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14.1.22

O melhor bebedouro para gato no verão!

Atualizado às 22h10

Já dizia Jesus: é mais fácil fazer um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um gato tomar água. E não podemos culpá-los porque, na natureza, quando caçavam animais menores, eles acabavam ingerindo 70% de água junto. O problema está na alimentação seca (prática e "barata") que oferecemos atualmente.

Com mais bichanos renais do que eu gostaria, vivo testando estratégias para aumentar a hidratação da gangue — tem links importantes no fim do post. E a última descoberta foi o bebedouro de cerâmica (o bom e velho barro), dica da Aline Silpe, no nosso grupo de apoiadores.


Comprei o modelo mais em conta (R$ 78) de presente de Natal, com os mimos do post 3 ideias para qualquer gato brincar.


E dias de frustração se passaram até me tocar que as criaturas se recusavam a usar porque a água devia estar com gosto de detergente. Feita a limpeza adequadamente, com a esponja quase sem espuma e muito enxágue, os bigodes não trocam por nada!

O líquido sai da torneirinha muito mais gelado do que nos bebedouros de plástico — dá para sentir ao colocar o dedo. E não junta bactérias. Mas não poderia deixar de compartilhar os contras, né? O trambolho pesa uma tonelada, parece louco para estatelar no chão, tem material poroso, de acabamento meio tosco, e anda juntando um bolorzinho* do lado de fora nestes dias úmidos.

Dizem que a versão de inox alcança a perfeição, só que o preço, na faixa dos R$ 300, a torna um sonho distante para a maioria dos brasileiros — se não quiserem passar nervoso, não cliquem no site do Jackson Galaxy! Resumo da bebedeira: minha vida piorou, mas a dos bigodes está bem mais fresca. rs


*Guiga Müller me ensinou que o que chamei de bolorzinho é, na verdade, eflorescência: um fenômeno que ocorre quando a água atravessa os poros do barro, ao trocar calor com o ambiente, e evapora, deixando os sais minerais contidos nela do lado de fora do filtro — quanto mais sais minerais, mais eflorescência. Os dias chuvosos devem ter coincidindo com o excesso de cloro que a prefeitura de Araçoiaba vira e mexe despeja na água.


Infos essenciais:

:: Doença renal, pelo maior especialista em gatos do Brasil
:: 7 dicas que podem salvar seu gato
:: Como fazer o bichano beber água
:: 13 macetes para dar líquidos na seringa
:: A seringa perfeita
:: Soro subcutâneo: dicas e por que vale o esforço
:: Soro fisiológico, ringer ou ringer com lactato?
:: 9 sinais de doença que a gente não percebe
:: O desafio da alimentação natural
:: Quando a alimentação natural não dá certo
:: Ração úmida mais barata para gato renal
:: Seu pet não come ração úmida (patê, sachê, latinha)?
:: Alimentação de emergência para bichano desidratado
:: Seringa que goteja para cuidar de gato doente

13.1.22

Luto: tempo contado em girassóis

Primeiro, a gente achou que os passarinhos tinham roubado as sementes plantadas com a Clara. Aí, despontaram microfolhas no solo, depois um botão desajeitado e parei de compartilhar a jornada do luto em flores com o girassol gótico. Mas o jardim nada-secreto seguiu seu caminho de cura — e quanto mais o tempo passava, mais colorido ficava.


Foi emocionante enxergar estrelas no miolo do girassol amarelo.


E precisei segurar com estacas os caules que decidiram a gestar múltiplos botões.

O vermelhão demorou, mas apareceu.


E logo se juntaram a ele versões purpurinadamente mescladas.


Sofremos um ataque de fungo, tratado com bordalesa e autoacolhimento.


A plantação superou meus 1,70 m!


Por dois meses, vimos este quadro se renovar na janela do quarto:


Até que as formigas venceram.

Eu estaria mentindo se dissesse que não fiquei chateada. Mas os girassóis não nasceram justamente da impotência?


Despedida da Clara
:: Saudade
:: Nunca foi tão difícil plantar girassóis
:: Os primeiros 30 dias
:: Clara finalmente virou girassol!
:: Girassóis góticos de Halloween

7.1.22

2021

Ano de baixar as expectativas.

Era para falar de pandemia no passado, comemorar a casa nova com os bigodes, realizar um projeto antigo. Mas nós continuamos quarentenados, tomamos golpe da empresa de customização dos contêineres enquanto Clara morria, vimos expirar o edital que viabilizaria a trilogia de livros infantis nos portões fechados das escolas municipais.

E integramos o grupo dos privilegiados, em um país de 19,1 milhões de famintos. Como não desanimar? A verdade é que eu desanimei. E, pela primeira vez, em 14 anos, este blog passou dois meses sem atualizações. Só voltei, na real, por causa de vocês — e dos relatos de como o Gatoca ainda ajuda e acolhe leitores.

Nosso banheiro segue sem porta. As brigas quase viraram divórcio. E o luto da Clara durou meses, da despedida aos girassóis — plantados com bolhas nas mãos, regados nem sempre com água da torneira e germinados timidamente. Mas a vida foi assentando. Dentro e fora.

Nasceram, então, girassóis exuberantes, a gangue ganhou uma floresta, o gatil lendário saiu do papel! Pipoca, na batalha de uma década contra a doença renal, até caçou um passarinho — o que me rendeu sentimentos mais conflitantes do que o episódio do atum vegano.

O livro da Rosana Rios inspirado no nosso trabalho entrou para o clube de leitura da Organização das Nações Unidas (ONU), na categoria redução das desigualdades. E nós recebemos do Catarse o selo de "projetos que amamos" — seletos 181, entre mais de 5 mil.

Teve texto também sobre roupinha para gato, cuidados paliativos, seringa perfeita para dar remédio, larvas e bicheira, o perigo das coleiras, esponja mágica para sujeira pesada, ração úmida improvisada, o barato do matatabi, luto em animais, riscos de não urinar, bebedouro inusitado, dosador oral que goteja, o que eu faria diferente com os bigodes, brinquedos para qualquer idade, como os bichanos gastariam seu tempo na natureza.

E a série nova, baseada na bíblia O Encantador de Gatos, escrita pelos especialistas em comportamento Jackson Galaxy e Mikel Delgado: Existe um canto do planeta sem eles?, A primeira gateira da história, Como a humanidade se curvou aos felinos, Seu amigo vem da América ou do Velho Mundo?, 8 mudanças genéticas modernas e 44 raças lindas, mas doentes.

No ativismo, a gente divulgou a Leia, deu entrevista para o UOL (e acabou obrigado a discutir a estigmatização da "louca dos gatos"), participou de bate-papo com ambientalistas sobre educação, homenageou a luta LGBTQIA+, levou a polêmica dos testes com animais à Folhinha, descobriu que ajudou a salvar um filhote famoso, arrecadou dinheiro para o tratamento do Conan.

E não dava para abandonar, justo neste ano-bomba, os posts de entretenimento, né? Vida com gatos #8, Felinos modernos, 6 coisas estúpidas que fiz quando adotei, Guardiãs felinas, Quando o X marca o tesouro, Pimenta à milanesa, Gatos, tijolos e frases desmotivacionais, A causa da rabugice felina, Cantinho da reflexão, Receita de pão de gato, 'Abaporu', de Gatinha do Amaral e Uma caixinha especial.

Clara, Guda e Gudinhas tiveram seus aniversários ignorados no caos da mudança para Araçoiaba da Serra, interior do interiorrr. Mas nós comemoramos o da Chocolate, o do Mercvrivs (nascimento e adoção), os 14 anos de concepção e lançamento do Gatoca (jornalista de papel, gente), o primeiro botãozinho da Clara coincidindo com o quinto ano sem Simba, seu grande amor. E o amigo secreto de talentos, que já virou um clássico!

Tudo isso só aconteceu porque vocês nos apoiam. ❤️ E continuaram mesmo com o Brasil em crise — o Gramado da Fama mais emocionante foi o de Natal! Lembram que eu disse que não ia fazer dancinha no TikTok, aliás? As meninas do Cluboca insistiram, a Cat Friday e o boletim do Catarse compactuaram e nós acabamos de bater a meta de desbravar a rede social chinesa!

Que em 2022 a gente só precise rebolar por ludicidade!


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