Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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8.5.26

Cluboca do Livro: autor gateiro envolvido em polêmica

Confesso que perguntei aos participantes do clube se achavam que valia a pena bancar essa escolha e a resposta não deixou dúvidas. Quem me apresentou Neil Gaiman foi o mesmo namorado que me apresentou para o Mercv, duas décadas atrás, e Belas Maldições, agora mais conhecido como Good Omens, inaugurou meu encantamento literário pelo britânico de vozeirão.

Não tinha livro melhor, portanto, para puxar discussões acaloradas sobre obra x autor, destruição de reputação orquestrada, descredibilização da vítima, o maniqueísmo das religiões, a existência (ou não) de livre-arbítrio ─ ainda que outras publicações reflitam melhor a paixão de Gaiman pelos bichanos, como Coraline e Sandman: Um Sonho de Mil Gatos.

Vale dizer, ainda, que Good Omens é coescrito por Terry Pratchett, o autor de ficção mais vendido na Inglaterra dos anos 90. Ele conta a história de uma freira satanista distraída, que estraga um esquema de troca de bebês ao entregar o Anticristinho para o casal errado, dando início a uma série de erros cômicos que ameaçarão o Armagedom.


Na versão audiovisual, Michael Sheen e David Tennant estão maravilhosos como o anjo Aziraphale e o demônio Crowley ─ a terceira e última temporada da série estreia no dia 13 de maio, em episódio único de 90 minutos, justamente por causa das acusações de abuso sexual envolvendo Gaiman.

Já nosso encontro ocorrerá no domingo de 28 de junho, entre 16h e 19h, pelo WhatsApp. Para participar, basta apoiar o Gatoca com qualquer valor a partir de R$ 15, escolher uma bebida e comprar ou emprestar sua edição favorita ― usando os links abaixo, uma porcentagem vem para nós. Eu lerei pela BiblioSP Digital, para testar a iniciativa gratuita da Prefeitura de São Paulo. :)

- Good Omens: Belas Maldições em papel
- Good Omens: Belas Maldições em e-book
- Qualquer item adquirido na Amazon partindo deste link ajuda o projeto


Discussões anteriores

:: Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida
:: O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov
:: Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman
:: Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie
:: Felinos e Macabros, coletânea de contos de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker
:: Diário dos Gatos Yon & Mu, do japonês Junji Ito
:: A Mão Esquerda da Escuridão, da estadunidense Ursula K. Le Guin (que ainda não tive tempo de contar aqui no blog)

24.4.26

Ciclos e 5 anos de Araçoiaba da Serra

A gente se mudou para o interior para os gatos terem jardim de novo. E nove anos se passaram ― primeiro em Sorocaba, agora aqui. A experiência de morar em uma cidade rural não foi tranquila como eu esperava, em parte por causa do golpe na construção da casa de contêiner, mas também porque os bigodes, todos com mais de 16 anos, emendaram mortes.

Às vésperas dos 19, Jujuba sobrou sem gangue e tem me proporcionado um recorde de privação de sono: 18 meses, desde a partida da Keka. Acabei apelando ao tapete térmico, contra os alertas de incêndio, e ao menos ela parou de acordar com o nariz escorrendo ─ prometo um post exclusivo.



O entregador fofo ainda levou o pacote até a UBS, onde eu esperava pela consulta remarcada justamente por culpa das noites maldormidas. Esqueci de celebrar também os cinco anos de Araçoiaba da Serra em 31 de março, porque estava ajudando a Mari com a sua mudança de retorno ao Brasil ─ finalmente conheci o tigrinho italiano!



Deve ter completado uma década que ela, João e eu não nos abraçávamos sem a intermediação das telas. Para o aniversário do irmão mais novo, levei espetinhos de legumes e o pior brigadeiro vegano feito por um ser humano, enquanto Beto arrasou com Cat In The Box, um jogo que consegue misturar gatos e física quântica.



Em Gatoca, seguimos na missão de voltar a receber os amigos, já que a única arisca sobrevivente não é mais arisca ─ a missão da Fê, da Eli e do Gal era ainda mais ousada (notícias em breve). rs



O grande destaque deste especial, no entanto, fica para a prefeitura da cidade, que finalmente terminou a obra de asfaltamento de inacreditáveis sete quarteirões, responsável por tornar miseráveis os últimos 365 dias ─ montaram até pula-pula na inauguração, mas achei melhor não chegar perto para manter o réu primário.


Encerro as comemorações atrasadas com uma menção honrosa a mim mesma, porque, 19 anos de blog depois, consegui migrar sozinha de servidor para não precisar mais de nem um bit da Hostinger, a empresa que nos deixou fora do ar por quase um mês, arruinando a indexação dos posts do Gatoca no Google ─ briga que se estende na justiça.

Só falta um desfecho para o Intrusinho.

17.4.26

As melhores mentiras felinas: resultado

Merlin não recebeu esse nome à toa: faz portas de armário se abrirem e quebra pratos em gangue com o irmão. Mas jura que a culpa é do gosto duvidoso da tutora para filmes de terror sobrenatural.


Canela jamais assuntaria a vida alheia da janela, se não precisasse cumprir a missão de analisar a qualidade do ar e escanear, com os bigodes, a previsão do tempo.


A duplinha da Renata Godoy venceu o desafio das mentiras de 1º de abril que os gatos nos contariam e fiquei feliz demais, porque ela apoia o Gatoca há uma década e essas delícias têm, respectivamente, 17 e 18 anos. ❤️


Para ampliar, cliquem na imagem


Agora, a família poderá fazer planos de dominação mundial neste caderninho abestado, que enviarei com a prometida cartinha escrita à mão.

10.4.26

As melhores mentiras felinas: votação

Com a inteligência artificial generativa, todos os dias do ano viraram 1º de abril e ninguém mais se lembra de quando a Veja caiu na pegadinha da revista New Scientist, que anunciava a criação do "boimate", um híbrido genético de tomate com proteína animal. Mas a comunidade do Gatoca resolveu honrar a data mesmo assim e compartilhar as mentiras que os bigodes contariam, se miassem em português.

As da Jujuba e do Intrú estão no post original e juntei as de vocês abaixo, para facilitar a votação ― basta clicar aqui, até sexta-feira que vem. A melhor lorota ganhará um caderninho no estilo Moleskine, com cartinha escrita à mão! ❤️

Sabiam, aliás, que essa tradição surgiu na França medieval, com a alteração do calendário Juliano para o Gregoriano? O primeiro dia do ano foi passou de abril para janeiro e quem se recusava a aceitar virou alvo de convites para comemorar em festas inexistentes.


Tequila diria que só abre portas para testar a segurança. E Jack falou que não vai mais roubar pão.
Liliane Molina

Mirela contaria que não gosta de brincar e nem de carinho.
Vivian Vano

Meus gatos jurariam que tem superpoderes: Flavinha salta 4 m sem apoio intermediário. Luv se desmaterializa e volta se materializar (principalmente se abro o pote de sorvete). Tom passa as noites em conversas telepáticas com o comissariado e de madrugada urra convocando as camaradinhas para reunião. Luninha é uma espécie de Medusa atenuada, não petrifica, mas adormece quem se encosta nela.
Regina Haagen

Canela diria que frequenta a janela para perceber a qualidade do ar e escanear, com os bigodes, a previsão do tempo. Já Merlin falaria que não formou gangue com o irmão e a porta do armário aberta mais os pratos quebrados foi culpa de a tutora assistir Poltergeist.
Renata Godoy

Ia dizer que é muito maltratado nessa casa, que ninguém dá Churu, a única caixinha é minúscula e com areia de obra, e que ele só come restos (quando tem). Tão magrinho, tadinho.
Carol Whately

"Sem sachê hoje."
Lucia Verônica

Meu gato falaria que não quer Churu.
Lorena Fonseca

Venom diria que hoje não preciso encher o pote.
Patrícia Bulgarelli

Todos aqui falariam: "Quer me dar remédio? Eu colaboro!". Ou ainda: "As coisas da sua mesa de cabeceira caem sozinhas de madrugada. Juro."
Fernanda Barreto

Com certeza todos diriam que não me amam.
Adrina Barth

Nino viveria repetindo que foi sem querer.
Alice Gap

Samile mostraria o barão e falaria: "Coça aqui!". Quem cai nessa essa sai com uma tatuagem novinha grátis.
Cris Rebouças

Flagrando a Pipoca comendo as folhas do meu orégano, tenho certeza que que ela diria: "A partir de hoje, decidi que sou uma gata fit. Não quero mais carne, apenas esse seu orégano fresquinho. Pode confiar, não vou vomitar na sala depois."
Sara Gonçalves

"Dorme mais um pouco, enquanto eu preparo o café."
Leo Eichinger

*

Cenas pós-créditos: Pipoca matou o orégano da Sara.

Menção honrosa (porque a "Márcia" esqueceu de assinar o comentário): "Não precisa colocar mais ração no meio, Márciaaaaaa, já está cheio".

E um caso de omissão, relatado pela Samanta Ebling: "Shiva foi para a castração. Chegando na vet, descobriu-se (ou escondeu-se) que o moço só tinha uma 'bolinha' para tirar. Fizeram de tudo para achar a outra, até ultrassom, mas Shiva não quis contar."

3.4.26

Esgotamento

Nesta madrugada, Jujuba me acordou às 2h40 e às 6h. Acho que se sente sozinha, última sobrevivente de uma gangue de dez, e o cérebro de quase 19 anos também parece perder o rumo. Diminuindo cada vez mais a altura da passada, vou até a cozinha, esquento o sachê batido no mixer e dou de colherinha — três, quatro, cinco, dependendo da animação.

A essa etapa, ela já se esfregou em todo o perímetro do lavabo, enquanto me espera fazer xixi. Intrú se põe a miar, porque qualquer ser vivente que ganhe comida ou carinho no recinto precisa dividir com ele. Abro uma latinha de molho da Pet Delícia, polvilho a ração seca como croutons para evitar uma doença renal se empilhando à FeLV, lavo potinho na água invariavelmente gelada.

Sempre demoro para pegar no sono de novo. Nem sempre com sucesso. Um ano e cinco meses dessa rotina quebrada, quebrada junto — Clara começou a morrer em 2020 e os cuidados paliativos só foram passando de um gato a outro.


Ainda ontem, esperei por uma hora na UBS, enquanto os olhos ardiam e vazavam contra a vontade. Perdera a consulta com a médica, confirmada na noite anterior, porque simplesmente não lembrei de ir — para o exame de sangue já havia errado o dia. Os resultados indicam estresse e anemia. Não há feijão no mundo que vença a privação de sono — escrevi "provação", ato falho que o terapeuta faria questão de apontar, se não tivesse desistido de ser terapeuta.

Insisto na ioga, no brócolis, nas caminhadas de 40 minutos, mas queria mesmo era dormir — e estar menos magra na foto do aniversário. E parar de derrubar as coisas no chão. Este post é um desabafo e, ao mesmo tempo, um agradecimento: sem o apoio (financeiro e emocional) de vocês ficaria impossível continuar.

1.4.26

Mentiras de 1º de abril que seu gato contaria

Regina Haagen sugeriu a brincadeira no Cluboca, nosso grupo de apoiadores, mas achei que todo mundo poderia se divertir, em ano eleições, guerras sobrepostas e big techs transformando água potável em Jesus-camarão ― obrigada também a Simone Castro e Liliane Molina, pelo incentivo. rs

Se Intrú miasse em português, neste Dia da Mentira, diria que a comida de Gatoca é muito melhor do que os bichos fresquinhos que ele caça no jardim. Já Jujuba juraria que só me acorda de madrugada para evitar pesadelos.

E os gatos de vocês, que lorotas contariam neste 1º de abril? A melhor resposta ganhará um mimo, com cartinha escrita à mão! 😊

20.2.26

O mito da tranquilidade do interior

Eu definitivamente não funciono com barulho. Meu cérebro se recusa a transformar em ruído de fundo e, se tiver um sem-noção falando ao celular durante o filme, te conto o diálogo inteiro, contra zero cena do telão ― por isso parei de ir ao cinema, aliás. A mudança para uma cidade rural (sem cinema) prometia resolver esse problema.

Mas o brasileiro não entende muito bem o conceito de vida em sociedade, né? Precisa fazer a festa da chácara reverberar madrugada adentro, deixar gerações de gatos perambulando sem castrar, botar fogo para limpar o terreno e encher as casas vizinhas de fuligem ― a "síndrome do personagem principal" (ou protagonista), alimentada pelas redes sociais, tem sotaque verde e amarelo.

Até abril do ano passado, os saruês, as frutas colhidas do pé, nossa piscina inflável, o gatil dos bigodes emprestado para a ioga e as tardes de leitura na rede compensaram o estresse humano.


Eis que a prefeitura resolveu asfaltar sete quarteirões, com um elenco único de geringonças ― a favorita apelidei de trator do Tim Burton. E a obra nunca mais acabou.

30.1.26

Sachê para gato irresistível e natural

Gatoca tem enfrentado dois desafios atualmente: Intrú come de tudo (ração, latinha, lagartinho) e Jujuba não come quase nada — o gordinho veio da rua e a magrela está perto dos 19 anos, com os rins pedindo arrego. Já escrevi sobre estratégias de emagrecimento (colher com balança e brinquedinhos interativos) e os beliscos antivômito na madrugada, que acabam em privação de sono, lembram?


Vocês devem imaginar, então, como eu estava ansiosa para testar os sachês novos da Pet Delícia, sem transgênicos, corantes, conservantes e sabores artificiais. Eles ajudam na hidratação dos gatos (bicho chato para beber água!) e a embalagem prometia alta palatabilidade, sem carne mecanicamente separada — já pararam para ler um rótulo de alimento pet tradicional?


Os bigodes ganharam três caixas de Natal, porque nossa parceria vai completar 9 anos! ❤️ E esperei vocês voltarem de férias para contar a reação. Jujuba, que só aceita sachê batido, dado de colherinha, arriscou lambidas inacreditáveis. E Intrú lustrou o pote — duas vezes! Para os tutores de peludos viciados nos saborizantes das rações secas, que rejeitam a latinha natural, é a transição perfeita.


Quem deixou a desejar foi a blogueira, fazendo o pior unboxing da história da internet.

16.1.26

A gente veio aqui para beber ou se banhar?

Depois de ler a coletânea inteira do Sherlock Holmes, fazer mestrado em Lie to Me, doutorado em Bull, pós-doc em Criminal Minds e curtir as férias entre Agatha Christie e Uma Mente Excepcional, eu sabia que Intrú não tinha lavado o pé no pote de vidro.


É verdade que ele já apareceu por aqui empanado no barro. Mas não precisaria derrubar a água toda para fora tentando contornar o estrago. Aquela terra no fundo da vasilha transbordada contava uma história bem mais improvável. Lembrei, então, do meliante rugoso rondando o terreno ― não entendia, inclusive, por que ele insistia em ficar perto do gato.

Cheguei a fazer uma enquete no Instagram, sem apresentar provas, mas com convicção da suspeita.


Até que dei de cara com o sapo relaxando no spa improvisado.



Gatoca, que já foi Pomboca, Cachorroca (essa e mais sete vezes), Passarinhoca e, quase, Vacoca, estreia a temporada Sapoca.

P.S.: Quer dar risada da minha luta contra a IA para fazer a graça do final do vídeo? Clique aqui!


Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Intrú destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos

9.1.26

2025

Eu podia estar na piscina, lendo na rede ou sendo devorada por formigas em um piquenique, mas estou aqui, lutando contra a epopeia de asfaltamento da prefeitura para escrever esta retrospectiva ― em vez de oferecer o sossego das cidades rurais, Araçoiaba da Serra surpreende com dengue + dez meses de obra, sem conseguir concluir sete quarteirões.

2025, porém, foi o primeiro ano em que nenhum integrante de Gatoca morreu e, para quem teve as expectativas dos últimos quatro réveillons destroçadas, considero que saí no lucro ― se chegar a 22 de maio, Jujuba fará 19 anos! Os 18 ela completou inteiraça. Até pediu o primeiro colo!

Só não sei quais crimes a privação de sono me levará a cometer ― a caminha de tubarão contornou bem a miação de madrugada, mas ainda acordo entre 3h e 5h para dar o sachê, na esperança de evitar os vômitos ornamentais da doença renal.


Este blog também comemorou a maioridade, com esquenta ― quantos projetos vocês conhecem que resistem desde 2007? E gente que não gostava de gatos e passou duas décadas cuidando de uma centena deles? ― em junho visitei o Snow, doado em 2010!

Agora, a versão para celular permite encontrar as informações de um jeito muito mais fácil, graças ao menu sanduíche programado pelo Beto e à busca parida na força do ódio por quem só cursou técnico em processamento de dados porque as outras opções eram mecânica e eletrônica.

As amigas dessa época seguem amigas, aliás, e vieram festejar meu aniversário, pós-faxina descarrego para encerrar a repetição de um 2020 da marmota ― só não funcionou com o celular da Samsung, que estufou com um quarto do tempo que durou o iPhone anterior (nunca mais!).

Leo e eu também quebramos o ciclo de mudar de casa a cada quatro anos ― e finalmente instalamos a rede e a porta do banheiro! O que não podia ter quebrado era a validação da autoridade do Gatoca pelo Google, que mostrava nossos posts nas primeiras páginas, rendendo texto com mais de meio milhão de visualizações.


Para ampliar, cliquem na imagem

Só que a Hostinger tirou o blog do ar por injustificáveis 27 dias, desindexando-o do buscador, deixando milhares de tutores e seus animais sem ajuda e nos fazendo perder apoiadores essenciais para a gincana dos boletos ― a sentença do Juizado Especial Cível saiu nove meses depois, com uma indenização irrisória.

Mas vou continuar gastando canetinha neste planeta árido e botando vocês no Gramado da Fama ― com os programas de afiliados, dá para apoiar o trabalho sem tocar na carteira! O Focus, que compete em idade com a Jujuba, agradece. Assim como Chicão, que me salvou de ficar sem embreagem na estrada. rs

Nossa comunidade é maravilhosa, com direito a amigo secreto de talentos ― nesta edição, transformei a gangue da Paula em livro para colorir. ❤️ E passamos mais um Natal com quem importa. Os laços ainda se estreitaram com o Cluboca do Livro, projeto de que morro de orgulho.

A gente leu e discutiu O Mestre e Margarida, fantasia satírica do russo Mikhail Bulgakov, Um Homem Chamado Ove, comédia dramática do sueco Fredrik Backman, Um Gato Entre Pombos, mistério de detetive da inglesa Agatha Christie, Felinos e Macabros, coletânea de contos de suspense de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker.

Já está agendado, inclusive, o encontro de Diário dos Gatos Yon & Mu, mangá fofo do mestre do terror Junji Ito. Nosso diferencial são, claro, os gatos ― como personagens, no título da obra, ilustrando a capa ou na biografia do autor. E procuro sempre equilibrar escritores homens e mulheres, sem repetir os países nem os gêneros literários.

Nesta retrospectiva, não poderiam faltar os clássicos posts de serviço, sobre os perigos do tapinha na bunda, agressividade por frustração, miados de madrugada, brinquedinhos automáticos, colher com balança para ração, potinhos e hipertireoidismo, enriquecimento alimentar e comedouros interativos, como cortar unha de antissociais, quantas palavras um bichano entende, como usar a IA para cuidar melhor do seu amigo.

E a continuação da série inspirada em O Encantador de Gatos, bíblia do Jackson Galaxy, com os capítulos sobre gatificação: mundo vertical e autoestradas, relógio solar e TV felina, necessidades especiais e mapa da gatice, ferramenta queridinha dos especialistas em comportamento para acabar com a destruição de móveis e disputas de território.

Como os algoritmos das redes sociais entregam conteúdo orgânico para cada vez menos gente, vocês garantem não perder nada assinando nosso boletim (gratuito), de casa nova no Substack. Por falar em casa nova, Intrú ainda não ganhou a ele.

Até descobrimos que tinha uma família bastarda, mas era inadequada como a nossa. Aí, ele ficou doente, seguiu brigando com os intrusos que o sucederam, fez mais inimizades pelo bairro, cavou um cantinho no estúdio do Leo, surtou preso com o temporal e veio para a lavanderia, completou dois anos me roubando sorrisos, sem sensibilizar ninguém.


Que 2026 seja onírico ― porque isso significará que consegui voltar a dormir e que a gata de dentro e o gato de fora estão bem.


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24.12.25

Natal com quem importa

Atualizado no dia 28, para contar que a IA finalmente me pegou

Eu sou vegana e vou cear nhoque. Quando vi Jujuba sentada neste arranhador que mais parece uma travessa, porém, tive de fotografar. 😂 Ela e Intrú já desembrulharam os presentes de Natal, sachês novos da Pet Delícia, que valem um post exclusivo ― com calma, no ano que vem.


Para vocês, desejo a experiência de ser escolhido por um animal de estimação ― esse, certamente, seria o vídeo mais emocionante que qualquer criatura com acesso à internet veria, se não se tratasse de uma obra de inteligência artificial (minha irmã caiu e me pegou de guarda baixa). Tem a versão felina, menos elegante, mas igualmente irreal.

Ainda assim, me fizeram relembrar duas décadas de Gatoca, do Mercv ao intruso com patinhas de elefante, porque, se dependesse de iniciativa, eu não adotaria nem de gato de pelúcia ― sou alérgica a ambos. Celebro este fim de ciclo com a estreia da Ines Rudzit no Gramado da Fama!


Obrigada pela companhia na jornada também, Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Marcelo Verdegay, Fernanda Leite Barreto, Bárbara Toledo...

... Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Marilene Eichinger, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Karine Eslabão, Michely Nishimura, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida, Ana Cris Rosa...

... Ana Hilda Costa, Elisângela Dias, Ivoneide Rodrigues, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro, Elaigne Rodrigues, Simone Castro, Viviane Silva, Arina Alba, July Grafe, Erika Urakawa, Vera e Gabriela Fromme, Lucia Trindade, Aline Silva, Sara Gonçalves, Soraia Mancilha, Celina Matsuda, Paula Martinez, Eliane Clal e Beto "Pena" Spinelli!

*

Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer participar do melhor grupo de WhatsApp ou de um clube do livro diferente? Dá uma fuçada na nossa campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 18 anos de Gatoca.

2.12.25

20 anos de gatos (para quem não gostava de gatos)

Há duas décadas, eu equilibrava nas mãos o filhote que ia desequilibrar minha vida ― aquela garota de 25 anos que não curtia animais se dobrou a um gato comum, de pelo caspento, com o olho esquerdo eternamente melecado. E colecionou uma gangue, desempoeirou um blog, tropeçou protetora, terminou vegana.

Mercvrivs virou saudade em 2022 e cá estou chorando outra prestação de um luto impossível de pagar à vista. Por trás de um bigode ordinariamente frajola, teve uma existência inteira ressignificada. E projetos. E amigos. E histórias de amor.

Obrigada, Edu, por insistir para a gente abrir a janela e deixar o sol entrar. Leo, por entender minhas ausências ― e por todos os soros, o gatil dos sonhos, oito covas. E a vocês, por continuarem aqui. ❤️


Mercv com 52 dias, Jujuba chegando aos 19 anos

14.11.25

Corpo fechado por Chicão: adeus embreagem do carro

O primeiro estalo Leo achou que fosse da bota no pedal. A gente estava na Rodovia Raposo Tavares, voltando de Sorocaba. O segundo e o terceiro me pegaram sozinha, descartando a bota masculina como fator causador. Aí, no fim de semana da Cláudia Lemes no Sesc, a embreagem travou a tempo de voltar o carro para a garagem e não deu para fugir do mecânico.

A boa notícia era que o pedal havia soltado da estrutura e eu não morri na estrada. A má notícia era que o pedal havia soltado e custaria quase R$ 1 mil para trocar a estrutura ― um veículo de 17 anos não oferece muitas opções de peças de reposição.


O Chicão gordinho foi presente da Rose e o magrelo, da Tati

A recepcionista, gateira e protetora nas horas vagas, se compadeceu do meu desalento e passou o dia escrevendo para lojas em São Paulo. Na manhã seguinte, o marido soldou, então, o pedal quebrado, lixou e pintou, sem cobrar nada pela recuperação da peça, só a mão de obra de desmontar e montar tudo de novo.


Ainda me deram desconto no pagamento à vista. E, como naquelas telecompras em que não param de anunciar brindes, Laís indicou uma veterinária especializada em gatos, que atende emergências no domicílio ― quem me indicara a oficina foi justamente a vizinha que alimenta os bichanos na outra ponta do bairro. ❤️

Na volta para casa, começou a chover e o limpador de para-brisa virou ao contrário. Mas persisti viva.

13.8.25

18º aniversário do Gatoca!

Depois do dominó de mortes felinas (todos idosos), da sabotagem da Hostinger (que nos deixou fora do ar por um mês e arruinou a indexação dos posts no Google) e do aperto financeiro por causa do golpe na construção da casa, a maioridade do Gatoca me pegou encasulada ― demorei a admitir, mas vocês devem ter notado a falta de comemoração nos últimos anos.


No domingo passado, porém, além do nosso aniversário, era Dia dos Pais e acabamos encarando a estrada para levar os meninos do Leo à exposição interativa do Julio Verne no MIS. Aqui, os três projetos mais longevos da minha vida se encontram: o jornalismo, este blog e a família que me permitiu experenciar as múltiplas fases da maternidade, em fins de semana alternados.

Não foi fácil perder a batalha da abóbora, após horas de argumentação científica. E muitas vezes senti que plantava sementes em terra rachada. Mas a natureza é um bicho resiliente e encontra seu caminho ― quando a gente menos espera, lá está uma florzinha se espreguiçando.


Vocês não imaginam como eu precisava ― na foto, falta a enteada do meio, que tem deficiência e considerou que não valia trocar o porto seguro da mãe por um escritor que tomou dois tiros do próprio sobrinho. Voltei para o interiorrr com o estoque renovado de felicidades para usar nos dias nublados. E continuar facilitando desabrochares.

Jujuba, a gata que só aprendeu a ronronar aos 13 anos, não desgruda mais nem na ioga.


E Intrú, depois de dez ataques, agora dorme embrulhado como um burrito.


Nestes 18 anos, foram 1.891 textos informativos, engraçados, emocionantes, mobilizadores. Mais e-book, boletim (de cara nova!), tentativa de canal no Youtube. E surpresa em forma de jogo (Gatonó), coletânea literária (Depois da Quarentena), série (AssassiGato), Cluboca do Livro.

Uma comunidade engajada, com experiências trocadas em 13,9 mil comentários, grupo acolhedor no WhatsApp e 28 parceiros ao longo da jornada — destaque especial ao Wings For Change, à Pet Delícia e à prefeitura de Sorocaba, na gestão anterior.

Os braços offline do projeto ainda envolveram 116 gatos, oito cachorros e quatro aves, um mutirão de castração, oficina com escoteiros e bandeirantes, roda de conversa com adolescentes, curso no Sesc sobre o poder do coletivo, clube de leitura na ONU, sob a imaginação da Rosana Rios.

Tudo isso com o apoio de vocês, em forma de rifa, lojinha, financiamento coletivo, clube de assinaturas, programa de afiliados. ❤

Bora para a terceira idade? 😂


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8.8.25

Gatoca mobile agora tem busca e fui eu que fiz!

Se vocês não leram o título do post boquiabertos é porque não conhecem a história desta jornalista de papel. Nem deste blog, que já estragou alguns Natais em família. Sim, eu aprendi a programar no colégio técnico, mas em uma linguagem usada pelos fenícios para fazer rotina de locadora de vídeo ― os fenícios deixaram de existir há 2,2 mil anos e as locadoras de vídeo, tem mais de década.


No Wordpress, provavelmente as coisas fluiriam mais fácil. Só que o Blogger, publicador do Google, dava ao Gatoca um privilégio nos resultados de busca que não queria arriscar perder ― escrevi a frase no passado porque, com as inteligências artificiais generativas, a coisa anda mais nebulosa. Vai ter texto sobre o assunto também para que, independente do atravessador, nenhum gato ou gateiro sobre sem ajuda.

Pois no mecanismo de carroça do Blogger, nada funciona de forma intuitiva, toda alteração no código dá conflito (já havia abusado do Beto) e até agora não entendi porque a busca que aparece na versão para desktop do blog não pode ser replicada no mobile. Lá fui, então, criar outra no Google Programmable Search Engine, aprender a debugar a programação do celular no computador e ver o Gemini se compadecer de todo o esforço.


Para ampliar, cliquem nas imagens

Três dias de digitação frenética e olhinhos apertados depois, me sentia a própria Mrs. Robot.


A boa notícia é que agora vocês podem digitar na lupa do smartphone qualquer palavra-chave referente à dúvida ou ao problema que estão enfrentando e a busca retornará todos os posts (e fotos) sobre o tema, mesmo que não apareça no título.

Em tempos de informações duvidosas, é um privilégio poder contar com um arquivo de 1.892 textos, baseados na experiência de quase duas décadas de um ser humano real, com gatos que possuem a quantidade certa de dedos.

Se eu fosse vocês, testaria com a palavra "zabumba" (até o dia 31). 😉

23.7.25

Mágico contra menu sanduíche e um gato chamado Pó

Eu sabia que a versão para celular do Gatoca era pobre: uma linguiça de posts, que não dava a real dimensão do projeto ― empreitada de quase duas décadas, com ações offline também. Mas, quando Leo criou o design e meu irmão programou, em 2015, isso não importava, porque os smartphones ainda tinham de comer muita bateria para substituir os acessos por computador.

O tempo passou, a gente mudou de cidade duas vezes (de São Bernardo para Sorocaba e depois, Araçoiaba), enterrou nove gatos e agora a molecada não faz a menor ideia de por que alguns de nós insistem em digitar num trambolho com pouca mobilidade ― trambolho que considero parte da minha identidade, aliás. Junto com a pouca mobilidade.

Pois há mais de ano tento inserir no mobile um menu sanduíche (ou hambúrguer), aquele dos três tracinhos empilhados, para quem prefere o blog na palma da mão poder buscar os posts por data (desde 2007!), categoria, mais lidos ou séries. Ficar por dentro das iniciativas e dos parceiros do projeto. Consultar os links de ONGs bacanas para adoção e as formas de nos apoiar ― pelo Catarse ou sem gastar um centavo.

Cheguei a pensar que precisaria de um programador em Phyton, por causa de uns arquivos perdidos no servidor. Mas o que faltava era alguém que considerasse o Gatoca importante o suficiente para virar a madrugada lutando com as limitações do Blogger. Apesar de Beto (Spinelli) programar em Phyton também. E tirar da manga outras mágicas, como o isolamento térmico da casinha do Intrú.


(A mágica da foto é do Leo)

Beto é um amor de 25 anos que só trocou de prateleira. E precisou conhecer a Sil para vir para o lado peludo da força, já que eu não gostava de gatos. Juntos, eles adotaram o Pozinho, ao final de uma escalada com esse nome em Pindamonhangaba ― e a criatura nada desgastada consegue ter irmãs ainda mais espirituosas: a Gorfi e a Milho.


O mínimo que eu podia fazer para agradecer era colocar o programador-físico-aventureiro no Gramado da Fama, né? Além de divulgar o trabalho incrível do Caramelo Biônico, em que ele mistura inteligência artificial, eletrônica e arte (apaixonem-se pelo Zoltron!).


Sigo com a batalha tecnológica para incluir o clássico campo de busca por palavra-chave. Mas só amanhã.

*

Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer participar do melhor grupo de WhatsApp ou de um clube do livro diferente? Dá uma fuçada na nossa campanha! ❤️

29.6.25

18º quase-aniversário do Gatoca e bastidores

Houve uma época em que eu passava janeiro inteiro comemorando meu aniversário ― almoço fora com o namorado, barzinho com os amigos para conversar, jogatina com a galera de espírito jovem. Gatoca mantém a tradição dos dois aniversários, porque é engraçado ter criado o blog e demorado seis semanas para juntar coragem de escrever o primeiro post, mas faz tempo que não rola uma festança.

Hoje, por exemplo, a vontade é de aproveitar o dia como a Jujuba: encolhida no sol.


Ou como o Intrú: esticado no sol.


Nossa jornada, porém, coleciona marcos importantes, que não podiam passar em branco: 1.884 posts, e-book, mutirão de castração, oficina com crianças, roda de conversa com adolescentes, canal no YouTube, websérie felina, loja colaborativa, boletim, Gatonó, edital do Condeca com a prefeitura de Sorocaba — os links estão neste post.

Espero voltar em 10 de agosto com menos blusas e mais animação. 😂

Festinhas anteriores: 2024 | 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

25.6.25

Quando a nostalgia escapa do passado

Eu não queria estudar na ETE, do mesmo jeito que não pretendia trabalhar no Banco do Brasil. Só que era nerd demais para não passar entre os primeiros colocados do vestibulinho (viva a redação!) e, anos depois, no concurso público. O curso técnico, porém, diferente do colégio de bacana para onde haviam mudado as amigas de infância, foi a maior escola de vida que tive.

Não, não consegui estágio em processamento de dados, por isso o Banco do Brasil. E também não segui carreira lá, para desgosto da família, porque aos 9 anos já havia decidido pelo jornalismo. Mas guardo com carinho na lembrança os arco-íris de canudo cruzando a praça de alimentação do Metrópole, nossas peças em teatro de verdade, Rosinha se escondendo das fotografias na cortina, as viagens de troleibus para o Masp.

E até o dia em que chamei o Peruquinha, de geografia, para tirar uma dúvida e assisti mortificada à cola cair em câmera lenta do meio das folhas da prova ― odeio geografia. Para não parecer que chamávamos todos os professores no diminutivo, tinha o Valtão, de matemática, que fazia bolinhas de catota e o Renatão, de história, que partia giz na guilhotina em miniatura para jogar na gente. Como era o nome mesmo do professor que dormia no meio da explicação?

Além de material para décadas de crônicas, a ETE me deu amigas de recarga vitalícia ― quando estou triste, abro nosso grupinho no WhatsApp. Eli já havia vindo de São José dos Campos carregando no ônibus copos delicados de presente e tomate confit para o almoço. Na Páscoa, comprou ovo vegano. Ainda me incluiu no plano familiar do Duolingo.


Porto Seguro, 1997

Tentei agradecer convidando-a para o Cluboca do Livro e recebi um e-mail do Catarse com a assinatura dela. O mínimo que podia fazer era tirar Intrú do descanso pós-descanso para acompanhá-la no Gramado da Fama. 💚



A criatura mais engraçada (embora viva querendo me repassar esse troféu) se junta aos apoiadores mais maravilhosos, que garantem a sobrevida deste projeto. 🤗

Obrigada, Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Marcelo Verdegay, Fernanda Leite Barreto, Bárbara Toledo, Solimar Grande...

...Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Marilene Eichinger, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Karine Eslabão, Michely Nishimura, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida, Ana Cris Rosa, Ana Hilda Costa, Elisângela Dias...

...Ivoneide Rodrigues, Melissa Menegolo, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro, Elaigne Rodrigues, Simone Castro, Viviane Silva, Regina Hansen, Arina Alba, July Grafe, Erika Urakawa, Vera e Gabriela Fromme, Lucia Trindade, Aline Silva, Caroline Rocha, Sara Gonçalves, Soraia Mancilha, Celina Matsuda e Paula Martinez!

Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer participar do melhor grupo de WhatsApp ou de um clube do livro diferente? Dá uma fuçada na nossa campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 18 anos de Gatoca. ❤️

11.6.25

Peguei dengue salvando três árvores

Bem no dia em que Leo foi para São Paulo cuidar dos pais, o progresso bateu à porta de Gatoca. Não, não eram bilionários querendo comprar a casinha de contêiner para construir o resort de nossas aposentadorias e, sim, a prefeitura ameaçando derrubar as árvores que a gente aduba desde o ano passado, na esperança de ter abacate e flores, para asfaltar a estrada de terra.

Pensei em chamar de mudas, mas desmereceria o esforço que fiz para tirá-las do chão durante uma manhã inteira, usando cinco modelos diferentes de pá, até despertar a comoção de quatro pessoas, um trator e uma vira-lata caramelo ― se tem alguém aí pensando que plantamos as árvores no meio da rua, vale esclarecer que era a tubulação de esgoto que precisava se enfiar embaixo da nossa "calçada".


Missão comprida cumprida, voltei para o computador, ignorando que o pior desafio ainda estava por vir. Pela primeira vez, nas últimas duas décadas, meu corpo inteiro desandou, enquanto nariz e pulmões continuaram funcionando perfeitamente ― quem tem alergia a gatos, dez gatos e asma vivencia o exato oposto disso. Claro que não podia ser bom sinal.

Com a dor nas costas, ombros e pescoço, veio a febre, sucedida por choques na cabeça e 24 comprimidos de Neosaldina ingeridos feito Confete. Qualquer comida parecia absurdamente salgada. E acho que nunca bebi tanta água no frio ― quem pega uma doença de calor no inverno? A cada duas noites, sonhava que a dengue havia evoluído para a versão grave (ou hemorrágica) e amaldiçoava o ipê, a pata-de-vaca e o abacateiro salvos no meu lugar.


Como desdobramento de um quadro já preocupante, todo o lado direito da cabeça inflamou (ouvido, garganta, mucosas e linfonodos), me obrigando a tomar sopa, aquela já sem sal nenhum, de canudo. A bochecha do lado esquerdo abriu uma lesão que fazia tomate parecer ácido sulfúrico. E a gengiva descolou do dente do fundo, como calça arriada.

Voltei ao hospital, onde havia feito o teste e tomado soro da primeira vez, para sair com uma receita de anti-inflamatório, que, em 0,1% dos casos, faz sangrar o nariz.


Esqueçam o Bial e usem repelente!