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28.7.22

Gato correndo loucão: 3 causas que eu desconhecia!

Todo gateiro um dia vai se deparar com um bichano que resolve atravessar a casa correndo do nada, como se anunciassem promoção de sachê. Eu vejo isso aqui há quase 17 anos e nunca perde a graça — Keka anda pelas paredes, Guda mergulha de barriga embaixo da cama e Jujuba finca a bandeira imaginária na última prateleira da sala, atropelando as irmãs na descida.


Mas só recentemente descobri que essa loucura tem método e pode ser sinal de alerta. A causa mais comum leva o nome pomposo de Períodos Frenéticos de Atividade Aleatória, o que significa, no populacho, que o gato desembesta a correr para queimar a energia acumulada ao longo do dia, como uma resposta quase involuntária do corpo — sim, faltou brincadeira.


Se ele já passou dos dez anos, porém, vale uma conversa com o veterinário, porque a outra suspeita é de hipertireoidismo, uma alteração hormonal que acelera o metabolismo, provocando problemas cardíacos, gastrintestinais e renais, e demanda tratamento medicamentoso para controle ou cirurgia.

O diagnóstico pede exames laboratoriais, principalmente dosagem hormonal de T4. Mas estes sintomas dão uma pista do quadro: perda de peso mesmo comendo mais, a hiperatividade constatada nos ralis, vômitos frequentes, problemas na pelagem, aumento na ingestão de água e no volume de xixi, agressividade.

Há, ainda, um terceiro motivo: a hiperestesia, síndrome rara caracterizada por sensibilidade extrema na pele e um conjunto de comportamentos obsessivos, como mordedura, lambedura e vocalização excessivas, perseguição ao próprio rabo, corridas ou pulos fora de controle — o animal pode apresentar também dilatação das pupilas, ondulações no lombo e até espasmos musculares.

A doença não tem origem clara nem cura, mas medicação aliada a brincadeiras e enriquecimento ambiental devolvem a qualidade de vida. Essa dica vale para qualquer bicho, aliás — tirando a parte do remédio, claro.

E não preciso comentar que às vezes os bigodes enlouquecem só porque estão perseguindo um insetinho que a gente não viu ou escutaram um som que ouvidos humanos não captam, né?

22.7.22

Novidades no Gatoca!

Em terra de gateira, a rinite alérgica é de gatos. E a gente chegou a morar em um apertamento de 60 m2 — dez bigodes, Leo e eu. E hoje as peludas mais novas estão com 15 anos, demandando cuidados especiais. Por tudo isso, o Gatoca acabou focando no projeto de educação e deixando os resgates de lado.


Ao mesmo tempo, nós temos apoiadores maravilhosos, que vira e mexe tropeçam em uma vida precisando de recomeço. Decidi, então, colocar à disposição de quem arregaça as mangas por um planeta melhor esta vitrine de uma década e meia — e meus textos e o conhecimento esforçado de edição de imagem. Angel estreou anteontem! :)

Junto com essa recompensa novíssima do nosso financiamento coletivo, vai um mimo pelo correio, porque, sabe-se lá como, os cartões postais da gangue ficaram todos colados — um minuto de silêncio.


Neste mês, aliás, quem acompanha Pufosa no Gramado da Fama é Regina Hansen, que descobriu o Gatoca procurando outra campanha no Catarse e acabou sensibilizada pelos bichanos. Beatriz Terenzi, leitora há nove anos, que chegou em busca de dicas de adaptação. E Viviane Silva, que me escreveu querendo doar o material de fluidoterapia de Ronron e Twix, em agradecimento à ajuda dos posts sobre como medicar e alimentar animais doentes. ❤️


Vocês não têm noção do tanto que esse reconhecimento dá um ânimo para jornalistas independentes, como eu, continuarem a produzir conteúdo exclusivo. Para se juntar aos despioradores de mundo (e participar do grupo de WhatsApp mais acolhedor e divertido da internet), basta clicar aqui — nossa jornada é longa e só pretendo parar na ONU.

Obrigada pela companhia, Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Danilo Régis, Marcelo Verdegay, Patrícia Urbano, Fernanda Leite Barreto...

...Bárbara Toledo, Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Ana Fukui, Marilene Eichinger, Guiga Müller, Sérgio Amorim, Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Lilian Gladys de Carvalho, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca...

...Karine de Cabedelo, Michely Nishimura, Ana Paula de Vilas Boas, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida e Ana Cris Rosa, Ana Hilda Costa, Liam Paim, Elisângela Dias, Amanda Herrera, Ivoneide Rodrigues, Melissa Menegolo, Vanessa Almeida, Vivian Vano, Maria Beatriz Ribeiro, Elaigne Rodrigues e Simone Castro! 🤗

20.7.22

Adoção: gata baiana busca amor tibetano!

No dia 1º de janeiro deste ano, enquanto metade da população estava de ressaca e a outra metade com covid, Cristina Rebouças tentava acalmar uma tigrinha de dois meses, surgida no portão de sua casa, suja, faminta e feroz — nem vou comentar a luta que foi pegá-la para dar banho.


Oito luas se sucederam até Cris conseguir ficar perto da pequena na hora de comer, prendendo a respiração, só para vê-la se esconder antes de terminar o potinho. Seu esporte favorito é fuga de estranhos. Mas ela também pratica a filosofia das ruas: descer a porrada primeiro para depois descobrir que se assustou com um pedacinho papel.


Aos finais de semana, gosta de cair de mau-jeito na tigela de água e fazer milanesa na caixa de areia. Convive com outros nove gatos no mesmo Airbnb, só que ainda não ficou amiga de nenhum — na verdade, a coitada tensiona quando algum galanteador arrisca uma aproximação.

Angel está com 8 meses e, como não sabemos os perrengues que passou em seu comecinho de vida, tende a demorar para confiar — em bípedes e quadrúpedes. Precisa de uma família paciente, com capacidade irrestrita de amor. No colo da Cris, aprendeu a gostar de carinho e até brinca de caçar os rabos que passam. 🧡


Será doada apenas para apartamento telado ou casa de muros altos, em Salvador e região metropolitana — o contato pode ser comigo ou direto com a Cris: (71) 9105-9044. Ajudem este post a chegar nos tutores da tigresa? :)


Este espaço é aberto aos apoiadores do Gatoca que arregaçam as mangas por um mundo melhor. Para participar do nosso financiamento coletivo, basta clicar aqui — e neste link tem um resumo das principais ações do projeto nos últimos 15 anos.

18.7.22

Ainda não acredito...

Sonhei com o Mercvrivs pela primeira vez ontem.

Ele morria.

Hoje completam dois meses. 💔



Despedida do Mercv:

:: Saudade
:: Cicatriz
:: Luto seco: um luto estranho

14.7.22

Como é um abraço felino? | EG #11

Impossível não lembrar daquelas fotos de animais com bracinhos, já viram? — desculpa, Keka! 😂


Mas gatos abraçam sem usar as patas, virando de barriga para cima (com as garras guardadas, claro). Por ser uma posição extremamente vulnerável, trata-se de uma bela demonstração de confiança, o que não significa permissão para meter a mãozona lá.


Se soar como ameaça, a mordida ou o arranhão certamente virão, porque essa também é uma posição de defesa, embora de bichanos pouco interessados em arrumar treta, já que deixa os dentes e as quatro patas a postos para proteção. E, no caso dos filhotes, podem entender como um convite à brincadeira.

No livro O Encantador de Gatos, que inspirou esta série, financiada pelos apoiadores (quem quiser despiorar o mundo com a gente basta clicar aqui! ❤️), Jackson Galaxy lista outras posturas corporais importantes para entender seu amigo.

Trégua: como os ancestrais dos bigodes não eram uma espécie social, eles não têm sinais claros de apaziguamento. Costumam resolver conflitos, portanto, se evitando ou com comportamentos defensivos — um deles explicado anteriormente, o outro parecendo menores (e menos ameaçadores) ao encolher ombros e patas e apontar as orelhas para trás. Podem até atacar, encurralados, mas só como última opção.

Amizade: ocorre por meio de um cheiro único para o grupo e de sinais como o rabo erguido. A roladinha é comum na presença dos mais velhos, de fêmeas no cio ou em resposta ao catnip.

Relaxamento: peludo que boceja e se alonga está tranquilão. Ao deitar com as patas embaixo do corpo (e as "armas" escondidas), no estilo "pão de forma", ele mostra que não tem a intenção de fugir ou se defender. Mas também vale a esfinge, com as patas dianteiras esticadas diante do corpo — frequentemente acompanhada por olhos "bêbados".

Tensão: notem que o relaxamento se difere do agachamento, em que o bichano fica parcialmente encolhido ou apoiado nas patas dianteiras, uma posição tensa, em provável sinal de dor.

Chateação: faz com que eles arrepiem os pelos e adotem uma postura expansiva para parecerem maiores — o clássico gato de Halloween, sabem? Em estado de alerta, estão dispostos a se defender se necessário.

Ataque: patas esticadas, rabo arrepiado e traseiro erguido indicam que é melhor correr.


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 8: O que seu amigo quer dizer?
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!
CAPÍTULO 12: Os cheiros na comunicação felina (estreia no dia 19 de agosto!)

7.7.22

Testei roupinha para gato! #polêmica

Eu sei que eles não gostam, que a gente deve investir em alternativas (caminha, cobertor, aquecedor), que, apesar de fofo, roupinha atrapalha a higiene, dificulta os movimentos e "aprisiona" um animal que tende a se incomodar com o menor penduricalho — já escrevi sobre tudo isso.

Mas Chocolate continuava gelada em sua almofada de joaninha, instalada dentro de uma caixa de papelão praticamente fechada, com o climatizador ligado a madrugada inteira — aqui em Araçoiaba chegou a fazer 5ºC! E a criatura se recusa a deitar no grupinho. Dotada de um timbre vocal poderoso, ninguém dormia.

Vale explicar também que os bichanos sofrem mais do que os cachorros com as baixas temperaturas porque vêm de regiões quentes, tendo seu organismo mais adaptado ao calor. E que sentir frio pode, inclusive, afetar a saúde mental.

Liliane, apoiadora querida, crochetou, então, uma roupinha de lã para teste. Deu trabalho colocar porque ficou justa. Mas, se fizesse maior, acho que a encardida tiraria. E não faltou tentativa! — isso depois de ela conseguir se equilibrar em pé, rs. Filmei os melhores momentos, incluindo as reações da gangue, para a superproducinha de julho, recompensa do nosso financiamento coletivo.



Imagino que o ideal seja comprar um tecido elástico. Só que não encontrei nada parecido na internet. As opções do mercado, aliás, são péssimas: com gola, capuz, material que não aquece, pouco prático de limpar, a preços indecentes. E Chocolate acabou arrumando outro uso para a roupinha.


Para garantir uma noite de sono tranquila a bípedes e demais quadrúpedes, antes de deitar eu esquento sua almofada de joaninha com o secador — aquele que herdei e nunca apontei para o cabelo.

6.7.22

Vida com gatos (pendurados) #9

Já pesquisaram as caraterísticas de um bom travesseiro? Primeiro, depende da posição em que se dorme: de barriga para cima pede uma espessura mais fina para evitar curvar demais o pescoço, de lado demanda uma altura equivalente à distância entre os ombros e a base do pescoço. Há também que se considerar a resistência do material. E o tipo — mais ou menos quente, ortopédico, confortável, só que propício a causar alergias.

Isso se você for humano, claro.

Para os gatos, basta pendurar a cabeça em qualquer superfície:








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1.7.22

Luto seco: um luto estranho

Eu me considerava especialista em luto. Perdi meus avós maternos aos 15 anos, minha mãe aos 23 e meu pai aos 31. Aí vieram as mortes felinas, Simba aos 36 e Clara aos 41, eclipsando outros parentes porque essa é uma lista de afetos. Em todos os casos, houve uma doença que se demorava, noites de sono entrecortado, alívio no final — e lágrimas atropelando tudo.

Mas não com o Mercvrivs.

Até muito perto do inesquecível 18 de maio, cuidei dele esperando que ficasse bom. Não percebi que era a vida que emagrecia, ainda não acredito que nunca mais. E, apesar de lembrar do frajola todo dia, não penso a respeito, não vejo fotos, não estendo conversa. Medo de chorar e não parar mais.

Por ele, por tudo de tão errado com o mundo, pela minha pequenez.

Foi um episódio do Diário Possível (mas inventado), anteontem, que me driblou. Comecei empática à voz embargada da Ana Roxo, que se despedira do pai, peguei carona na trilha sonora ardilosa e logo o tronco inteiro chacoalhava no tapetinho de ioga, em que Mercv me fez companhia por mais de uma década — a parceria na cadeira do escritório beirou 17 anos!

42 dias represada.

E ainda não posso dizer que estou fluindo.



Despedida do Mercv:

:: Saudade
:: Cicatriz