.
.

2.12.16

13 macetes para dar líquidos na seringa a um gato

Não, ele não precisa estar doente para você ler o post até o final. Dar água na seringa diariamente ajuda a evitar problemas renais, já que os bichanos não são bons de tomar no pote, a versão parada, morna e com sujeirinhas ― seus ancestrais caçavam animais menores, que serviam ao mesmo tempo como comida e bebida, dispensando o reforço hídrico.

20 ml é uma boa quantidade, mas, se rolar um repeteco à noite, melhor ainda! E acostumar as maquininhas de matar com essa manipulação facilita absurdamente a administração de remédios e comida forçada, em caso de necessidade futura. Como tenho à disposição um laboratório de dez bigodes (agora nove, snif) para teste, fiz uma coletânea de dicas supimpas:

1) Compre seringa de 5 ml
Elas são mais anatômicas para a função.

2) Treine com 1 ml
Ofereça essa quantidade de água uma vez por dia até baixar a resistência da criatura ― prometo que isso acontece.

3) Não afogue o animal
Aqui em casa, funciona melhor dar dez seringadas de 2 ml do que lotar o êmbolo e diminuir as chuchadas.

4) Segure a cabeça com uma das mãos
Coloque a palma no topo e pressione os buraquinhos de cada lado da mandíbula com os dedos indicador/médio e polegar, facilitando a abertura.

5) Posicione a boca para cima
Caso contrário, pode esperar a cuspida.

6) Impeça fugas
Eu evito a imobilização pelo cangote porque acho que aumenta o estresse do bicho. Para impedir que ele dê ré, então, vale empurrar o bumbum para baixo com o mesmo braço da mão que está segurando a cabeça ou colocá-lo em uma mesa/prateleira/balcão e fazer barreira com o peito.

7) Ajeite a seringa no canto da boca
Além de ajudar a forçar a abertura, não dá tanta vontade de mastigar como na frente. Só tome cuidado para não machucar a gengiva.

8) Mire no céu
Se o jato for direto para o fundo, há uma grande chance de engasgar. Na bochecha também funciona, mas precisa prestar atenção para não sair do outro lado.

9) Respeite o ritmo do bichano
Alguns vão bebendo conforme a gente aperta o êmbolo, portanto, é melhor ir devagar. Outros se desesperam com a água acumulada, preferindo que a tortura termine mais rápido. Só não pese na mão, porque a rebatida volta na cara ― pode rir imaginando a cena.

10) Mantenha a cabeça para o alto
Até o peludo terminar de engolir, pelo mesmo motivo do item 5. Dá para fazer isso empurrando o queixo de leve. E deixe ele relaxar enquanto recarrega a seringa.

11) Tome cuidado com a garganta e os bigodes
A água tem de passar por ali e, se a cabeça do gato for pequena, a gente acaba apertando a garganta sem querer. Quanto aos bigodes, repuxá-los todo dia fará com que comecem a cair ― I've been there, pobre Simba.

12) Distancie as seringadas das refeições
No estômago dos bichanos cabe, confortavelmente, 20 ml de bebida ou 20 gramas de comida. Mais do que isso, causa desconforto. A boa notícia é que ele demora apenas 40 minutos para esvaziar.

13) Dobre a cota de carinho ao final da empreitada
O pequeno precisa associar as seringadas a um momento bacana. Nada de brigar quando tomar olé pela casa ou de chorar ao encontrar água no chão depois de seguir todas as instruções.

Se bater o desânimo, lembre desta jornalista-coração-de-pudim, que tem uma trupe circense para seringar. E a Jujuba, rainha da sociabilidade. rs


Leia também: 7 dicas que podem salvar seu gato da doença renal

30.11.16

Síndrome de homeless

Guda adora um telhadinho. A gente puxa a banqueta para tomar lanche e ela brota do piso. Basta deixar a tampa da caixa de areia no chão, durante a limpeza, que a criatura resolve brincar de tartaruga. Já a perdemos embaixo do fogão, da cama box, da lixeira capotada (por ela mesma) do escritório. Depois de morar um ano na rua, melhor ter dois tetos sobre a cabeça para garantir, né?

25.11.16

Quando o caminho esburacado é o certo

Na manhã em que escolhi trabalhar com educação, sabia que não esbanjaria fama, fortuna, milhões de leitores. Se os textos ajudassem a melhorar a vida de algumas dezenas de pessoas, porém, já teria valido a pena. Há nove anos, estendi esse olhar ao Gatoca. E o post sobre a doença que me roubou o leãozinho alcançou 188 mil usuários no Facebook, somando 4,9 mil compartilhamentos e 20 mil curtidas.

Pode ser pouco para memes de política, vídeos com filhotes de panda e fofocas da última separação de Hollywood. Mas, para um assunto sério (e chato), escrito por uma jornalista que nem subcelebridade é, significa muito. Se as dicas ajudarem a melhorar a vida de algumas dezenas de bichanos, já terá valido a pena.

22.11.16

Doença renal: 7 dicas que podem salvar seu gato

Hoje, faz um mês que o Simba morreu. Não deixei de pensar nele um único dia, de coração apertadinho. Os últimos 33 pores de sol da doença renal foram dos mais tristes da minha vida ― e olha que esta vida já viu tombar pai e mãe. Ainda não estou pronta para escrever sobre o tratamento no estágio terminal. Mas resolvi ressignificar parte da dor compartilhando o aprendizado que pode poupar outros bigodes desse desfecho.

Leve vômitos a sério
Rins com problema não conseguem filtrar as toxinas do sangue direito, provocando náusea, feridas no estômago e, consequentemente, vômitos. O único vômito bom é o de pelos, todos os outros merecem investigação. Antes de começar a vomitar comida, Simba deixava pela casa pocinhas espumantes assim (nem sempre em forma de coração):


Pese o bichano mensalmente
Enjoados, eles tendem a comer menos, emagrecendo lentamente. O gordinho perdeu 800 gramas em oito meses e meu olho, viciado, não percebeu. :\

Dê água na seringa
Sim, é trabalhoso e, não, os geniosos não curtem. Garanto, porém, que a rotina de remédios, alimentação forçada e fluidoterapia produz muito mais sofrimento para todos os envolvidos. Comece com 1 ml por dia até o peludo se acostumar com a manipulação. Aumente progressivamente para 20 ml e, se possível, repita a dose à noite, totalizando 40 ml diários ― neste post tem 13 macetes para facilitar as seringadas.

Compre potes de tamanhos diferentes
Cansei de ler, nestes 11 anos, que gato prefere tigela grande para não encostar os bigodes na borda, mas o potico que improvisei para o leãozinho fez o maior sucesso, mesmo sem a torre, e acabou virando oficial. Além dele e dos potões de cachorro, a gangue conta também com um bebedouro elétrico. Ingerir pouca água é a principal causa da doença renal, que mata 60% dos bichanos ― aqui tem um texto bem completo sobre o assunto.


Não economize na ração
Repita como um mantra. Marcas baratas possuem excesso de sal, que provoca disfunções urinárias, e de corante, que prejudica a absorção dos nutrientes, além de gerar um volume maior de cocô. A trupe come Farmina, parceira do Gatoca, porque a N&D e Vet Life não têm transgênicos nem conservantes artificiais, usam proteínas de melhor qualidade e os óleos e vitaminas entram só no final do processo, evitando que se percam com as altas temperaturas. Elas nem precisavam ser mais palatáveis. :)

Ofereça comida úmida frequentemente
Esqueça o tártaro (acredite, já vi essa discussão). Na natureza, os felinos caçam animais menores, com 70% de água em seus corpos, e não precisam beber o líquido morno parado no pote, juntando poeira e pelos. Por isso a falta de hábito, que a gente chama de frescura. Vale sachê, latinha e até alimentação natural, desde que preparada exclusivamente para eles, seguindo a orientação de um especialista.

Cuide da energia da casa
Dizem que plantas ajudam os bigodes na tarefa de filtrar nossa nhaca e a nhaca do ambiente. Se for mentira, espalhar uns vasinhos (não tóxicos!) pelos cômodos não prejudicará ninguém. Por fim, cultive menos rancor e mais amor. A vida é curta e às vezes cabe na palma da mão.

19.11.16

Ao infinito e além!

Não se deixem enganar pelo ângulo da fotografia. Nesta cadeira cabe, mal e porcamente, minha bunda. E minha bunda é proporcional aos menos de 50 quilos que frustraram duas décadas de esperança de salvar vidas doando sangue. Mas Guda e suas meninas não sabem disso. Quando a gente é gato sem padrões limitantes, pode tudo.

16.11.16

Pé de Pimenta quebra-tudo

Dizem que gatos filtram nossa nhaca ― se quiserem, claro, porque não se trata de um trabalho com carteira assinada, férias remuneradas, 13º, fundo de garantia, né? E que as plantas filtram a nhaca do ambiente, dando uma força aos bigodes na missão.

Só por isso eu topei comprar a suculenta para o Simba, que morreu duas madrugadas maldormidas depois, deixando o vasinho laranja de lembrança agridoce. Só por isso, dei de cara esses dias com Pimenta fazendo a Simbalenta de travesseiro, no maior conforto do universo.

Só por isso, a vida continua valendo a rega. Ainda que salgada.


Foto do Leo Eichinger ♥

11.11.16

Paciência tibetana

Em 2006, Clara só tinha olhos para o Mercv ― até porque ele era a única opção do recinto. Nos últimos dez anos, a população de bigodes foi aumentando de forma inversamente proporcional ao tamanho da casa, reduzida a um quinto, e o primogênito ficou sem o colo exclusivo, as guloseimas diárias, o amor da geniosa.

Podia ter queimado almofadões, feito greve de fome, desafiado Simba para um duelo de garras. Mas escolheu esperar. Uma década. 122 meses. 3687 dias. Meu colo continua disputado, principalmente no inverno. As guloseimas rarearam ainda mais com o diagnóstico quase-coletivo de doença renal. O coração da Clara, porém, é seu de novo.

9.11.16

Das coisas que realmente importam

Cilla Nolli não me conhece. Nunca comeu um bolo vegano em Gatoca nem apertou os bigodes ― pelo menos os que não se enfiam antissocialmente embaixo do fogão ou em cima da geladeira. Mas fez esta ilustra coisamaisfofadomundo na época em que o Simba estava doente, ainda completou com um post-afago em seu blog.

Ontem, quando fui buscar as cinzas que descansarão no jardim da nossa futura casinha (obrigada, Mari!), quis chorar os 33 dias de novo. E lembrei do leãozinho sorridente, no meu colo desenhado. Esse amor, bípede e quadrúpede, com que o projeto me cerca há nove anos é das riquezas mais caras que um ser humano pode colecionar.

4.11.16

Montinho de recomeço

Parece seis gatos juntos. Mas é vida que ensaia retomar o fluxo. O buraco do Simba segue na cama e no peito. Nove dias depois, porém, os bigodes voltaram a dormir pertinho.

1.11.16

Paranapiacaba no ventilador

O Gatoca denunciou a situação dos animais de Paranapiacaba em julho, vocês enviaram e-mails, o poder público ignorou, nós apelamos à Promotoria do Meio Ambiente, descobrimos uma ação civil pública contra a prefeitura e até agora, acreditem, nada mudou ― o prazo para cumprir a determinação do juiz termina no dia 17.

Mas este é um post "meio cheio". Nossa força-tarefa chamou a atenção da Vejinha, que me entrevistou em setembro, do SBT, que queria gravar para o SBT Brasil, mas acabou não rolando, de políticos da causa. E a assessoria de imprensa da prefeitura finalmente topou agendar uma conversa com um representante legal da vila (continuamos aguardando).

O novo prefeito assume no dia 1º de janeiro e se posicionou pró-bicho. As ONGs autoras da ação civil pública seguirão pressionando com a gente. Desgasta e desanima ter de cobrar o óbvio, sim. Mas 2017 há de ser um ano mais humano para os peludos andreenses.

28.10.16

Aniversariante do mês - outubro de 2016

Outubro nunca mais será o mesmo depois da morte do Simba. Mas outubro já não era mais o mesmo desde 2005, quando Mercv nasceu. Avessa a maniqueísmos, a vida acontece nesse remendo de dores e amores, entrelaçando lutos e comemorações. E, se a vontade na segunda era de prantear, um par de mãozinhas peludas me esperava para recomeçar ― com massinha, ronrom e 11 anos de band-aids.


Outros aniversários: 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008 | 2007

*Novelinha: Conheça a história do Mercv

24.10.16

Saudade...

...é a contagem regressiva para o reencontro.


(Simba morreu sábado à noite, no meu colo, depois de três dias bem difíceis. Essa foto foi tirada três semanas antes, mas é assim que quero me lembrar dele. Obrigada pelo carinho dos 22 diários! ♥ Quando o coração voltar para o lugar, talvez consiga escrever mais.)

20.10.16

Diário do Rei #22

A casa precisava de plantas para a gente não ter de fazer sozinho o trabalho de filtrar a nhaca. No desespero, mamãe topou rever seu instinto assassino de coisas verdes e apareceu com esta suculenta (estava escrito na embalagem). Ela disse que lembra a flor-de-lótus, símbolo de renascimento porque sobrevive à lama. Mas eu acho que o que realmente importou foi o vasinho combinar comigo.


Anotações anteriores do Rei: #1 | #2 | #3 | #4| #5 | #6 | #7 | #8 | #9 | #10 | #11 | #12 | #13 | #14 | #15 | #16 | #17 | #18 | #19 | #20 | #21

19.10.16

Diário do Rei #21

Toda madrugada, a mamãe vem ver se eu estou bem, de olhos colados e pernas descompassadas como as minhas, faz um cafuné demorado nas orelhas e me dá um pouquinho de água na seringa. Ela diz que ninguém merece ficar com a língua colada no céu da boca. Nem todo mundo entende o humor da mamãe. Ele tira a acidez dos dias e distribui entre as palavras.


P.S.: Posso me descabelar com essas mãozinhas de coração?

Anotações anteriores do Rei: #1 | #2 | #3 | #4| #5 | #6 | #7 | #8 | #9 | #10 | #11 | #12 | #13 | #14 | #15 | #16 | #17 | #18 | #19 | #20

18.10.16

Diário do Rei #20

Meu coração hoje é da tia Maru. Ela veio de trem lá dos confins da zona leste para me fazer reiki. Eu não sei o que é reiki, na verdade, mas pareceu um carinho sem encostar. E foi tão bom que me animei a passear pela casa, mesmo com as patas em descompasso. O coração da mamãe hoje também é da tia Maru.


Anotações anteriores do Rei: #1 | #2 | #3 | #4| #5 | #6 | #7 | #8 | #9 | #10 | #11 | #12 | #13 | #14 | #15 | #16 | #17 | #18 | #19