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27.8.21

Como a humanidade se curvou aos gatos | EG #3

Da selva aos "apertamentos", até que não demorou tanto... para que a gente se adaptasse aos bichanos. O primeiro concurso de raças ocorreu em 1871, no Reino Unido, e os EUA copiaram em 1895 — vamos falar sobre a crueldade do processo nos próximos capítulos desta série, inspirada no livro O Encantador de Gatos, escrito pelos especialistas em comportamento Jackson Galaxy e Mikel Delgado.


Em 1876, surgiu a primeira marca de ração (Spratt), também no Reino Unido, que demorou quase duas décadas para chegar aos EUA. Mas foram os norte-americanos, claro, que enlataram a comida, em 1930. E o racionamento de carne, na década seguinte, impulsionou o desenvolvimento da versão seca, feita com restos tanto de carne quanto peixe.


Se você tem pais nascidos antes de 1950, eles assistiram à explosão desse mercado — não ria, geração Z, porque você também entrará na linha do tempo! E a invenção da caixa de areia por Ed Lowe, empresário de Michigan, em 1947. Antes disso, usavam-se cinzas, terra ou areia de praia — e boa parte das famílias deixava os peludos darem um rolê.


As castrações se iniciaram em 1930, ainda pouco populares — e se manteriam assim pelas próximas quatro décadas. Indicava-se a anestesia geral, mas, acreditem, não era obrigatório. Nessa época, aliás, nasceu a lenda que aterroriza protetores até hoje de que as gatas deveriam parir pelo menos uma ninhada.


Antes de 1969, quando nasceu em Los Angeles a primeira clínica de esterilização popular, o número de bichos sacrificados impressionava. E foi só em 1972 que a Sociedade Americana de Prevenção Contra Crueldade com Animais passou a exigir a castração pré-adoção — e os veterinários começaram a recomendar também a criação dentro de casa, para o bem da fauna, da flora e dos próprios felinos.

Sim, caros leitores, eu vi tomar forma o conceito de CED: Captura, Esterilização e Devolução — 1990 lá fora e 2013 aqui. E o primeiro castramóvel rodar em Houston, no Texas, em 1994, porque muitas pessoas precisavam do serviço, mas não podiam ir até uma clínica. E West Hollywood proibir a remoção cirúrgica de garras, em 2003.

Ah! Em 1999, a organização In Defense of Animals (IDA) lançou a "Campanha do Guardião", almejando mudar a linguagem e o estatuto jurídico dos pets para que deixassem de ser tratados como objetos com donos. Mas não rolou na maioria dos países. Ainda. :)


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 4: Seu bichano vem do Novo ou do Velho Mundo? (estreia no dia 24 de setembro!)

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3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom conhecer um pouco da história dos nossos amados!

Anônimo disse...

A caixa de areia (e a areia) só chegaram ao Brasil em 1981. A areia era da marca MITZI e compunha um kit com caixa e pazinha. Antes disso andei usando balde com areia da praia e depois serragem. O kit MITZI durou pouco. Era meio caro e logo sumiu do mercado. Ainda demorou uns dois anos pra coisa se popularizar. Também não havia ração específica para gato. O vet passou BONZO fígado (de cachorro). E quase matei meu amigo intoxicado por um shampoo antipulga da BAYERN. Meu primeiro gato sofreu. Passou por todas as improvisações do meu desconhecimento e falta de grana. Mesmo assim, viveu 19 anos. Saudades dele. Encapetado e maravilhoso.
Regina Haagen

wcris disse...

Como passa o tempo... acreditei nessa lenda que a gata precisava parir uma ninhada nos anos 80, que horror. Ainda bem que conheci um veterinário honesto o bastante para me dizer que essa ideia só podia ser para manter uma "reserva de domínio", não havia justificativa científica, ou seja, visavam mesmo era manter a renda da classe. Mafiosos!