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19.7.19

Dia do Amigo e luto

É amanhã, pelo menos aqui, no Chile e na Argentina. Mas aperto nunca estoura a cota, né? Eu sempre faço piada usando as fotos dos bigodes — e eles se superam na falta de noção, como vocês podem constatar. Este ano, porém, observando a amizade que nasceu entre Pufosa e Clara, fiquei com vontade de escrever sobre luto.

As duas tinham no Simba seu porto seguro. E quando ele morreu, há quase três anos, ficaram meio sem lugar no grupo. Foi esse desajeitamento quem cuidou de aproximá-las. Pufosa precisa caber — na soneca da tarde, na caixa com vista para a primavera, no espacinho que sobra da cadeira. E Clara parece ter entendido que está na hora de acolher — na inconveniência, no descompasso de tempo, na ausência.


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17.7.19

Paraíso em Gatoca

Graças à tecnologia têxtil, os bigodes podem ir para o céu sem morrer — e vomitar em três pontos diferentes do edredom novo.


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12.7.19

O lado ruim de morar no interior

Há quase dois anos, eu compartilho neste blog os grilos e passarinhos da vida sorocabana. Mas fugir dos grandes centros urbanos é ficar mais distante da modernidade também. Isso significa que, para comprar pão, você passa pela avicultura, onde galinhas morrem de pouquinho sob o sol.

E percebe quando a cantoria do galo do vizinho emudece, para recomeçar com a próxima vítima. E sente vontade de jogar na lama a placa frequentemente renovada de “vende-se leitoa”. E ouve o casco dos cavalos no asfalto, puxando pessoas chucras, eletrodomésticos velhos, um mundo inteiro que tarda a se iluminar.

Isso quando não os vê inteiros no chão.


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11.7.19

O desafio de pagar contas à frente do seu tempo

Gatoca não levou o edital. O resultado saiu na segunda-feira, mas eu precisei de uns dias para lamber as feridas — deu um trabalho lascado preencher aquelas planilhas todas, rs. O fato é que, dos 100 projetos escolhidos, apenas um beneficiava os animais. E com o clássico resgate-doação, que não mexe na raiz do problema.

As iniciativas de educação se limitavam ao ser humano (como fim). E as de meio ambiente, às plantas. Em tempos de esgotamento do planeta, governos extremistas e compaixão escassa, os donos da grana e das regras ainda não se deram conta da importância (e urgência) de integrar as três áreas.

E a gente segue na luta dos boletos — obrigada, aliás, aos padrinhos e madrinhas, que nunca me deixam só! 💚


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5.7.19

Parceria para tempos difíceis

Lúcia Choi guardou na gaveta o diploma de direito e resolveu se entregar ao propósito de ajudar pessoas a se descobrirem, pensarem por si sós, tomarem decisões complexas. Levado a sério, o coaching é um processo profundamente transformador e vale cada centavo! Ainda mais quando alguns desses "centavos" vêm para o Gatoca. :)

A ideia é atender quem não pode arcar com o valor integral das sessões em troca de doações ao projeto, beneficiando bípedes e quadrúpedes numa boa ação só. Se vocês estiverem desestimulados como a Keka ou precisando apenas aparar umas arestas, conversem com ela.

Bora fazer a roda girar!

4.7.19

O texto que nunca escrevi

"Lúcia Já-Vou-Indo" era o calmante da turma. Se a gente não ficasse quieto durante a parte chata da aula, nunca saberia a continuação da história. Foi com a leitura de fundo da tia Rita que ilustrei meu primeiro e último livro de elefante. Acontece que os desenhos se intimidavam conforme a escrita seguia ganhando pernas. E dentes.

Os diários todos da adolescência ainda tenho — não, não há neles uma única linha sobre o primeiro beijo, porque ele também se atrasou. Já os cadernos de redação morreram com minha mãe. Vieram, então, as matérias. Centenas, em tela, papel brilhoso, folha suja. E umas edições e revisões em lombada quadrada.

Das crônicas não lembro o parto. Parece que só foram mudando de formato — do caderno para o e-mail dos amigos, descansando neste blog.

Respiro, logo escrevo.

Mas nunca aprendi. Quer dizer, fui alfabetizada, obviamente. E até tenho um diploma de jornalismo, vocês sabem. Só que ninguém me ensinou a escrita das estantes. Quando abracei Marcelino Freire, ao final dos três dias de curso no Sesc, a reparação estava feita.

Rufem os bigodes!


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