Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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26.3.26

Duas chances de mostrar a força da nossa comunidade

Quando Gatoca enchia duas mãos, meu receio de não poder cuidar dos bigodes até o final superava os medos universais de fantasma, ladrão e boletos que vencem o salário. Isso porque comecei a jornada com 25 anos e chego ao final desta temporada com 46, flexibilidade da ioga, resiliência capricorniana e uma rede de apoio privilegiada.

Não consigo imaginar como seria aos 70, equilibrando lombalgia, depressão e um filho esquizofrênico que só tem em mim sua rede de apoio. Dona Carmen desmontou. No desespero, cogitou eutanasiar Cindy, doente crônica, e ainda sobraria Lindão, com sua pretolice rejeitada. Sorte que Sara não é vizinha só para as xícaras de açúcar.


Ajudou com a medicação diária da frajola até precisar retomar a rotina de trabalho e faculdade ― ela também cuidadora de uma idosa com fratura na coluna. E veio pedir socorro no Cluboca, nosso grupo de apoiadores. Lindão é assustadinho no primeiro contato, mas logo se derrete. E Cindy esbanja vida, apesar de terem-na girado pelo rabo e arremessado contra um paredão.

Isso rolou antes do resgate, só que as sequelas persistem ― na coluna, o que levou à amputação do rabinho, e no estreitamento da pelve, dificultando o cocô. Para fugir das lavangens intestinais, quatro desde dezembro, todas sob sedação, a pequena precisa dos remédios ― que toma sem retaliação.

Lindão e Cindy completaram 3 anos, castrados e negativos para FIV e FeLV, e estão na Aclimação, mas a gente dá um jeito de levar para qualquer lugar de São Paulo, se a família valer a viagem. Até tiveram um interessado, que sofreu um infarto na semana de buscá-los, acreditam?


Bora fazer essa sorte mudar? Interajam com os posts da dupla nas redes sociais (curtam, comentem, apertem todos os botões do Instagram 😂), mandem pelo WhatsApp para aquele amigo carente de amor peludo. O lado ruim do ser humano eles já conhecem ― o bem-intencionado sem estrutura também. Falta o nosso. ❤️

20.3.26

Cluboca do Livro: gateira premiada na ficção científica

Se tem um gênero literário que não me conquista é o de robôs, alienígenas e futuros distópicos. Mas o Cluboca do Livro serve para nos tirar da zona de conforto e Ursula K. Le Guin não só ganhou os mais importantes prêmios da ficção científica e da fantasia (Nebula, Hugo, Locus) como também amava os bichanos ― escreveu Book of Cats, sem tradução no Brasil, e Gatos Alados, uma série para crianças.

A gente escolheu discutir, então, A Mão Esquerda da Escuridão, publicado há 50 anos e ainda atual por abordar temas como gênero, feminismo e alteridade. Enviado em uma missão intergaláctica, o humano Genly Ai precisa convencer os governantes do planeta Gethen a integrarem a comunidade universal. Só que se depara com uma cultura complexa, quase medieval e sem sexo fixo.


Nosso encontro ocorrerá no domingo de 12 de abril, entre 16h e 19h, pelo WhatsApp. Para participar, basta apoiar o Gatoca com qualquer valor a partir de R$ 15, escolher uma bebida e comprar sua edição favorita ― usando os links abaixo, uma porcentagem vem para nós. Eu decidi ler no Skeelo, como as fotos entregam, porque está incluso na assinatura da operadora de celular. :)

- A Mão Esquerda da Escuridão em papel
- A Mão Esquerda da Escuridão em e-book
- A Mão Esquerda da Escuridão em audiobook
- Qualquer item adquirido na Amazon partindo deste link ajuda o projeto



Discussões anteriores

:: Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida
:: O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov
:: Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman
:: Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie
:: Felinos e Macabros, coletânea de contos de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker
:: Diário dos Gatos Yon & Mu, do japonês Junji Ito

13.3.26

Leveza na velhice felina

Uma gata de quase 19 anos não vai andar pela casa com a altivez da juventude nem saltar dos móveis sem ser percebida ― se ela ainda passeia e explora o universo vertical, porém, está melhor do que muita novinha. Quando vi Jujuba na posição da foto, percebi que a artrose, tão adiada, finalmente chegava arrastando sua maleta.

Escrevi para o veterinário, tratamos o desconforto, baixei a caminha de tubarão. Mas só depois de imaginar a magrela com um vestido de franjas, dançando cha-cha-chá e bebendo cuba-libre. A velhice traz muitos desafios, a gente precisa encontrar um jeito de encarar com leveza. ❤️

6.3.26

Relacionamento tóxico com o gato

Em uma sociedade patriarcal e machista, eu consigo me gabar de só ter namorado caras bacanas e estar cercada de amigos que puxam suas parceiras para cima. O mesmo não pode ser dito, porém, sobre meu relacionamento com o gato.


Em novembro, um passarinho entrou no estúdio do Leo e Intrú, que dormia de tremer as pálpebras, saltou como um míssil teleguiado na direção do coitado e saiu correndo com ele na boca, pingando sangue ― ainda voltou pela janela do banheiro, porque Leo o havia fechado para fora em represália.

Na manhã seguinte, quem saiu correndo fui eu, para separar a briga com o gatão branco que insiste em ser o intruso do nosso intruso ― sem chance de capturá-lo para castrar, enquanto o gordinho (FeLV+) não puder ficar preso em casa. O desaforado ainda passa a tarde fora e volta fedendo a perfume.


Intervalo para a festas de fim de ano, incluindo o carnaval porque a gente vive no Brasil, e na segunda-feira retrasada ele provavelmente comeu um bicho que não caiu bem, o que acontece de tempos em tempos, e se recusava a levantar da cama ou a cheirar a ração que me tira a chance de tomar drinks com guarda-chuvinha em Cancún.

E o que dizer quando, antes mesmo do café, você abre a porta da lavanderia e se depara com esta cena? ― enquanto os bichanos trazem a caça para agradecer a família, Intrú me traz carcaça.


Ainda espia a gente sem consentimento ― aperfeiçoando a técnica!



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos
:: A gente veio aqui para beber ou se banhar?
:: Descobri por que Intrú atacou meu rosto!