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8.12.23

Parquinho vertical: como acostumar os gatos (ou não)

Envelhecer com os bigodes tem me feito enxergar o tempo de outra forma ― já escrevi sobre isso algumas vezes, mas neste ano cheguei perto do chefão. As adaptações demoram mais, o corpo não funciona da mesma forma, a gente precisa fazer um esforço ativo para não deixar a curiosidade morrer junto com o resto.

E foi assim que nosso projeto do parquinho vertical completou seis meses ― da obra para isolar e revestir as portas do contêiner à última rodada de croquetes felinos, no domingo. Só que estou me adiantando: a real é que achei que liberaria a entrada no escritório e as gatas de mais de 16 anos se estapeariam para ver quem experimentaria o playground primeiro.


Elas já trepam na estante do corredor, dormem na prateleira mais alta da sala, vira e mexe derrubam a caixa de Pet Delícia do topo da estante da lavanderia. Mas ignoraram solenemente o empreendimento doado pelas queridas Vanessa Aguiar e Laíze Damasceno.

Em 23 de julho, eu tentei sensibilizar a gangue com sachê ― o catnip nem contou. Keka conseguiu comer sem subir, equilibrada em duas patas. Jujuba, colocada por mim na primeira prateleira, derrubou o potinho e pulou em seguida, no maior estilo Joelma ― o edifício em chamas, não a cantora. Ninguém entendia a escada vazada.

No sábado seguinte, comprei Churu, que as meninas do Cluboca chamam de "cocaína dos gatos", na expectativa de guiar as peludas pelo circuito. Chocolate arremessou para todo lado. Pimenta cheirou e saiu andando. Jujuba derrubou o celular que filmava o mico, quebrando meu tripé. Só Keka aprovou, mas também não foi muito longe ― aí, quando eu já havia desistido, se aventurou sozinha.

O terceiro teste rolou no dia 5 de agosto, com Dreamies, que definitivamente fez mais sucesso, tirando a ânsia de vômito da Pips, que esfarelava os croquetinhos, e da Choco, que demorava tanto para mastigar que eles caíam da boca. Gostar do petisco, aliás, não significa gostar do parquinho. As criaturas ficavam atrás de mim (e do pacote), sem perceber o conteúdo espalhado no playground.

E só Pimenta venceu o desafio da ponte, a única parte instável do conjunto ― Keka levou mais duas semanas e Choco conseguiu apenas em 11 de setembro! O recorde de travessia da escadinha vazada ficou com a frajola, em 20 de agosto ― isso porque eu deixei uma distância conservadora entre os degraus!

De lá para cá, em todo fim de semana distribuo croquetes entre os módulos, que Pips nunca mais arriscou a procurar. Jujuba segue achando tudo muito estranho. E a maior emoção ocorreu quando Choco e Keka disputaram o mesmo petisco, por lados diferentes da ponte ― ainda um tabu.


Keka só vai mesmo pela comida. Mas a ranheta adora se isolar das irmãs no refúgio que apelidamos de "casa das montanhas".


Já valeu a empreitada. :)


P.S.: Eu gravei (e decupei e editei) 45 vídeos para vocês se divertirem rindo da minha cara, morrerem de fofura com as gatas e aprenderem uma ou outra coisinha ― mesmo que seja o que não fazer quando o assunto envolve parquinho vertical, guloseimas e gatos.

5 comentários:

Anônimo disse...

Ri muito mais de vc com suas risadas e frustrações do que com as gatas...
Aqui é igual. Entrar no armário é muito mais divertido do que qualquer gatomização

Anônimo disse...

Funciona melhor com bebês e adolescentes. Já tentei com minha gangue da terceira idade e não rolou

Anônimo disse...

Adorei o relato realista! A gente pensa que eles, sem sombra de dúvida, irão amar uma gatificação. Mas gatos são gatos.

Michele disse...

Há duas semanas levei a mais nova aqui de casa (5 anos) na veterinária e a gatinha fez a festa no playground do consultório gatificado: subiu em tudo, pulou e escolheu o ponto mais alto para ser o ponto de observação.

Deu para sentir que ela estava com medo de estar num lugar novo (devo ter saído com ela de casa no total 3 vezes na vida). A veterinária quando entrou pediu se eu tinha prateleiras em casa para ela estar assim tão a vontade.

Eu tenho algumas aqui em casa, não um parquinho tão bonito quanto da Bia. Mas eles fazem a festa, inclusive a idosa de 17 anos. Pelo menos uma vez ao dia ataca o "animal selvagem" nela e ela sai correndo na casa subindo nas coisas e acordando os mais novos que ficam curiosos dela estar brincando sozinha.

Nunca tinha pensado que gatos mais idosos teriam receio de algo que parece ser tão natural. Mas se a gente com a idade fica mais melindroso, quem somos nós para julgarmos os gatos?!

O vídeo ficou lindo, a trilha sonora estava muito gostosa!

Beatriz Levischi disse...

Depois da publicação desse post, Keka seguiu emagrecendo por causa da doença renal e Chocolate teve dois curto circuitos neurológicos. Resultado: nem os croquetes conseguiram mais sensibilizar as meninas. :\