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17.11.17

Outra plantação fracassada

Depois do jardim de dorgas, foi a vez de assistir à ruína da plantação sorocabana de milho de pipoca. Sim, o milho que a gente compra no supermercado para acompanhar seriados vira um matinho que os bigodes adoram (aqui tem o passo a passo). Acontece que eles não esperaram isso acontecer.

Durante dias, eu reenterrei caroços para os infelizes brincarem de caça-tesouro.


E os sobreviventes matísticos mais bem-sucedidos foram estes dois chumaços:

10.11.17

Tecido à prova de gatos

Acquablock (ou Acqua Summer) é a salvação da dignidade da casa dos gateiros: não junta pelos, tem trama resistente a garras e, graças à impermeabilidade, dificilmente vai feder a urina. A gente já tinha testado nos almofadões doados pela Tati Pagamisse. Quando rolou a mudança para Sorocaba, pagamos para encapar também o sofá, presente da Miriam.


E fizemos sozinhos as cadeiras da mesa de zoar (Tati de novo! :*).


E as prateleiras da Laura Paro, que os vândalos haviam destruído nas primeiras semanas.


Se eu pudesse, me embrulharia em Acquablock e só tiraria para dormir.

8.11.17

Maquininhas de matar

Pessoas normais observam o sol despontando no céu antes do café da manhã. Moradores de Gatoca dão de cara com restos de passarinho no gramado. A autora do crime ninguém acreditaria, se não tivesse vomitado um bolinho de penas pretas horas depois.


Pimenta assumiu o lugar do Simba, que também não resistia a seres menores do que ele (animados ou inanimados) em movimento.


Não se deixam enganar: nos miados mais fininhos se escondem os piores assassinos.

3.11.17

Seu gato não come ração úmida (patê, sachê, latinha)?

Começar de pequeno facilita a aceitação da textura diferente, sim. Mas quem adota o bigode já adulto não deve desanimar com o fracasso das primeiras tentativas. Acrescentar umidade na dieta é essencial para evitar insuficiência renal, a doença que mais mata felinos no mundo ― neste post, tem uma coleção de links importantes sobre o assunto, incluindo dicas de prevenção.

Misture a ração úmida na seca
A estratégia ajuda na adaptação, disfarçando a molenguice que causa estranhamento.

Amasse com um garfo
Embora os felinos destrocem animais inteiros na natureza, domesticadões em nossos sofás eles costumam fazer língua mole.

Adicione água
Existem patês mais secos, que alguns bichanos tendem a rejeitar.

Esquente no micro-ondas
Só um tico, claro. Principalmente se a comida foi guardada na geladeira. O cheiro fica mais forte e o sabor, provavelmente (rs), também.

Teste lugares diferentes
Keka só come em cima da mesa, acreditem. Famílias com integrantes briguentos devem tomar o cuidado de distribuir os potes de um jeito que todos se sintam seguros para lambiscar.

Teste horários diferentes
Já contei aqui no blog que os peludos pararam de vomitar quando passei a dar as latinhas de manhã, né? (Explicação nest link.)

Respeite a capacidade do estômago
Naquele corpinho cabe, confortavelmente, 20 ml de líquido ou 20 g de comida. Se rolou uma beliscada na ração seca ou uma visita ao bebedouro antes, a úmida vai sobrar. Vale deixar no chão (fora do sol), que em 40 minutos o estômago libera.

Experimente várias marcas e sabores
Como escrevi lá em cima, há diferença na secura (inclusive entre sabores da mesma marca) e cada bigode tem sua preferência.

Insista
Gato é bicho de costume. Do nada, a criatura muda de ideia e a gente fica com cara de tacho.

1.11.17

A armadilha da aparência

Não, eu não vou ficar repetindo clichês como o de que se deve escolher um melhor amigo pelo interior, não pelo exterior. Nem farei a clássica chantagem de comentar que os cães e gatos menos bonitos, velhinhos e de cores comuns apodrecem nos abrigos (ops!). O objetivo deste post é derrubar mitos, com comprovação empírica.

Fêmea NÃO dá menos trabalho
Em Gatoca, os meninos sempre foram comportados e a meninas, briguentas. E isso também não é um padrão. Cada animal tem sua personalidade. Informe-se sobre o peludo antes de adotar e ouça as sugestões da ONG de coração aberto.

Adulto se acostuma, SIM
Os leitores antigos sabem que Simba chegou aqui com 3 anos, sem estar castrado, e nunca fez uma gota de xixi fora do banheiro. Pelo contrário: ele conhecia o pesadelo das ruas e era extremamente grato por ter uma família. Adote sem preconceito e deixe o povo disputando os filhotes.

Bicho igual NÃO substitui o outro
Pode soar estranho, mas muita gente procura cachorros e bichanos fisicamente parecidos com os que morreram para amenizar a perda. E deve ser bem frustrante se deparar com um comportamento completamente diferente, como o do Mercv e da Keka. Recomece!

27.10.17

Keka virou folder!

Não basta ganhar bebedouro-bafo. Nossa frajolica tímida foi eternizada pelo pessoal do Gatolino e já está passando de mão em mão nas exposições de São Paulo. Para comemorar o lançamento do folder ostentação, ela deu estas roladinhas, capturadas com exclusividade pelas lentes do Gatoca.



26.10.17

Aniversariante do mês - outubro de 2017

Mercv* não sabe, mas a vida, nestes quase 38 anos, recomeçou três vezes: quando perdi minha mãe, quando pedi demissão da carteira assinada para escrever de casa e quando amoleci com a bolotinha frajola de pelos arrepiados que me encarava dentro da caixa de papelão.

Mercv também não sabe, mas, nos últimos 12 anos, foi terapeuta, melhor amigo, chefe, clown, bombeiro, aquecedor de colo, ansiolítico, antidepressivo, guia espiritual, padeiro gourmet, professor extracurricular, família.

O amor é intraduzível. Mas isso ele sabe.


*Novelinha: Conheça a história do Mercv

Outros aniversários: 2016 | 2015 (extra!) | 2014 (extra!) | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008 | 2007

20.10.17

Soro subcutâneo: dicas e por que vale o esforço

Depois de amanhã, completa um ano que Simba morreu ontem. Trinta e três dias antes da derrota para a insuficiência renal, eu perguntei à veterinária se daria tempo de mudar para Sorocaba e devolver ao tigrinho o jardim perdido. Não deu. Mas aproveitei todas as oportunidades dos últimos 12 meses-voadores para conscientizar sobre a doença e evitar outros desfechos assim (links no fim do post).

Relembrar ainda me encharca o coração. A data, porém, precisa ser ressignificada. Quando desabei sobre este teclado pós-tentativa fracassada de fluidoterapia, vocês me ensinaram macetes para facilitar a aplicação, gravaram até vídeo e a missão se tornou um tico menos amarga. É minha vez de retribuir ― passem para frente!

Encarar o desafio do soro vale muito a pena porque ajuda a diluir o excesso de ureia no sangue, herança do funcionamento capenga dos rins, amenizando o enjoo e as úlceras, na boca e no estômago, que matam o apetite. E a aplicação caseira estressa bem menos o bichano, além de sair muito mais em conta.

Comece com o veterinário
Só ele pode prescrever a quantidade ideal de soro para o animal e tem expertise para orientar a primeira aplicação.

Compre equipo e bolsas pela internet
A diferença de preço compensa o frete.

Arrume um fiel escudeiro
Eu distraía o leãozinho com carinho, enquanto Leo fazia o serviço sujo, e sobrava com as mãos livres para conter as tentativas de fuga. Mas hei de confessar que tem leitora-mulherão que dá conta do recado sozinha, imobilizando o peludo pelo cangote.

Escolha um cantinho confortável
Não esqueça, porém, que o soro precisará ficar pendurado.

Vista uma jaqueta jeans
Ela protege braços e peito dos arranhões, sem tecnologia espacial.

Esquente a bolsa
Uns 30 segundos no micro-ondas bastam, porque o líquido geladão entrando no corpo assusta.

Use escalpe em vez de agulha normal
Essa dica merece beijo na boca! Como a agulha do escalpe é mais curtinha, não há risco de sair do outro lado da pele na pinça nem de perfurar algo importante. E fica mais bem fácil segurar pela borboletinha.

Encare o calibre grosso
Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, dói menos do que o fininho, porque o soro, ardido, corre mais rápido. A gente comprava escalpe 19, branco.

Aplique na lateral do corpo
A bolota que se forma incomoda menos nessa região e dá para ir alternando os lados. Nos casos de aplicação-solo, vale centralizar a picada no cangote para evitar que o soro desça para uma das patas.

Tenha paciência
As primeiras vezes são difíceis mesmo, mas o bichinho acaba acostumando ― e a gente também.


Infos importantes:
:: Doença renal, pelo maior especialista em gatos do Brasil
:: 7 dicas que podem salvar seu gato
:: Como fazer o bichano beber água
:: 13 macetes para dar líquidos na seringa
:: O desafio da alimentação natural
:: Quando a alimentação natural não dá certo

19.10.17

O melhor arranhador do mundo

O primeiro arranhador dos bigodes tinha uma casinha no topo e, como todo imóvel com vista panorâmica, custou uma fortuna. Eles nunca usaram. Nem a casinha nem o tronco de sisal, curto demais para afiar as garras esticadão. Esse é o segredo de um bom arranhador, novatos.


Quando Neise doou o cone de peixinhos para uma rifa do Gatoca, eu fiquei de cara com o combo sucesso + simplicidade. E, há sete anos, só mudo as cores dos peixinhos ― ela abortou a produção faz tempo, mas sempre acaba abrindo uma exceção para o meu chororô. No fim de semana, chegaram os modelitos sorocabanos. Vejam a felicidade da criatura e copiem sem culpa. :)

13.10.17

Socialização de gatos ariscos ou muito medrosos

No post da familinha de ferais que Gabi e Julio herdaram com a mudança, eu comentei que Kuka Fischer, do Stray Cats, tinha nos dado um monte de dicas bacanas, lembram? (O projeto dela castrou mais de 200 bichanos assim.) Pois chegou a hora de compartilhá-las! Se você precisa encarar o desafio de encantar um bigode, pegue papel e caneta ― ou print esta tela mesmo.

A primeira estratégia de sedução passa pela barriga: coloque um potinho com sachê/patê/petisco apelativo a um metro de distância e deixe o peludo comer e sair correndo, sem tentar tocar ou fazer movimentos bruscos. Quando eles perceberem que não serão atacados, tendem a relaxar ― tanto que alimentador de colônia consegue encostar até nos piores ferais.

Se programe para ficar um tempo por dia na área em que o gato está. Vale bater papo com alguém, ler um livro, tomar sol. Quanto mais contato visual melhor. Kuka chegou a dormir no banheiro para servir de Guliver a uma ninhada antissocial. Em dois dias os pequenos já arriscavam cheirá-la, em cinco entenderam que não virariam banquete. O segredo, ela enfatiza, é se mexer o mínimo possível porque eles interpretam errado.

E a castração, citada no começo do texto, termina de acalmar os humores ― saiba os benefícios e lugares que operam de graça aqui. Se não rolar atrair o animal para a caixa de transporte com comida (uma amiga pedia sangue, argh!, no açougue e fazia um rastro), apele à gatoeira (várias ONGs emprestam) ou contrate um laçador fofo como o Niko (contato por e-mail).


Ah! No Felinos Urbanos tem uma tradução importantíssima do Neighborhood Cats, projeto pioneiro de CED, explicando que há ferais que jamais viverão felizes em "apertamento", constantemente apavorados e estressados. Se rolar uma suspeita de que pode ser o caso aí, melhor castrar e soltar no mesmo local da captura.

11.10.17

Paz

De quem trocou a poluição da Anchieta por pores de sol, as buzinas de motoboy por cigarras e passarinhos, o trânsito noturno pelo som da própria respiração. 💚






6.10.17

Jardim de "dorgas"

Os bigodes já curtiram uma brisa com o clássico catnip desidratado, com vasinhos de catnip, almofadinhas de catnip e até spa de catnip ― se você desconhece a erva do gato politicamente correta, clique aqui. Mas nunca tiveram uma plantação inteira para deitar e rolar, literalmente. E eu não seria uma tutora antenada sem realizar esse sonho.

O dia de plantar as mudinhas entrou para a história de Gatoca.




A blindagem improvisada, na esperança de rolar um enraizamento plantístico, também: durou menos de 24 horas.




E o que restou, 26 pores de sol depois, foi esta terra arrasada.

5.10.17

As aglomerações de Gatoca

Tradicional favela felina.


Favelinha hipster.

29.9.17

Quando dá match com Chicão

Lembram do Zézo, que apareceu na garagem do escritório do Julio, meu contador-amigo? Ele foi adotado por uma colega de artesanato da Gabi, a esposa-amiga. Virou Tato, ganhou um irmão humano de 3 anos, o Theo, uma parceira canina velhinha, a Nina, e duas camas para se esticar folgadão.




A história deveria acabar aí. Mas, quando São Francisco encasqueta com a gente, as continuações humilham a franquia do 007. E uma familinha de ferais se mudou para a casa nova da Gabi e do Julio antes deles, ficando presa no quintal com a instalação das telas. Kuka Fischer, do Stray Cats, deu uma superconsultoria de socialização dos bichanos, que só permitem fotos a distância.


Os pequeninos começaram a comer ração esta semana e logo poderão ser castrados, junto com a mãe e o (suposto) pai ― não vamos sofrer por antecipação pensando na captura, não vamos sofrer por antecipação pensando na captura, não vamos sofrer por antecipação pensando na captura.

Conto com a ajuda de vocês para pagar as cirurgias e arrumar mais cinco finais felizes? Olhem estas carinhas!


27.9.17

Fungo: quem tem pele teme

A variação de fungos no mundo surpreende e os estragos causados por eles (ignoremos os cogumelos) vão de infecção de pele a doenças sistêmicas que atingem órgãos distintos. Mas este post se concentrará na micose, uma inflamação da camada superior da epiderme, transmissível a outros bigodes e também a seres humanos.

Como os tais fungos são versáteis, vivendo na terra, em pisos, tapetes e até nos próprios bichanos, qualquer queda na imunidade pode virar carequice e vermelhidão. E foi o que aconteceu aqui em Gatoca, com o estresse da mudança para Sorocaba. Guda apareceu com a primeira orelha avariada, depois vieram Jujuba, Pipoca, Pimenta e Chocolate.

Todos os ouvidos estavam limpinhos (sim, eu consegui examinar a Jujuba!) e não encontrei pulgas que justificassem a coçação coletiva. A vet fechou, então, o diagnóstico poupando os peludos da cultura fúngica. E o tratamento, claro, ficou por conta da homeopatia ― as clareiras já começaram a "repelar", sem efeitos colaterais nem cenas de terror durante a medicação.