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7.4.22

Gata Barraqueira

Chocorela vive com sua madrasta humana e sete irmãos fofinhos, em quem se diverte dando sopapos gratuitos. Depois de um longo inverno de grana apertada, Gatoca anuncia o tão esperado baile com petiscos e ela está decidida a eliminar a concorrência!

Nossa história tem uma fada sensata, porém, que tenta convencer a encrenqueira a chegar primeiro à boca-livre, usando sua carruagem de abóbora, sem necessidade de derramamento de sangue.


A sialata se aproxima do vegetal gigante, geração espontânea da nossa composteira mágica, dá uma cafungada profunda...


...e brada: "Carruagem é o caralho, meu nome é Cho Pequena!".

31.3.22

1 ano de casa nova!

Eu já comemorei mesversário de relacionamento (que obviamente não durou muito), festejo todos os aniversários dos bigodes, faço questão de pegar a estrada para brindar adoções longevas. Acho que é a primeira vez, porém, que decoro uma data de mudança de casa: 31 de março de 2021, o dia em que muita coisa deu errado, depois de meses dando errado e de outros meses que ainda viriam.

Vocês devem se lembrar que este blog ficou semanas em silêncio. E logo a Clara morreu. A inauguração do gatil rolou praticamente ontem! Foram tempos difíceis, porta adentro e afora. Mas a gente seguiu — Leo de tornozelo quebrado, eu à base de corticoide, os gatos velhinhos. E finalmente consegui gostar da casa nova! Das caminhadas floridas, de trabalhar com grilos, dos almoços na mesinha improvisada do jardim.

Até ri da oferenda que deixaram na nossa calçada (dá para chamar barranco de calçada?). E recebemos visitas para uma jogatina de tabuleiro — esses causos de bastidores conto no seriado apócrifo do Gatoca, enviado no grupo dos apoiadores (para se juntar, acessem o Catarse). Aqui, é lugar de falar de gatos, né?

Escolhi três fotos que resumem bem os últimos 365 dias. E espero que os magrelos possam aproveitar os próximos 365. ❤️





25.3.22

Teste: seu gato sente dor? Descubra pela cara!

Quem tem oportunidade de compartilhar a vida com um bichano sabe: está para nascer criatura mais briosa! Isso quer dizer que eles demoram para dar sinais de que algo não vai bem e esses sinais costumam ser sutis. Para ajudar estudantes, tutores e veterinários, pesquisadores da Universidade de Montreal criaram a Escala Felina Grimace.

Ela leva em consideração cinco "unidades de ação" para avaliar se o animal sente dor e de que intensidade: posição das orelhas, dos bigodes e da cabeça, e tensão dos olhos e do focinho. A pontuação varia entre 0 (ausente), 1 (moderada ou incerta) e 2 (marcante). E, se o total chegar a 4 ou ultrapassar, vale uma visita ao vet.


Compartilho aqui os exemplos de expressões faciais do estudo, mas preciso dar os créditos também ao canal Mascotas y Familias Felices, porque ler artigo científico de veterinária não é uma coisa que jornalistas fazem em seu tempo livre, rs. E fica o alerta: várias dessas expressões podem aparecer em um gato ao longo do dia. Vocês só devem se preocupar se elas forem constantes.

Posição das orelhas

- Para frente: 0
- Ligeiramente separadas: 1
- Viradas para fora: 2


Para ampliar, cliquem nas imagens

Tensão dos olhos

- Abertos: 0
- Parcialmente fechados: 1
- Semicerrados: 2


Tensão do focinho

- Relaxado (formato redondo): 0
- Tensão leve: 1
- Tenso (forma elíptica, ou seja, de círculo achatado): 2


Posição dos bigodes

- Solto (relaxado) e curvado: 0
- Ligeiramente curvado ou reto (mais perto da cara): 1
- Reto e apontando para frente (mais distante da cara): 2


Posição da cabeça

- Acima da linha dos ombros: 0
- Alinhada com os ombros: 1
- Abaixo da linha dos ombros ou inclinada para baixo (queixo no peito): 2


E aí, pela Escala Felina Grimace, vocês acham que Pipoca estava com dor quando tirei a foto do começo do texto? Dá para ver os olhos parcialmente fechados (1 ponto) e a cabeça alinhada com os ombros (mais 1 ponto) — além da magrelice de dez anos de batalha contra a doença renal. Mas não, era só moleza de calor mesmo. :)

22.3.22

A dieta secreta dos bigodes

É meio que regra: criança costuma comer escondido chocolate, adulto salgadinho e idoso o quarto prato de macarronada. Aqui em Gatoca, quando a gente não está olhando, os gatos devoram grama como salada e bebem água saborizada com insetos.



17.3.22

O que seu gato quer dizer? | EG #8

Eu já escrevi sobre o ronrom (e o mistério que intriga os cientistas) no capítulo anterior. Mas os gatos conseguem emitir outros 100 sons, entre trinados, uivos, rosnados e, claro, miados — isso é coisa para caramba, se a gente considerar que a biblioteca de vocalizações dos cachorros ostenta apenas dez variações!

Esses sons levam informações a longas distâncias, dando pistas do tamanho e da força de quem "fala". E, enquanto os menos amigáveis rolam com a boca aberta, durante as brigas ou quando os felinos estão com dor, os mais fofos, de boca fechada, se destinam a fazer um social. Para a surpresa de zero pessoa, os bichanos domésticos conversam mais do que os ferais, porque aprenderam a pedir comida e cafuné. rs


No livro O Encantador de Gatos, em que esta série foi inspirada, Jackson Galaxy cita nove vocalizações. Fiz um mix, então, com o vídeo de 2020 para explicar melhor cada uma delas — e vocês podem ouvir os áudios no link!

Miado: na natureza, funciona como um pedido de socorro dos filhotes para a mãe ajudá-los a encontrar as tetas. Convivendo conosco, porém, as criaturas seguem miando mesmo adultas para ganhar nossa atenção — e raramente miam uns para os outros.

Ronrom: trata-se da segunda vocalização mais comum, capaz de acelerar a cicatrização de machucados e até fraturas. Por isso surge também em situações de dor, não só de felicidade e aconchego — mais infos curiosas aqui!


Trinado ou trilado: geralmente feito por fêmeas para chamarem seus bebês. Se os bichanos usam com a gente, equivale a um ronrom mais empolgado.

Tagarelado: nome daquela mexidinha engraçada de mandíbula quando os peludos veem passarinhos, sabem? Imagina-se que significa excitação de predador. Mas há quem entenda como uma tentativa de imitar as aves para atrai-las — Galaxy duvida da efetividade e eu também.

Uivo: costuma ser o primeiro som de gatos encurralados, tipo: "Ferrou! O que faço agora?". Aparece também em casos de dor, já que animais feridos se tornam presas mais fáceis e precisam de estratégias alternativas. Idosos ainda podem uivar no meio da noite, desorientados, sintoma comum de demência.

Bufada: ajuda a afastar outros seres, quando os felinos se sentem ameaçados ou chateados. Normalmente, vem acompanhada por uma postura agressiva, incluindo costas arqueadas, pelo eriçado e orelhas para trás.

Rosnado: precede a bufada, como um aviso de que não estão curtindo o movimento.


Grito: marca registrada das brigas, sucede a bufada, podendo ser motivado tanto por fúria quanto por medo.

Sons sexuais (em inglês, caterwaul): emitidos por gatos e gatas não castrados, durante o período do cio. Servem para atrair parceiros sexuais do outro lado do globo terrestre.

Importante!

O uso de todas essas vocalizações varia de bigode para bigode. Filhotes órfãos, por exemplo, que não tiveram contato com outros peludos entre os 2 e os 9 meses de vida, fase sensitiva do desenvolvimento social, tendem a se comunicar de forma totalmente equivocada, já que humanos não conseguem ensinar um gato a ser gato, né?


Esta série é financiada coletivamente pelos leitores do Gatoca, que tem o melhor grupo de WhatsApp do universo! Quer se tornar apoiador também? Entre no Catarse e veja todas recompensas — aqui há um resumo das principais ações (on e offline) destes quase 15 anos. ❤️


CAPÍTULO 1: Existe um canto do planeta sem gatos?
CAPÍTULO 2: A primeira gateira da história
CAPÍTULO 3: Como a humanidade se curvou aos bichanos
CAPÍTULO 4: Seu gato vem da América ou do Velho Mundo?
CAPÍTULO 5: 8 mudanças genéticas nos bichanos modernos
CAPÍTULO 6: 44 raças de gatos lindos, mas doentes
CAPÍTULO 7: O mistério do ronronar
CAPÍTULO 9: 7 posições de rabo explicadas
CAPÍTULO 10: Decifre as expressões faciais do seu gato!

11.3.22

O olho do seu gato tremelica?

Eu achava que Guda era uma gata sem foco. Sempre que me encara, seus farolões se põem a mexer rapidinho, como se não conseguissem decidir em qual parte do rosto se fixar. Até que a querida Vanessa Almeida mandou no nosso grupo de apoiadores este vídeo gringo sobre nistagmo (nystagmus).


Trata-se do movimento acelerado e involuntário dos olhos, que pode se dar de um lado para o outro (horizontal), de cima para baixo (vertical) ou em círculos — e descobri, surpreendentemente, que também tenho, pois meu irmão vivia perguntando por que eu espiava seu trabalho quando a gente dividia o escritório. Juro que não percebia as escapadelas!

Há pouquíssimo material em português sobre gatos, inclusive. Nistagmo pode ser consequência de outras doenças, como inflamação do ouvido interno, mas vou me ater à versão congênita, comum em siameses — ou "sialatas", rs. E que, apesar de incurável, raramente afeta a qualidade de vida dos bichanos.

Na Guda, noto apenas uma leve dificuldade com profundidade, porque a criatura vira e mexe enfia o focinho na água antes de beber. Alguns peludos podem apresentar desequilíbrio e sensibilidade a lugares claros. E o gatinho do vídeo se embanana na hora de caçar. Na dúvida, converse com seu veterinário. :)

Tentei filmar a figura em ação, mas com o celular entre nós os olhos mexem bem mais discretamente.

10.3.22

Eu sabia que os gatos ainda me deixariam rica!

Já diziam os distorcedores de sabedoria milenar chinesa que crise é oportunidade. E, enquanto Leo tinha a mobilidade reduzida por causa do tornozelo quebrado e eu acumulava funções, Guda descobriu o prazer de rolar no pé engessado e se esfregar nas muletas em movimento — tornando a vida de todos os envolvidos ainda mais desafiadora.

O próximo passo (com muita fisioterapia) é abrir uma startup!

4.3.22

Polêmica: você clonaria seu gato?

Mercvrivs é, sem espaço para dúvida, uma das coisas mais importantes da minha existência — amor, família, projeto de mundo melhor em forma de gato. Cada aniversário dele, desde 2018, me divide ao meio: a metade que comemora quão longe nós chegamos juntos e a metade que nota o tempo acabando nos quilos perdidos. 16 anos!

A ideia da clonagem apela justamente à nossa dificuldade com despedidas. Mas envolve questões delicadas — supondo que você tenha US$ 35 mil (sim, dólares), o que definitivamente não é meu caso, mesmo vendendo a casa, rs. Parece justo explorar outros animais para, depois de várias gestações (e filhotes, num mundo já tingido pelo abandono), parir o clone "perfeito"?

E o que constitui um indivíduo? Apenas moléculas de DNA? Nada de alma, espírito, costela de Adão? Onde entram as experiências vividas? Se eu adotasse Mercv hoje, com a bagagem de dezenas de resgates (e cicatrizes pelas perdas), ele seria o mesmo gato daquela Beatriz que nem sabia que gostava de gatos? Não fomos nós criando um ao outro na jornada?

O especialista em comportamento felino Jackson Galaxy conta em seu vídeo, inclusive, que Snuppy, cachorro clonado em 2005, morreu exatamente do mesmo câncer que o original. Você faria um ser amado passar por isso duas vezes? Quando fecho os olhos e lembro da Clara ou do Simba, grito mudo — de jeito nenhum!

Atravessar o luto dói, eu sei. Mas nos mantêm íntegros.

2.3.22

Imagens exclusivas do carnaval de Gatoca!

Pimenta de ressaca.


Chocolate de ressaca.


Mercvrivs de ressaca.


E eu tentando trabalhar.

25.2.22

Pensando em trocar gato por vaca...

Com o Leo de tornozelo quebrado, o mato do nosso terreno atingiu proporções nunca dantes vistas. E foi ficando cada vez mais difícil regar as plantas (ou encontrá-las para regar), almoçar rúcula, entrar e sair de casa. Eu até me aventurei a estrear o cortador de grama, recebido no dia em que ele caiu no buraco (literalmente).


Mas levei três horas para carpir só a parte da frente do lote — o gatil, onde a Keka está, parece brazilian wax perto do resto. Resolvi, então, criar um jogo de tabuleiro em tamanho real, abrindo um novo caminho por dia até os lugares onde precisaria ir.


E tenho calculado as vantagens e desvantagens de trocar os oito bigodes por uma vaca.


Tudo isso para explicar que o Gramado da Fama neste mês está mais para Matagal da Fama. Mas ainda dá para ver a gata e a plaquinha da Elaigne Rodrigues, né? — apoiadora nova do Gatoca e tutora do Léo, da Mya e do Louis, um cachorrinho que ganha bolo com nome de aniversário. ❤️


Quer se juntar aos despioradores de mundo e participar do melhor grupo do WhatsApp? Clica e vem — tem outras recompensas! O financiamento coletivo me permite investir em projetos alternativos, como a série sobre O Encantador de Gatos (primeiro capítulo aqui), e o futuro jogo de tabuleiro para crianças — acabei de fazer um curso com os queridos do Zebra 5!

Obrigada por não me deixarem acreditando sozinha, Adrina Barth, Alice Gap, Itacira Ociama, Regina Haagen, Renata Godoy, Leonardo Eichinger, Irene Icimoto, Tati Pagamisse, Roberta Herrera, Vanessa Araújo, Dani Cavalcanti, Samanta Ebling, Bárbara Santos, Marina Kater, Sonia Oliveira, Danilo Régis, Marcelo Verdegay, Patrícia Urbano, Fernanda Leite Barreto, Bárbara Toledo, Solimar Grande, Aline Silpe, Lucia Mesquita, Michele Strohschein, Ana Fukui, Marilene Eichinger, Guiga Müller, Sérgio Amorim...

...Gatinhos da Família F., Luca Rischbieter, Rosana Rios, Lilian Gladys de Carvalho, Regina Hein, Paula Melo, Paulo André Munhoz, Marianna Ulbrik, Cristina Rebouças, Lorena da Fonseca, Amanda Midori, Karine de Cabedelo, Michely Nishimura, Ana Paula de Vilas Boas, Danilo, Klay Kopavnick, Glaucia Almeida e Ana Cris Rosa, Ana Hilda Costa, Liam Paim, Márcia Mentz, Carmen Lucia Aguiar, Elisângela Dias, Amanda Herrera, Ivoneide Rodrigues, Melissa Menegolo, Vanessa Almeida, Vivian Vano e Maria Beatriz Ribeiro!

18.2.22

Pufosa inventou o chiclete de dente!

Pensem no barulho de ossos sendo mastigados. Agora imaginem uma gata fazendo esse som com os dentes, a mandíbula ou os dois junto. Foi assim que Pufosa e eu paramos no raio-x — ela tentando se esconder da veterinária camuflada de esqueleto, embora ainda sobrassem uns quilinhos, e eu brincando de guerreira medieval (ou monge franciscano?).






Apesar do sorriso branquinho, que me fez relutar em pagar o exame, as radiografias identificaram um desgaste ("presença de halo de osteólise") nas raízes de cinco dentes, dos dois lados da boca — cujo mal-estar a criatura provavelmente ameniza "coçando", em uma releitura de unha raspando na lousa.



E a gente está na torcida para resolver com remédio, porque anestesia aos (quase) 15 anos complica. A experiência de sair de casa pela primeira vez sem a mãe e as irmãs já deve ter sido tão assustadora (vídeo no story do Instagram) que ela voltou a comer bem. rs

16.2.22

Aniversariante do mês – fevereiro de 2022

Chocolate* completou 15 anos em Gatoca justo no dia em que eu dirigi 50 minutos e paguei dois pedágios para Pufosa fazer um raio-x — história que contarei no próximo post. Ainda ganhou sachê de rebarba, como recompensa do estresse sofrido pela irmã. Mas ok, porque o melhor presente que poderíamos dar a ela acho foi desembrulhado na semana anterior.

Lembram que comentei que a criatura estava me deixando louca com os urros na porta do quarto, de madrugada? Pois parece que era carência. Isso mesmo: não há prazo de validade para uma gata ranheta resolver gostar de colo aéreo, que tenho oferecido toda noite, antes de levá-la para a cesta com almofada de joaninha, e patê na colher, emprestado da Pipoca, e escovação, de leve.

Agora, a pequena se põe na estante vermelha do corredor, esperando a gente passar para cobrar atenção — um pedágio que fico bem mais feliz em pagar.


*Novelinha: Conheça a história da Chocolate

Outros aniversários: 2021 | 2020 | 2019 | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

11.2.22

Pancinha de gato: alerta ou gostosura?

Sabem a pelanca na barriga que alguns gatos têm, aquela que balança de um jeito engraçado quando eles correm? Ok, a quem estou querendo enganar omitindo nomes? Mercv é o rei da pancinha! Desde pequeno. Lembro até de perguntar ao veterinário como uma criatura magrela podia desfilar tamanha flacidez abdominal e a resposta foi cortante: "Genética, oras, como acontece com humanos".

Pois se a bolsa primordial não está necessariamente ligada ao excesso de peso do animal, para que serve? Trata-se de uma estratégia "3 em 1" da natureza, que permite armazenar gordura em épocas de escassez (como um extensor de mala), proteger contra ataques (tipo air bag) e fazer movimentos alongados (notem que marombados andam sempre travados).

Justamente por não precisarem mais dessa estrutura é que apenas os gatos domésticos que herdam seus genes continuam ostentando-a. Eu queimei o filme do Mercv, mas, aqui em casa, a pancinha mordível ainda domina — Jujuba, a modelo da foto, não me deixa mentir, rs. E por aí?

10.2.22

Quando o bebedouro dos gatos explodiu

Nunca duvidem da sabedoria popular de que nada está tão ruim que não possa piorar. Como se não bastasse morar há quase um ano em uma casa sem porta no banheiro, porque tomamos um golpe da empresa de contêineres, Leo conseguiu quebrar o tornozelo caindo no buraco. Literalmente.

E uma fíbula não foi suficiente para aplacar a fúria dos deuses, porque, 13 dias depois, eles levaram em sacrifício o bebedouro dos gatos. Aconteceu tudo muito rápido: a muleta desequilibrou e, em 60 m2, conseguiu acertar exatamente o bebedouro, alagando a sala e dando origem ao próximo Coringa.

4.2.22

O tempo dos gatos

Esta foto, tirada em dezembro de 2007, junta duas coisas inusitadas: filhotas mamando com 6 meses de idade e tapete em casa de gateira alérgica. Sim, caros leitores, eu revirei o baú virtual de Gatoca para acolher corações angustiados e convencer vocês de que, quando se trata de felinos, nunca é tarde demais.


E as Gudinhas não desmamaram com 6 meses, elas demoraram dois anos! Eu cheguei a separá-las da mãe, quando acreditava que doaria a ninhada (quanta ingenuidade), e a golpista da barriga voltou a produzir leite no reencontro. rs

Já Pipoca e Clara levaram uns dois anos para conviver. Nem lembro quando elas começaram a se estranhar, na verdade, só que a porta do corredor, que dividia o imóvel na metade, vivia fechada e as criaturas não podiam sobrar do mesmo lado. Até que alguém esqueceu de trancar, Mercv abriu pulando na maçaneta e, quando voltei da rua, as duas estavam deitadas na minha cama.

Keka torceu o focinho para a ração úmida por uma década. E foi convencia apenas com as latinhas da Pet Delícia, que acabou virando nossa parceira. E tem também o tempo dos afetos: Pipoca fugiu do toque por cinco anos, até chegar muito perto de morrer. Aos sete, Jujuba resolveu aceitar o carinho playcenter — aquele de passar correndo e retornar ao fim da fila. E só ronronou com 13! Outros sete anos se passaram até Chocolate enrodilhar no meu colo.

Não desistam!

Vai chegar o momento da trégua, da alimentação saudável, do amor sem medo — muitos gatinhos (e cachorros) esperam essa chance nos abrigos, aliás. ❤️