.
.

24.6.22

Assassinato no Bebedouro do Poente

Parte I: Os Fatos

Eram 8h de uma manhã de quase-inverno em Araçoiaba da Serra, quando Monstro pediu um pente emprestado e, sem rodeios, quis contratar Levischot para um serviço. Recheado de catnip, ele contou que colecionava inimigos — tendo sobrevivido, inclusive, a uma tentativa recente de sepultamento no jardim. Ela declinou a oferta pelo simples fato de não ir com sua pelúcia.

Como aqui não neva e nossa casa, apesar de adaptada em um contêiner, não se mexe, saltemos direto para o assassinato: às 9h do dia seguinte, o corpo de Mostro foi encontrado sem vida, flutuando no bebedouro de água mais alto do recinto, que ele não alcançaria sozinho.

O assassino estava entre nós.


Parte II: Os Testemunhos

As sete entrevistas ocorreram no gatil, para que o culpado se sentisse seguro em território dominado e acabasse escorregando. Pipoca, primeira a testemunhar, relatou que notou um gosto estranho na água e logo o cadáver emergiu. Pufosa jurou estar ocupada com o pote de comida — a madrugada inteira. Keka, Jujuba e Guda apresentaram o álibi coletivo de terem dormido juntas porque fazia frio.

Pimenta, vista para cima e para baixo com o finado (antes de finar), provavelmente deixaria DNA em forma de catarro no local. E negou qualquer envolvimento na trama, assim como a mãe e as irmãs. Já Chocolate se ofendeu com a suspeita de cometer um crime tão desprovido de drama, como afogamento.

Mas quem disse que foi afogamento?

Parte III: Beatriz Levischot Para e Pensa

Quem se beneficiaria com o mergulho fatal do Monstro? Por que ele precisava de um pente? O enterro frustrado no jardim teria conexão com esse trágico desfecho? Eis que tudo clareou, como roupa limpa saída da máquina!

Para remover a lama e recuperar a maciez dos cabelos, Levischot achou que seria uma ótima ideia lavar o brinquedinho com amaciante, perfume que não só agravou a alergia da Pimenta como arruinou a experiência recreativa com o catnip.

Foi Pips, portanto, que atirou o coitado no bebedouro, mas eu dormirei com essa culpa, caros leitores.

17.6.22

Decifre as expressões faciais do seu gato! | EG #10

Que jogo vocês acham que Pufosa tem na pata? Vou dar uma dica: era tarde de pôquer, valendo petisco. rs


Falando sério, o fato de os gatos não terem as mesmas expressões faciais que a gente não significa que suas carinhas não demonstrem felicidade, tranquilidade, medo. O primeiro indicador do estado emocional dos peludos está, na verdade, um pouco acima: são as orelhas, controladas por mais de 20 músculos, que podem se mexer rápido ou devagar, de forma completamente independente.

- Erguidas e ligeiramente viradas para os lados: relaxamento.
- Voltadas para frente: alerta ou frustração.
- Achatadas para os lados e para baixo: susto ou coleta de informações — quanto mais achatadas, mais apavorado.
- Giradas para trás: proteção de um possível ataque.
- Cada orelha fazendo uma coisa diferente: interpretação ambígua.

Em segundo lugar, vêm os olhos.

- Pupilas contraídas: confiança e relaxamento.
- Pupilas dilatadas: reação de lutar ou fugir — quanto mais dilatadas, mais na defensiva. Mas não podemos esquecer que as pupilas também se dilatam à noite para permitir a entrada de mais luz e, consequentemente, de informações sobre o ambiente.
- Contato visual evitado: minimização da possibilidade de confronto.
- Piscadas lentas: contentamento e relaxamento — por isso vale a pena testar se comunicar com seu amigo assim.

Por último, mas não menos importantes, listamos os bigodes.

- Suaves, apontando para os lados: relaxamento.
- Encolhidos para perto da cara: susto ou defesa, na tentativa de parecer menor.
- Apontados para frente: interesse e coleta de informações, já que detectam objetos e movimentos no ar — quanto mais para frente, mais atento o peludo está. Também podem indicar ataque iminente, ao perceber uma ameaça.

Como nenhum comportamento ou atitude existe no vácuo, é preciso sempre considerar o contexto, alerta Jackson Galaxy em seu livro O Encantador de Gatos, que inspirou esta série longeva, financiada pelos apoiadores — quem quiser despiorar o mundo com a gente basta clicar aqui! ❤️

Um bichano deitadão no sofá certamente se sente diferente de outro encolhido embaixo da cama, concordam? Já Pufosa estava surpresa por ter tirado seu primeiro royal flush. :)



CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino? (estreia no dia 15 de julho!)

10.6.22

Cuidado com alimentação forçada para gatos!

98% dos serial killers de plantas as exterminam por falta de água. Eu consigo matar frutífera afogada. E, até abril deste ano, preferindo pecar pelo excesso, entrava com a alimentação forçada sempre que um gato começava a rejeitar a ração. Marquei abril porque foi quando Mercv e Guda ficaram doentes junto.

O frajola até aceitava bem as seringadas de patê processado — embora elas não tenham conseguido reverter o combo de fígado, baço e pâncreas comprometidos. Mas a barriguda puxava das entranhas para cuspir, o que me obrigava a enfiar a seringa cada vez mais fundo na garganta. Primeiro a coitada parou de ronronar, depois passou a fugir da gente, a barriga se pôs a inchar e não tardei a encontrar sangue nas pedrinhas do banheiro.

O ultrassom indicou gases e cistite. E, na mesma semana, dois produtores de conteúdo que acompanho no Youtube explicaram que estresse pode causar ambos os problemas — gases porque altera as bactérias do intestino e cistite ao desencadear uma ansiopatia chamada Síndrome de Pandora, batizada assim pois afeta vários órgãos e sistemas.

Resumo da tragédia: um quadro que tinha se iniciado com sintomas respiratórios (secreção nos olhos, nariz fungante, espirros aleatórios e engasgos com catarro) desandou completamente com a intenção justamente oposta. E não estou militando contra a alimentação forçada! — em casos de lipidose hepática, por exemplo, ela é essencial.


Mas, antes, aconselho testar outros sabores e marcas de ração — custei a arriscar por medo de um piriri generalizado (Simba desenvolveu intolerância em uma das poucas trocas que precisei fazer, milênios atrás). Dependendo da situação, os veterinários liberam até comidas contraindicadas para ajudar a recuperar o apetite — claro que não as tóxicas.

Se forçar goela abaixo for a única solução...

- Comece devagar e com pequenas quantidades, já que o animal não poderá recusar o excesso.
- Bata a ração (seca ou úmida) que ele estiver acostumado a comer para evitar diarreia — lembrando que a seca precisa amolecer primeiro.
- Dilua bastante.
- Use dosador oral.

IMPORTANTE!

Tentar tirar o atraso da alimentação de uma vez tende a provocar vômito e é muito frustrante perder um dia inteiro de esforço por causa daquela seringada a mais — isso quando o bicho não entra em looping de vômitos, mais difícil ainda de contornar.

8.6.22

Um post diferente de aniversário

Eu sempre fotografo os bigodes no dia dos festejos de adoção (ou, mais clássico, de nascimento), conto para vocês o que a gente fez de bom e às vezes desengaveto um causo empoeirado. Neste 2022, porém, as Gudinhas* completaram 15 anos na sequência da morte do Mercv — assim como Simba morreu em cima do aniversário dele (para que servem os 365 dias?).

E a data acabou passando em preto.

Em vez de improvisar uma comemoração retroativa, como já aconteceu outras vezes, resolvi, então, pesquisar no arquivo fotos das meninas tiradas nesse período e sorri duas constatações: 1) Nunca usei tanto a câmera do celular — como se pudesse congelar os afetos que me escapam pelos dedos. 2) Sem qualquer programação, os gatos desta casa já têm vidas memoráveis. ❤️


Pufosa e o sono em família


Pipoca e o colo aleatório no meio da tarde


Jujuba e as ervas recreativas


Keka e a almofadinha para aumentar o conforto da almofadona


Pimenta e os 90 m2 de gatil na natureza, com florzinha pendurada no nariz


*Novelinha: conheça a história das Gudinhas

Outros aniversários: 2021 | 2020 | 2019 (especial Dia do Abraço) | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009

3.6.22

Cicatriz

Quando minha mãe morreu, a menos de um mês para o Natal de 2003, eu fechei o sutiã que insistia em dar um baile no funcionário do hospital, consertei o sobrenome escrito errado na plaquinha do velório, pedi para tirarem os crisântemos do caixão porque ela achava que crisântemo era flor de cemitério — não pareceu contraditório na época.

Sempre fui razão.

Nas inúmeras sessões de terapia depois, percebi que se mostrava urgente algum espaço para emoção. Pensei até em tatuar um coração de asas como lembrete. Aí conheci o Eduardo, coincidentemente com essa mesma imagem na internet, símbolo de muitos presentes, e Mercvrivs, o mais inesquecível deles.


Pensei de novo em tatuar o coração alado, agora como lembrança. E me toquei que o frajola já havia cuidado disso. A cicatriz no tornozelo direito, feita durante um trabalho que não existiria sem ele, porque caiu do colo que foi seu porto seguro em horário comercial durante 16 anos e 7 meses, me dividindo entre a dor e o riso, como tantas vezes antes. ❤️


Aproveito para agradecer os apoiadores incríveis do Gatoca, Adrina Barth, Aline Silpe, Daniela Cavalcanti, Elaigne Rodriges, Elisângela Dias, Gláucia Almeida, Kley Kopavnick, Marcelo Verdegay, Regina Tavares, Vanessa Araújo e Vivian Vano, que, encabeçados pela Michele Strohschein, dividiram as despesas com os últimos exames dos bigodes, compensando a desvalorização que nosso financiamento coletivo sofreu nos últimos anos.

(Aceitamos novos apoiadores, retribuímos com mundo melhor! 🤗)

E também a Tatiana Spinelli, irmã que escolhi na jornada, que tem ajudado a colar minha alma com band-aids de reiki lá da Itália — sair na foto com a Jujuba não é para qualquer um! rs

18.5.22

Saudade

Do alto da minha arrogância, acreditei que era só dar água na seringa que você viveria para sempre — não me passou pela cabeça que existiam outras mortes de gato, que não a do Simba e da Clara. E talvez eu tenha subestimado a falta que ela te faz, né, Mercv?

Você, a criatura mais tibetana que já passou pela Terra, me esperou recomeçar. Nove meses, depois dos nove meses do parto ao contrário — essa parece ser a nova marcação de tempo por aqui. Eu não estava pronta. Mas também não estaria se você partisse aos 30 anos, como costumava brincar.

16 e meio: tanto em tão pouco.

Sim, eu quis desistir porque você começava a diarreia na caixa de areia e saía andando sem terminar, sujando tudo. Não entendia nada de bicho. Só que, quando o veterinário disse que sua chance de sobreviver era pequena, nem 50 dias já com anemia, infecção e virose, eu chorei.

Na frente de um estranho, por uma bolota de bigodes de que acha que não gostava. E decidi te segurar nas garras — além de acabar com o estoque de Gatorade de limão, seu favorito.

O que não me impedia de ficar brava quando você mordia meu dedão embaixo da coberta ou escalava minhas pernas com as unhas, porque desconhecia o próprio poder letal. Entendi só depois que o combo precoce de doenças te roubou a oportunidade de se calibrar na lutinha com os irmãos.

Essa foi a vantagem que Eduardo usou para me convencer a te adotar, lembra? "Ele não mia, não brinca, não come, você nem vai perceber que ele existe". E logo a Clara me pescou no pet shop, te mordeu de volta e a paz passou a reinar — fora do quarto, porque, injustiça das bravas, me descobri alérgica a gatos.

Você foi, de longe, minha melhor escolha. Tentaram me empurrar os filhotes que cresceriam de olhos azuis, um dos cinzas com branco, o mais peludinho. Mas eu sabia que era você — o frajola comum, com a eterna secreção no olho esquerdo e o pelo caspento (que resolveu ficar macio e brilhante, misteriosamente, no final). Não tem explicação, não racional.

E com você eu aprendi a amar também cachorro, passarinho, rato kamikaze, pomba porcalhona. A resgatar, depois a doar — não sem antes formar nossa gangue. A dividir o Gatoca com o mundo. A estender esse amor aos porcos, vacas, galinhas — e ler rótulo minúsculo de embalagem.

A querer mudar o planeta.

Agora, preciso aprender a continuar sem você — e seu cheirinho de roupa passada, o salto alto ecoando pela casa, as caçadas de ração, o colo roubado no meio da ioga, "mãããããããe" perfeitamente miado do outro lado das portas fechadas (isso quando você não decidia abri-las no pulo), a parceria no mamão do café da manhã (porque descobri que não podia te dar iogurte e sorvete napolitano), sua paixão por água, fingindo que bebia só para molhar o cabelo.

Naquele 2 de dezembro de 2005, te carreguei sem jeito no carro balançando, com medo de quebrar. Uma menina de 25 anos. Aos 42, sou eu a quebrada.

Se não existir nada além daqui, no nosso terreno você está ao lado da Clara — lugar em que você mesmo escolheu descansar no último passeio, já cambaleante. E porque Leo pegou a enxada há pouco, com a sensação térmica de 9ºC — você partiu no dia mais frio do ano e o termômetro não precisava concordar.

Como prometido, segurei sua mão por intermináveis cinco horas. E você retribuiu com um pãozinho timidamente amassado, o presente mais incrível que uma mãe poderia ganhar. Não existirá outro Mercvrivs.

Vem me visitar, de vez em quando? Eu sou boa de sonho.



*

Não poderia deixar de agradecer à Guda, que não era a Clara, mas ficou grudadinha com o Mercv até o fim. Ao Leo, da ajuda prática com o soro e os almoços que eu mal conseguia comer ao acolhimento em abraços silenciosos. Ao Edu, que cuidou do pequeno nos últimos dois anos, durante as madrugadas e finais de semana. À Maru, por me apresentar à homeopatia e às seringadas de água, e me acompanhar na despedida. Ao Eduardo, por ter insistido para eu abrir a janela e deixar o sol entrar.

13.5.22

17 anos depois, encarei o teste de FIV e FeLV!

Em 2005, quando adotei o Mercvrivs (e depois a Guda), não era comum testar os gatos para aids (FIV) e leucemia (FeLV) felinas, doenças virais que afetam o sistema imunológico. Na verdade, eu nem sabia que elas existiam. E, como não misturava os animais resgatados, segui na ignorância.


Até 2016, quando Simba teve uma evolução renal bizarra, que fez a veterinária suspeitar de FeLV, e os hemogramas de seis bigodes acusaram leucócitos baixos. Cheguei a cogitar um novo exame, em laboratório especial para minimizar o estresse, que também afeta os leucócitos, mas desisti. Um diagnóstico positivo me derrubaria e não faria diferença no tratamento.

O engraçado é que, nestes seis anos, acabei acostumando com a ideia, mesmo sem a confirmação — principalmente depois do carcinoma da Clara e do rodízio de doencinhas da gangue. Testar virou, então, uma estratégia para incentivar mais gente a acolher felvinhos, mostrando que eles podem ter vidas incríveis.

E a oportunidade veio com a ida ao laboratório da dupla, no último sábado, para investigar a recusa em comer. Testei só o Mercv porque uma enfermidade transmitida por lambida e compartilhamento de potinhos e caixas de areia dificilmente contaminaria apenas um bicho, tantos anos depois — e porque não custa barato.

O vet indicou o método Elisa, que identifica a reação do organismo ao vírus, com uma margem de acerto de até 99,2%, dependendo da especificidade (um parâmetro estatístico) — enquanto o PCR, para dar positivo, precisa que o vírus, ou parte dele, esteja presente na amostra de sangue coletada.

E o resultado, acreditem, foi negativo, tanto para FeLV quanto para FIV!


Para ampliar, cliquem na imagem

Os pequenos podem ter tido contado com a doença e eliminado sozinhos — Catrina, resgatada no mesmo 2016, nós sabemos que negativou. Mas fica o apelo de qualquer forma: deem uma chance a um peludo que provavelmente morrerá no abrigo, sem saber o que é uma família.

Ele precisará dos mesmos cuidados que quem ama dá a seus bichos: uma rotina sem estresse, comida de qualidade e acompanhamento veterinário. ❤️

12.5.22

Doença renal em gatos: o milagre da água na seringa!

Como se a rotina já não estivesse complicada com oito gatos idosos, 50 mudas de planta e a batalha dos boletos, Mercv e Guda desistiram de comer ao mesmo tempo — eu comentei sobre o emagrecimento silencioso dele e as inalações dela. No sábado, então, nós pegamos a estrada até Sorocaba, onde os bigodes fizeram ultrassom, hemograma e função renal.


Mercv apresentou alterações no fígado, baço e pâncreas. Mas os rins, que eram minha preocupação, não estão ruins para um senhor de 16 e meio, renal há seis. E a creatinina até baixou, em relação a 2018: de 2,2 mg/dL para 1,90 mg/dL — rins saudáveis devem mantê-la inferior a 1,8 mg/dL.


Os da Guda estão ainda melhores, apesar dos cristais de outros carnavais e de a creatinina ter aumentado um tico: de 1,73 mg/dL para 2,20 mg/dL. No pacote dela, tem também cistite, responsável pelo sangue na urina, e gases, provavelmente causados por estresse — que muda as bactérias da região.


Se nada disso for responsável pelo apetite prejudicado dos peludos, a culpa deve ser da ureia mais alta, que provoca enjoo. E preciso confessar que ambos possuem linfonodos inchados na barriga, mais um indício de FeLV, o diagnóstico de que fujo desde a morte do Simba. Dessa vez, porém, autorizei o teste — o resultado sai amanhã.

"E as seringadas de água?", vocês devem estar se perguntando. Oras, elas funcionam, visto que os rins são a melhor coisa desses exames, rs. É que gato não foi feito para comer ração seca — na natureza, eles caçam animais menores, com cerca 70% de líquido em seus corpos, e justamente por isso não têm o costume de beber água.

Em tempos de crise, se não puderem comprar sachê, patê ou latinha, água na seringa opera milagres! Eu distribuo em três rodadas de 20 ml (manhã, tarde e noite), como reforço da hidratação — lembrando que 20 ml é a quantidade que cabe confortavelmente no estômago deles e precisa esperar 40 minutos para a digestão.

Nos links abaixo, tem dicas para facilitar o processo, desde como dar líquido na seringa até modelo de dosador oral que goteja — e outras informações importantes sobre o pesadelo dos gateiros. Prevenção simples e grátis!


:: Doença renal, pelo maior especialista em gatos do Brasil
:: 7 dicas que podem salvar seu gato
:: Como fazer o bichano beber água
:: 13 macetes para dar líquidos na seringa
:: A seringa perfeita
:: Soro subcutâneo: dicas e por que vale o esforço
:: Soro fisiológico, ringer ou ringer com lactato?
:: 9 sinais de doença que a gente não percebe
:: O desafio da alimentação natural
:: Quando a alimentação natural não dá certo
:: Ração úmida mais barata para gato renal
:: Seu pet não come ração úmida (patê, sachê, latinha)?
:: Alimentação de emergência para bichano desidratado
:: Seringa que goteja para cuidar de gato doente
:: O melhor bebedouro para o verão!
:: Calculadora de ração felina, seca e úmida!

6.5.22

Aniversariante do mês – maio de 2022

A ideia era publicar o post da inalação da Guda ontem e hoje já dar início aos festejos de seus 15 anos em Gatoca. Mas o inferno astral da pequena, pelo jeito, vai durar até o último minuto. E amanhã, data oficial da adoção*, ela comemorará esticada na maca do ultrassom, depois de 35 minutos de viagem de carro e antes da agulhada do exame de sangue.

Guda está um trapo.


Aos problemas respiratórios se juntaram o sangue na urina e um estômago que não parece mais a fim de digerir a comida.


Espero que não seja o meu inferno astral, porque para janeiro ainda falta muito. 😂

*Novelinha: conheça a história da Guda

Outros aniversários: 2021 | 2020 | 2019 | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

5.5.22

Como fazer inalação em gato

Tudo começou com a secreção caramelo brilhando no olho esquerdo. Depois, notei um barulhinho no nariz, daqueles que a gente precisa desligar o bebedouro elétrico para ouvir melhor. Aí vieram os espirros aleatórios e engasgos com o catarro. E a comida foi sobrando cada vez mais no pote. Ainda não sabemos o que a Guda, na alimentação forçada há seis dias, tem.

Mas o veterinário sugeriu amenizar o mal-estar com inalações. Eu, asmática experiente, porém novata com o procedimento em felinos, anotei as dicas para compartilhar com vocês. A estratégia mais simples é fechar o peludo no banheiro enquanto a gente toma aquele banho-sauna. Só que tive de ir na advanced mesmo, porque eles não entram no nosso quarto — gateira alérgica a gatos, conhecem?


Prendi, então, a máscara de criança do kit dentro da caixa de transporte dos bigodes, usando um araminho de pão de forma, coloquei um fundo de soro fisiológico no copinho do inalador, sem medicação, e levei a engenhoca para o sofá da sala, onde Guda tomava sol. Se fosse qualquer uma das Gudinhas, escreveria um parágrafo à parte com dicas de como enfiar a criatura na caixa. Mas a barriguda entrou ronronando.


A toalha serve para o vapor ficar concentrado, sem necessidade de colocar a máscara no animal. E a duração da inalação pode variar entre 10 e 15 minutos. Confesso, porém, que só respeitei esse tempo (13 minutos, precisamente), da primeira vez, porque nas seguintes ela se estressou e começou a morder o cano — que eu deveria ter passado pelas gradinhas laterais.




E dei uma furada na blindagem abrindo a porta para fazer um carinho apaziguador. rs

29.4.22

7 posições de rabo explicadas | EG #9

Além de ajudar no equilíbrio e nos pulos, o rabo funciona como um emoji para os bichanos — quem diz isso sou eu, não o Jackson Galaxy, embora esta série seja inspirada em seu livro O Encantador de Gatos (rs). Sabem quando a gente inclui uma carinha ao final da mensagem para não restar dúvida quanto à intenção? E, como a ponta do rabo se move de forma independente do restante, dá para criar vários sinais:

Erguido, com uma curva: cumprimento clássico, amigável ou brincalhão, que equivale a um "oi" ou "venha aqui e me siga".

Meio mastro (paralelo ao chão): pode ser neutro, amigável também ou até curioso — a interpretação depende do contexto.

Para baixo: aparece durante a perseguição da presa ou quando estão assustados para parecer menor — em casos extremos, é acompanhado pelo rastejar do exército.

Entre as pernas: expressa medo intenso, aquele rabo que a gente costuma ver nas idas ao veterinário.

Arrepiado: resposta a algo alarmante no ambiente, indica uma manobra ofensiva ou defensiva.

Tremendo: também conhecido como "falso borrifo" ou marcação "fantasma", geralmente significa empolgação — direcionada a uma pessoa de quem o gato gosta.

Balançando: alerta para ação de agressão ou defesa, embora movimentos mais sutis e trêmulos possam expressar frustração ou irritação.

Um estudo muito legal da Universidade de Bristol, feito por John Bradshaw e Charlotte Cameron-Beaumont, analisou como os gatos respondiam a silhuetas de outros gatos (em papel preto), para eliminar a influência de feromônios ou vocalizações, com rabos em diferentes posições. E eles se aproximavam mais rápido da silhueta com o rabo erguido, levantando o próprio rabo em resposta — rabo para baixo ganhava outro rabo para baixo ou balançando.

Aqui em Gatoca, temos versões disruptivas:




Quebrado e torto assim, como você quer que eu não grite?


Morder ou não morder, eis a questão


Rabo? Que rabo? Não vi nenhum rabo por aqui...


Meu pirulito peludo! Tira o olho!


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!

27.4.22

Tutorial: como descansar no sofá

Vida de gato domesticado pressupõe fazer escolhas complexas. Em vez de um punhado de terra com plantas, a gente pode dormir na cama (a deles), na caminha (a nossa), escondidos na caixa de papelão, no alto da geladeira, pendurado na prateleira e, assunto do nosso tutorial, no sofá das visitas. Para um sono antiestresse, portanto, siga este ritual...

Passo 1: amacie o assento com as garras até fazer pequenos buraquinhos — não desista no primeiro acquablock!

Passo 2: solte a maior quantidade possível de pelos para afastar humanos, principalmente os alérgicos.

Passo 3: espere o sol bater certeiro.

Passo 4: deite no chão, coladinho ao sofá.


P.S.: Mercv não está bem. Às voltas com as crises recorrentes da Pipoca (doença renal), da Guda (cistite) e da Pufosa (dentes), não percebi o emagrecimento silencioso dele. Não há vômitos nem diarreia, só o pelo caspento de sempre, os dentinhos binários, a secreção no olho esquerdo. E 16 anos e meio — mais de um terço da minha vida, sete a menos do que o tempo que compartilhei com minha mãe. Este post é uma tentativa de sorriso.

22.4.22

Gata empreendedora automotivada!

Aos quase 15 anos, Pufosa esperava o mundo acabar em barranco para morrer encostada. A ração era sempre a mesma, sua humana não entendia a importância do colo em livre demanda para o desenvolvimento emocional, ela odiava a escovação semanal. E pior: sentia que não estava em suas mãos mudar essa realidade.


Até começar a assistir a vídeos de coaching-quântico-fitness-anarcocapitalista no Youtube! Com uma caixa de papelão, dois palitos e fita crepe, ela montou sua barraquinha de cachorro-quente vegano, ainda contratou a Guda para explorar, enquanto descansa no rooftop!

14.4.22

Quando o universo usa metáforas felinas

Como boa capricorniana, meu sobrenome é Controle. Pensem em uma pessoa que precisa tomar dois shots de anestésico para fazer endoscopia — e que já fez três endoscopias justamente porque não consegue controlar tudo. Isso quer dizer que tenho uma escala de modelos para o Gramado da Fama. E estava na vez de a Guda brilhar.

Acontece que, como vocês mesmos podem ver, a cara dela não demonstrava muita gratidão à nova apoiadora. E havia uma criatura frajola roubando a cena lá no fundo. Quem dá as boas-vindas à Simone Castro, autora dos comentários mais engraçados das redes socias, portanto, é Pimenta, nossa deck dancer felina!




Dizem que ela está ajudando o Gatoca a começar no TikTok — a humana, não a gata! Eu não confirmo nem desminto, rs. Querem saber essa e outras fofocas de bastidores no nosso grupo de WhatsApp, o mais acolhedor e divertido da internet? Cadastrem-se no Catarse — que tem mais recompensas pensadas com carinho!

O financiamento coletivo me permite investir em projetos alternativos, como a série sobre O Encantador de Gatos (primeiro capítulo aqui) e o futuro jogo de tabuleiro para crianças — além de pagar boletos essenciais ultimamente. ❤️

Obrigada pela companhia na jornada, Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Danilo Régis, Marcelo Verdegay, Patrícia Urbano...

...Fernanda Leite Barreto, Bárbara Toledo, Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Ana Fukui, Marilene Eichinger, Guiga Müller, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Lilian Gladys de Carvalho, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik...

...Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Amanda Midori, Karine de Cabedelo, Michely Nishimura, Ana Paula de Vilas Boas, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida e Ana Cris Rosa, Ana Hilda Costa, Liam Paim, Márcia Mentz, Carmen Lucia Aguiar, Elisângela Dias, Amanda Herrera, Ivoneide Rodrigues, Melissa Menegolo, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro e Elaigne Rodrigues!

13.4.22

Gato com problema no dente: dica para comer

Vocês sabem que Pufosa deu para mastigar os dentes feito chiclete, né? Muita gente ficou impressionada com o vídeo, mas, como ela estava comendo normalmente, eu não me preocupei — a radiografia tinha acusado um desgaste nas raízes de cinco dentinhos, só que a anestesiar uma gata às vésperas dos 15 anos é complicado.


Nos últimos dois meses, porém, a sensibilidade aumentou e a magrela mordia meia dúzia de grãozinhos da ração seca e desanimava — da úmida parece que enjoou. Foi quando me lembrei do micro-ondas felino! A gente brinca que ela gosta do vômito dos irmãos porque sai quentinho. Mas já devia ser indício do problema.

O segredo é a moleza, não a temperatura!

Passei, então, a deixar a comida de molho em um tico de água quente, por meia hora, e agora não sobra mais uma bolinha no pote! :)




Essa é só para não perder a piada, rs