Pensem em um lugar encantado, saído das páginas de um livro (ou de um quadro), com flores coloridas, uma ponte bucólica sobre o lago e passarinhos como única trilha sonora. Pois Claude Monet fez o caminho inverso: primeiro construiu o jardim de Giverny, em 1883, para depois pintá-lo ─ eternizando-o, inclusive, nas badaladas paredes do Musée de l'Orangerie, capítulo anterior desta série.
O espaço era promissor: 10 mil m² de pomar, com uma horta e o caminho que levava até a casa margeado por ciprestes e abetos. Monet trabalhou incansavelmente, então, para torná-lo perfeito. Batizado de Clos Normand ("Terreno Normando"), por ficar na região francesa da Normandia, o jardim ganhou arcos de metal com rosas perfumadas e capuchinhas, e as macieiras foram substituídas por cerejeiras e árvores de damasco do Japão.
O chão passou a ostentar milhares de narcisos, tulipas, íris, papoulas orientais, peônias. No lado esquerdo, o artista plantou canteiros de cores únicas, como nas paletas de pintura, aplicando seu conhecimento pictórico para criar efeitos de perspectiva, mostrar a residência e intensificar as áreas sombreadas. Em 1893, comprou um terreno do outro lado da rua para a parte aquática, desviando o curso do córrego Ru, um braço do rio Epte.
Sobre lago particular, atravessou uma ponte verde de estilo japonês, cercou o local de espécies orientais, como bambus, bordos e salgueiros-chorões, e completou com as famosas ninfeias (nenúfares ou lírios-da-água), parentes da vitória-régia amazônica: "Eu gosto de água, mas também gosto de flores. É por isso que, a bacia cheia, pensei em adorná-la com plantas. Peguei um catálogo e fiz uma escolha para a pequena felicidade, só isso".
Pequena felicidade para um homem, saltitos para a humanidade, que pode contemplar em museus pelo mundo o jogo de luz com reflexo celeste que tanto fascinava Monet. Parêntese para contar que quando ele morreu, 43 anos depois, Clos Normand ficou abandonado, até ser restaurado pelo curador do Palácio de Versalhes e aberto ao público em 1980 ─ quando nasceu esta jornalista, que também amava passear com o pai em um jardim japonês, embora bem menos exuberante.
"E o gato?", vocês devem estar se perguntando. Ficava na casa, igualmente pintada com as cores da paleta do artista ─ verde para as portas e persianas, amarelo para sala de jantar, azul para a cozinha. Não se tratava, contudo, de um ser ronronante, mas de uma escultura de biscuit (ou porcelana fria), produzida no Japão (notaram a obsessão, né? rs), em meados do século 19.
Michel Monet herdou-a do pai, faleceu num acidente de carro, em 1966, e o bichano passou 45 anos desaparecido! O mistério só foi solucionado em 2011, quando Adrien Meyer, especialista em arte impressionista, avaliava os bens de Rolande Verneiges, filha ilegítima (e secreta) de Michel ─ seu apartamento escondia um verdadeiro tesouro de obras originais e o gatinho deitado despretensiosamente no piano.
Hideyuki Wada o arrematou em um leilão por $ 67 mil e doou à Fundação Claude Monet, para que o pequeno voltasse a descansar em sua almofada favorita ─ com plaquinha de agradecimento.
Há uma réplica da peça também no quarto de Blanche Hoschedé-Monet, enteada e única aluna do pintor.
Guardei por seis meses a calça bafônica que ganhei das meninas, só para estrear nessa ocasião.
Tati comprou as passagens erradas de trem, chegamos superatrasadas à Giverny e não deu para esticar até Rouen, onde queimaram Joana D’Arc. Usando as passagens "certas", porém, não veríamos o jardim com sol. Tenho pensado muito sobre isso ─ e, para provar que não sou iluminada, contrabandeei sementes do Monet para Gatoca.
Veja também:
:: Gatos históricos de Paris ─ e a viagem à França (#1)
:: Gatos dos museus d'Orsay e l'Orangerie (#2)
:: Os gatos famosos do museu do Louvre (estreia em outubro)
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18.9.26
27.8.26
Gatos dos museus d'Orsay e l'Orangerie (#2)
Eu fui uma criança privilegiada, a ponto de ter obra de arte favorita em museu ─ dona Vera recebeu uma educação burguesa, incluindo latim, francês, etiqueta, piano e violão, mas o dinheiro não sobreviveu às minhas fraldas descartáveis, um luxo para bebês de 1980, rs. Na primeira visita ao Masp, fiquei encantada com as irmãs pintadas por Renoir.
A menorzinha, de olhos chorosos, lembrava Mariana e eu, o oposto de loira, também costumava andar com ela de mãos dadas, protetora. Rosa e Azul, de 1881, retrata Alice e Elisabeth, filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d’Anvers, que, diferente do resto da humanidade, não gostou do quadro pronto e o pendurou na parte da casa em que ficavam os empregados.
Tudo isso para dizer que, apesar das acusações de machismo, foi emocionante pegar as exposições Renoir et l'Amour: la Modernité Heureuse (1865-1885) e Renoir Dessinateur, no Musée d'Orsay ─ antiga estação ferroviária, que guarda a maior coleção impressionista e pós-impressionista do mundo e quase foi demolida na década de 1970.
Renoir e o Amor: a Modernidade Feliz reunia 50 pinturas das duas décadas iniciais da carreira do artista, entre as badaladas Banhistas na Grenouillière, Os Guarda-chuvas, O Passeio e Dança em Bougival. Mas eu prometi bichanos, né?
Garoto com Gato, de 1868, é um óleo sobre tela e a legenda o descrevia como um dos mais estranhos dessa fase, porque nenhum pretexto histórico ou mitológico justifica a nudez do jovem modelo, mesmo que sua pose evoque certas representações do deus Eros, para os Gregos, ou Cupido, para os romanos.
A luz fria e a camada grossa de tinta, influência do realismo cru de Gustave Courbet e Édouard Manet, contrastam ainda com o gesto afetuoso em relação ao animal, dando uma sensação de ternura e intimidade à cena. Acreditam se tratar de Félix, irmão mais novo de Lise Tréhot, principal modelo e companheira romântica do pintor.
Já Renoir Desenhista trazia uma centena de obras em papel, muitas delas inéditas, com técnicas gráficas variadas ─ caneta e tinta, giz preto, grafite, carvão, giz vermelho e branco, pastel, aquarela, gravura e litografia. Segundo Jean Renoir, filho do artista, ele nunca deixou passar um dia sem esboçar algo, mesmo que apenas uma maçã no caderno.
Criança com Gato (Julie Manet), de 1887, também é um óleo sobre tela, mas estava acompanhado pelo estudo em carvão sobre papel azul. Notem que na versão final Renoir gira o torso de Julie, filha de Berthe Morisot e Eugène Manet, irmão do pintor famoso, para conferir mais dinamismo e elegância ao retrato ─ do peludo a gente não sabe nada.
E não podia deixar de compartilhar o Estudo para Mulher com Vaca, de 1886, misto de aquarela, caneta, tinta e lápis grafite sobre papel. Não parece que a camponesa leva uma pulga para passear? A paisagem se refere à Saint-Brisac, na Bretanha, e a "pulga" vai virar uma ovelha. rs
O site informa que Orsay também abriga O Gato Branco, quadro de 1894, em que Pierre Bonnard usa a distorção para criar uma imagem humorística de bichano arqueando as costas ─ qualquer semelhança com o estilo de Hokusai não é mera coincidência.
E estão na reserva técnica ou emprestadas as obras felinas de Théophile-Alexandre Steinlen, conhecido pelo cartaz do cabaré Le Chat Noir (O Gato Preto): Gato na Poltrona, entre 1859 e 1923, Gato Preto Deitado em Posição de Bola no Sofá, de 1920, e Gato Sentado, de Frente, com a Cabeça Voltada para a Direita, com data indeterminada.
(Fotos e explicações nos links, que vocês conseguem ler em português clicando no botão de traduzir do navegador.)
No Musée de l'Orangerie, o destaque é a coleção das Ninfeias, assinada por Monet, pintor do meu coração adulto, que representa o jardim deslumbrante que visitamos em Giverny (próximo capítulo!).
Mas o bichano se escondia na exposição do Henri Rousseau, L’Ambition de la Peinture (A Ambição da Pintura). Autodidata e ridicularizado pelos críticos da época, ele trabalhava como inspetor alfandegário e se tornou a figura mais marcante da arte naïf (ingênua ou primitiva), conquistando admiração de uma vanguarda europeia que incluía nomes como Pablo Picasso e Jean Cocteau.
Retrato da Madame M., concluído por volta de 1895, pode se tratar de sua primeira esposa, Clémence Boitard, falecida em 1888. Rousseau curtia botar mulheres de traços marcantes em cenários enigmáticos, então não me perguntem por que o gato de estilo medieval e tamanho desproporcional brinca com um novelo de lã no meio do caminho.
Comecei o post com Renoir e este artigo do PubMed Central, um arquivo digital mantido pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, justifica terminar com ele. Aos 60 anos, sofrendo com as dores de uma artrite reumatoide agressiva, que só amenizava no calor, o pintor passou a trabalhar segurando no colo um dos muitos gatos que viviam ao redor da casa.
O Instituto Pasteur de Paris, a quem especialistas e historiadores recorrem para verificar a autenticidade de obras de arte, chegou a identificar pelos felinos na tinta de seus quadros, ajudando a datá-los. Outra curiosidade maluca é que o médico dele na época, Dr. Gachet, aparece neste retrato de Van Gogh, mais um paciente célebre.
Veja também:
:: Gatos históricos de Paris ─ e a viagem à França (#1)
:: O gato (desaparecido) de Monet e o jardim de Giverny (#3)
:: Os gatos famosos do museu do Louvre (estreia em outubro)
A menorzinha, de olhos chorosos, lembrava Mariana e eu, o oposto de loira, também costumava andar com ela de mãos dadas, protetora. Rosa e Azul, de 1881, retrata Alice e Elisabeth, filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d’Anvers, que, diferente do resto da humanidade, não gostou do quadro pronto e o pendurou na parte da casa em que ficavam os empregados.
Tudo isso para dizer que, apesar das acusações de machismo, foi emocionante pegar as exposições Renoir et l'Amour: la Modernité Heureuse (1865-1885) e Renoir Dessinateur, no Musée d'Orsay ─ antiga estação ferroviária, que guarda a maior coleção impressionista e pós-impressionista do mundo e quase foi demolida na década de 1970.
Renoir e o Amor: a Modernidade Feliz reunia 50 pinturas das duas décadas iniciais da carreira do artista, entre as badaladas Banhistas na Grenouillière, Os Guarda-chuvas, O Passeio e Dança em Bougival. Mas eu prometi bichanos, né?
Garoto com Gato, de 1868, é um óleo sobre tela e a legenda o descrevia como um dos mais estranhos dessa fase, porque nenhum pretexto histórico ou mitológico justifica a nudez do jovem modelo, mesmo que sua pose evoque certas representações do deus Eros, para os Gregos, ou Cupido, para os romanos.
A luz fria e a camada grossa de tinta, influência do realismo cru de Gustave Courbet e Édouard Manet, contrastam ainda com o gesto afetuoso em relação ao animal, dando uma sensação de ternura e intimidade à cena. Acreditam se tratar de Félix, irmão mais novo de Lise Tréhot, principal modelo e companheira romântica do pintor.
Já Renoir Desenhista trazia uma centena de obras em papel, muitas delas inéditas, com técnicas gráficas variadas ─ caneta e tinta, giz preto, grafite, carvão, giz vermelho e branco, pastel, aquarela, gravura e litografia. Segundo Jean Renoir, filho do artista, ele nunca deixou passar um dia sem esboçar algo, mesmo que apenas uma maçã no caderno.
Criança com Gato (Julie Manet), de 1887, também é um óleo sobre tela, mas estava acompanhado pelo estudo em carvão sobre papel azul. Notem que na versão final Renoir gira o torso de Julie, filha de Berthe Morisot e Eugène Manet, irmão do pintor famoso, para conferir mais dinamismo e elegância ao retrato ─ do peludo a gente não sabe nada.
E não podia deixar de compartilhar o Estudo para Mulher com Vaca, de 1886, misto de aquarela, caneta, tinta e lápis grafite sobre papel. Não parece que a camponesa leva uma pulga para passear? A paisagem se refere à Saint-Brisac, na Bretanha, e a "pulga" vai virar uma ovelha. rs
O site informa que Orsay também abriga O Gato Branco, quadro de 1894, em que Pierre Bonnard usa a distorção para criar uma imagem humorística de bichano arqueando as costas ─ qualquer semelhança com o estilo de Hokusai não é mera coincidência.
E estão na reserva técnica ou emprestadas as obras felinas de Théophile-Alexandre Steinlen, conhecido pelo cartaz do cabaré Le Chat Noir (O Gato Preto): Gato na Poltrona, entre 1859 e 1923, Gato Preto Deitado em Posição de Bola no Sofá, de 1920, e Gato Sentado, de Frente, com a Cabeça Voltada para a Direita, com data indeterminada.
(Fotos e explicações nos links, que vocês conseguem ler em português clicando no botão de traduzir do navegador.)
No Musée de l'Orangerie, o destaque é a coleção das Ninfeias, assinada por Monet, pintor do meu coração adulto, que representa o jardim deslumbrante que visitamos em Giverny (próximo capítulo!).
Mas o bichano se escondia na exposição do Henri Rousseau, L’Ambition de la Peinture (A Ambição da Pintura). Autodidata e ridicularizado pelos críticos da época, ele trabalhava como inspetor alfandegário e se tornou a figura mais marcante da arte naïf (ingênua ou primitiva), conquistando admiração de uma vanguarda europeia que incluía nomes como Pablo Picasso e Jean Cocteau.
Retrato da Madame M., concluído por volta de 1895, pode se tratar de sua primeira esposa, Clémence Boitard, falecida em 1888. Rousseau curtia botar mulheres de traços marcantes em cenários enigmáticos, então não me perguntem por que o gato de estilo medieval e tamanho desproporcional brinca com um novelo de lã no meio do caminho.
Comecei o post com Renoir e este artigo do PubMed Central, um arquivo digital mantido pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, justifica terminar com ele. Aos 60 anos, sofrendo com as dores de uma artrite reumatoide agressiva, que só amenizava no calor, o pintor passou a trabalhar segurando no colo um dos muitos gatos que viviam ao redor da casa.
O Instituto Pasteur de Paris, a quem especialistas e historiadores recorrem para verificar a autenticidade de obras de arte, chegou a identificar pelos felinos na tinta de seus quadros, ajudando a datá-los. Outra curiosidade maluca é que o médico dele na época, Dr. Gachet, aparece neste retrato de Van Gogh, mais um paciente célebre.
Veja também:
:: Gatos históricos de Paris ─ e a viagem à França (#1)
:: O gato (desaparecido) de Monet e o jardim de Giverny (#3)
:: Os gatos famosos do museu do Louvre (estreia em outubro)
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31.7.26
Gatos históricos de Paris ─ e a viagem à França (#1)
Atualizado às 19h57
Quando elas decidiram comemorar nossos 30 anos de amizade em Paris, eu estava cuidando da Keka, senão teria respondido com a complacência destinada às crianças que ostentam rabiscos como Picasso. Os planos seguiram, Keka partiu, emendei os cuidados com a Jujuba e nos intervalos tentava acompanhar os vídeos temáticos que se acumulavam no grupo.
Não é que me faltasse só corpo (e emocional), eu também não saberia de onde tirar a grana para uma viagem internacional ─ nem bate e volta para a praia rolava há sete anos. Mas não adiantava argumentar. Aceitariam minha ausência apenas em caso de morte ─ da gata, o que acabou acontecendo, na semana anterior. E tudo saiu ainda mais caro pela possibilidade de cancelamento.
Eli pagou o hotel com cama extra, Fê trocou milhas pela passagem de avião, MFê comprou o ingresso mais alto para a torre Eiffel, aquele que incluía champanhe, Bá escolheu um restaurante vegano do Guia Michelin e a camiseta girls trip ficou por conta da Tati. Minha participação se resumiu a desenhar a baby look de zoeira, com a ajuda do Leo, e ligar o computador por quatro madrugadas até conseguir ingressos gratuitos dos museus mais disputados ─ acordada eu já estava.
No pacote, ainda entrou a Disney, com hospedagem do Toy Story e a icônica queima de fogos no castelo, um sonho que minha mãe não viveu para realizar e de que Eli me outorgou representante (motivo da cara inchada na foto). Nem fui a melhor das companhias ─ precisava desesperadamente dormir, sofria com o frio embrulhada em múltiplas camadas de roupa, não podia comer em qualquer lugar, sempre sobrava para trás fotografando.
Espero retribuir o carinho com esta série ─ tinha tanta coisa incrível para ver que muitas vezes o contexto passava batido. E estendo também a vocês, que me conheceram uma década depois, já gostando de gatos ─ aos apoiadores, trouxe presentes. E Intrú ganhou um Remy, o ratinho de Ratatouille, para assassinar sendo fofo.
Bouquinistes
Às margens do Sena, eles compõem a maior livraria a céu aberto do mundo, uma tradição que vem do século 16, hoje considerada patrimônio cultural imaterial da França ─ os bouquinistes aparecem até no clipe novo da Céline Dion. Cerca de 900 caixas verdes fixadas ao parapeito do rio se desdobram em barracas para comercializar 300 mil livros usados, de edições antigas a raridades, cartazes, cartões postais, gravuras, selos e colecionáveis.
Jardim de Luxemburgo
Abriga o palácio que atualmente serve como sede do Senado, a Fonte Médici, plantas escupidas como estátuas e estátuas que parecem reais. Talvez não seja o caso deste gatão, encomendado para representar poder e proteção, mas seu criador tem uma história legal: Jean-Baptiste Henraux recuperou a pedreira de mármore do Monte Altíssimo, na Itália, de onde Michelangelo retirou os blocos para a Basílica de San Lorenzo ─ e em que descobriram recentemente uma sala secreta com estudos atribuídos a ele.
Shakespeare and Company
Inaugurada por George Whitman em 1951, a livraria foi considerada por Sylvia Beach uma "sucessora espiritual" da sua, ponto de encontro para escritores expatriados como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e T. S. Eliot ─ Beach publicou Ulysses, de James Joyce, quando ninguém mais ousava fazê-lo! Mesmo a Shakespeare and Company atual teve entre seus visitantes Anaïs Nin e Julio Cortázar.
Eles provavelmente dividiram o espaço com algum mascote, porque quatro cachorros e oito gatos vêm se revezando na função ao longo de sete décadas, incluindo Aggie, encontrada na seção de mistério, batizada em homenagem à Agatha Christie e falecida no Halloween de 2022 ─ quem nos recebe agora é a canina Djuna (Barnes), mas até porquinho já passou pela librairie independente mais famosa do mundo.
Como não pode fotografar do lado de dentro, aceitem estas imagens clandestinamente tortas da sala de leitura. rs
Catedral de Notre-Dame
Se tem coisa que católico sabe fazer é igreja maravilhosa. A arquitetura gótica da Notre-Dame, cuja construção durou 182 anos (entre 1163 e 1345), guarda o único monumento funerário medieval sobrevivente em seu local original. E Simon Matifas de Bucy, bispo de Paris entre 1290 e 1304, descansa eternamente acompanhado por ele: o leão, símbolo de coragem e proteção, lembram?
Igreja de Santo Eustáquio
Em Paris, há uma igreja inteirinha dedicada a São Francisco de Assis, a Église Saint-François-d'Assise, localizada no 19º distrito, mas só fiquei sabendo depois. O Chicão que trago para representar o padroeiro dos bichos é da Église Saint-Eustache, uma das mais visitadas da cidade por sua arquitetura gótica tardia e por ter o maior órgão da França.
Projetada pelo arquiteto italiano Domenico da Cortona e construída entre 1532 e 1632, ela batizou Madame de Pompadour, casou Molière e velou a mãe de Mozart!
Faubourg Daimant
Acho que nunca comi nada tão chique. E sensacional! O Faubourg Daimant junta alta gastronomia e culinária à base de plantas, "inspirando-se nas tradições burguesas da França". Neta de um restaurador vietnamita, a chefe Alice Tuyet é vegana há oito anos e se diz obcecada pelo bem-estar animal. Olha a felicidade da vegana aqui!
Nós pedimos o "menu experiência", que oferecia uma amostra generosa de cada prato. Escolhi destacar o caviar de algas bretãs, porque caviar sempre tem ovas de peixe, né? Mas também fiquei impressionada com o carpaccio de rabanete, o repolho recheado, as cenouras glaceadas e a berinjela à milanesa ─ esqueçam a ideia de vegetal com gosto de vegetal. Quando não cabia mais meio croquete, chegou a sobremesa: bolo, pavlova e ganache.
LaCrèma
A sorveteria artesanal que forma fila na porta também é vegana e de uma brasileira. Fundada pela mineira Roberta Faria, LaCrèma trabalha com máquinas que movidas à água, colheres de biscoito comestível, frutas que os supermercados recusam pela aparência, açúcar de beterraba não refinado. E chantilly grátis!
A casquinha da foto combina chocolate de Madagascar com cookies & cream, mas também experimentei os sabores de gianduia e pistache, memória afetiva. Zero diferença dos sorvetes preparados com leite de vaca!
Disney Paris
Quem não se encanta com a Disney carrega uma pedra no peito ─ eu me derretia até com a Montanha Encantada do Playcenter! Este Gato de Cheshire, também conhecido como Gato Que Ri, decora a Fantasyland, parte do parque destinada a crianças de até 7 anos. Fiquei com vontade de espiar o labirinto de Alice no País das Maravilhas? Fiquei. Mas tomei vergonha na cara e fui passar medo na montanha-russa do Indiana Jones.
Na história de Lewis Carroll, escrita em 1865 e reinterpretada até hoje, o Gato de Cheshire consegue sumir e reaparecer quando quer, além de dar conselhos enigmáticos ─ é dele a manjada frase: "Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve". O meu, sem querer, levou a um conto de fadas.
Veja também:
:: Gatos dos museus d'Orsay e l'Orangerie (#2)
:: O gato (desaparecido) de Monet e o jardim de Giverny (#3)
:: Os gatos famosos do museu do Louvre (estreia em outubro)
Quando elas decidiram comemorar nossos 30 anos de amizade em Paris, eu estava cuidando da Keka, senão teria respondido com a complacência destinada às crianças que ostentam rabiscos como Picasso. Os planos seguiram, Keka partiu, emendei os cuidados com a Jujuba e nos intervalos tentava acompanhar os vídeos temáticos que se acumulavam no grupo.
Não é que me faltasse só corpo (e emocional), eu também não saberia de onde tirar a grana para uma viagem internacional ─ nem bate e volta para a praia rolava há sete anos. Mas não adiantava argumentar. Aceitariam minha ausência apenas em caso de morte ─ da gata, o que acabou acontecendo, na semana anterior. E tudo saiu ainda mais caro pela possibilidade de cancelamento.
Eli pagou o hotel com cama extra, Fê trocou milhas pela passagem de avião, MFê comprou o ingresso mais alto para a torre Eiffel, aquele que incluía champanhe, Bá escolheu um restaurante vegano do Guia Michelin e a camiseta girls trip ficou por conta da Tati. Minha participação se resumiu a desenhar a baby look de zoeira, com a ajuda do Leo, e ligar o computador por quatro madrugadas até conseguir ingressos gratuitos dos museus mais disputados ─ acordada eu já estava.
No pacote, ainda entrou a Disney, com hospedagem do Toy Story e a icônica queima de fogos no castelo, um sonho que minha mãe não viveu para realizar e de que Eli me outorgou representante (motivo da cara inchada na foto). Nem fui a melhor das companhias ─ precisava desesperadamente dormir, sofria com o frio embrulhada em múltiplas camadas de roupa, não podia comer em qualquer lugar, sempre sobrava para trás fotografando.
Espero retribuir o carinho com esta série ─ tinha tanta coisa incrível para ver que muitas vezes o contexto passava batido. E estendo também a vocês, que me conheceram uma década depois, já gostando de gatos ─ aos apoiadores, trouxe presentes. E Intrú ganhou um Remy, o ratinho de Ratatouille, para assassinar sendo fofo.
Bouquinistes
Às margens do Sena, eles compõem a maior livraria a céu aberto do mundo, uma tradição que vem do século 16, hoje considerada patrimônio cultural imaterial da França ─ os bouquinistes aparecem até no clipe novo da Céline Dion. Cerca de 900 caixas verdes fixadas ao parapeito do rio se desdobram em barracas para comercializar 300 mil livros usados, de edições antigas a raridades, cartazes, cartões postais, gravuras, selos e colecionáveis.
Jardim de Luxemburgo
Abriga o palácio que atualmente serve como sede do Senado, a Fonte Médici, plantas escupidas como estátuas e estátuas que parecem reais. Talvez não seja o caso deste gatão, encomendado para representar poder e proteção, mas seu criador tem uma história legal: Jean-Baptiste Henraux recuperou a pedreira de mármore do Monte Altíssimo, na Itália, de onde Michelangelo retirou os blocos para a Basílica de San Lorenzo ─ e em que descobriram recentemente uma sala secreta com estudos atribuídos a ele.
Shakespeare and Company
Inaugurada por George Whitman em 1951, a livraria foi considerada por Sylvia Beach uma "sucessora espiritual" da sua, ponto de encontro para escritores expatriados como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e T. S. Eliot ─ Beach publicou Ulysses, de James Joyce, quando ninguém mais ousava fazê-lo! Mesmo a Shakespeare and Company atual teve entre seus visitantes Anaïs Nin e Julio Cortázar.
Eles provavelmente dividiram o espaço com algum mascote, porque quatro cachorros e oito gatos vêm se revezando na função ao longo de sete décadas, incluindo Aggie, encontrada na seção de mistério, batizada em homenagem à Agatha Christie e falecida no Halloween de 2022 ─ quem nos recebe agora é a canina Djuna (Barnes), mas até porquinho já passou pela librairie independente mais famosa do mundo.
Como não pode fotografar do lado de dentro, aceitem estas imagens clandestinamente tortas da sala de leitura. rs
Catedral de Notre-Dame
Se tem coisa que católico sabe fazer é igreja maravilhosa. A arquitetura gótica da Notre-Dame, cuja construção durou 182 anos (entre 1163 e 1345), guarda o único monumento funerário medieval sobrevivente em seu local original. E Simon Matifas de Bucy, bispo de Paris entre 1290 e 1304, descansa eternamente acompanhado por ele: o leão, símbolo de coragem e proteção, lembram?
Igreja de Santo Eustáquio
Em Paris, há uma igreja inteirinha dedicada a São Francisco de Assis, a Église Saint-François-d'Assise, localizada no 19º distrito, mas só fiquei sabendo depois. O Chicão que trago para representar o padroeiro dos bichos é da Église Saint-Eustache, uma das mais visitadas da cidade por sua arquitetura gótica tardia e por ter o maior órgão da França.
Projetada pelo arquiteto italiano Domenico da Cortona e construída entre 1532 e 1632, ela batizou Madame de Pompadour, casou Molière e velou a mãe de Mozart!
Faubourg Daimant
Acho que nunca comi nada tão chique. E sensacional! O Faubourg Daimant junta alta gastronomia e culinária à base de plantas, "inspirando-se nas tradições burguesas da França". Neta de um restaurador vietnamita, a chefe Alice Tuyet é vegana há oito anos e se diz obcecada pelo bem-estar animal. Olha a felicidade da vegana aqui!
Nós pedimos o "menu experiência", que oferecia uma amostra generosa de cada prato. Escolhi destacar o caviar de algas bretãs, porque caviar sempre tem ovas de peixe, né? Mas também fiquei impressionada com o carpaccio de rabanete, o repolho recheado, as cenouras glaceadas e a berinjela à milanesa ─ esqueçam a ideia de vegetal com gosto de vegetal. Quando não cabia mais meio croquete, chegou a sobremesa: bolo, pavlova e ganache.
LaCrèma
A sorveteria artesanal que forma fila na porta também é vegana e de uma brasileira. Fundada pela mineira Roberta Faria, LaCrèma trabalha com máquinas que movidas à água, colheres de biscoito comestível, frutas que os supermercados recusam pela aparência, açúcar de beterraba não refinado. E chantilly grátis!
A casquinha da foto combina chocolate de Madagascar com cookies & cream, mas também experimentei os sabores de gianduia e pistache, memória afetiva. Zero diferença dos sorvetes preparados com leite de vaca!
Disney Paris
Quem não se encanta com a Disney carrega uma pedra no peito ─ eu me derretia até com a Montanha Encantada do Playcenter! Este Gato de Cheshire, também conhecido como Gato Que Ri, decora a Fantasyland, parte do parque destinada a crianças de até 7 anos. Fiquei com vontade de espiar o labirinto de Alice no País das Maravilhas? Fiquei. Mas tomei vergonha na cara e fui passar medo na montanha-russa do Indiana Jones.
Na história de Lewis Carroll, escrita em 1865 e reinterpretada até hoje, o Gato de Cheshire consegue sumir e reaparecer quando quer, além de dar conselhos enigmáticos ─ é dele a manjada frase: "Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve". O meu, sem querer, levou a um conto de fadas.
Veja também:
:: Gatos dos museus d'Orsay e l'Orangerie (#2)
:: O gato (desaparecido) de Monet e o jardim de Giverny (#3)
:: Os gatos famosos do museu do Louvre (estreia em outubro)
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Intrú,
Vale a pena ler de novo
10.7.26
2ª temporada de Gatoca: é, adotei o Intrú
Vocês já sabem que não fui para Cancún, tomar drinks de guarda-chuvinha na piscina de borda infinita, né? Chicão rejeitou meu pedido de aposentadoria por tempo de serviço prestado aos gatos e nem um guarda-chuvinha da Pan eu ganhei. Essa história, porém, traz outro personagem e foi a jornada dele que fez o público se emocionar.
Cabeçudo, faminto e machucado, Intrú podia ter escolhido qualquer casa ─ na verdade, ele escolheu, mas derrubou uns livros de autoajuda da estante e logo percebeu que merecia mais. Gatoca estar fechada para novos integrantes, principalmente FeLV+, era um detalhe. Nosso anti-herói, serial killer de passarinhos, não trabalha com pressa.
Meses se passaram, os bigodes idosos foram diminuindo no almofadão, até que sobrou apenas a Jujuba. E, como nos blockbusters as coisas sempre tensionam antes do desfecho favorável ao protagonista, ela viveu mais um ano e meio. Em 15 de junho, quase três de espera depois, o gordinho finalmente entrou em casa ─ importante dizer que convidado, porque das invasões perdemos a conta.

Leo e eu havíamos feito um bolão: ele correu para o pote de ração renal, que não estava mais no chão porque a renal também partira, recorrigiu a rota para dar com a porta do quarto fechada e terminou comendo areia da caixa do lavabo. O que ninguém imaginava era que o gato de patinhas de elefante seria uma coletânea da gangue.
Ele caça como o Simba, mas se assusta como as Gudinhas ─ e, quando a gente menos espera, vem no colo. Desfila com os brinquedinhos na boca como a Pimenta. Ama mamão como o Mercv e (cheiro de) pão francês como a Guda, além de petelecar bolinhas para baixo dos móveis. Quando abrimos o atum vegano, paixão da Pipoca, quase derrubou a pizza. Afia as unhas no tronquinho do gatil, como a Chocolate.

E é um vadio como a Clara. No segundo dia, se pôs a miar na porta de vidro da lavanderia, aquela em que passou dois anos aporrinhando para entrar, querendo sair. No terceiro, conseguiu fugir escalando o alambrado e voltou com diarreia.

Comecei a desenhar um projeto de blindagem, só que o bicho não curte ser contrariado (sete anos na rua) e achei melhor investir primeiro na sedução: brincadeira de varinha crepuscular, sachê da Pet Delícia sem restrições, burrito de cobertor no frio, carinho a qualquer momento.


Nem o ratinho é um simples ratinho. Foi comprado em Paris, com o logo da Disney brilhando na bunda.

Pois ele tem saído cada vez menos e parece que não mais do terreno ─ esses dias, voltou correndo para usar o banheiro, hábito que pensei que jamais emplacaria, após sucessivos fracassos e com 90 m2 de gramado. Quando sento na privada, aliás, vem fazer xixi sincronizado. Ainda fica preso no telhado, tentando se infiltrar no quarto pelas portas do contêiner que fecham o janelão. E toca Leo, que já acumulava a função de coveiro, atuar como bombeiro.


O comedouro automático merece um texto à parte, mas vale adiantar que ele confunde com o joão-bobo, que basta estapear para soltar mais ração ─ pelo menos tem me substituído nas refeições da madrugada porque, 20 meses sem dormir, estou a ponto de assassinar alguém. E o parquinho talvez precise de mais ousadia. Ou de peças maiores.
Há 20 anos e meio, Mercv chegou e mudou tudo. Eis que outro frajola não solicitado estreia a segunda temporada de Gatoca.
Obrigada Alice, Samanta, Renata, Vanessa, Paula, Elaigne, Bárbara, Reginas, Solimar, Lorena, Michele, Adrina, Fernanda, Roberta, Viviane, Liliane, Neide, Glaucia e Elisa Serikawa, que escolheram continuar amadrinhando o cara de pau! ♥️
Epopeia do Intruso
:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos
:: A gente veio aqui para beber ou se banhar?
:: Descobri por que Intrú atacou meu rosto!
:: Relacionamento tóxico com o gato
:: Gato come plástico para salvar a própria vida
Cabeçudo, faminto e machucado, Intrú podia ter escolhido qualquer casa ─ na verdade, ele escolheu, mas derrubou uns livros de autoajuda da estante e logo percebeu que merecia mais. Gatoca estar fechada para novos integrantes, principalmente FeLV+, era um detalhe. Nosso anti-herói, serial killer de passarinhos, não trabalha com pressa.
Meses se passaram, os bigodes idosos foram diminuindo no almofadão, até que sobrou apenas a Jujuba. E, como nos blockbusters as coisas sempre tensionam antes do desfecho favorável ao protagonista, ela viveu mais um ano e meio. Em 15 de junho, quase três de espera depois, o gordinho finalmente entrou em casa ─ importante dizer que convidado, porque das invasões perdemos a conta.

Leo e eu havíamos feito um bolão: ele correu para o pote de ração renal, que não estava mais no chão porque a renal também partira, recorrigiu a rota para dar com a porta do quarto fechada e terminou comendo areia da caixa do lavabo. O que ninguém imaginava era que o gato de patinhas de elefante seria uma coletânea da gangue.
Ele caça como o Simba, mas se assusta como as Gudinhas ─ e, quando a gente menos espera, vem no colo. Desfila com os brinquedinhos na boca como a Pimenta. Ama mamão como o Mercv e (cheiro de) pão francês como a Guda, além de petelecar bolinhas para baixo dos móveis. Quando abrimos o atum vegano, paixão da Pipoca, quase derrubou a pizza. Afia as unhas no tronquinho do gatil, como a Chocolate.

E é um vadio como a Clara. No segundo dia, se pôs a miar na porta de vidro da lavanderia, aquela em que passou dois anos aporrinhando para entrar, querendo sair. No terceiro, conseguiu fugir escalando o alambrado e voltou com diarreia.

Comecei a desenhar um projeto de blindagem, só que o bicho não curte ser contrariado (sete anos na rua) e achei melhor investir primeiro na sedução: brincadeira de varinha crepuscular, sachê da Pet Delícia sem restrições, burrito de cobertor no frio, carinho a qualquer momento.


Nem o ratinho é um simples ratinho. Foi comprado em Paris, com o logo da Disney brilhando na bunda.

Pois ele tem saído cada vez menos e parece que não mais do terreno ─ esses dias, voltou correndo para usar o banheiro, hábito que pensei que jamais emplacaria, após sucessivos fracassos e com 90 m2 de gramado. Quando sento na privada, aliás, vem fazer xixi sincronizado. Ainda fica preso no telhado, tentando se infiltrar no quarto pelas portas do contêiner que fecham o janelão. E toca Leo, que já acumulava a função de coveiro, atuar como bombeiro.


O comedouro automático merece um texto à parte, mas vale adiantar que ele confunde com o joão-bobo, que basta estapear para soltar mais ração ─ pelo menos tem me substituído nas refeições da madrugada porque, 20 meses sem dormir, estou a ponto de assassinar alguém. E o parquinho talvez precise de mais ousadia. Ou de peças maiores.
Há 20 anos e meio, Mercv chegou e mudou tudo. Eis que outro frajola não solicitado estreia a segunda temporada de Gatoca.
Obrigada Alice, Samanta, Renata, Vanessa, Paula, Elaigne, Bárbara, Reginas, Solimar, Lorena, Michele, Adrina, Fernanda, Roberta, Viviane, Liliane, Neide, Glaucia e Elisa Serikawa, que escolheram continuar amadrinhando o cara de pau! ♥️
Epopeia do Intruso
:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos
:: A gente veio aqui para beber ou se banhar?
:: Descobri por que Intrú atacou meu rosto!
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