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14.8.19

Fim

Em meio a dezenas de gatos (115 para ser bem precisa), foi uma cachorra quem protagonizou a história mais incrível deste projeto, vocês sabem — e que ganhou uma década de sequências, me rendeu uma amiga porto seguro, trouxe o Gatoca de mala e bigodes para Sorocaba.

Pandora tinha pelo menos 5 anos quando abocanhou na sacola as salsichas que eu havia comprado. Lembro da bituca de cigarro embolada no pelo, das pessoas quase pisando nela (uma pastora belga prenhe!), de tirar todos os documentos da bolsa para convencer o veterinário a hospedá-la por alguns dias, enquanto corria atrás de um lar temporário. E de como ela me recebia com festa, apesar de tudo.

Na casa da Rose, depois de perder a ninhada e de uma primeira doação trágica, as orelhas de loba se levantaram para nunca mais baixar, o peso dobrou e ela seguiu me recebendo com festa, mesmo debilitada pela idade e pela insuficiência hepática. Resolvi compartilhar o vídeo da visita de março, porque quero lembrar dela assim — a emoção é de quem sabe os dias contados.


No fim de julho, coração e rins enfraqueceram também, as vértebras da coluna despontaram no carinho e o exame de imagem identificou um tumor pressionando os pulmões. A pantera parou de comer, de beber água e só abria exceção às salsichas, onde tudo começou.

Rose me escreveu no sábado, preocupada com a piora acelerada. E no domingo eu fui agradecer, pela última vez, nosso recomeço — mais meu do que dela. A caixa de Pandora se fechou ontem, guardando no fundo falso a esperança de uma humanidade que não descarte vidas.

Por hora, meu coração é negro.


Epopeia da Pandora:

:: Caixa de esperança
:: Casa de esperança
:: Nascimento da ninhada
:: Morte da ninhada
:: Devolução
:: Boletim - 28 de novembro
:: Boletim - 1º de dezembro
:: Boletim - 8 de dezembro
:: Sítio temporário
:: Doação de conto de fadas
:: Primeira primavera
:: Segunda primavera
:: Festa em Sorocaba
:: Terceira primavera
:: Quarta primavera
:: Quinta primavera
:: Sexta primavera
:: Sétima primavera
:: Nona primavera (atrasada), com vídeo!
:: Décima (e última) primavera


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6 comentários:

Anônimo disse...

O encontro e a despedida são dois pontos da mesma reta. O importante é o que acontece entre eles. Pandora iluminou seu caminho e, como estrelinha, vai iluminar ainda mais. Por ora, junto minhas lágrimas às suas. Bj,
Regina H

Anônimo disse...

Aiiiii, essa dor se repete sempre que um se vai

Unknown disse...

A única certeza é que um dia partimos,deixando para traz tudo que foi importante,e o que não foi.Deixaremos saudades para aqueles que compartilharam conosco,e agradecimentos por tudo que fizeram por nós.Hoje Pandora deve estar bem melhor pois cumpriu sua jornada,mas garanto que muito agradecida pelo Zelo e amor que foi tratada.E a vida continua....

Unknown disse...

Que história. Que história. Que cada vez mais pessoas encontrem em seu coração o lugar para um bichinho resgatado.
Ivalu

Maria disse...

Conhecia a história toda, mas estou lendo outra vez, embora saiba que vou chorar.
Vou tentar me lembrar de como ela foi feliz depois que cruzou o teu caminho. Bjus

Elisa disse...

Ela está feliz e sempre será grata a você e a Rose por terem acolhido e amado. Teve a metade da vida sofrida, mas importa que teve a chance de viver como todo animal merece.