Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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11.8.26

19º aniversário do Gatoca!

Há um tempo, comecei a me questionar se o Gatoca ainda fazia sentido: quase duas décadas escrevendo sobre o mesmo assunto, enquanto as pessoas preferem assistir a vídeos, cada vez mais curtos. Os algoritmos também jogam contra, ainda tem a inteligência artificial roubando conteúdo sem dar o clique. E a Hostinger terminou de afundar o projeto tirando-o do ar por 27 dias ─ briga que ganhamos, mas com valor pífio e um advogado que conseguiu protocolar o recurso no processo errado.


Em privação de sono e enterrando um gato atrás do outro, porém, me faltava energia até para desistir. E segui enfileirando letras com os olhos ardendo ─ de cansaço, de tristeza, de desânimo. Jujuba partiu, veio a viagem para a França, depois a adaptação do Intrú. Tudo atropelado, para uma criatura que paga o plano de aposentadoria desde os 18 anos.

Eis que voltei a sonhar ─ primeiro, aquele sonho de quem consegue relaxar o corpo gostoso na cama e só levantar ao amanhecer. Agora, com novos caminhos para o Gatoca. Já amo de paixão nosso clube do livro e me diverti na última semana fotografando as patinhas do elefante para a animaçãozinha do Catarse.


O blog também está recuperando a relevância no Google: o relatório de julho surpreendeu com 233 mil visualizações, 2,5 mil cliques e 112 páginas novas indexadas — não era exagero dizer que a incompetência da Hostinger fez o buscador acreditar que não existíamos mais, afinal, só publico quatro posts por mês.

Parte dessa vitória compartilho com vocês, por persistirem no engajamento, quando a gente parecia falar sozinho ❤️. Outra parte fica com o Beto, que programou a versão para celular, muito mais usada atualmente. E a terceira vai para o João, que nos ajudou a migrar para a Cloudflare, um serviço mais moderno e seguro, além de gratuito.

Acho que o Google também ficou com receio de não ter mais para quem empurrar anúncios na internet morta e passou a incluir nossos links nos textos gerados por IA ─ voltei a receber pedidos de ajuda e mensagens fofas de agradecimento no inbox do Instagram.

Quando parecia que não dava para melhorar, ontem à noite, data do aniversário oficial do Gatoca, Intrú veio deitar no meu colo exatamente como Mercv fez a maior parte desses 19 anos: apoiando as patinhas no meu braço até a tendinite decretar encerrado o dia de trabalho. Os olhos tornaram a arder, mas de saudade boa, recomeço, esperança.


Quem topa um festão de 20 anos em 2027?

*

Até agora, foram 1.944 textos informativos, engraçados, emocionantes, mobilizadores. Mais e-book, boletim (de cara nova!), tentativa de canal no Youtube. E surpresa em forma de jogo (Gatonó), coletânea literária (Depois da Quarentena), série (AssassiGato), além do Cluboca do Livro, que comentei lá em cima.

Uma comunidade mobilizada, com experiências trocadas em 14,3 mil comentários, grupo acolhedor no WhatsApp e 28 parceiros ao longo da jornada — destaque especial ao Wings For Change, à Pet Delícia e à prefeitura de Sorocaba, na gestão anterior.

Os braços offline do projeto ainda envolveram 116 gatos, oito cachorros e quatro aves, um mutirão de castração, oficina com escoteiros e bandeirantes, roda de conversa com adolescentes, curso no Sesc sobre o poder do coletivo, clube de leitura na ONU, sob a imaginação da Rosana Rios.

Tudo isso com o apoio dos leitores, em forma de rifa, lojinha, financiamento coletivo, clube de assinaturas, programa de afiliados.


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31.7.26

Gatos históricos de Paris ─ e a viagem à França (#1)

Atualizado às 19h57

Quando elas decidiram comemorar nossos 30 anos de amizade em Paris, eu estava cuidando da Keka, senão teria respondido com a complacência destinada às crianças que ostentam rabiscos como Picasso. Os planos seguiram, Keka partiu, emendei os cuidados com a Jujuba e nos intervalos tentava acompanhar os vídeos temáticos que se acumulavam no grupo.

Não é que me faltasse só corpo (e emocional), eu também não saberia de onde tirar a grana para uma viagem internacional ─ nem bate e volta para a praia rolava há sete anos. Mas não adiantava argumentar. Aceitariam minha ausência apenas em caso de morte ─ da gata, o que acabou acontecendo, na semana anterior. E tudo saiu ainda mais caro pela possibilidade de cancelamento.


Eli pagou o hotel com cama extra, Fê trocou milhas pela passagem de avião, MFê comprou o ingresso mais alto para a torre Eiffel, aquele que incluía champanhe, Bá escolheu um restaurante vegano do Guia Michelin e a camiseta girls trip ficou por conta da Tati. Minha participação se resumiu a desenhar a baby look de zoeira, com a ajuda do Leo, e ligar o computador por quatro madrugadas até conseguir ingressos gratuitos dos museus mais disputados ─ acordada eu já estava.


De peruca e sorriso congelado na torre


Fazendo valer a camiseta na Cloud Cakes

No pacote, ainda entrou a Disney, com hospedagem do Toy Story e a icônica queima de fogos no castelo, um sonho que minha mãe não viveu para realizar e de que Eli me outorgou representante (motivo da cara inchada na foto). Nem fui a melhor das companhias ─ precisava desesperadamente dormir, sofria com o frio embrulhada em múltiplas camadas de roupa, não podia comer em qualquer lugar, sempre sobrava para trás fotografando.


Esnobando seu Valdisney


Sendo esnobada de volta


Sentindo saudade

Espero retribuir o carinho com esta série ─ tinha tanta coisa incrível para ver que muitas vezes o contexto passava batido. E estendo também a vocês, que me conheceram uma década depois, já gostando de gatos ─ aos apoiadores, trouxe presentes. E Intrú ganhou um Remy, o ratinho de Ratatouille, para assassinar sendo fofo.

Bouquinistes

Às margens do Sena, eles compõem a maior livraria a céu aberto do mundo, uma tradição que vem do século 16, hoje considerada patrimônio cultural imaterial da França ─ os bouquinistes aparecem até no clipe novo da Céline Dion. Cerca de 900 caixas verdes fixadas ao parapeito do rio se desdobram em barracas para comercializar 300 mil livros usados, de edições antigas a raridades, cartazes, cartões postais, gravuras, selos e colecionáveis.


Para ampliar, cliquem nas imagens


Jardim de Luxemburgo

Abriga o palácio que atualmente serve como sede do Senado, a Fonte Médici, plantas escupidas como estátuas e estátuas que parecem reais. Talvez não seja o caso deste gatão, encomendado para representar poder e proteção, mas seu criador tem uma história legal: Jean-Baptiste Henraux recuperou a pedreira de mármore do Monte Altíssimo, na Itália, de onde Michelangelo retirou os blocos para a Basílica de San Lorenzo ─ e em que descobriram recentemente uma sala secreta com estudos atribuídos a ele.



Shakespeare and Company

Inaugurada por George Whitman em 1951, a livraria foi considerada por Sylvia Beach uma "sucessora espiritual" da sua, ponto de encontro para escritores expatriados como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e T. S. Eliot ─ Beach publicou Ulysses, de James Joyce, quando ninguém mais ousava fazê-lo! Mesmo a Shakespeare and Company atual teve entre seus visitantes Anaïs Nin e Julio Cortázar.


Eles provavelmente dividiram o espaço com algum mascote, porque quatro cachorros e oito gatos vêm se revezando na função ao longo de sete décadas, incluindo Aggie, encontrada na seção de mistério, batizada em homenagem à Agatha Christie e falecida no Halloween de 2022 ─ quem nos recebe agora é a canina Djuna (Barnes), mas até porquinho já passou pela librairie independente mais famosa do mundo.


Como não pode fotografar do lado de dentro, aceitem estas imagens clandestinamente tortas da sala de leitura. rs



Catedral de Notre-Dame

Se tem coisa que católico sabe fazer é igreja maravilhosa. A arquitetura gótica da Notre-Dame, cuja construção durou 182 anos (entre 1163 e 1345), guarda o único monumento funerário medieval sobrevivente em seu local original. E Simon Matifas de Bucy, bispo de Paris entre 1290 e 1304, descansa eternamente acompanhado por ele: o leão, símbolo de coragem e proteção, lembram?




Igreja de Santo Eustáquio

Em Paris, há uma igreja inteirinha dedicada a São Francisco de Assis, a Église Saint-François-d'Assise, localizada no 19º distrito, mas só fiquei sabendo depois. O Chicão que trago para representar o padroeiro dos bichos é da Église Saint-Eustache, uma das mais visitadas da cidade por sua arquitetura gótica tardia e por ter o maior órgão da França.


Projetada pelo arquiteto italiano Domenico da Cortona e construída entre 1532 e 1632, ela batizou Madame de Pompadour, casou Molière e velou a mãe de Mozart!


Faubourg Daimant

Acho que nunca comi nada tão chique. E sensacional! O Faubourg Daimant junta alta gastronomia e culinária à base de plantas, "inspirando-se nas tradições burguesas da França". Neta de um restaurador vietnamita, a chefe Alice Tuyet é vegana há oito anos e se diz obcecada pelo bem-estar animal. Olha a felicidade da vegana aqui!



Nós pedimos o "menu experiência", que oferecia uma amostra generosa de cada prato. Escolhi destacar o caviar de algas bretãs, porque caviar sempre tem ovas de peixe, né? Mas também fiquei impressionada com o carpaccio de rabanete, o repolho recheado, as cenouras glaceadas e a berinjela à milanesa ─ esqueçam a ideia de vegetal com gosto de vegetal. Quando não cabia mais meio croquete, chegou a sobremesa: bolo, pavlova e ganache.


LaCrèma

A sorveteria artesanal que forma fila na porta também é vegana e de uma brasileira. Fundada pela mineira Roberta Faria, LaCrèma trabalha com máquinas que movidas à água, colheres de biscoito comestível, frutas que os supermercados recusam pela aparência, açúcar de beterraba não refinado. E chantilly grátis!


A casquinha da foto combina chocolate de Madagascar com cookies & cream, mas também experimentei os sabores de gianduia e pistache, memória afetiva. Zero diferença dos sorvetes preparados com leite de vaca!


Disney Paris

Quem não se encanta com a Disney carrega uma pedra no peito ─ eu me derretia até com a Montanha Encantada do Playcenter! Este Gato de Cheshire, também conhecido como Gato Que Ri, decora a Fantasyland, parte do parque destinada a crianças de até 7 anos. Fiquei com vontade de espiar o labirinto de Alice no País das Maravilhas? Fiquei. Mas tomei vergonha na cara e fui passar medo na montanha-russa do Indiana Jones.


Na história de Lewis Carroll, escrita em 1865 e reinterpretada até hoje, o Gato de Cheshire consegue sumir e reaparecer quando quer, além de dar conselhos enigmáticos ─ é dele a manjada frase: "Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve". O meu, sem querer, levou a um conto de fadas.



Em breve...

:: Os gatos dos museus D'Orsay e L'Orangerie (#2)
:: O gato (desaparecido) de Monet e o jardim de Giverny (#3)
:: Os gatos famosos do museu do Louvre (#4)

10.7.26

2ª temporada de Gatoca: é, adotei o Intrú

Vocês já sabem que não fui para Cancún, tomar drinks de guarda-chuvinha na piscina de borda infinita, né? Chicão rejeitou meu pedido de aposentadoria por tempo de serviço prestado aos gatos e nem um guarda-chuvinha da Pan eu ganhei. Essa história, porém, traz outro personagem e foi a jornada dele que fez o público se emocionar.

Cabeçudo, faminto e machucado, Intrú podia ter escolhido qualquer casa ─ na verdade, ele escolheu, mas derrubou uns livros de autoajuda da estante e logo percebeu que merecia mais. Gatoca estar fechada para novos integrantes, principalmente FeLV+, era um detalhe. Nosso anti-herói, serial killer de passarinhos, não trabalha com pressa.

Meses se passaram, os bigodes idosos foram diminuindo no almofadão, até que sobrou apenas a Jujuba. E, como nos blockbusters as coisas sempre tensionam antes do desfecho favorável ao protagonista, ela viveu mais um ano e meio. Em 15 de junho, quase três de espera depois, o gordinho finalmente entrou em casa ─ importante dizer que convidado, porque das invasões perdemos a conta.


Leo e eu havíamos feito um bolão: ele correu para o pote de ração renal, que não estava mais no chão porque a renal também partira, recorrigiu a rota para dar com a porta do quarto fechada e terminou comendo areia da caixa do lavabo. O que ninguém imaginava era que o gato de patinhas de elefante seria uma coletânea da gangue.

Ele caça como o Simba, mas se assusta como as Gudinhas ─ e, quando a gente menos espera, vem no colo. Desfila com os brinquedinhos na boca como a Pimenta. Ama mamão como o Mercv e (cheiro de) pão francês como a Guda, além de petelecar bolinhas para baixo dos móveis. Quando abrimos o atum vegano, paixão da Pipoca, quase derrubou a pizza. Afia as unhas no tronquinho do gatil, como a Chocolate.


E é um vadio como a Clara. No segundo dia, se pôs a miar na porta de vidro da lavanderia, aquela em que passou dois anos aporrinhando para entrar, querendo sair. No terceiro, conseguiu fugir escalando o alambrado e voltou com diarreia.


Comecei a desenhar um projeto de blindagem, só que o bicho não curte ser contrariado (sete anos na rua) e achei melhor investir primeiro na sedução: brincadeira de varinha crepuscular, sachê da Pet Delícia sem restrições, burrito de cobertor no frio, carinho a qualquer momento.



Nem o ratinho é um simples ratinho. Foi comprado em Paris, com o logo da Disney brilhando na bunda.


Pois ele tem saído cada vez menos e parece que não mais do terreno ─ esses dias, voltou correndo para usar o banheiro, hábito que pensei que jamais emplacaria, após sucessivos fracassos e com 90 m2 de gramado. Quando sento na privada, aliás, vem fazer xixi sincronizado. Ainda fica preso no telhado, tentando se infiltrar no quarto pelas portas do contêiner que fecham o janelão. E toca Leo, que já acumulava a função de coveiro, atuar como bombeiro.



O comedouro automático merece um texto à parte, mas vale adiantar que ele confunde com o joão-bobo, que basta estapear para soltar mais ração ─ pelo menos tem me substituído nas refeições da madrugada porque, 20 meses sem dormir, estou a ponto de assassinar alguém. E o parquinho talvez precise de mais ousadia. Ou de peças maiores.

Há 20 anos e meio, Mercv chegou e mudou tudo. Eis que outro frajola não solicitado estreia a segunda temporada de Gatoca.


Obrigada Alice, Samanta, Renata, Vanessa, Paula, Elaigne, Bárbara, Reginas, Solimar, Lorena, Michele, Adrina, Fernanda, Roberta, Viviane, Liliane, Neide, Glaucia e Elisa Serikawa, que escolheram continuar amadrinhando o cara de pau! ♥️


Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos
:: A gente veio aqui para beber ou se banhar?
:: Descobri por que Intrú atacou meu rosto!
:: Relacionamento tóxico com o gato
:: Gato come plástico para salvar a própria vida

29.6.26

19º quase-aniversário do Gatoca e bastidores

Se não tivesse anotado na agenda, este 29 de junho passaria batido. É a data em que criei o blog, mas acabamos adotando duas comemorações anuais porque, para publicar o primeiro post, se foram mais seis semanas. Nos últimos tempos, porém, os festejos deram lugar à melancolia ─ demorei a perceber e não sei até quando posso culpar a morte em sequência da gangue.

Em vez da aposentadoria com drink de guarda-chuvinha, aliás, Chicão mandou um gato genioso com FeLV, que continua me roubando noites de sono ─ vou contar na sexta, porque a segunda temporada de Gatoca já está rendendo episódios impagáveis.


Por hora, compartilho os marcos importantes da nossa jornada: 1.939 textos, e-book, mutirão de castração, oficina com crianças, roda de conversa com adolescentes, canal no YouTube, websérie felina, loja colaborativa, boletim, Gatonó, edital do Condeca com a prefeitura de Sorocaba, clube do livro — links todos aqui.

E acrescento duas novidades: agora temos vitrine na Amazon com as obras discutidas no Cluboca e os produtos aprovados pelos bigodes, e Intrú recebe no Gramado da Fama a Danielle Miranda, tutora do trio de desenho animado Banguela, Maui e Moana.


Ela se junta ao grupo de apoiadores mais maravilhosos da internet ♥️ ─ obrigada, Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Marcelo Verdegay, Fernanda Leite Barreto, Bárbara Toledo...

...Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Marilene Eichinger, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Karine Eslabão, Michely Nishimura, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida, Ana Hilda Costa, Elisângela Dias...

...Ivoneide Rodrigues, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro, Elaigne Rodrigues, Simone Castro, Viviane Silva, Arina Alba, July Grafe, Erika Urakawa, Vera e Gabriela Fromme, Lucia Trindade, Aline Silva, Sara Gonçalves, Soraia Mancilha, Celina Matsuda, Paula Martinez, Eliane Clal, Beto "Pena" Spinelli e Ines Rudzit!

Espero voltar em 10 de agosto com fogos de artifício biribinhas. 😊


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4.6.26

O fim de uma Era

Quando adotei o Mercvrivs, convencida pelo Eduardo, eu dormia em uma cama de solteiro, no casarão de São Bernardo abandonado precocemente por meus pais, tentando ser porto-seguro para os irmãos mais novos, pagar os boletos sem desistir do jornalismo e acertar o arroz (com receita).

Me faltava tempo, dinheiro e paciência para um animal de estimação. Mas era o Mercv. E, mesmo tendo ameaçado devolvê-lo, chorei no veterinário com a possibilidade de perder o filhote que saía carimbando cocô pela sala. Começava ali a mudança que daria a cor das próximas duas décadas e meia.

O gato virou gangue, que virou blog, que virou trabalho. Edu virou amigo e Leo virou amor — contrariando o desfecho esperado para a louca dos gatos. Os irmãos viraram adultos, o casarão virou apertamento, São Bernardo virou Sorocaba e Sorocaba virou Araçoiaba.


Eu, que só passeava no concreto, vim morar no meio do nada para os bigodes terem jardim de novo. E levei a sério a recomendação de casar com alguém que ajudasse a esconder um corpo. Leo escondeu nove — tarde da noite, com chuva, espetando no barro o tripé de luz da fotografia.


No nosso Cat Sematary, ainda falta o Simba, mas decidi esperar aos rabos-de-gato crescerem para libertar as cinzas — foi sua morte inesperada, em 2016, que me tornou especialista em doença renal (e a maior divulgadora das seringadas de água).


Acordar com a casa mais quieta do que o cemitério, onde os passarinhos disputam para desenterrar nossas sementes, me roubou uma madrugada extra, das tantas que dediquei à Jujuba — ansiedade pela solidão, pelos projetos se debatendo na gaveta há tanto tempo, por não poder mais atropelar o luto com a rotina (alarmes para voltar da rua, seriados de 20 minutos pausados na metade, a última a tomar café da manhã, a última a chegar na cama).

Edu me convenceu daquela primeira adoção dizendo que nem perceberia a existência do Mercv ─ um filhote que não brincava, não miava, mal saída da caixinha. E cá estou relendo o mesmo livro, Belas Maldições, só que para o Cluboca, um dos muitos desdobramentos da decisão mais irracional e afortunada que tomei na vida. O primeiro agradecimento dos créditos, portanto, não poderia ser para outra pessoa.


Sem o Leo, acolhedor nos piores momentos de angústia (mudanças, soros e despedidas), eu provavelmente teria me fundido à mobília do casarão. Maru e Edu (não o ex, o veterinário) garantiram a longevidade invejável dos bigodes. João cuidou da parte técnica do blog, Mari virou porto seguro. E a AGD, irmandade de 30 anos, me deu o descanso mais sensacional com que uma pessoa que nem bate e volta para a praia consegue mais fazer podia sonhar (soon!).

Depois de duas décadas de dedicação aos gatos, entreguei minha carta de aposentadoria. Mas Chicão tinha outros planos. Aguardem a segunda temporada de Gatoca!

8.5.26

Cluboca do Livro: autor gateiro envolvido em polêmica

Confesso que perguntei aos participantes do clube se achavam que valia a pena bancar essa escolha e a resposta não deixou dúvidas. Quem me apresentou Neil Gaiman foi o mesmo namorado que me apresentou para o Mercv, duas décadas atrás, e Belas Maldições, agora mais conhecido como Good Omens, inaugurou meu encantamento literário pelo britânico de vozeirão.

Não tinha livro melhor, portanto, para puxar discussões acaloradas sobre obra x autor, destruição de reputação orquestrada, descredibilização da vítima, o maniqueísmo das religiões, a existência (ou não) de livre-arbítrio ─ ainda que outras publicações reflitam melhor a paixão de Gaiman pelos bichanos, como Coraline e Sandman: Um Sonho de Mil Gatos.

Vale dizer, ainda, que Good Omens é coescrito por Terry Pratchett, o autor de ficção mais vendido na Inglaterra dos anos 90. Ele conta a história de uma freira satanista distraída, que estraga um esquema de troca de bebês ao entregar o Anticristinho para o casal errado, dando início a uma série de erros cômicos que ameaçarão o Armagedom.


Na versão audiovisual, Michael Sheen e David Tennant estão maravilhosos como o anjo Aziraphale e o demônio Crowley ─ a terceira e última temporada da série estreia no dia 13 de maio, em episódio único de 90 minutos, justamente por causa das acusações de abuso sexual envolvendo Gaiman.

Já nosso encontro ocorrerá no domingo de 28 de junho, entre 16h e 19h, pelo WhatsApp. Para participar, basta apoiar o Gatoca com qualquer valor a partir de R$ 15, escolher uma bebida e comprar ou emprestar sua edição favorita ― usando os links abaixo, uma porcentagem vem para nós. Eu lerei pela BiblioSP Digital, para testar a iniciativa gratuita da Prefeitura de São Paulo. :)

- Good Omens: Belas Maldições em papel
- Good Omens: Belas Maldições em e-book
- Qualquer item adquirido na Amazon partindo deste link ajuda o projeto


Discussões anteriores

:: Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida
:: O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov
:: Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman
:: Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie
:: Felinos e Macabros, coletânea de contos de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker
:: Diário dos Gatos Yon & Mu, do japonês Junji Ito
:: A Mão Esquerda da Escuridão, da estadunidense Ursula K. Le Guin (que ainda não tive tempo de contar aqui no blog)

24.4.26

Ciclos e 5 anos de Araçoiaba da Serra

A gente se mudou para o interior para os gatos terem jardim de novo. E nove anos se passaram ― primeiro em Sorocaba, agora aqui. A experiência de morar em uma cidade rural não foi tranquila como eu esperava, em parte por causa do golpe na construção da casa de contêiner, mas também porque os bigodes, todos com mais de 16 anos, emendaram mortes.

Às vésperas dos 19, Jujuba sobrou sem gangue e tem me proporcionado um recorde de privação de sono: 18 meses, desde a partida da Keka. Acabei apelando ao tapete térmico, contra os alertas de incêndio, e ao menos ela parou de acordar com o nariz escorrendo ─ prometo um post exclusivo.



O entregador fofo ainda levou o pacote até a UBS, onde eu esperava pela consulta remarcada justamente por culpa das noites maldormidas. Esqueci de celebrar também os cinco anos de Araçoiaba da Serra em 31 de março, porque estava ajudando a Mari com a sua mudança de retorno ao Brasil ─ finalmente conheci o tigrinho italiano!



Deve ter completado uma década que ela, João e eu não nos abraçávamos sem a intermediação das telas. Para o aniversário do irmão mais novo, levei espetinhos de legumes e o pior brigadeiro vegano feito por um ser humano, enquanto Beto arrasou com Cat In The Box, um jogo que consegue misturar gatos e física quântica.



Em Gatoca, seguimos na missão de voltar a receber os amigos, já que a única arisca sobrevivente não é mais arisca ─ a missão da Fê, da Eli e do Gal era ainda mais ousada (notícias em breve). rs



O grande destaque deste especial, no entanto, fica para a prefeitura da cidade, que finalmente terminou a obra de asfaltamento de inacreditáveis sete quarteirões, responsável por tornar miseráveis os últimos 365 dias ─ montaram até pula-pula na inauguração, mas achei melhor não chegar perto para manter o réu primário.


Encerro as comemorações atrasadas com uma menção honrosa a mim mesma, porque, 19 anos de blog depois, consegui migrar sozinha de servidor para não precisar mais de nem um bit da Hostinger, a empresa que nos deixou fora do ar por quase um mês, arruinando a indexação dos posts do Gatoca no Google ─ briga que se estende na justiça.

Só falta um desfecho para o Intrusinho.