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18.10.24

Gatificação: arranhar sem destruir a casa| EG #33

Seu coração acelera quando o gato bota as garras para fora perto do sofá? Esse hábito de arranhar objetos pode ser um estorvo para nós, humanos, mas é essencial aos peludos, porque permite que alonguem os músculos das costas e do peito, desestressem e se livrem das camadas soltas de unha.


Arranhões ainda marcam posse e ajudam a misturar o cheiro deles ao nosso e de outros animais, indicando que compartilhamos o mesmo território ― assim como a gente deixa a casa com a nossa cara usando móveis, quadros e lembranças, os bichanos decoram o ambiente com sinais visuais e olfativos, que gostam de manter frescos. Isso dá a sensação de segurança.

O que você precisa é descobrir a melhor forma de substituir o sofá, perfeito para a função pelo material, estrutura firme e localização em espaço socialmente significativo ― além de ter o cheirinho da família. Sim, essas características podem se unir em um arranhador pensado exclusivamente para felinos!

Na hora de escolher, Jackson Galaxy, autor de O Encantador de Gatos, livro que inspira esta série, aconselha a considerar os seguintes critérios:

Formato
Seu amigo prefere superfícies horizontais, como tapetes, ou verticais como a lateral do pobre do sofá? ― há aqueles que não fazem distinção.


Tamanho
O peludo precisa conseguir se esticar e sentir que o arranhador não vai cair na cabeça dele ― se balançar, o sofá ganha.


Textura
Sisal, juta, madeira, cortiça, carpete, papelão ou qualquer material em que ele enfie a unha tende a funcionar. Ofereça opções ou copie o que já está destruído.

Localização
Não adianta esconder o arranhador na lavanderia, onde não fica ninguém. Lembra que osgat bichanos marcam objetos socialmente significativos? Melhor ainda se tiver vários modelos espalhados pela casa.


(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer participar do melhor grupo de WhatsApp? Ou de um clube do livro diferente? Dá uma fuçada no nosso financiamento coletivoaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 17 anos de Gatoca. ❤)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino?
CAPÍTULO 12: Feromônios e os cheiros na comunicação
CAPÍTULO 13: Tem outro bichano vivendo dentro do seu!
CAPÍTULO 14: O segredo da gatitude!
CAPÍTULO 15: Conheça sua maquininha de matar: tato
CAPÍTULO 16: Conheça sua maquininha de matar: bigodes
CAPÍTULO 17: Conheça sua maquininha de matar: visão
CAPÍTULO 18: Conheça sua maquininha de matar: audição
CAPÍTULO 19: Como e o que os gatos caçam?
CAPÍTULO 20: E como eles comem?
CAPÍTULO 21: Felinos se limpam como a cena de um crime
CAPÍTULO 22: E dormem menos do que parece
CAPÍTULO 23: Qual é o arquétipo do seu bichano?
CAPÍTULO 24: Identifique os lugares de confiança dele
CAPÍTULO 25: Gato medroso: faça do esconderijo casulo!
CAPÍTULO 26: 13 curiosidades felinas
CAPÍTULO 27: Existe bichano dominante (ou alfa)?
CAPÍTULO 28: A importância dos três Rs para um gato
CAPÍTULO 29: Três Rs: o jeito infalível de brincar
CAPÍTULO 30: Três Rs: como alimentar a gatitude
CAPÍTULO 31: Três Rs: limpeza e sono felinos
CAPÍTULO 32: Gatificação: um lugar para onde voltar
CAPÍTULO 34: Gatificação: planejamento urbano (estreia no dia 15 de novembro!)

11.10.24

Saruoca: o dia em que Intrú desmantelou um Airbnb

Quando Intrú encasqueta com um bichinho, não tem ração, carinho ou brinquedinho que tire o foco. E foi assim que ele se plantou ao lado do buraco que conecta a fiação elétrica da nossa casa ao poste de luz, esquecido aberto pelo Leo no último domingo.

Na escuridão do interior, enxerguei um ratinho lá no fundo, fiz uma barricada para protegê-lo durante a madrugada e Leo jogou uma banana antes de ir para São Paulo, na manhã seguinte, que desapareceu quase instantaneamente.


Sozinha com o gato e o rato, que na verdade era um saruê, apelei à Defesa Civil (199). Das 10h24 às 11h11, o agente Barros pescou folhas, fios, um filhote, o pai, a mãe e outro filhote acoplado na bolsinha!






Eu participei com interjeições, água e amoras. A família sortuda rumou para o centro de reabilitação de Araçoiaba da Serra, onde passará por exames para mapear o total de bebês, paridos ou não.



O gorducho nem se importou com a movimentação. Mas, à noite, lamentou a partida do jantar.

9.10.24

Gatoca lança um clube do livro diferente!

Com os cuidados que os bigodes idosos andam demandando e o dinheiro tão apertado quanto o coração, não viajo há mais de cinco anos ― nem bate e volta para a praia. E o que tem salvado meus dias são os livros. Sem sair de casa, posso investigar assassinatos com outros velhinhos, dançar balé em Paris, ser roteirista de programa de TV, dormir num quarto que se molda ao meu humor ― essa talvez não fosse uma boa ideia agora. rs

Na maioria das vezes, nem gasto nada porque aproveito o acervo da Biblion, do Skeelo (que vem no plano de celular) e as promoções agressivas de e-book da Amazon (precisa garimpar). Achei, então, que seria legal compartilhar esse passatempo com quem também gosta de gato.


O Cluboca do Livro nasceu no nosso grupo de apoiadores, como um espaço para viver outras histórias, cair na risada junto, se emocionar e culpar o clima seco. Mas ganhará um puxadinho exclusivo, dentro da comunidade do Gatoca. E vocês podem participar só dele, assinando a recompensa de R$ 15 no Catarse. A única exigência, além de providenciar o livro, é escolher uma bebida para acompanhar o bate papo ― vale chimarrão, suco verde, chá de cogumelo, drink com guarda-chuvinha. :)


Começaremos por Vou te receitar um gato, best-seller japonês de Syou Ishida, que não está na foto porque ainda não comprei. Foi uma indicação da Cora Rónai, em sua coluna n'O Globo sobre healing literature, a "literatura de cura" surgida com a pandemia para quem não aguentava mais o clima de fim de mundo, cheia de livrarias, bibliotecas, cafés, lojinhas de conveniência e felinos.

E fiz questão de estabelecer um tempo de leitura é generoso (dois meses), porque todo mundo já se massacra para cumprir outros cronogramas. No começo de dezembro, então, a gente se encontra por videoconferência ― fiquem de olho no e-mail automático que o Catarse envia com o link para entrar no grupo!

4.10.24

Por que ver vídeo de gatinho faz bem à saúde?

Da próxima vez que você for surpreendido rindo alto com alguma peripécia felina na internet, pode alegar que está mantendo a saúde em dia. A afirmação é do veterinário espanhol Carlos Gutierrez, que repercutiu um estudo da Universidade de Indiana, feito em 2015, com 1 mil espectadores de vídeos de gatos.

Os cientistas concluíram que esse tipo de conteúdo aumenta o bem-estar, porque provoca mais emoções positivas, principalmente alegria, diminui a ansiedade e a tristeza, já que ajuda a esquecer o estresse e os problemas do cotidiano, e ao final do processo ainda dá aquela turbinada na energia e na vitalidade.

Há quem considere até uma alternativa à terapia com animais, principalmente para crianças que têm alergia. No Japão, constataram também que os trabalhadores ficavam mais focados e atentos. Mas os benefícios se perdem quando a gente usa para procrastinar, causando o efeito o contrário de culpa e sentimento de perda de tempo. Dizem. rs

2.10.24

Entardecer (e amor na seringa)

Keka engordou 200 g. Essa informação, assim jogada, dificilmente terá o impacto desejado se vocês não souberem que a frajola passou dos 17 anos, avançada na doença renal crônica, e chegou a 1,7 kg com as diarreias explosivas ― que já conseguimos reverter.

Sim, ela está velhinha e cada vez mais fraca, mas ainda mia na porta do quarto para ganhar um carinho se me ouve ir ao banheiro de madrugada, arrisca umas lambidas no sachê que bato para dar na seringa, pede para passear no terreno ― e ressuscita para caçar um lagartinho. rs


Eu trabalho em casa, décadas antes de ser modinha, e posso oferecer esse cuidado enquanto ela quiser receber ― já escrevi sobre o difícil equilíbrio de tratar animais que ainda preservam uma essência selvagem e por que escolho sempre a abordagem menos invasiva. Também alertei sobre os riscos da alimentação forçada.

Mas acho que ficou faltando falar sobre como as seringadas de comida deram (e ainda dão) uma qualidade de vida melhor para a gangue na velhice, porque garantem a hidratação, sem precisar recorrer ao soro subcutâneo (gatos ariscos!), e amenizam outros estragos da doença renal, como a gastrite.

Para Jujuba, que está bem, faço um patê com as latinhas da Pet Delícia ― dicas para deixar lisinho aqui. Para a Keka, que não pode ficar de estômago vazio, senão vomita sangue, alterno no blender sachês de peru e peixe branco ― os únicos que têm parado na barriga. E até suco de maçã testei com a Chocolate, quando não aceitava mais o resto.


Esse é meu limite. Apesar de a comida na seringa chamar "alimentação forçada", não soco goela abaixo. Com o peludo sentado ou deitado de barriga para baixo, dou doses pequenas (às vezes, 1 ml) e bem devagar, enquanto ele vai lambendo e engolindo sozinho ― encaixo a seringa na lateral da boca, nunca no fundo. E, se o pequeno cospe ou trava os dentes, suspendo.

Na pancinha deles cabe, confortavelmente, 20 ml por vez e a digestão demora cerca de 40 minutos. Mas um bichano debilitado dificilmente conseguirá comer tudo isso, então, comece com menos. Para a Keka, tem funcionado fazer dez rodadas de 14 ml por dia, somando 140 ml. Jujuba, que ainda devora a ração seca, só recebe um reforço úmido com quatro rodadas de 20 ml ― de manhã, na hora do almoço, à tarde e à noite.

De novo: sei o privilégio que é trabalhar em casa. Qualquer alimentação úmida, porém, que vocês puderem incluir no cardápio ajuda. Em qualquer idade, inclusive. As seringadas servem para esse estágio de paladar seletivo. :)

27.9.24

Remédio manipulado para gato: quando vale a pena?

Biscoito, xarope, molho, pó, calda, pasta oral, gel transdérmico: o universo dos remédios manipulados para animais parece saído dos livros do Harry Potter e eu não fazia a mais remota ideia até precisar dividir um comprimido imune à divisão para a Keka. Conversei, então, com duas farmácias aqui de São Paulo para entender as vantagens e no Cluboca, com as apoiadoras que enfrentam os felinos, levantei as desvantagens.

É inegável que manipular um medicamento na dose exata prescrita pelo veterinário, sem necessidade de fracionamento, ajuda bastante. Não ter sabor horrível, daqueles que disparam a babação, também. Mas flavorizantes como bacon, avelã, cereja e beijinho funcionam melhor com cachorro ― nesse caso, a farmácia que usa palatabilizantes por espécie me convenceu mais. E dá para pedir sem sabor, disfarçando no petisco com que o peludo já está acostumado.


Existem, ainda, opções sem açúcar, corantes e conservantes para animais com restrições ou necessidades especiais. Já os sites que dizem que a versão manipulada pode ficar até 30% mais barata do que as tradicionais, pois não tem patente nem gerará desperdício, estão comparando com os remédios pet, que custam bem mais caro do que os equivalentes humanos.

Os valores, aliás, mudam de acordo com o princípio ativo (precisa perguntar se a farmácia trabalha com ele), a miligramagem e a quantidade (no limite da validade de cada formato). Como teste, solicitei um orçamento de mirtazapina 1 mg, metade do comprimido de Mirtz 2 mg, que sempre me dava um baile para cortar ― na verdade, eu almejava um quarto, mas acabei desistindo e ministrando em dias alternados.

As cápsulas manipuladas saem realmente mais barato. Em pasta o preço aumenta entre 10% e 20% ― até dez doses costumam vir em sachês individuais e acima disso, em uma espécie de seringa. Já para o gel transdérmico, que merece um parágrafo exclusivo, vocês desembolsarão uns 30% a mais. Xarope só não ganha da cápsula e biscoito é o mais salgado. Vale ressaltar que todos os formatos exigem receita veterinária e tratamentos longos compensam mais financeiramente.

Escrevi lá em cima que o gel transdérmico merecia um parágrafo exclusivo, né? Pois um monte de remédios (contei 59) e vitaminas (E, D, A e K) tomados via oral podem ser manipulados para passar na pele! ― com absorção mais rápida, menor irritação e toxicidade sistêmica. Keka não precisa mais da mirtazapina, mas este post pode salvar a vida dos tutores de gatos ariscos.

:: Onde encontrar

Não vou citar as farmácias porque não se trata de um post patrocinado. Mas elas têm unidades em todo o Brasil e na internet vocês conseguem pesquisar a mais próxima. Para identificar se são confiáveis, verifiquem a autorização de funcionamento na Anvisa (precisa do CNPJ) e confirmem pelo site ou embalagens dos produtos o registro do farmacêutico responsável no Conselho Regional de Farmácia (CRF).

:: Gateiras avaliam

Já usei cápsula, xarope e pasta oral. Cápsula acho bom porque dá pra manipular pequena. Xarope é para dar na boca com seringa ― tipo o de framboesa humano, só que com cheiro de ração (imagino que gosto também). Funcionava ok para minha gata, ela odiava menos. E manipulo gabapentina em pasta oral, sabor "para gatos". Nico ama e acha que é um petisco, até me lembra quando está na hora. Teve um tempo em que eu misturava no Churu e foi sucesso também.
Carolina Rocha

Fiz remédios em biscoito para Luna, a cachorra, com sabor de picanha, acho. Devia ser muito bom, pois ela comia com gosto e o Fly, que come cápsula como se fosse petisco, tentava roubar.
Liliane Molina

Pedi pra manipular a gabapentina para os três em pasta sabor de bacon. Não adiantou nada, eles nem ligaram. E tive de passar nas patinhas para lamberem. Ficaram com cheiro de bacon com sachê.
Fernanda Barreto

Nunca manipulei nos outros formatos, só o tradicional, com sabor de carne. Parece um biscoitinho e usei com cachorro mesmo. Aqui, em Santos, tem muitos lugares que vendem, isso pesa na diferença de preço.
Bárbara Santos

Trabalhei anos com manipulação e só faço para os meus gatos quando a dosagem não permite usar o industrializado ou quando o veterinário prescreve uma fórmula. Claro que cada bicho é um universo, mas eu, pessoalmente, acho que essas opções são pensadas mesmo para cachorros.
Paula Melo

Prefiro cápsula e comprimido. Xarope pode até funcionar, mas meus gatos sofriam menos com as cápsulas.
Viviane Silva

Às vezes, a fórmula transdérmica é o único jeito de dar medicação para um gato arisco. E só na manipulação mesmo ― pela forma, não pelo sabor. Lembrando que uma vet de São Paulo prescreveu uma vez uma pastinha manipulada que superfuncionava para os gatos dela, mas para a minha não rolou.
Elisângela Batista

Encomendo a mirtazapina em gel, que a pele absorve. É caro mesmo. Antes, dava gabapentina quando a Tapioca precisava ir ao veterinário, mas bem pontual. Mandava fazer o remédio líquido, com sabor de carne ou frango. Ela não gostava do mesmo jeito, mas eu dava na seringa, uma quantidade bem pequena, então era tranquilo.
Lorena Fonseca

25.9.24

Assisti ao Intrú quase ser atropelado!

Não, gato ir para a rua não é liberdade, nem romântico, nem bucólico. Eu escrevi uma dúzia de posts aqui no blog falando sobre guarda responsável, telas nas janelas, riscos de briga, transmissão de doenças como FIV e FeLV, envenenamento, atropelamento. Só que nunca imaginei que fosse viver esse pesadelo em primeira pessoa.


FeLV Intrú já tem, por isso mesmo não posso colocá-lo para o lado de dentro da porta de vidro da lavanderia, com minhas velhinhas. Quatro anos de vadiagem antes de descobrir Gatoca, porém, me deram o falso conforto de que ele jamais se jogaria na frente de um carro. Mas voltemos ao café da manhã em que o gorducho não apareceu cantarolando.

Chamei, cuidei da Jujuba e da Keka, reguei as plantas, fiz almoço, trabalhei e no fim da tarde saí para caminhar, quando o encontrei rolando na calçada de terra de um vizinho que fica na ponta extrema do nosso quarteirão ― do quarteirão mesmo, não da rua. Primeiro, dei risada: então é por isso que o infeliz sempre chega vermelho! Depois, apontei o celular para filmar nosso encontro inusitado.

O coitado fugiu antes de me reconhecer, só então veio pedir carinho e não demorou um minuto e meio para a tragédia só não se consumar porque no interior as pessoas tendem a parar para os animais ― principalmente se uma louca espreme os pulmões asmáticos no grito.


Voltei para casa segurando 6,1 kg de frajola com as garras atacando o ar, porque ele ficou completamente desorientado. E o botei no chão apenas quando percebi que reconheceu nosso portão ― mal dava para ver as patinhas se mexendo na corrida. Um susto triplo, porque Chicão certamente foi arrancado de sua pregação para os passarinhos.


Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino

20.9.24

Gatificação: um lugar para onde voltar | EG #32

Na natureza, o território de um felino equivale a seis ou sete quarteirões, que precisam ser compensados quando a gente decide dividir com eles um "apertamento" ― se o mundo externo do Gato Essencial diminuir, enquanto o interno permanece igual, surgirão brigas, móveis destruídos, xixi fora da caixa.

O enriquecimento ambiental ou gatificação, como chama Jackson Galaxy, autor do livro que inspira esta série, permite construir um espaço que satisfaça as necessidades dos peludos de forma criativa, distribuindo marcações olfativas e explorando o universo vertical, sem ofender o senso estético dos donos da casa.

E tudo começa com o acampamento de base, coração do território do seu amigo. Trata-se de um porto-seguro para onde ele sempre pode retornar, minimizando o estresse em situações como mudança, obra, apresentação de um novo animal ou membro da família humana, chegada de visitas e emergências em geral.


Ao contrário do senso comum, ele deve ficar num cômodo em que os tutores passem bastante tempo, um lugar socialmente significativo, não na lavanderia, no porão ou na garagem ― e, em caso de apresentação, fora do quarto com que os veteranos estão acostumados.

E precisa de marcadores de território, ou seja, objetos em que os bichanos podem deitar, se esfregar ou arranhar para deixar seu cheiro, como caminhas, arranhadores e caixas de areia. Eles ajudam a estender esse território conforme o gato vai se acostumando com o resto da casa ― ao mudar os marcadores para ambientes próximos, sinalizamos que eles também fazem parte do seu lar.

Como saber quando o pequeno está pronto para expandir o acampamento? Quando ele demonstrar tranquilidade, explorando o espaço de rabo para cima, comendo e bebendo água normalmente, e usando os marcadores de cheiro.




(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer se tornar apoiador também? Dá uma fuçada nas recompensas da campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 17 anos de projeto. ❤)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino?
CAPÍTULO 12: Feromônios e os cheiros na comunicação
CAPÍTULO 13: Tem outro bichano vivendo dentro do seu!
CAPÍTULO 14: O segredo da gatitude!
CAPÍTULO 15: Conheça sua maquininha de matar: tato
CAPÍTULO 16: Conheça sua maquininha de matar: bigodes
CAPÍTULO 17: Conheça sua maquininha de matar: visão
CAPÍTULO 18: Conheça sua maquininha de matar: audição
CAPÍTULO 19: Como e o que os gatos caçam?
CAPÍTULO 20: E como eles comem?
CAPÍTULO 21: Felinos se limpam como a cena de um crime
CAPÍTULO 22: E dormem menos do que parece
CAPÍTULO 23: Qual é o arquétipo do seu bichano?
CAPÍTULO 24: Identifique os lugares de confiança dele
CAPÍTULO 25: Gato medroso: faça do esconderijo casulo!
CAPÍTULO 26: 13 curiosidades felinas
CAPÍTULO 27: Existe bichano dominante (ou alfa)?
CAPÍTULO 28: A importância dos três Rs para um gato
CAPÍTULO 29: Três Rs: o jeito infalível de brincar
CAPÍTULO 30: Três Rs: como alimentar a gatitude
CAPÍTULO 31: Três Rs: limpeza e sono felinos
CAPÍTULO 33: Gatificação: arranhar sem estragos (estreia no dia 18 de outubro!)

11.9.24

Como cortar comprimido para gato sem esmigalhar

Vocês estão prestes a ler um spin-off das dicas salvadoras para dar remédio, porque eu continuei pesquisando um jeito de não desperdiçar os microcomprimidos da Keka, que chegam a custar três dígitos por caixa. A boa notícia é que 99% dos leitores se beneficiarão com este conteúdo, já que não tem muita informação sobre o assunto na internet.

A má notícia é que o Mirtz insiste em quebrar no formato "dois quartos e uma suíte", como brincou Adrina Barth no nosso grupo de apoiadores, em vez dos quatro desejados ― pedi até ajuda para a Regina Haagen, correspondente do Gatoca no Rio de Janeiro, que ganhou uma lâmina de bisturi da veterinária. Tutores de bichanos com apetite rebaixado, saibam, portanto, que não é culpa sua ― e pulem para o final do post.

Usem cortador
O da Needs (que não pagou um centavo pela propaganda, reforço) vem com compartimento para guardar os pedaços restantes do medicamento e vocês encontram nas farmácias Droga Raia e Drogasil de todo o Brasil. Mas qualquer cortador bem-amolado dá conta do recado.


Afiem com papel alumínio
Dobrem várias vezes, do lado fosco ou brilhante, e esfreguem em cada face da lâmina ― tomando o cuidado, obviamente, de não se cortar.

Sejam rápidos
Depois de posicionar o comprimido com cuidado no cortador, desçam a guilhotina sem piedade ― hesitar só aumentará a chance de zigue-zague.

Não subestimem as facas
Vanessa Araújo deixa no ponto do assassinato e bota um paninho macio dobrado embaixo do comprimido para não sair do lugar.

Se nada disso funcionar ou vocês também estiverem na luta contra o Mirtz, confirmei que é possível manipular a mirtazapina na dosagem prescrita pelo vet, eliminando a necessidade de fracionamento, e no formato e sabor que seu amigo preferir ― Viviane Silva e Bárbara Santos, apoiadoras queridas, recomendam sem sabor, para disfarçar melhor no petisco favorito deles.

4.9.24

Testei a escova para gato que solta vapor!

É importante esclarecer que não se deve ligar o vapor na cara do gato, mesmo que ele esteja acostumado a brincar com a mangueira do jardim e não se intimide nem com o cortador de grama ― pouco importa que você tenha mirado na cabeça. Na dúvida, direcione o jato para áreas menos sensíveis (e mais amplas) do corpo.

Feito esse disclaimer, que nada tem a ver com o Intrú, motivo pelo qual Jujuba não herdou a escova do trauma, achei legal compartilhar os prós e os contras de um dos poucos produtos que as redes sociais acertaram em me mostrar como propaganda. Apesar de importada, a Electric Spray Handle Massage Brush não custou caro: R$ 25,22, já com o frete.


De escovinha, porém, ela não tem muita coisa. E o tamanho é a primeira desvantagem, porque dificulta o uso com bichanos magrinhos (e ossudos) como a Keka. A sujeira de terra da Jujuba, que gostou até do vaporzinho na fuça, também limpou mais fácil com o lenço umedecido. E precisa tomar cuidado no frio, pois o pelo acaba molhado pela insistência.




Na estação certa, por outro lado, a massagem refrescante ajuda a baixar a temperatura do corpo, enquanto os termômetros insistem em quebrar recordes de aquecimento global. E esta é a principal vantagem para mim (ou para eles). A névoa sai fininha, quase silenciosa e fria ― a menos que se coloque água quente no reservatório, só que não sei se pode, porque não achei o site da fabricante chinesa.

A carga demora cerca de meia hora ― na caixa vem um cabo minúsculo (USB-C), compatível com o carregador dos celulares Android. E a cabeleira sai relativamente fácil do meio das cerdas, basta deixar juntar um bolinho.


Se seu amigo é desconfiado, aconselho um período de adaptação, começando só com a escovação. Quando ele estiver acostumado, ligue o vapor durante o processo, de preferência com a escova colada ao pelo e uma musiquinha para disfarçar o barulho do botão e do jato. Uma vez que ele perceber o bem-estar, você não precisará mais se preocupar. :)

23.8.24

O Gatoca segundo Ana Roxo (e Tati Fadel)

Quando eu era pequena, bem pequena, desisti do balé clássico porque a professora disse que demoraria para subir na ponta, já que meus ossos ainda estavam em formação. Maiorzinha, abandonei a ginástica olímpica quando um braço ficou para fora do tatame durante o rodante-flic e acabei estatelando a cabeça no chão. Também larguei a fanfarra, o piano e o flamenco, além do curso de alemão e do teatro, porque só sei fazer bem mesmo uma coisa: escrever.

E foi com ronroneos que ouvi Ana Roxo, dramaturga, e Tati Fadel, professora de redação (amante de ornitorrincos e escrita cuneiforme), elogiarem os textos do Gatoca em um canal de 65 mil seguidores ― na foto, as duas pronunciam Mercvrivs ("mercúrius"), o frajola simplão de nome pomposo (culpa do Eduardo) que mudou minha vida. Keka quis muito modelar, aliás, mesmo combalida, o que demandou tempo extra na tentativa de salvar os cliques com iluminação ruim (também não sou boa nisso).


Vocês podem assistir à live completa aqui, mas cortei o trecho que mostraria à minha mãe, se ela ainda estivesse por estas bandas ― já me chamaram de Lebiste, Lewinsky, mas Ceviche foi a primeira vez (tem vegano?). Ana e Tati anunciam nossa parceria de arte, gatos e lubrificação ocular, enquanto jogam conversa fora, porque nem todas as relações precisam ser produtivas e é nos afetos positivos que mora a revolução.


Que tal um desenho de desaniversário? Tem desconto até o dia 31!

16.8.24

Novidade que junta gatos, arte e lubrificação ocular!

Eu achava que andar de roupa furada e comprar duas escovinhas importadas justamente para os meliantes que furaram as roupas me colocava no topo do ranking da abnegação. Conversando no Cluboca, porém, nosso grupo maravilhoso de apoiadores, vi que tem gente que chega a gastar 80% do salário com gatos que resolveram envelhecer ao mesmo tempo.

E você, qual foi a última vez que escolheu algo para você? Quantos brinquedinhos passaram na frente, sumariamente trocados pela embalagem? Talvez um granulado higiênico que deixe o apertamento com menos cheiro de banheiro? Certamente uma comida mais balanceada do que a que seu corpo cansado dá conta de cozinhar depois de uma jornada estendida de trabalho.

Neste fim de ciclo da gangue, tenho pensado muito sobre a vida que me trouxe até aqui e para onde gostaria de levá-la nos próximos anos ― nem tanto um destino, mais uma sensação, sabe? Dias sem sobressaltos, tempo para abraços presenciais, ludicidade. Na impossibilidade de um piquenique em Versalhes, comecei pelos livros: uma sequência de comédias românticas que beira a diabetes.

Pendurei a tapeçaria do Peru que ganhei da Amanda. Distribuí vidros com flores secas pela estante (alma gótica). Fotografo o nascer do sol sempre que as meninas me acordam vomitando. E escrevi para a Ana Roxo decidida a ter um original que ilustrasse a jornada do Gatoca.


Ela aceitou a parceria e sem saber desenhou a tatuagem que, duas décadas atrás, idealizei como lembrete de que nem tudo se resumia à razão ― com um coração do lugar do gato, porque ainda achava que não gostava de gato. Aí Mercv chegou arrancando emoções na unha (essa história vocês conhecem) e dispensou demais registros sobre a pele.

Acompanhando a aquarela, veio esta cartinha:

Fiquei muitos e muitos dias trabalhando em cima de tudo que eu sabia e de fotos do Mercvrivs, e a imagem da janela se abrindo pro sol entrar não saía da minha cabeça. Trabalhei no desenho digital, bastante tempo, achando tudo muito ruim, e sentindo que precisava caprichar, pelo Mercv (veja a intimidade) ter feito tudo o que ele fez, mesmo sem fazer muito nada, como os gatos fazem.

Depois de um tempo frustrada e não acessando o que eu realmente queria com aquilo, voltei pro analógico e peguei meu caderno de desenhos (em português chamam de
sketchbook), que é onde tenho os desenhos mais pessoais mesmo, coisas como estudos ou estados (de alma), e desisti de encontrar beleza pra ver se eu achava sentido em tudo que eu estava sentindo.


Quando meu cachorro Samuca morreu, estava no México. Desenhei o Samuca com asas muito coloridas, pra lidar com a dor, asas de alebrije (procure saber). E foi a partir do desenho do Samuca que voltei a desenhar, comecei a estudar, saí de uma (ainda que leve) depressão por não estar no Brasil e não estar fazendo teatro (minha arte materna, tipo que nem língua materna). Samuca fez isso por mim e entendi que o Mercvrivs tinha que ter asas. Aí o resto foi.

Não sei se está à altura dele e do que ele fez, mas foi feito com muito amor e em meio a lágrimas e patinhas dos meus gatos (impressionante como eles gostam de tomar água de aquarela).

Obrigada por me deixar desenhar o Mercv. Obrigada Mercv pelo Gatoca (que é culpa sua). Obrigada, Beatriz, por não deixar aquele e mail ir pro Céu dos E-mails.



Também chorei. A vida é bela e doída e maluca e intensa, mas, acima de tudo, um sopro. Se você estiver precisando recomeçar, quiser eternizar um amor que partiu, presentear um gateiro querido ou só achar que uma parede branca sempre pode ficar mais colorida, manda um "oi" para Ana: anaroxxo@gmail.com ― ela tem um livro infantil lindo, lindo em financiamento coletivo e um canal, junto com a Tati Fadel, cheio de vídeos essenciais, como a série sobre a culpa.

Ah! Os valores dependem do tamanho e da complexidade do desenho, 20% vem para o projeto poder explorar horizontes outros e leitores do Gatoca ganham 10% de desconto até o fim de agosto, para comemorar nossos 17 anos de resistência.

Como prefiro dar dinheiro a quem empodera e ajuda a sonhar outros mundos, em vez de deixar bilionário mais rico, os algoritmos das redes sociais provavelmente reduzirão o alcance da nossa parceria. Empresta seus dedos para subverter o sistema? Qualquer comentário, curtida, compartilhamento já faz valer o empenho da Jujuba na sessão de fotos. 😂

14.8.24

Três Rs: limpeza e sono felinos | EG #31

Depois de caçar, apanhar, matar e comer, um gato saudável completará o ciclo (CAMCLD) se limpando e dormindo, para se preparar para o próximo. Se você não lembra da última vez que viu seu amigo se lambendo, tem alguma coisa errada ― pode ser um problema tanto físico quanto psicológico. Pelo oleoso ou embaraçado em pontos que não costumavam ficar assim também indicam sinal de alerta.

Cabeleira longa, aliás, precisa de ajuda para não formar nós, embora qualquer bichano se beneficie com a escovação. Dependendo da sensibilidade do animal ao toque, inclusive, Jackson Galaxy defende a "tosa de leão", apesar de a estética do corte depor contra ― é que não existem muitos felinos selvagens de pelo longo, pois se trata de uma característica selecionada por criadores.

O autor de O Encantador de Gatos, livro que inspira esta série, ressalta ainda que não se deve dar banho em criaturas autolimpantes, porque apaga o cheiro (e a identidade) que elas se dedicam tanto para cultivar com a língua, parte fundamental da gatitude. Velhinhos e gorduchos com dificuldade de alcançar regiões como as costas e o bumbum podem ser limpos com lenços umedecidos.


O descanso, por sua vez, demanda um lugar tranquilo, silencioso e seguro, especialmente em casas agitadas ou com muitos animais ― bichos estressados tendem a perder o sono. E, mesmo que o peludo goste da sua king size, vale oferecer diferentes texturas e estilos de caminha para ver onde ele fica mais relaxado ― lembrando que alguns gostam de dormir no alto e outros, no chão.

Cada etapa do CAMCLD alimenta a confiança para a seguinte. E, enquanto os três Rs (rotina, ritmo e ritual) ditam o gingado da gatitude, o domínio do território é o tambor que dá a batida da música, como vocês verão nos próximos capítulos.


(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer se tornar apoiador também? Dá uma fuçada nas recompensas da campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 17 anos de projeto. ❤)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino?
CAPÍTULO 12: Feromônios e os cheiros na comunicação
CAPÍTULO 13: Tem outro bichano vivendo dentro do seu!
CAPÍTULO 14: O segredo da gatitude!
CAPÍTULO 15: Conheça sua maquininha de matar: tato
CAPÍTULO 16: Conheça sua maquininha de matar: bigodes
CAPÍTULO 17: Conheça sua maquininha de matar: visão
CAPÍTULO 18: Conheça sua maquininha de matar: audição
CAPÍTULO 19: Como e o que os gatos caçam?
CAPÍTULO 20: E como eles comem?
CAPÍTULO 21: Felinos se limpam como a cena de um crime
CAPÍTULO 22: E dormem menos do que parece
CAPÍTULO 23: Qual é o arquétipo do seu bichano?
CAPÍTULO 24: Identifique os lugares de confiança dele
CAPÍTULO 25: Gato medroso: faça do esconderijo casulo!
CAPÍTULO 26: 13 curiosidades felinas
CAPÍTULO 27: Existe bichano dominante (ou alfa)?
CAPÍTULO 28: A importância dos três Rs para um gato
CAPÍTULO 29: Três Rs: o jeito infalível de brincar
CAPÍTULO 30: Três Rs: como alimentar a gatitude
CAPÍTULO 33: Gatificação: arranhar sem estragos (estreia no dia 18 de outubro!)

10.8.24

17º aniversário do Gatoca!

Escrevo este post sob as cobertas porque chove lá fora — e aqui dentro não parece muito mais seco. Em dez minutos, o alarme tocaria para a sexta rodada de comida na seringa, mas Keka se antecipou e até lambeu sozinha na xicrinha. Quando penso que a batalha está perdida, ela tira forças do alçapão renal para mais um passeio no gatil, dois beliscos de sachê, três minutos de colo com cafuné.

O dedão da mão esquerda ainda lateja pela queimadura de segundo grau com cera quente. E essa nem foi a maior estupidez do fim de semana passado. Eu, que nunca fumei, sequer bebi de passar vergonha, tive a pior viagem da existência porque comprei um bombom de cogumelo mágico no trailer da feirinha de artesanato que anunciava feijoada vegana, hambúrguer e batata-frita.

Aí, em vez de paisagem bucólica, com música good vibes e pessoas de branco buscando o autoconhecimento, fui assistir a Criminal Minds, frustrada com o gosto insosso do chocolatinho. O alarme das seringadas tocou (ele toca o dia inteiro) e minhas pernas derretiam, enquanto o queixo da Keka inchava e a torneira da cozinha entortava.

Comecei rindo feito o cachorro da vizinha quando tenta latir com a bolinha de borracha presa na boca (fifo-fifo-fifo-fifo) e terminei aos prantos "porque a vida era muito solitária". Se você pretende perder completamente o controle do corpo, recomendo investir na endoscopia — com dois sedativos conto histórias ótimas, Mariana pode provar.

Mas por que esse relato aleatório em um blog de gatos? Porque não está sobrando gato — nem Intrú deu as caras hoje. E talvez o Gatoca já tenha cumprido sua função. Nestes 17 anos, foram 1.828 textos informativos, engraçados, emocionantes, mobilizadores — contra os algoritmos das redes sociais e agora a inteligência artificial, que rouba nosso conteúdo e não dá sequer a visualização.

Mais e-book, boletim, tentativa de canal no Youtube. Sementes em forma de jogo (Gatonó), livro (Depois da Quarentena), série (AssassiGato). Uma comunidade engajada, com experiências trocadas em 13,3 mil comentários, grupo acolhedor no WhatsApp e 27 parceiros ao longo da jornada — destaque especial ao Wings For Change, à Pet Delícia e à prefeitura de Sorocaba, na gestão anterior.

Os braços offline do projeto ainda envolveram 116 gatos, oito cachorros e quatro aves, um mutirão de castração, oficina com escoteiros e bandeirantes, roda de conversa com adolescentes, curso no Sesc sobre o poder do coletivo, clube de leitura na ONU, sob a imaginação da Rosana Rios.

Tudo isso com o apoio de vocês, pelo qual sou imensamente grata, em forma de rifa, lojinha, financiamento coletivo, clube de assinaturas. Mas sinto que preciso sonhar outros sonhos, entendem? Depois que conseguir dormir oito horas por noite, claro — o que não deve acontecer tão cedo, então bora manter o ritmo da digitação! Na semana que vem, aliás, divulgo nossa nova parceria, justamente para quem está precisando de afago na alma.

Espero seguir acompanhada. ❤


Festinhas anteriores: 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

2.8.24

Gato renal: em quanto tempo o soro faz efeito?

Pode parecer uma dúvida boba, mas mudou completamente minha rotina com a Keka porque, quase duas décadas e dez gatos depois, eu não sabia que o segredo da fluidoterapia está no xixi! Só que me adianto. Preciso explicar primeiro como chegamos até aqui. A magrela tem 17 anos e gastrite, não qualquer gastrite, uma gastrite causada pela doença renal.

Isso quer dizer que os rins dela não filtram direito as toxinas, deixando passar ureia para a corrente sanguínea, e essa uremia provoca enjoo e úlceras no estômago. Para ajudar a diluir as toxinas, animais renais demandam um reforço na hidratação, o que eu já fazia com as seringadas de sachê (batido no blender).

Acontece que, após oito dias comendo até pedra, feito de arrancar lágrimas quando a criatura em questão pesa metade dos tempos áureos, Keka entrou em um looping de vômitos, terminando em sangue vivo ― quanto menos a comida parava na barriga, menos ainda a gente oferecia para não sobrecarregar a digestão e, claro, ela acabou desidratando.

Eu, que havia prometido não aplicar soro na leva arisca da gangue, me vi reconsiderando tentar apenas uma bolsa para ver se a pequena embalava de novo ― que vida bandida essa de tutora de idosos! Festival de urros e algumas pesquisas frustradas na internet depois, escrevi para o Eduardo Carneiro, porque tenho o privilégio de poder encher de perguntas um veterinário paciente e acolhedor.


O primeiro efeito do soro é hidratar o bicho, o que ocorre gradativamente, conforme passa para o sangue e depois banha os tecidos ― você vai ver uma bolota se formar no local da aplicação e ir desaparecendo aos poucos. Nos casos mais severos, pode demorar alguns minutos e, nos demais, raramente passa de quatro horas.

Vale ressaltar que me refiro à aplicação subcutânea, aquela entre a pele e o músculo, que a gente consegue fazer sozinho em casa (dicas salvadoras aqui), porque a intravenosa (direto na veia) se absorve bem mais rápido. Como a desidratação está sempre ligada a outro problema, porém, retornará também em questão de horas se ele não for resolvido.

Em um quadro renal, por exemplo, equivale a dar um auxílio emergencial de R$ 300 para uma família com despesa de R$ 3 mil ― longe do ideal, melhor do que nada. Por isso a indicação de pelo menos quatro aplicações, permitindo que o organismo ganhe um respiro maior para se reorganizar.

Nossa aposta é que os vômitos da Keka cessem e a hidratação oral, sem agulhas, torne a bastar. Aqui entra o segundo efeito do soro: ao diluir a ureia, ele ameniza a náusea. Mas ela só passa mesmo com a eliminação pelo xixi. E voltamos ao começo do post. Funciona melhor concentrar a hidratação de manhã, assim o animal se livra logo das toxinas e tem o resto do dia para comer sem o enjoo atrapalhando.

Como a desidratação, porém, a uremia também torna a aumentar entre 12 e 24 horas. A insistência na fluidoterapia pode ajudar a voltar menos alta a cada aplicação, mas não é garantido, principalmente porque um corpo acostumado a trabalhar com menos água tende a mandar o excesso embora, buscando o equilíbrio padrão, e o gato acaba urinando mais.

Falta um dia para terminar a bolsa-teste de 500 ml, dividida em sessões de tortura de pouco mais de 100 ml, e a frajola já retomou o hábito de me perseguir miando por comida ― em especial a ração do Intrú, cheia de proteína e fósforo para rins saudáveis, que provavelmente a fez entrar no looping de vômitos.

Uma hora a gente não vai mais conseguir ― eu, ela, os rins. Mas hoje dormi feliz.


Outras infos importantes:

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:: Luto: gatos sentem a morte do amigo? O que fazer?

17.7.24

Inalação amigável para gatos

Eu relutei em fazer inalação na Pimenta porque a experiência com a Guda foi estressante e a última coisa que um gato no estágio avançado da doença renal precisa é de estresse. Mas, como compartilho o combo de alergia e asma com a pequena, vê-la respirando sofregamente na secura de Araçoiaba da Serra, mesmo com o umidificador ligado direto, me deixava profundamente angustiada.

Cheguei a apelar ao corticoide, três dias de teste, porque sabia que sobrecarregaria ainda mais os rins, sem uma tossezinha a menos ou destampada nasal de melhora ― a homeopatia nos acompanha há mais de década. Tive, então, a ideia de arriscar uma inalação amigável, sem caixa de transporte ou qualquer tipo de contenção, em que a magrela pudesse tirar a cabeça da máscara quantas vezes quisesse.


Meu aparelho vem com um acessório menor, para criança, e faz pouco barulho, o que facilita bastante. Na primeira tentativa, ela estranhou o arzinho gelado na fuça, reação esperada. Com o correr dos dias, porém, acho que o bem-estar foi superando a desconfiança e a frajola passou a ficar cada vez mais tempo na máscara.

Mesmo só com o soro, sem medicamento, a inalação ajuda a umidificar a traqueia e os brônquios pulmonares, e o aumento da lubrificação reduz a irritação, além de estimular a expectoração das secreções ― Pips sempre espirra um festival de catarro ao final dos dez minutos.

Isso significa que a abordagem funcionará com todo animal? Não, mas quis compartilhar ainda assim porque mais tutores podem pensar que, se não der para seguir o protocolo direitinho, nem adianta tentar. Com gato, menos é mais ― e às vezes a gente se surpreende.

5.7.24

A escova perfeita para gato que se suja aventureiro

Pensem num frajola que em uma semana chega da rua autocolante, na outra aparece todo trabalhado em terracota e na terceira traz na cabeça uma teia de aranha de casarão mal-assombrado. Intrú é um gato explorador, que tem passado cada vez mais tempo no nosso terreno e não podemos colocar para o lado de dentro da porta de vidro da lavanderia por causa da FeLV+.



Seguindo outra dica salvadora do Cluboca, comprei, então, esta escovinha importada, com reservatório para água e encaixe para o lenço umedecido (vendido à parte) ― existem vários modelos e não é publi, por isso a ausência de link.


O grosso do episódio do barro acabei tirando sem registrar porque estava escuro, mas deixei a finalização para a manhã seguinte. Sem a distração da comida, a criatura ficava tentando caçar a escova e só sossegou quando conseguiu arrancar o lencinho no dente.


Com alguma persistência, porém, a coisa fluiu. Este foi o resultado da primeira passada da finalização:


E aqui vocês veem o acabamento 😂:



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores

3.7.24

Como medicar gato difícil, sem imobilizar

Tem gente achando que roubei no post sobre como dar remédio para gato porque Keka é boazinha. Eu podia responder que ela não era, até se ver obrigada a conviver conosco no apertamento. Ou que se tratava da única criatura precisando de remédio no momento ― uma não escolha. Mas adoro desafios e filmei o processo de enfiar ração goela abaixo da Jujuba, nosso exemplar encardido.


Notem que não usei "bravo" no título porque eles talvez precisem de contenção, só que com a toalha, nada de segurar pelo cangote ― essa estratégia envelheceu mal, aqui tem um guia atualizado da American Association of Feline Practitioners (AAFP) e da International Society of Feline Medicine (ISFM) com as melhores práticas de manuseio felino.


Também acredito que bichanos realmente bravos são minoria. A maioria resiste à manipulação por medo e desses a flexibilidade da ioga e uma calça de tecido mais grosso dão conta.


Contrariando minha experiência fracassada com o aplicador de comprimidos, em um passado remoto, Paula Melo e Vanessa Araújo contaram no nosso grupo maravilhoso de apoiadores que recorrem a ele sempre que há risco de perder os dedos. Paula usa o de silicone, ressaltando que se deve encaixar o remédio na ponta, e Vanessa o largo, de garra.

Vanessa apela, ainda, ao colar de disco, que impede que o animal alcance a boca com as patas para empurrar o aplicador ou nossas mãos. Já Adrina Barth pede à veterinária para receitar o medicamento líquido e manipula no sabor de frango, o favorito da Cheetara.

Agora valeu? :)

26.6.24

Dicas salvadoras (e vídeo) para dar remédio para gato

Estou destreinada, confesso. A última goela de Gatoca que perturbei com comprimidos acho que foi a da Pipoca, 12 anos atrás, por causa da micoplasmose. E a gangue só tomou remédio para giárdia em 2009, com a ajuda do vet ― no post, aliás, eu falo em imobilizar o gato segurando pelo cangote, mas essa estratégia caducou (aqui vocês podem baixar um guia atualizado com as melhores práticas de manuseio felino).

Pois, aos 17 anos, Keka me trouxe de volta à alopatia animal ― primeiro com o protetor gástrico e agora com o estimulante de apetite. Ela tem gastrite, causada pela doença renal crônica, e montamos um verdadeiro esquema de guerra para contornar os vômitos. Só que não consigo acordar de madrugada para dar o sachê batido na colher, porque já fico devendo sono com a rotina diurna. E sempre sobra um líquido com sangue do jejum.


Como o comprimido, além de minúsculo para manipular, quebrou todo torto, pedi ajuda no Cluboca, nosso grupo maravilhoso de apoiadores e compartilho abaixo:

Use um cortador
Paula Melo indicou o da Needs, que não pagou um centavo pela propaganda, e eu até comprei para testar, mesmo já tendo um antigão, brinde de pet shop, mas a drágea esmigalhou do mesmo jeito. A vantagem é que o novo vem com uma caixinha para guardar a metade (ou um terço, rs) restante. Vanessa Araújo disse que corta na faca mesmo, só que precisa estar assassinamente amolada, raridade por aqui ― aí, basta colocar o comprimido sobre um pano macio dobrado.


Afie a lâmina com papel alumínio
Arquiteta nas horas vagas, Adrina Barth me apresentou às 1001 utilidades do papel alumínio. Para ressuscitar o cortador da dica anterior, dobre o papel alumínio várias vezes e esfregue em cada face da lâmina ― tomando o cuidado, obviamente, de não se cortar. Só não consegui descobrir se o lado certo é o fosco ou o brilhante.

Insira o remédio em cápsulas vazias
Eu não fazia ideia de que isso existia, até ler a mensagem da Aline Fagundes contando que usa com os peludos o menor tamanho, de número quatro. Já Paula prefere o dois, para comprimidos maiores ― mesmo que precise partir. Nessas cápsulas também dá para colocar medicações que devem ser tomadas juntas, com um único sofrimento. Além de facilitar a manipulação, Bárbara Santos lembrou que elas disfarçam o gosto amargo que provoca a babação e escorregam melhor na garganta.

No fim das contas, acabei adiando o Mirtz para a Keka porque, depois de uma fase sem alma com o Gaviz V, ela embalou de novo. Mas gravei um vídeo com o passo a passo básico:


Corte as garras do bichano
Principalmente se uma longa temporada de medicação os espera ― a menos que ele seja a Jujuba.

Seja firme (e rápido)
Quanto mais pena a gente sente, mais molenga age, dando brecha para o pequeno se rebelar. E sofrer.

Bloqueie esconderijos
Essa é para o caso de fracassar no passo anterior.

Posicione bem o animal
Eu gosto de ajeitá-los na prateleira da sala, virados para a direita, porque sou (mais ou menos) destra, e com as quatro patas apoiadas na almofadinha antiderrapante. Se tentarem me unhar, estarei na lateral ou nas costas, fora de alcance.

Mire no fundo da garganta
Com a mão livre, incline a cabeça do peludo bem para trás, facilitando a queda do comprimido ― o dedo médio deve pressionar uma das bochechas, a palma apoiar no topo da cabeça (cobrindo as orelhas) e o dedão pressionar a outra bochecha. Com a mão que segura o remédio, force a abertura da boca pela lateral, até conseguir espaço para soltá-lo na goela.

Garanta a ingestão
Se seu amigo integrar o grupo dos cuspidores, vale dar uma empurrada na drágea com o dedo até as profundezas ou jogar um pouquinho de água com a seringa na sequência ― já deixe pronto. Lambida nos lábios ou aquele movimento de "glup" indicam sucesso na missão.

Tente o aplicador de comprimidos
Comigo nunca funcionou, porque as criaturas mastigam e a geringonça não solta o comprimido ― ou erra a pontaria. Mas vai que você dá sorte.