouro interativo que você escolher, principalmente nas famílias com mais de um gato. A ideia é ir testando até encontrar opções que, distribuídas pelos cômodos, possibilitem que cada um consiga acessar sua favorita e todo mundo coma ao mesmo tempo.

Se o bichano está acostumado com a ração poeirenta, precisa fazer uma transição ― não vale deixar passar fome ou se estressar, hein? Primeiro, coloquem um pote extra, em outro lugar, estimulando a procura. Depois, escondam petiscos pela casa. Só então apresentem o brinquedinho recheado.


Intrú aprendeu rapidinho a deslizar as peças do tabuleiro com a pata e o focinho. Mas nessa versão os grãozinhos encalham nas reentrâncias, demandando umas chacoalhadas antes de lavar. A vantagem é que ela custa barato ― como os preços ficam mudando na Black Friday, seguem os links para comprar na Amazon e no Mercado Livre.


Outro sucesso foi o joão-bobo da abertura do post (em promoção no Mercado Livre), que solta a ração rolando tipo um bichinho em fuga. Só não recomendo para pisos muito lisos, porque ele desliza em vez de tombar, causando mais frustração do que diversão.


E quero experimentar este modelo "faça você mesmo" (a partir de 10 minutos e 44 segundos), com rolinhos de papel higiênico ou toalha, sugerido pelo Jackson Galaxy, especialista em comportamento felino. Vocês também podem comprar objetos para cães de pequeno porte, mais comuns nos pet shops tradicionais.

Uma iniciativa simples, mas crucial para a saúde física e mental de gatos que vivem em ambientes fechados. ❤️

14.11.25

Corpo fechado por Chicão: adeus embreagem do carro

O primeiro estalo Leo achou que fosse da bota no pedal. A gente estava na Rodovia Raposo Tavares, voltando de Sorocaba. O segundo e o terceiro me pegaram sozinha, descartando a bota masculina como fator causador. Aí, no fim de semana da Cláudia Lemes no Sesc, a embreagem travou a tempo de voltar o carro para a garagem e não deu para fugir do mecânico.

A boa notícia era que o pedal havia soltado da estrutura e eu não morri na estrada. A má notícia era que o pedal havia soltado e custaria quase R$ 1 mil para trocar a estrutura ― um veículo de 17 anos não oferece muitas opções de peças de reposição.


O Chicão gordinho foi presente da Rose e o magrelo, da Tati

A recepcionista, gateira e protetora nas horas vagas, se compadeceu do meu desalento e passou o dia escrevendo para lojas em São Paulo. Na manhã seguinte, o marido soldou, então, o pedal quebrado, lixou e pintou, sem cobrar nada pela recuperação da peça, só a mão de obra de desmontar e montar tudo de novo.


Ainda me deram desconto no pagamento à vista. E, como naquelas telecompras em que não param de anunciar brindes, Laís indicou uma veterinária especializada em gatos, que atende emergências no domicílio ― quem me indicara a oficina foi justamente a vizinha que alimenta os bichanos na outra ponta do bairro. ❤️

Na volta para casa, começou a chover e o limpador de para-brisa virou ao contrário. Mas persisti viva.

6.11.25

Felinos e Macabros: encontro do Cluboca do Livro

Terror não é meu gênero literário favorito ― só parei de me assustar com barulhos estranhos quando adotei o Mercvrivs. Mas Edgar Allan Poe, Bram Stoker e H. P. Lovecraft ainda influenciam o cinema e a literatura contemporâneos e não tinha momento mais propício para encarar esse medo do que no Halloween, né?


A editora Pandorga ainda lançou uma coletânea de contos deles, junto com Arthur Conan Doyle, James Bowker, Norman Hinsdale Pitman e E. F. Benson, falando justamente sobre gatos ― e uma onça-preta. O encontro de discussão sobre Felinos e Macabros rolou no domingo que antecedeu o Dia das Bruxas, por isso as superproduções.

Cristina Barreto aproveitou para indicar o livro Mulheres e a Caça às Bruxas, da filósofa italiana Silvia Federici. E usamos como fio condutor a habilidade dos homens de fazerem homice, sugestão da Lorena da Fonseca.


Para ampliar, cliquem na imagem

Em O Gato Preto, Edgar Allan Poe (1809 - 1849) nos tortura com um narrador que passa de amante dos animais a assassino da própria esposa, culpando a "intemperança demoníaca" ― quando o sucessor do Plutão resolve se esfregar nele, todo ronronento, a gente quer sair gritando: "Corre, boy lixo!".

O escritor estadunidense é mestre em criar esses personagens que vão se perdendo na própria loucura, com um toque de sobrenatural, deixando o leitor angustiado até a última linha. Sua obra deu origem à ficção policial e contribuiu também para o desenvolvimento da ficção científica.

O próprio Poe teve uma morte misteriosa: encontrado delirando nas ruas de Baltimore, em 7 de outubro de 1849, faleceu quatro dias depois, aos 40 anos, sem a lucidez necessária para explicar como havia chegado àquele estado. As teorias incluem tentativa de suicídio, cólera, raiva, sífilis e até captura por agentes eleitorais.

Sua primeira biografia o retratava como um depravado, bêbado e louco, mas era assinada pelo rival, crítico e antologista Rufus Wilmot Griswold.

Gostou de Poe? O Coração Denunciador (ou delator, dependendo da tradução), tem essa mesma pegada e acaba de ser homenageado no seriado Dexter: Ressurreição, que eu também recomendo. Já as meninas indicaram A Queda da Casa de Usher, que deu uma roupagem contemporânea a outro clássico do autor.


Os Gatos de Ulthar, de H. P. Lovecraft (1890- 1937), conta a história de um velho camponês e sua esposa, que assassinavam os bichanos que ousassem se aproximar do casebre macabro. Quando uma caravana de "viajantes de pele escura" chega à cidade para ler a sorte no mercado e o peludo de Mene desaparece, ele se põe a horar em uma língua desconhecida, fazendo a gente vibrar com os besouros no final.

Apesar do orientalismo, bem-apontado pela Aline Silpe, foi uma grata surpresa para quem conhecia o mestre do horror cósmico por Nas Montanhas da Loucura, uma chatice que leva dez páginas para descrever o raio da montanha e usa termos tão tecnicamente incompreensíveis para criaturas que podem se tratar de polvos ou batatas.

O escritor estadunidense também não conta muito com minha simpatia. Sim, ele influenciou o thriller contemporâneo, inspirando Stephen King e Alan Moore, mas era racista, antissemita e xenofóbico, até mesmo para os EUA sob as leis Jim Crow, de segregação racial.

Em cartas pessoais, declarava sua simpatia por Hitler, pregava a supremacia da "raça ariana", fazia apologia ao linchamento de pessoas negras (lamentando o fim da escravidão) e manifestava repulsa à miscigenação. A bizarrice? Ele foi sustentado pela mulher, a designer de sucesso Sonia Greene, que era judia!


Arthur Conan Doyle (1859- 1930) escreve, em seu O Gato Brasileiro, sobre um solteirão falido, que passa os dias atirando em pombos e aceita o convite de um primo rico para visitar a mansão na Inglaterra onde coleciona animais estrangeiros, principalmente trazidos do Brasil.

Entre cervos, queixadas, papa-figos, tatus e bestas, está a onça-preta que dá título ao conto e, infelizmente, degustará apenas um deles. Concordo com a Vanessa Araújo que podia ter terminado cinco linhas antes, aliás.

O autor escocês foi influenciado por Poe e, com seu Sherlock Holmes, personagem inspirado em um professor da faculdade de medicina, revolucionou a literatura de mistério e detetive. O título de Sir, porém, não é tão honroso assim, devendo-se ao panfleto que Doyle redigiu para justificar a guerra do Reino Unido contra os colonos de origem francesa e holandesa na África do Sul.

Cego de espiritismo, depois de perder a primeira esposa, um dos filhos e o irmão, ele também bateu cabeça contra a ciência, perdendo a amizade com Houdini por se recusar a acreditar que seus feitos não passavam de ilusões e teve o livro As Aventuras de Sherlock Holmes proibido na União Soviética, em 1929, por suposto ocultismo.

Mas a gente perdoa porque, morrendo de ataque cardíaco aos 71 anos, o escritor disse como últimas palavras à esposa que ela era maravilhosa. Sem contar que minha adolescência sem Um Estudo em Vermelho não teria a menor graça.


O Gato Espectral, de James Bowker (1877-1943), se passa em Whittle-le-Woods, região densamente arborizada e selvagem, onde a comunidade decide construir uma igreja, que insiste em aparecer na cidade vizinha, sob os protestos do padre Ambrose. O troféu "homice" vai para os dois vigias, que, como vocês podem concluir, não valem por meio.

Sobre o autor britânico não consegui encontrar nada no Google, exceto a informação de que esse conto integra uma coletânea de histórias folclóricas escritas em 1878, sob o título de Goblin Tales of Lancashire (Contos de Goblins de Lancashire).


Em O Tigre que Aquiesce, Norman Hinsdale Pitman (1858-1917) faz um lenhador ser devorado na floresta, levando a mãe idosa a cobrar reparação na justiça. Do tigre. E sobra para o assistente bêbado e sonolento, que não estava prestando atenção na audiência, a tarefa de levar o felino ao tribunal.

Também não tem muita coisa sobre o poeta canadense na internet, além do fato de que ele trabalhou como professor na China e contribuiu para disseminar o folclore chinês aos falantes de inglês, escrevendo coletâneas de fábulas e lendas.


A Índia, de Bram Stoker (1847-1912), estraçalha nosso coração com um casal em lua de mel que convida um estranho para acompanhá-los ao Castelo de Nuremberg, na Alemanha, onde fica a Torre da Tortura, e o infeliz decide jogar uma pedra no filhotinho de gato que brincava com sua mãe, sob a justificativa de aumentar a diversão.

O irlandês que revolucionou o gênero de vampiros com um vilão imortal, o Conde Drácula, nunca visitou a Europa Oriental, onde se passa o romance, casou com a paquera do Oscar Wilde e morreu após vários derrames. Dizem que se inspirou em Carmilla, romance lésbico de Sheridan LeFanu, lançado em 1872, que também tem gato.


E. F. Benson (1867-1940) assina os dois últimos contos, respiros da coletânea, porque parecem mais crônicas de gateiro do que histórias de suspense e mistério. Em A Gatinha, ele diz que "nenhum tipo de persuasão fará um gato desviar um milímetro sequer do curso que planeja seguir. Eles nos utilizam e, se os satisfizermos, até podem chegar ao ponto de nos adotar".


Já em E Assim Surgiu um Rei, a convivência com os bichanos é descrita como formas de governo: primeiro republicano, com gatos trabalhadores, que se sentavam em frente a buracos de ratos por horas a fio, passando então por dois meses de anarquia sombria, sem presidente ou qualquer governante, e culminando na monarquia de Cyrus, após uma revolução pacífica, já que o filhote persa, descoordenado e catarrento, chegara em uma cestinha de vime.

A biografia do autor inglês também contraria a linha editorial dos colegas: Benson era homossexual, o que explica a sensibilidade para narrar o universo felino. Em suas obras, ele costuma destacar as peculiaridades e os rituais da classe média-alta vitoriana, usando a sátira afiada e o humor sutil para desmascarar as excentricidades e contradições.

Seu último livro, entregue à editora dez dias antes de morrer de câncer na garganta, foi uma autobiografia intitulada Edição Final ― como não querer ser amiga desse figura?


Eliane Clal definiu bem a experiência: "Péssima, maravilhosa, péssima". Um desafio para quem gosta de animais, com autores incontornáveis (apesar de suas homices), que brincam com as nossas emoções como gatinhos e seus novelos. Sorte nossa que tem cada vez mais mulheres se destacando nesse gênero.

No sábado anterior, inclusive, eu participei do bate-papo organizado pelo Sesc Sorocaba com a Nicole Annunciato e a Cláudia Lemes, finalista do Jabuti, que em algum momento estreará no nosso clube.


Terror e suspense: do clássico ao moderno

Ao final do encontro, para manter o clima, a câmera do laptop morreu, minha imagem congelou roxa e a foto de um frajola misterioso entrou na chamada, rendendo à Regina Haagen o troféu involuntário de assombração de videoconferência.

*

Quer viver outras histórias, cair na risada junto, se emocionar e culpar o clima seco, basta apoiar o Gatoca com qualquer valor a partir de R$ 15, escolher uma bebida e comprar sua edição favorita ― usando nossos links, uma porcentagem vem para o projeto. :)


Discussões anteriores

:: Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida
:: O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov
:: Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman
:: Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie

27.10.25

Dois anos do gato que ninguém quis

As pessoas enxergam um frajola comum, já com 6 anos, positivo para FeLV. Mas Intrú é o doce que se revela naquele sorvete azedinho, alívio cômico para os dias cinzas, buzina antissolidão. Chegou metendo o nariz rosado onde não era chamado, fez morada obstinado, ignorou dois humanos e quatro gatos.

Quando decidiu que merecia mais do que o chalé das madrinhas (❤️), obrigou Leo a improvisar um trono no estúdio, proibido para a gangue por causa dos equipamentos de fotografia, e chegamos até a tentar uma adaptação indoor. Só que a criatura surtou presa de madrugada, jogou no chão uma caixa de som pesada e fugiu pela janela impossível do banheiro.

Toca adaptar uma terceira residência para temporais, roubando a caminha de cachorro das doações e inutilizando a máquina de lavar, porque a lavanderia tem toldo na entrada e dá para isolar o elefante preto e branco da Jujuba ― a leucemia felina impede a convivência.

Ele ainda corre os riscos da rua e, de vez em quando, visita a família bastarda. Mas queria mesmo era trocar de lado da porta. A única exclusividade possível em Gatoca, no entanto, é a desta categoria no blog.



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Intrú destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Amores brutos
:: A gente veio aqui para beber ou se banhar?

23.10.25

Gatificação: mapa da gatice | EG #38

Aproveitando a moda dos Bobbie Goods, que tal botar as canetinhas no álcool e desenhar o mapa da gatice da sua casa? Os capítulos anteriores desta série, inspirada em O Encantador de Gatos, livro do Jackson Galaxy, dissecaram os componentes de um lar gatificado: recursos do acampamento de base, arranhadores, mundo vertical e autoestradas (sem pontos de conflito ou zonas de emboscada), relógio solar e TV felina.

A ideia, agora, é fazer a coisa toda fluir.


Edição do jogo Boa Viagem que sobreviveu a quatro décadas

Comece pela planta baixa da residência, aquela que marca a divisão dos cômodos, com as portas e janelas, sabe? Inclua, então, os principais móveis humanos. E, usando uma cor para cada bichano, destaque com estrelas os lugares mais valorizados ― onde eles dormem, brincam, arranham. Mesmo que você não aprove. rs

Olhando essas áreas socialmente relevantes, já dá para identificar os móveis mais visados (e, muitas vezes, disputados), as áreas de maior trânsito e os pontos de discórdia, certo? Você provavelmente deve ter percebido também uma sobreposição entre os cantinhos favoritos dos peludos e os espaços onde sua família costuma se reunir.


Jogo Boa Viagem em quatro minutos de Intrú


Esse compartilhamento territorial é uma das bases da gatificação (ou enriquecimento ambiental) ― não adianta adotar o gato e querer que ele se contente com a lavanderia. Identificar o centro do território do seu amigo (ou gangue) permite planejar como distribuir melhor essa gatificação.

Para isso, marque no mapa a posição original dos itens do acampamento de base (os marcadores de cheiro): potes de comida, bebedouros, arranhadores, caminhas, autoestrada. Ficou tudo meio junto? Trate de espalhar, considerando os hábitos de cada integrante felino, os atritos e a convivência com os humanos.


Exemplo retirado do livro do Galaxy

Vale ressaltar que o mapa da gatice é uma coisa viva, assim como as relações que ele documenta. As preferências, portanto, tendem a mudar ao longo do ano, porque o sol bate em lugares diferentes, conforme a estação, e inverno pede cobertor quentinho, por exemplo, enquanto o piso frio da cozinha se mostra imbatível no verão.

E você deve ter notado que eu não falei da caixa de areia, né? É que ela merece um capítulo exclusivo. :)


(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer participar do melhor grupo de WhatsApp ou de um clube do livro diferente? Dá uma fuçada no nosso financiamento coletivoaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 18 anos de projeto. ❤)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino?
CAPÍTULO 12: Feromônios e os cheiros na comunicação
CAPÍTULO 13: Tem outro bichano vivendo dentro do seu!
CAPÍTULO 14: O segredo da gatitude!
CAPÍTULO 15: Conheça sua maquininha de matar: tato
CAPÍTULO 16: Conheça sua maquininha de matar: bigodes
CAPÍTULO 17: Conheça sua maquininha de matar: visão
CAPÍTULO 18: Conheça sua maquininha de matar: audição
CAPÍTULO 19: Como e o que os gatos caçam?
CAPÍTULO 20: E como eles comem?
CAPÍTULO 21: Felinos se limpam como a cena de um crime
CAPÍTULO 22: E dormem menos do que parece
CAPÍTULO 23: Qual é o arquétipo do seu bichano?
CAPÍTULO 24: Identifique os lugares de confiança dele
CAPÍTULO 25: Gato medroso: faça do esconderijo casulo!
CAPÍTULO 26: 13 curiosidades felinas
CAPÍTULO 27: Existe bichano dominante (ou alfa)?
CAPÍTULO 28: A importância dos três Rs para um gato
CAPÍTULO 29: Três Rs: o jeito infalível de brincar
CAPÍTULO 30: Três Rs: como alimentar a gatitude
CAPÍTULO 31: Três Rs: limpeza e sono felinos
CAPÍTULO 32: Gatificação: um lugar para onde voltar
CAPÍTULO 33: Gatificação: arranhar sem destruir a casa
CAPÍTULO 34: Gatificação: planejamento urbano antitreta
CAPÍTULO 35: Gatificação: mundo vertical e autoestradas
CAPÍTULO 36: Gatificação: relógio solar e TV de gato
CAPÍTULO 37: Gatificação: necessidades especiais
CAPÍTULO 39: Gatificação: caixa de areia (estreia no dia 20 de novembro de 2025)

15.10.25

Colher com balança digital para ração: prós e contras

Se vocês me pegarem em um dia normal, vou dizer que a colher medidora de ração com visor digital para informar o peso quebra bem o galho. Agora, se a pergunta cair na madrugada em que ela soltou do cabo e espalhou grãozinhos pela cozinha inteira, talvez eu gaste os primeiros minutos xingando o designer de produto.

Sim, a ideia é facilitar a limpeza, já que a parte da bateria não pode molhar. Mas não precisava ser tão frouxa. Só funciona com mãos firmes, aliás, porque o peso muda conforme a inclinação ― precisa ligar com a colher apoiada em uma superfície plana, pegar o que se quer pesar (líquido ou sólido) e segurá-la horizontalmente. No ar ― algum físico explica?

Serve para quê, então? Para evitar a fadiga de tirar a balança tradicional da gaveta, sujar um recipiente trambolhudo e ter de descontar o peso dele no cálculo final, caso esqueça de zerar a tara. Dá, ainda, para alternar entre diferentes unidades de medida: grama (g), grão (gn) e onça (oz).

No caso do Intrú, beneficiário dessa compra porque não sabe lidar com oferta abundante de comida (chegou aos 6,1 kg!), eu cubro o fundo do pote com o molho da Pet Delícia e uso a colher para polvilhar a ração seca por cima, em menor proporção ― embora ela aceite até 500 g.

Assim, não corro o risco de ceder aos apelos frajolísticos. rs


Sinto que essa colher não joga a meu favor...


9.10.25

Cluboca do Livro: um ano de literatura e gatos!

Tudo começou com resolução de usar menos as redes sociais para voltar a ler livros em papel ― Mari ainda não havia comprado o Kindle e eu não fazia ideia de que preferiria e-books nas caminhadas ou antes de dormir. Era a virada de 2018 para 2019 e Leo escolhera o incentivo perfeito de presente de aniversário: a obra completa do Sherlock Holmes, escrito por Arthur Conan Doyle.

Eis que, por uma dessas coincidências bizarras do destino, a edição especial de Halloween do Cluboca do Livro tem um conto justamente do Doyle, chamado O Gato Brasileiro.


Mas faltou falar da criação do clube, né? Eu precisava espalhar para o mundo que os livros estavam me salvando em uma fase bem difícil. Entre os alarmes de cuidados dos felinos idosos, podia investigar assassinatos com idosos humanos. Sem sair de casa, dançava balé em Paris. O coração pesado pelas perdas descansava em um quarto que se moldava a humores mais leves. Ainda recorria aos acervos gratuitos da Biblion, do Skeelo (incluso no plano de celular) e da Amazon.

Nosso diferencial, claro, seriam os gatos ― como personagens, no título da obra, ilustrando a capa ou na biografia do autor. E, ao longo dos últimos 365 dias, tive o cuidado de equilibrar escritores homens e mulheres, sem repetir os países nem os gêneros literários.

Começamos por Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida, um misto de ficção de cura e realismo mágico. Aí, encaramos O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov, uma fantasia satírica. Relaxamos, então, com Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman, o mestre da comédia dramática. E, recentemente, estouramos pipoca com Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie, clássico mistério de detetive.


No dia 26, discutiremos Felinos e Macabros, coletânea de contos de terror assinados pelos estadunidenses Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Norman Hinsdale Pitman, pelo escocês Doyle, pelo irlandês Bram Stoker, pelo inglês E. F. Benson e por James Bowker, de quem não consegui descobrir a nacionalidade. Devo improvisar uma fantasia de bruxa ou vampira, com o guarda-roupa de ex-gótica. rs

Quer viver outras histórias, cair na risada junto, se emocionar e culpar o clima seco? Basta apoiar o Gatoca com qualquer valor a partir de R$ 15, escolher uma bebida para acompanhar os bate-papos (vale chimarrão, suco verde, chá de cogumelo, drink com guarda-chuvinha) e providenciar os livros ― usando nossos links, uma porcentagem vem para o projeto. :)


- Felinos e Macabros em papel
- Felinos e Macabros em e-book
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