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21.6.24

O desafio de aquecer um gato que não entra em casa

Começou oficialmente o inverno, para a alegria de quem gosta de chocolate quente, cachecol e filme sob as cobertas ― se o aquecimento global permitir, claro. Para o Intrú, porém, significa dormir do lado de fora da porta de vidro da lavanderia a 9ºC, temperatura das madrugadas aqui de Araçoiaba da Serra. E, nas entrelinhas desse dilema, está a constatação de que, oito meses depois, ninguém se interessou em adotá-lo.


Como minhas velhinhas seguem inviabilizando a convivência com um gato FeLV+, lá fui eu quebrar a cabeça para esquentar o cafofo provisório do frajola. No Cluboca, nosso grupo maravilhoso de apoiadores, lembraram das casinhas comunitárias forradas com caixas de leite longa-vida. A internet sugeria bolsas térmicas de tamanhos variados. E Beto Spinelli, meu físico do coração, gravou dois áudios explicando os princípios da termodinâmica:

Você quer uma solução com capacidade térmica alta, que guarde muito calor e disperse em uma taxa constante, alta o suficiente para gerar calor para o bicho e baixa o bastante para durar. Por exemplo: se um sistema tem 100 calores, seu gato precisa de 10 por minuto para ficar feliz e ele só liberar um, até vai durar (100 minutos), só que não funcionou porque é pouco. Liberando 10 calores por minuto, por outro lado, esse sistema se esgotará em dez, o que também não adianta.

Para durar uma hora, então, você precisa de um sistema que guarde 600 calores, entendeu? Água é um bom jeito de cobrir a madrugada, porque tem bastante capacidade térmica. Se usar muita água, gastará muito tempo esquentando e, portanto, estará guardando muito calor. Aí basta colocar em um recipiente que liberará esse calor na taxa ideal.

Alumínio funciona, sim, porque reflete o calor que está dentro da casinha, seja do próprio gato ou da bolsa térmica, deixando escapar pouco. Ainda assim, você precisa de um isolante, tão importante quanto o sistema térmico, porque influencia na taxa de calor que se perderá para o ambiente ― uma casinha que concentra mais calor, demanda uma taxa menor de liberação. Forrar o telhado com papelão pode ajudar e cobertor isola ainda mais.


Como vegana não bebe leite e Araçoiaba levanta um poeirão de terra digno de distopia, fiz uma estrutura móvel de papelão no formato do telhado, colei papel alumínio de cozinha dentro e prendi com fitinhas, permitindo tirar para lavar.


Cobertor já havia comprado ― ele ama, amassa tanto que até baba! E, enquanto não chegavam as bolsas térmicas, duas de 1 litro e uma de 2 l, para testar a melhor configuração, quebrei o galho com garrafas pet ― é só colocar a água quente e ajeitar embaixo da coberta, para não queimar.


A bolsa azul está vazia, para vocês verem que não muda muito de espessura para as cheias. E encaixei na parte de baixo da casinha uma caixa de papelão sem teto e com paredes altas, exceto a da porta, porque Intrú gosta de observar o movimento durante o dia.


19.6.24

Qual é o piso ideal para quem tem gato?

Existe lugar melhor para falar de reforma e aspirador de pó do que um grupo de gateiros? Pois esses são assuntos que, vira e mexe, movimentam o Cluboca, nossa confraria de apoiadores. Paula Melo deu a ideia do post e Adrina Barth, a arquiteta que me salvou várias vezes durante a obra caótica, caprichou na consultoria. Se você tem gatos (ou cachorros) e está pensando em trocar o piso...

- Evite modelos de madeira natural e laminados, pois tendem a estufar e manchar na presença de líquidos, como água, xixi e vômito. No caso dos bichos de apartamento, o laminado ainda deixa passar mais barulho, incomodando os vizinhos.

- Ao escolher o porcelanato, prefira acabamentos acetinados, especialmente os indicados para áreas úmidas, porque os brilhantes são mais escorregadios e podem causar problemas nas articulações. Quanto menos textura, aliás, mais fácil de limpar.


- No universo dos vinílicos, que oferecem o aconchego visual da madeira e mantêm o conforto térmico, vale optar pela versão colada, que impede os líquidos de escorrerem para baixo das peças. Quem sofre com xixi fora da caixa, porém, deve passar longe, pois a acidez estraga o PVC.

- Em ambientes externos, onde os peludos costumam se exercitar, acabamentos mais ásperos ajudam a "gastar" as unhas, especialmente dos cães.

Nós acertamos 50% em Gatoca: o porcelanato que imita madeira disfarça bem a sujeira e tem uma textura tranquila de limpar ― Araçoiaba da Serra levanta um poeirão de terra à la Mad Max! Sim, ele brilha diferente da madeira de verdade, mas só quando o sol bate direto.


Já o laminado do escritório e do quarto foi escolhido pelo preço, o mais barato do mostruário, para equilibrar as finanças, rs. E está resistindo até que bem, como mostra o vômito da Keka, 17 anos e avançada na doença renal, que apelidei de poltergeist.


Adrina deu, ainda, uma dica que acho bacana compartilhar: é possível consultar o custo estimado por m² de obra em cada estado, pesquisando nos sites regionais do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). E o valor da reforma fica entre 50% e 70% do Custo Unitário Básico (CUB).

14.6.24

Três Rs: como alimentar a gatitude | EG #30

Tirando a dieta baseada em carne crua (Barf), incomum aqui no Brasil, o mais próximo do natural que podemos oferecer a um bichano é a ração úmida, de preferência sem grãos ― usados para baratear o preço. Jackson Galaxy, porém, sempre reforça que a pior ração úmida do mercado ainda compensa mais do que a melhor ração seca.

E eu incluo uma exceção às versões medicamentosas, que atendem outras demandas ― no caso dos renais, por exemplo, os grãos ajudam a suprir a necessidade calórica e a saciedade sem que o animal ingira tantas proteínas, sobrecarregando os rins. Já para idosos, o autor de O Encantador de Gatos, livro que inspira esta série, diz que qualquer coisa que aceitarem está valendo ― só precisa ficar de olho no peso.


Ração seca x úmida

Enquanto a ração seca possui apenas 10% de água, a úmida pode chegar a 85%, quantidade mais próxima (até maior) do que a encontrada no corpo das presas que os peludos costumam caçar (em torno de 75%). Tutores que adotam a ração seca, geralmente por conveniência, também tendem a deixá-la direto no chão, o que vai contra a lógica do Gato Essencial ― e o argumento de que ela auxilia na limpeza dos dentes nem merece comentários.

Variedade, sim!

Você provavelmente não gostaria de almoçar a mesma coisa todo dia, mesmo que fosse nhoque. Os felinos menos ainda, já que na natureza estão sempre caçando um bichinho diferente ― Intrú é prova! Com opções para todos os bolsos, dá para testar diversas proteínas, texturas e preparos até encontrar uma combinação favorita ― aqui, os bigodes amam a Pet Delícia, comida com cheiro e cara de comida.

Mudar a dieta do seu amigo regularmente deixará a vida dele mais saborosa. Mas não se esqueça de fazê-lo gradualmente, para evitar piriris.

Refeições com horários

Quem tem comida à disposição durante 24h por dia são os animais que pastam. Carnívoros oportunistas precisam caçar, apanhar, matar e comer (CAMC) ― sem esforço envolvido, a satisfação fica prejudicada. E, como os bichanos evoluíram para fazer pequenas refeições, com intervalos de cinco ou seis horas, o ideal é oferecer diariamente de duas a quatro, seguindo o ritmo da sua casa.

Uma vez domesticado, o ciclo circadiano do gato se conecta ao da família. Quando vocês acordam e a energia do recinto dispara, portanto, ele acompanha. Essa é a hora do CAMC, unindo brincadeira à alimentação, processo que pode se repetir na volta do trabalho/escola e antes de dormir ― sempre que houver um aumento dessa energia, devido a um ritual.

Lembrando que os peludos precisam de 60 a 80 calorias por dia para se manter e um ratinho tem em torno de 30. Isso significa que, na rua, eles comem entre oito e dez roedores por dia, mas só depois de 20 ou 30 tentativas de caça, bem diferente dos bichanos domésticos.

Lidando com gangues

Em casas com mais de um gato, os potes devem ser individuais. E velhinhos ou doentes talvez demandem a alimentação livre. Já os peludos que engolem tudo tão rápido que acabam colocando para fora podem desacelerar com comedouros que tenham barreiras, exigindo mais esforço para alcançar a ração ― dá para improvisar usando pedras limpas. No caso dos invisíveis, aproveite as refeições para integrá-los lentamente ao grupo, em vez de servir a comida em um cômodo separado.

Dicas antichatice

Para experimentar coisas novas, seu amigo precisa estar com um pouco de fome ― e só assim também a gente consegue convencê-los a fazer qualquer coisa, já que são motivados por alimentos e recursos, não por elogios.

- Irritação dos bigodes: como muitos bichanos não gostam que eles encostem nas laterais do pote, vale providenciar um modelo raso ou apelar ao pratinho de vez.

- Textura: há quem prefira patê, pedaços, mais caldo, menos caldo. Você não pode dizer que seu gato não curte ração úmida até testar todos os tipos ― compartilhei dicas para facilitar a adaptação neste post!

- Temperatura: a quentura do alimento deve bater com a temperatura corporal do animal ― exceto nos dias quentes, em que um geladinho cai bem.

- Variedade: como explicado anteriormente, ofereça opções, mude de tempos em tempos, preste atenção nas preferências do peludo.

- Localização: certifique-se que o pote está em um local seguro, longe do cachorro ladrão de comida e da criança sem noção, ou com um campo de visão para observar as idas e vindas ― todo mundo merece paz durante as refeições.

- Pote vazio: os pequenos aprendem rápido que recebem atenção ao mirar para a tigela, esperando que a gente coloque ração fresca.

Importante! É preciso diferenciar gato com frescura de bicho doente. Passar mais de 24 horas sem comer merece uma investigação veterinária, principalmente no caso de animais obesos, que têm risco alto de acumular gordura no fígado (lipidose hepática), podendo até morrer.


(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer se tornar apoiador também? Dá uma fuçada nas recompensas da campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes quase 17 anos de projeto. ❤)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino?
CAPÍTULO 12: Feromônios e os cheiros na comunicação
CAPÍTULO 13: Tem outro bichano vivendo dentro do seu!
CAPÍTULO 14: O segredo da gatitude!
CAPÍTULO 15: Conheça sua maquininha de matar: tato
CAPÍTULO 16: Conheça sua maquininha de matar: bigodes
CAPÍTULO 17: Conheça sua maquininha de matar: visão
CAPÍTULO 18: Conheça sua maquininha de matar: audição
CAPÍTULO 19: Como e o que os gatos caçam?
CAPÍTULO 20: E como eles comem?
CAPÍTULO 21: Felinos se limpam como a cena de um crime
CAPÍTULO 22: E dormem menos do que parece
CAPÍTULO 23: Qual é o arquétipo do seu bichano?
CAPÍTULO 24: Identifique os lugares de confiança dele
CAPÍTULO 25: Gato medroso: faça do esconderijo casulo!
CAPÍTULO 26: 13 curiosidades felinas
CAPÍTULO 27: Existe bichano dominante (ou alfa)?
CAPÍTULO 28: A importância dos três Rs para um gato
CAPÍTULO 29: Três Rs: o jeito infalível de brincar
CAPÍTULO 31: Três Rs: limpando e dormindo (estreia no dia 12 de julho!)

7.6.24

A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)

Depois de assassinar um lagartinho (parente do refém que eu consegui negociar), duas rãs (ou pererecas), três ratinhos (que nunca havíamos visto aqui no terreno) e um coelho (não me perguntem como ele escalou 2 m de muro!), Intrú aprendeu a caçar de brincadeira. Era 24 de abril, justamente o dia em que fui enxotada do tapete de ioga e precisava terminar a saudação ao sol.


Lembrei da varinha, que fez os bigodes voltarem a brincar depois de velhos, mas as meninas que restaram não curtem muito, e a peninha não teve a menor chance. O frajola é muito competente na arte de atacar e travar os dentes ― no vídeo, parece até que acelerei a imagem! E quem acabou exausta fui eu. rs


Agora, quando Leo cuida do jardim, o figura se diverte perseguindo o fio do cortador de grama. Também tentou caçar a mangueira ― e saiu molhado. Qualquer graveto que a gente balance faz as pupilas dilatarem. É um gatinho indecentemente fácil de agradar ― e amar.



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga

5.6.24

Truque para gato que não come ração úmida 'velha'

Todo tutor de gato já ficou com cara de trouxa segurando um sachê, potinho ou latinha pela metade, que o bonito não quer mais saber de comer. Eu já havia compartilhado a dica de dar uma esquentada no micro-ondas e talvez você ainda esteja no estágio anterior, em que o bichano precisa aprender a gostar de ração úmida (só clica!).

Este post, porém, é para as vítimas do paladar seletivo felino, especialmente aquelas que têm velhinhos ou doentes em casa. Quem me salvou foi a Viviane Silva, contando no nosso grupo maravilhoso de apoiadores que congelava o patê em porções menores, descongelando apenas o que os bigodes consumiriam na hora.

Eu testei com a latinha da Pet Delícia batida no blender, porque a gangue de 17 anos aceita melhor essa textura, mas imagino que também funcione com a versão original (e com os sachês) ― só precisa colocar em uma embalagem que possa ser aquecida depois, né? As meninas comem como se a gente tivesse acabado de abrir, pois o cheiro e o sabor ficam preservados. :)

31.5.24

Suco para gato debilitado que não aceita comida

Atualizado às 19h45

O estágio avançado da doença renal exige um equilíbrio delicado: se a gente tenta empatar nas seringadas a quantidade de comida diária de um animal saudável, o gato debilitado acaba vomitando. Se fica com pena de alimentar desse jeito, o resultado é o mesmo, porque barriga vazia e desidratação aumentam o enjoo ― rins que não filtram direito deixam passar mais ureia para o sangue (uremia), causando náusea e úlceras no estômago (gastrite).

Chocolate já estava nos últimos dias (17 anos e meio!) quando começou a travar os dentes para o sachê batido no blender ― melhor forma de conseguir uma textura lisinha para passar na seringa. Maru, uma das vets dos bigodes, sugeriu então o suco de maçã. Não, não dá para manter um animal saudável à base de suco de frutas, mas, no caso da Choco, ajudaria a forrar o estômago e segurar a hidratação, com um sabor docinho que ela adorou ― como bônus, maçã tem fibras, minerais e vitamina C.


A receita é básica: eu batia também no blender (salvador!) uma maçã sem casca por vez, já que o gosto se altera rápido e a pequena tomava de pouquinho, acrescentando apenas a quantidade de água para formar um purê ― mais fácil de engolir e com mais nutrientes.




A ranhetinha aproveitou por 11 dias e se despediu.

*

Importante: no estômago de um bichano cabem, confortavelmente, 20 ml, ele demora cerca de 40 minutos para esvaziar e a quantidade diária de líquido deve equivaler a 50 ml por quilo de peso do animal. Mas, nessa fase de partida, a gente só dava os 3,5 ml da seringa por vez, encurtando os intervalos. E o que ela conseguisse tomar já ajudava a minimizar o mal-estar.


Outras infos essenciais:

:: Doença renal, pelo maior especialista em gatos do Brasil
:: 7 dicas que podem salvar seu amigo
:: Diagnóstico renal não significa sentença de morte
:: Sobrevida de 11 anos (e contando)!
:: 9 sinais de doença que a gente não percebe
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:: Seu pet não come ração úmida (patê, sachê, latinha)?
:: Como ensinar o bichano a amar ração úmida natural
:: Ração em molho: nós testamos!
:: Alimentação de emergência para animal desidratado
:: Calculadora de ração felina, seca e úmida
:: Cuidado com alimentação forçada!
:: Como deixar o patê lisinho (para seringa!)
:: Gato vomitando: 4 dicas que ninguém dá
:: Suporte para comedouro pode cessar vômitos
:: Diarreia em bichanos: o que fazer?
:: Quando e como usar fralda
:: Gastrite causada por problemas renais
:: Luto: gatos sentem a morte do amigo? O que fazer?

24.5.24

A primeira ioga do Intrú

Em algum momento, não importa o horário ou local, um gato desta casa vai atrapalhar nossa ioga. E Intrú teve sua chance no dia 24 de abril (sim, estou atrasada com as notícias), quando o sol castigava o gramado do gatil e resolvemos aproveitar a sombra do contêiner. Assim que viu meu braço dando sopa, se aconchegou ― sim, a criatura que me atacou dez vezes antes de ceder!


Depois, foi se esticando, se esticando, se esticando, até me jogar para fora do tapetinho.


E seguiu a prática com o Leo, enquanto fui ser desrespeitada pelas frajolas que moram do lado de dentro da porta de vidro da lavanderia.



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)

22.5.24

Aniversariantes do mês – maio de 2024

Vocês não fazem ideia do inception de plot twists que ocorreram nos últimos meses para que a gente chegasse ao dia de hoje nesta configuração de Gatoca. Caçando qualquer coisa que se move no jardim, Pimenta sofreu uma provável reação alérgica a picada e acabou antecipando nosso luto porque os rins, já gastos pelos 17 anos de jornada, arriaram de vez.


Eu deveria ter suspendido a alimentação forçada na primeira semana de tratamento fracassado ― o cheiro na boca era de morte, o olhar opaco, as vértebras à mostra, a apatia frustrante. Mas existe uma pequenina parte no meu cérebro capricorniano, em formato de gato, que desobedece a razão. E, duas semanas depois, encontrei o lagartinho com que só a frajola brinca tomando sol no gatil.

Ao final da terceira semana, como se restasse alguma dúvida, ela saltou do meu colo em disparada para perseguir um lagartinho de verdade no corredor. Ainda não come sozinha, os rins seguem cronicamente doentes, ninguém espera um desfecho Benjamin Button. Mas, neste 22 de maio, comemoramos sua segunda chance.


Após ganhar o apelido de Cocreta pelo vício em procurar croquetes no parquinho vertical, Keka decidiu testar 50 tons de vômito e alcançou o menor peso possível para um bichano funcional. Quanto mais opções de sachê eu tentava, mais sangue a gastrite botava para fora de madrugada. Até que o estômago de 17 anos resolveu rejeitar o último sabor restante, de peixe branco, da única marca que a magrela ainda comia sozinha, batido no blender.


Apelei às seringadas, submetida ao sono picado, à tendinite e à musculação involuntária de tanto abaixar e levantar ― quando Pimenta caiu também, confesso, surtei. Mas no domingo a frajola lambeu o bico da seringa com mais urgência do que o patê dava conta de sair e depois a colher e os sabores de frango, atum, peru. Neste 22 de maio, comemoramos sua terceira (ou quarta) chance ― era para ela ter morrido antes da Chocolate!


Em terra de renais, quem tem uma gata com mais de 3 kg é rainha. E Jujuba se tornou aquela filha que tira boas notas na escola, arruma a cama sem ninguém pedir, não dá dor de cabeça ― apesar de que a cabeça de 17 anos da malhada não anda tão boa assim. Do nada, ela se desorienta na própria casa, emendando miados urgentes de angústia.


Mas ainda reconhece meu chamado, se acalma com o carinho e morde a mão que insiste em usar o mouse em vez de contribuir para o ronronar ― sim, a gata que me rendeu uma escarificação na mudança para o apertamento em São Bernardo! Neste 22 de maio, comemoramos como se fosse a primeira vez. E talvez seja a última também ― da família Guda já partiram a mãe, Pipoca e Pufosa.


Hoje, porém, não vou chorar.


*Novelinha: conheça a história das Gudinhas

Outros aniversários: 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 (especial Dia do Abraço) | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009

15.5.24

Três Rs: o jeito infalível de brincar com gato | EG #29

Se você não for tutor da Pimenta, que caça os brinquedinhos da caixa sozinha e guarda tudo embaixo do sofá, provavelmente já entendeu que precisa participar ativamente das brincadeiras para despertar a gatitude do seu amigo ― e ajudar a estabelecer uma rotina livre de tédio, sinfonia de madrugada, casa destruída.

Brincar de forma estruturada significa separar um tempinho por dia para estimular o peludo a praticar o ritual ancestral do Gato Essencial: caçar, apanhar, matar e comer (CAMC). Para isso, a gente precisa primeiro identificar sua presa favorita (voadora, rastejante, saltadora) e o estilo de caça preferido (emboscada em campo aberto, esconderijo para ataque surpresa, tocaia em buracos ou tocas).


Simular, então, o movimento do animal, em vez de mexer aleatoriamente a varinha, torna a interação muito mais sedutora. Um passarinho, por exemplo, pode passar voando em um rasante, se permitir ser apanhado e, quando o bichano se afasta, ir se esconder devagar atrás do vaso. As pupilas dilatadas e a balançadinha de bumbum indicam que o pequeno entrou no personagem: ele dá o bote, mas a ave levanta voo de novo, até você decidir que é hora de "morrer".

Jackson Galaxy, autor de O Encantador de Gatos, livro que inspira esta série, lembra ainda que a "perseguição" é tão importante quanto o "ataque" e o "abate", porque deixa o peludo 100% concentrado ― a exaustão da caça acontece mesmo quando ele não se move. Sim, todos os gatos brincam, até os velhinhos que esperam a presa chegar bem perto para dar duas patadas. E está valendo!

Respeitar o ritmo do bichano também se faz essencial. Tem animal que funciona como um carro esporte: você mostra o brinquedo e ele sai em disparada. E há os modelos a álcool, que demoram para embalar, mas depois ninguém segura. Não adianta, aliás, esperar que um gato corra 15 minutos sem parar. Eles são caçadores de velocidade (com explosões curtas, seguidas por breves períodos de descanso), não de distância.

E não esqueça de recompensar o esforço com petiscos para a experiência ficar completa.

:: Tipos de brinquedos

Interativo: varinha com penas ou qualquer brinquedinho amarrado a uma corda, que permita exercitar os três Rs (rotina, ritual e ritmo) da caçada, estimulando o desejo pela presa ― a ferramenta mais crucial.

Remoto: bolinhas e ratinhos de pelúcia, que a gente joga na esperança de que a criatura trará de volta e acabam embaixo da geladeira, até a próxima faxina ― não devem ser a única opção.

Automático: escolha do preguiçoso, funciona a pilha e seus movimentos previsíveis não despertam tanta emoção ― válido para os dias em que chegamos exaustos do trabalho.

:: Alerta!

A famosa caneta a laser pode abrir os trabalhos, mas nunca ser um fim em si, porque não dá para pegar (e morder) efetivamente a luzinha ― em algum momento, você deve apontá-la para um brinquedinho "matável".


(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer se tornar apoiador também? Dá uma fuçada nas recompensas da campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 16 anos e meio de projeto. ❤)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 11: Como é um abraço felino?
CAPÍTULO 12: Feromônios e os cheiros na comunicação
CAPÍTULO 13: Tem outro bichano vivendo dentro do seu!
CAPÍTULO 14: O segredo da gatitude!
CAPÍTULO 15: Conheça sua maquininha de matar: tato
CAPÍTULO 16: Conheça sua maquininha de matar: bigodes
CAPÍTULO 17: Conheça sua maquininha de matar: visão
CAPÍTULO 18: Conheça sua maquininha de matar: audição
CAPÍTULO 19: Como e o que os gatos caçam?
CAPÍTULO 20: E como eles comem?
CAPÍTULO 21: Felinos se limpam como a cena de um crime
CAPÍTULO 22: E dormem menos do que parece
CAPÍTULO 23: Qual é o arquétipo do seu bichano?
CAPÍTULO 24: Identifique os lugares de confiança dele
CAPÍTULO 25: Gato medroso: faça do esconderijo casulo!
CAPÍTULO 26: 13 curiosidades felinas
CAPÍTULO 27: Existe bichano dominante (ou alfa)?
CAPÍTULO 28: A importância dos três Rs para um gato
CAPÍTULO 30: Três Rs: como alimentar a gatitude (estreia no dia 12 de junho!)

10.5.24

Como se preparar para uma emergência tendo gatos

Preparado para deixar para trás, às pressas, a história de uma vida inteira acho que ninguém está. Mas a gente pode minimizar o impacto da tragédia seguindo as recomendações de especialistas. Eu cheguei a escrever sobre incêndio e animais, numa época em que provavelmente fracassaria tentando salvar dez gatos, e achei importante retomar o assunto agora, quando mais de 9 mil bichos afetados pelas chuvas no Rio Grande do Sul ainda esperam por resgate.


ANTES

Jackson Galaxy, o mestre do comportamento felino, tem um checklist para gateiros:

Mantenha as caixas de transporte no ambiente
Assim os bichanos não estranharão o cheiro diferente e entrarão sem resistência. Fora que ninguém merece ficar procurando as ditas cujas no fundo do armário mais alto com o prédio pegando fogo ou alagando!

Bloqueie espaços inacessíveis
Isso vale para qualquer lugar de onde você não consiga tirar o peludo em caso de emergência.

Adote a alimentação por refeições
Acostumar seu amigo a ter horários para comer cria uma rotina que facilita o manejo em situações de estresse.

Identifique o gato
Galaxy recomenda o microchip, para que qualquer pessoa ao encontrá-lo acesse suas informações indo a uma clínica veterinária com leitor. Mas essa prática ainda não é popular no Brasil, então sugiro a boa e velha coleira com plaquinha de identificação ― escolham um modelo de elástico, que solte se bicho se prender, evitando o enforcamento.

Tire uma foto da carinha dele
Se precisar fazer um cartaz de "procura-se", ter as características bem destacadas facilitará o reconhecimento.

Separe uma pasta com documentos importantes
Receitas médicas, exames impressos e carteira de vacinação precisam estar à mão ― seus documentos também, né? rs


DURANTE

Galaxy sugere que se cubra a caixa de transporte com um cobertor para restringir a visão do caos, evitando a superestimulação, e explica o que colocar em um kit de emergência:

Objetos com cheiros familiares
O cobertorzinho do gato e uma blusa usada sua, por exemplo, já ajudam o pequeno a se sentir menos inseguro no lugar para onde vocês forem.

Petiscos
Se ele parar de comer, ter sua guloseima favorita pode quebrar o jejum ― e a evolução para um quadro de lipidose hepática.

Brinquedinhos
Em situações adversas, brincar com seu amigo é uma estratégia para mudar o foco.

Feromônios sintéticos
Na verdade, Galaxy indica seus produtos holísticos, mas os feromônios sintéticos têm eficácia científica, porque mimetizam os naturais, que os bichanos soltam quando estão à vontade, aumentando a sensação de bem-estar.

O pessoal do Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad) alerta, ainda, que deixar os peludos em correntes, caixas, canis ou baias os torna presas fáceis para a água em rápida elevação ― se não puder levá-los junto, o melhor protocolo é soltá-los para que usem seus instintos naturais de sobrevivência.

E não esqueça de desligar aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos, até para conseguir recuperá-los depois, em caso de alagamento ― os cursos de Engenharia Elétrica e de Controle e Automação, da Universidade do Vale do Taquari (Univates), fizeram uma cartilha com o passo a passo.


DEPOIS

Juliana Damasceno, doutora em Psicobiologia, ensina como lidar com gatos traumatizados:

Isole o bichano em um cômodo
O ideal é que o local esteja com baixa iluminação e sem rotas de fuga.

Bloqueie refúgios vulneráveis
A dica de impedir o peludo de ficar inacessível também vale aqui.

Crie refúgios seguros
Qualquer caixa de papelão já cumpre a função.

Não force o contato
Gato assustado pode agir de forma agressiva ou congelar e ambas as situações agravam o estresse, prejudicando ainda mais seu estado de saúde.

Ofereça alimentos palatáveis
Aqueles que você colocou no kit de emergência, lembra? Coloque perto do esconderijo e saia do cômodo.

Evite fazer barulho
Entre no ambiente de maneira cautelosa e o mais silenciosa possível, mantendo-se agachado, e falando baixo, em tons agudos.

Separe os recursos
Posicione a caixa de areia do lado oposto à comida e à água.

Tenha paciência
Pode levar um tempo para seu amigo se sentir confortável de novo.

7.5.24

Chuvas no RS: infos concentradas para ajudar animais

Atualizado em 16 de maio de 2024

Eu demorei para escrever este post porque confesso que ando fugindo do noticiário. Já vivo entre alarmes de patê na seringa, água e remédio, por causa da reação alérgica da Pimenta à suposta picada de aranha, que agravou um quadro renal delicado (17 anos!), e da gastrite da Keka, que além desses cuidados também não me deixa dormir.

E estou exausta de Brasil ― do negacionismo climático criminoso, da influência dos ruralistas mais abjetos no Congresso, dos mesmos políticos com seus projetos de poder eleitos de novo e de novo. Há 23 projetos de lei que impulsionam a degradação ambiental tramitando atualmente e só três deputadas, logicamente de esquerda, destinaram recursos de emendas individuais para a prevenção de desastres no Rio Grande do Sul este ano!

(Fora os aumentos abusivos nos itens de necessidade básica da região, os assaltos às casas alagadas, os saques por comida, a troca de tiros com a polícia, o roubo de combustível das embarcações de resgate, os estupros nos abrigos.)

Mas os animais não têm culpa da minha rotina, não votam com o rabo e precisam de ajuda. Reuni, então, informações de fontes confiáveis para quem puder doar dinheiro, produtos ou abrigar temporariamente um peludo resgatado pelas ONGs. Incluí também perfis do Instagram para encontrar bichos perdidos, dicas para acalmar aqueles que estão fora de seu território e como estender a solidariedade às famílias ― afinal, a gente não faz diferença por aqui.

Vale mencionar, ainda, o apoio da Pet Delícia, parceira de longa data do Gatoca, que enviou mais de meia tonelada de latinhas, e O Fazedor, que desenvolveu um parquinho felino especial para o Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad).


Foto de Leandro Osório


PARA AJUDAR BICHO

:: Grupos de resgate e lar temporário

É a galera que está na linha de frente, se desdobrando para salvar cães, gatos, aves, coelhos, cavalos.

- Grupo de Resposta a Animais em Desastres (chave pix: 54.465.282/0001-21 ou via cartão de crédito: doe.gradbrasil.org.br)
- Grupo de Resgate Animal de Belo Horizonte (chave pix: 48.793.976/0001-95)
- ONG Campo Bom para Cachorro (chave pix: 24.494.672/0001-69)
- ONG Princípio Animal (chave pix: 29.880.059/0001-01)
- ONG Voluntários da Fauna (chave pix: 35.815.847/0001-09)
- Instituto Por Mais Empatia (chave pix: 46.877.372/0001-00)
- Projeto Dê Uma Chance (chave pix: projetodeumachancepoa@gmail.com)
- Resgatinhos POA (chave pix: resgatinhospoa@gmail.com)
- Gato do Mato POA (chave pix: 22.774.735/0001-05)
- Gatoteca POA (chave pix: gatotecapoa@gmail.com)
- Pet Fauna (chave pix: 002071944009)
- Gattedo (chave pix: contato@gattedo.com.br)
- Only Cats Canoas (chave pix: onlycatscanoas@gmail.com)





Filhotes resgatados pelo Only Cats boiavam presos na caixinha de transporte

SÃO PAULO

- Confraria dos Miados e Latidos (chave pix: adriana@miadoselatidos.org.br)
- Celebridade Vira-Lata (chave pix: contato@celebridadeviralata.com.br)
- Animais Gauchos (chave pix: animaisgauchos@gmail.com)
- Adote um Gatinho (lançarão uma rifa em breve!)
- ONG Bendita Adoção (chave pix: benditaadocao@gmail.com)
- Instituto Caramelo (chave pix: doe@icaramelo.org)


:: Onde reencontrar ou adotar um amigo

Dezenas de páginas foram criadas no Instagram para reunir famílias gaúchas e seus pets ― e quem não for pego precisará de um novo lar, assim como a galera resgatada pelos projetos acima. Aos tutores de Canoas, o Grad disponibilizou um WhatsApp para envio de fotos dos peludos, que serão encaminhadas aos abrigos e, em caso de identificação, entrarão em contato: (51) 99554-7154.

RIO GRANDE DO SUL

- Encontre Seu Pet
- Ache seu Pet RS
- Adotar e Encontrar - Pets
- Tô Salvo Animais

PORTO ALEGRE

- Ache seu Pet POA
- Animais Resgatados na Enchente
- Porto Alegre: Animais Resgatados da Enchente
- Dogs Enchente
- Tô Salvo Pet
- Resgatados IPA
- Abrigo de Cachorros Vítimas da Enchente
- Vem Adotar (região das Ilhas do Guaíba)
- Pontal Animais (Eldorado do Sul e Ilhas)
- Resgatados das Ilhas (Ilhas, Guaiba e Orla)
- Animais Achados e Perdidos - Enchente 2024 (Guaíba e Eldorado do Sul)
- Cães Resgatados - Centro Humanístico Vida da Baltazar
- Animais Resgatados - Escola Alcides Cunha
- Animais Resgatos Sarandi Zona Norte ♥️
- Resgates Animais Sarandi
- Projeto Anjos de Patas
- Pipoca & Graveta

NOVO HAMBURGO

- Amparo Animal
- Animais da Enchente NH
- Farms Dog Hotel
- Universiadde Feevale
- Animais Resgatados Liberato
- Animação Cão
- Abrigo de Cães Lima e Silva
- Gatos da Corte
- Abrigo Temporário Panorâmico
- Dogs Sol Nascente
- Cães Resgatados (Santo Afonso)

CANOAS

- Meu Bicho Tá Salvo
- Pet Resgatado
- Ache seu Dog Ulbra
- Cães Resgatados Canoas
- Protetor Cris Moraes

SÃO LEOPOLDO

- Animais Perdidos SL
- Encontre seu Pet SL
- Cães Resgatados (Vila Brás e arredores da Scharlau)
- Dogs Sol Nascente

OUTROS

- Ache seu Pet Esteio (Esteio)
- ONG Gepar (Esteio)
- Resgatados Estância (Estância Velha)
- Dogs Sol Nascente (Estância Velha)


:: Consultoria comportamental

Território Felino
Além de compartilhar stories no Instagram diretamente de Porto Alegre, como a lista de voluntários que estão organizando lares temporários para tirar os gatinhos dos abrigos, a veterinária Amanda Daniella oferece um help para quem quiser arriscar o LT e não sabe como fazer a adaptação: (51) 98189-7056.

Isa Gateira
Em resposta a uma seguidora, explicou em vídeo como promover segurança emocional para manter os bichanos desalojados mais calmos, já que a família se torna o único referencial de território em situações assim:

Deixe que fiquem nas caixas de transporte, se quiserem. Providencie esconderijos com caixas de papelão e mantinhas. Ofereça petiscos ― qualquer coisa que conseguirem comer é lucro. Mantenha o banheiro perto. Um ambiente mais escuro também pode minimizar o estresse. Se eles aceitarem carinho, acolha.

É possível marcar horário para um SOS comportamental solidário com ela também.

Larissa Rüncos
Psiquiatra de felinos, produziu um e-book gratuito sobre como prestar os primeiros socorros psicológicos aos peludos resgatados, destinado tanto a voluntários quanto a veterinários. E disponibilizou um formulário para quem está enfrentando dificuldades nesse manejo receber orientações.

Ela explica, ainda, que o número inferior de gatos salvos das enchentes se deve justamente ao comportamento menos gregário deles, que, diferente dos cachorros, tendem a se afastar do grupo em situações de perigo, escondendo-se e permanecendo em silêncio, além de evitar a manipulação por estranhos.


PARA AJUDAR GENTE

Como e quais roupas doar
O perfil Não Tenho Roupa ensina! Não mandar as peças sujas ou em mau estado espero que os leitores deste blog já saibam ― acreditem, doaram ao Gatoca um banheiro de gato sem lavar! Mas tem dicas em que eu nunca havia pensado, como amarrar os pares de sapatos para que não se separem no transporte.

Envio grátis pelos Correios
Mais de 10 mil agências no Brasil inteiro estão recebendo e transportando gratuitamente água (prioridade), alimentos da cesta básica, material de higiene pessoal e limpeza a seco, roupas de cama e banho, e até ração.

Para não faltar comida
O projeto Marmitas do Bem entrega 3,5 mil refeições por dia ― chave pix para doação: 53.019.216/0001-65. A Cozinha Solidária do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) triplicou a capacidade de produção graças ao financiamento coletivo, em parceria com o Apoia.se. E o Movimento dos Sem Terra (MST) lançou uma campanha pelas 500 famílias produtoras de arroz que perderam suas lavouras.

O desafio da água potável
85% da população chegou a ficar sem abastecimento e várias estações de tratamento foram destruídas, atrasando a normalização dos serviços ― Felipe Neto conseguiu arrecadar R$ 4,8 milhões para comprar 220 filtros que purificam in loco, emergencialmente, e a Força Aérea Brasileira já fez chegar às regiões atingidas.

Mutirões para reconstrução
A plataforma Meu Lar de Volta conecta pessoas que querem ajudar a quem precisa, oferecendo um mapa interativo que permite visualizar em tempo real as necessidades de cada localidade afetada ― limpeza, material de construção, kits de higiene pessoal, eletrodomésticos, cestas básicas.

Mora fora do Brasil?
Em parceria com a Frente Nacional Antirracista (FNA), a Central Única das Favelas (Cufa) recebe doações pelo PayPal e redireciona: doacoespaypal@cufa.org.br.


Divulguem outras iniciativas (que vocês conheçam) nos comentários, porque vai continuar chovendo ― e a gente não está atuando na raiz do problema.

*

Leia também: Como se preparar para uma emergência tendo gatos

3.5.24

Gato de queixo inchado, reação alérgica a picada e doença renal

Na mesma noite em que ouvi Pimenta caprichando no miadinho de caça, enquanto brincava com alguma criatura no gatil que eu não conseguia enxergar da sala, ela rejeitou as seringadas de patê do jantar. Aqui, talvez valha um parêntese de contextualização, porque espero que este post ajude mais gente que, como eu, recorreu ao Google e não teve sua angústia aplacada.


Pips é uma senhora de 17 anos, que ainda abocanha seres animados e inanimados. A gente mora em um terrenão de Araçoiaba da Serra, por onde passa de grilo a sagui (ou jacu é maior?). Desde que Simba morreu, em 2016, eu reforço a hidratação dos bigodes com água e ração úmida batida na seringa.

Pois, na fatídica segunda-feira, imaginei que a frajola estivesse de estômago cheio, fui dormir e não dei a menor importância para a aranha de jardim que me fazia companhia no quarto, terça de manhã. Até encontrar Pimenta abatida na moita de catnip, com o nariz escorrendo e os olhos lacrimejando. Nesse momento, para ser honesta, ainda pensava em rinotraqueíte.


Mas notei o papo inchado, na hora do almoço o queixo estava gorducho também e à tarde a gengiva da mandíbula inferior parecia inflada como aquelas bexigas de festinha de criança ― havia ainda uma ferida sangrando de leve na parte interna do lábio. Toda a cara de reação alérgica a picada de bicho (inseto ou aracnídeo), com o raio da aranha como principal suspeita.


Escrevi para o veterinário que acompanha a gangue a distância, medicamos e decidimos observar ― apesar de terem nascido em casa, fruto do golpe da barriga da Guda, Pips e as irmãs são ariscas. Na quarta do feriado, porém, a pequena começou a babar e achei melhor arriscar o sacolejo até uma clínica 24h obscura dos nossos confins.


A hipótese de reação alérgica fazia sentido, segundo a veterinária. O que eu não sabia é que a toxina pode afetar o fígado e os rins, e Pimenta já tem doença renal crônica, além da idade avançada ― a babação se devia ao excesso de ureia (uremia) na corrente sanguínea, que o órgão combalido não consegue filtrar e acaba causando enjoo.

Tentamos confirmar o diagnóstico com hemograma e função renal, fracassando na coleta por 59 minutos: primeiro só a vet e a assistente, depois com o Leo segurando junto, então no meu colo, usando escalpe, agulha, numa pata, na outra, na jugular, enrolada na toalha feito um burrito, chamando o dono da clínica para ajudar ― no final, a coitada urrou, me mordeu e começou a hiperventilar.


Como o inchaço já estava melhor, minha xará receitou um medicamento para o enjoo e soro subcutâneo, enfatizando que nunca havia visto uma gata tão hidratada nessa idade — no dia anterior, eu consegui dar 122 ml de líquido na seringa, entre água e patê. Lembrando que o cálculo deve considerar 50 ml por quilo de animal e Pips pesa apenas 2,25 kg.

Mucosas estavam coradas, tudo em ordem na palpação. Digno de nota apenas o peito crepitando na auscultação, que podia indicar bronquite (irritação nos brônquios), causada pela reação alérgica, ou broncopneumonia, associada a uma gripe — lembram da suspeita inicial de rino? Raio-x e ultrassom ficariam para depois, por motivos de: Dia Internacional do Trabalhador.

E a tarde já havia sido estressante para sete vidas felinas.

Escrevi um texto leve, porque a ideia é realmente ajudar quem precisar enfrentar esse infeliz alinhamento de astros. Mas o quadro renal da Pimenta agravou bastante e ela não está nada bem.

26.4.24

O primeiro colo do Intrú (sim!)

Foi no dia 12, uma sexta-feira que deveria ser de faxina, mas acabou suspensa no calendário pelos cuidados com a Chocolate ― e a expectativa angustiante da partida. Por isso não contei antes, inclusive. Sentei no jardim buscando um respiro, já que outra vida só viria acompanhada de outra encarnação, e Intrú correu para encaixar a cabeça gigante no meu cafuné.


Ensaiou passar sobre as pernas cruzadas para um lado, para o outro, se equilibrou nos ossos mal-embrulhados. Até que deitou, com a cara bem enfiadinha para não restar dúvidas de que se tratava de um colo. E ronronou. De boca aberta, sua marca registrada.


Deixei o vídeo completo para vocês também aproveitarem em caso de cinzentura ― foi tanto colo que a música acabou. Duas vezes (na segunda roubei e fiz uma emenda). rs



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou

24.4.24

Gatoca agora é PB

Quando você adota metade de frajolas, outra metade de sialatas e perde a última gata em cores, sobram 50 tons de preto-e-branco.


Keka, Jujuba e Pimenta continuam grudinhas, às vésperas de completar 17 anos, mas só nos dias frios ― Guda deu um bom golpe da barriga.


E nem o intruso escapou da paleta econômica.


Para não acharem, então, que se trata sempre do mesmo gato nos posts, fica a dica: Keka tem cavanhaque, Pips bigode, Intrú máscara e Jujuba é diferente. rs

Este texto em especial traz o colorido da Lucia Trindade e da Aline Silva, estreando no Gramado da Fama. Lucia acompanha o Gatoca há uma década, mora no Rio de Janeiro, trabalha com museus (sonho!) e batizou um dos peludos de Balão. A paulistana Aline faz pesquisas na área de química, tem quatro idosos e tirou Gordinha da crise com as dicas que aprendeu aqui sobre soro subcutâneo e alimentação úmida. Bem-vindas oficialmente, meninas!


Um aperto a distância também para Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Marcelo Verdegay, Patrícia Urbano, Fernanda Leite Barreto...

... Bárbara Toledo, Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Marilene Eichinger, Guiga Müller, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Karine Eslabão, Michely Nishimura...

...Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida, Ana Cris Rosa, Ana Hilda Costa, Lia Paim, Elisângela Dias, Ivoneide Rodrigues, Melissa Menegolo, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro, Elaigne Rodrigues, Simone Castro, Beatriz Terenzi, Viviane Silva, Regina Hansen, Arina Alba, July Grafe, Sandra Malacrida, Vera e Gabriela Fromme, que não deixam o projeto morrer! 🤗


(Tem um troco sobrando, gosta do nosso trabalho e quer se tornar apoiador também? Dá uma fuçada nas recompensas da campanhaaqui fiz um resumo das principais ações, on e offline, destes 16 anos e meio. ❤)

18.4.24

Saudade

Esta é uma história sobre escolhas. Começou no dia 14 de fevereiro de 2007, quando João te encontrou pequena, rabinho quebrado, o clássico nariz de chocolate que viraria nome, lembra? Eu escolhi te deixar para adoção no pet shop, porque acreditava que não daria conta de cuidar de quatro gatos. Mas a gaiola estava lotada e não voltei na semana seguinte.

Você poderia ter tido uma família mais exclusiva ― não só dei conta de cuidar de quatro gatos como de cinco, de sete, de dez (e algumas dezenas de temporários). Geniosa, ficava na ponta mais afastada do montinho felino ou reinando exclusiva na estante do escritório, em sua almofada de joaninha ― que nos acompanhou por três mudanças, ganhou uma cestinha, um remendo à la Tim Burton e só aposentou com a cama nuvem, depois de uma tentativa fracassada de roupinha.


Em Sorocaba, escolheu a lavanderia, menos disputada, para chamar de sua. Eu achava que era por causa da estante, aquela que ficava no escritório de São Bernardo, mas você gostava mesmo é da caixa suja do aspirador de pó ― e continuou gostando aqui em Araçoiaba. Da lavanderia, da estante, da caixa suja do aspirador de pó.

Já para Guda nunca deu bola ― e ela tentou até o fim, um ano atrás. Como pode caber tanta rabugice em uma gata-anã, que pesou 2,5 kg praticamente a existência inteira (até perder 900 gramas nos dois últimos meses)? E que roubava glutadela com esta carinha. E miava feito cabrita, soltando barulhinhos onomatopeicos quando subia nas coisas, pulava no chão, percebia nosso toque, bebia água, mastigava a ração.

Aí, escolhi cuidar do Intrú, que não tinha a sorte de morar do lado de dentro da porta de vidro de alguém e resolveu montar acampamento bem do lado de fora da porta de vidro da sua lavanderia ― fiz justiça gastando a maior parte dos lencinhos umedecidos dele com você. Veio, então, a ataxia, a cistite e os sintomas respiratórios, uma possível artrose, um possível trombo, a apatia.

Eu não sabia se sentia dor ou estava só sendo ranheta você ― esperei sete anos para te ter enrodilhada no colo. Se a pele flácida era de desidratação ou velhice. Se voltaria a afiar as garras no tronquinho do gatil ― três meses antes, você caçava animada os croquetes no parquinho! O raio-x indicou apenas problemas na coluna pela idade. Mas você, sempre sem parada, seguiu aquietando ― e Jujuba insistindo em ficar grudada.




Achei que não passaria de sexta ― a do dia 29 de março! E escolhi parar a vida. Botei fraldinha, liberei o quarto para dormir, aquele em que você nunca pôde entrar porque tenho alergia a gatos, comecei a te carregar por todo o lado para garantir que não cairia. Mas você não morreu. Ficou presa em um corpinho que não funcionava direito ― hidratada, com as mucosas coradas, olhos brilhantes (os mais lindos de Gatoca), sem qualquer episódio de vômito ou diarreia.




Como não conseguia mais chegar sozinha no jardim, te ajeitei no catnip só para voltar com formigas na cabeça e uma lesma entrando na boca. Pensei em parar sua vida. Eis que você adorou o suco de maçã. De manhã, acordava com a carinha colada à minha, não importava em que posição te colocasse. E sonhava loucamente.


Escolhi continuar. E também sonhei: você encostava a testa na minha e pressionava nossas cabeças uma contra a outra com as patinhas. Parecia uma despedida. Quando um dos dentes se pôs a sangrar, escrevi ao veterinário da cidade perguntando sobre a eutanásia. Só no consultório.

Em vez do terror da viagem de carro pelas estradas de terra esburacadas, escolhi te levar no sling improvisado para um último passeio pelo bairro, que você sorveu com os faróis ainda mais gigantes, cada folha, cada bicho, cada portão ― surda há uns dois anos, os cachorros latiam no vazio.



De segunda para cá, a dúvida foi me consumindo: havia algo mais para aproveitar? Será que eu tinha passado do ponto? Nesta madrugada, você arrumou um jeito de me confortar. Ignorando quaisquer limitações neurológicas, deitou no meu peito e só percebi quando acordei pela primeira vez ― na segunda, você estava encaixada entre minhas pernas, como um pacotinho.




Partiu na sua inseparável cama nuvem (como encará-la desocupada?), enquanto ganhava um cafuné com a mão que não estava tentando responder os e-mails atrasados.


Não te dei uma família exclusiva, mas garanti 17 anos e dois meses de presença, trabalhando em casa muito antes de o home office ser moda. E uma aposentadoria entre capuchinhas e passarinhos, mudando para o interior de aluguel e tomando um golpe da empresa de contêineres.


Podem ter sido escolhas inexperientes, de gateira de primeira viagem, e desajeitadas, de quem tantas mortes depois ainda não aprendeu a perder. Mas você sabe que foram as melhores que consegui fazer, né?