
Nariz de coração

Gata Borralheira

Sesta

Loirice

Retrato de família
10.12.14
Papéis de parede do Gatoca
Quando sobra tempo, falta sol. Quando tem sol, os bigodes estão de mau humor. Quando o humor coletivo melhora, surge um frila de domingo a domingo. E foi assim que os papéis de parede prometidos aos apoiadores do projeto Um Post por Dia para Salvar Vidas quase viraram lenda. Para compensar os dez dias de atraso (sorry!), eu caprichei nas fotos ― a dos peludos juntos vale pela raridade (o pessoal sabia que a resolução deixava a desejar, mas quis mesmo assim). Pirem! :)
9.12.14
Literatura solidária
Primeiro, ela emprestou o patchwork da mãe. Depois, as bijuterias da Gatatuca. Agora, me vem com letras impressas e ilustrações da Virgínia Caldas! Kira é uma gatinha branca de olhos coloridos, que viaja para o mundo das abelhas, graças às habilidades químicas da abelha-tenente, e acaba descobrindo a importância desses insetos para o planeta.
Lucia Fontes descobriu o Gatoca há cinco anos, não viajou para lugar nenhum, mas decidiu reverter 20% do dinheiro arrecadado com as vendas de seu livro ao projeto, porque só a educação pode mudar o mundo. Me emocionou com a ideia, o site profissional e, especialmente, este texto.
Lucia Fontes descobriu o Gatoca há cinco anos, não viajou para lugar nenhum, mas decidiu reverter 20% do dinheiro arrecadado com as vendas de seu livro ao projeto, porque só a educação pode mudar o mundo. Me emocionou com a ideia, o site profissional e, especialmente, este texto.


8.12.14
A arte de receber mais do que se doa
Por causa da dobradinha trabalho-que-paga-as-contas e trabalho-que-enche-o-coração, eu deitei às 3h30 algumas vezes nos últimos meses. Mas só ontem saí da cama esse horário. A Anchieta estava vazia, muda, espelhando a lua cheia. Os bigodes nem se mexeram nos almofadões. Era dia de ajudar bigodes que não têm almofadões ― 300 agora e mais centenas deles ao longo de 2015.
Como patrimônio histórico do Adote um Gatinho, fui promovida a coordenadora de vendas do Bazar de Natal: organizo mostruário, atendo o pessoal, passo cartão de débito/crédito, reponho estoque, conto dinheiro, resolvo pepinos, busco água, o que precisar. Não tenho pais para prestigiarem o evento, mas o namorado participa da montagem/desmontagem há dois anos e o irmão rala no stand há três. ♥
A cada rosto conhecido, a pressão sanguínea aumenta. Denise Canto, Maria Gracinda, Silvia Leonella Balloni, Ana Claudia S., Antoinette S. Mancilha, leitoras deste blog que driblaram a vergonha para me abraçar. Sara Criado, parceira no projeto Um Post Por Dia para Salvar Vidas e nos futuros. Julio Cesar Lopes, meu contador que não gostava de gatos. Vera Gherardini, mãe da Bebel, que atravessou o cordão de isolamento empolgadíssima para me beijar.
Michele Bastos Naneti entrou para o time das voluntárias queridas, dominado pela Rosa Yukari, Carol Toledo, Denise Granja e Yone Sassa. Vilma Gradvol brigou comigo porque os textos do calendário lhe roubaram lágrimas. Maira Bueno me deu os cupcakes de cenoura com brigadeiro mais fodásticos do planeta e um saco gigante de biscoitos crocantes. Vitor Medina confessou que leu o Gatoca de cabo a rabo para aprender a cuidar do filhote que adotou com a ONG.
As olheiras são de quem quase não dormiu. O sorriso deixa claro que eu faria tudo de novo.
Como patrimônio histórico do Adote um Gatinho, fui promovida a coordenadora de vendas do Bazar de Natal: organizo mostruário, atendo o pessoal, passo cartão de débito/crédito, reponho estoque, conto dinheiro, resolvo pepinos, busco água, o que precisar. Não tenho pais para prestigiarem o evento, mas o namorado participa da montagem/desmontagem há dois anos e o irmão rala no stand há três. ♥
A cada rosto conhecido, a pressão sanguínea aumenta. Denise Canto, Maria Gracinda, Silvia Leonella Balloni, Ana Claudia S., Antoinette S. Mancilha, leitoras deste blog que driblaram a vergonha para me abraçar. Sara Criado, parceira no projeto Um Post Por Dia para Salvar Vidas e nos futuros. Julio Cesar Lopes, meu contador que não gostava de gatos. Vera Gherardini, mãe da Bebel, que atravessou o cordão de isolamento empolgadíssima para me beijar.
Michele Bastos Naneti entrou para o time das voluntárias queridas, dominado pela Rosa Yukari, Carol Toledo, Denise Granja e Yone Sassa. Vilma Gradvol brigou comigo porque os textos do calendário lhe roubaram lágrimas. Maira Bueno me deu os cupcakes de cenoura com brigadeiro mais fodásticos do planeta e um saco gigante de biscoitos crocantes. Vitor Medina confessou que leu o Gatoca de cabo a rabo para aprender a cuidar do filhote que adotou com a ONG.
As olheiras são de quem quase não dormiu. O sorriso deixa claro que eu faria tudo de novo.

5.12.14
Natal com espírito – a ressurreição
Todo ano tem post aqui no blog convocando vocês para participar do Bazar de Natal do Adote um Gatinho, eu sei. É que todo ano escrevo os textos da agenda e do calendário com o maior amor do mundo. Porque todo ano os bigodes que a ONG resgata insistem comer, precisam de vacina e castração, às vezes ficam doentes ou dão à luz mais bigodes que insistem em comer, precisam de vacina e castração, e às vezes ficam doentes.
Compareçam neste domingo ao Clube Homs (Av. Paulista, 735), entre as 10h e 18h, me abracem apertado (sem timidez!) e ajudem a salvar mais peludos que insistem em comer, precisam de vacina e castração, às vezes ficam doentes ou dão à luz mais peludos que insistem comer...
Compareçam neste domingo ao Clube Homs (Av. Paulista, 735), entre as 10h e 18h, me abracem apertado (sem timidez!) e ajudem a salvar mais peludos que insistem em comer, precisam de vacina e castração, às vezes ficam doentes ou dão à luz mais peludos que insistem comer...
4.12.14
Calendários que marcam mais do que dias
Quando a Otávia me contou que buscou doçura nos posts do Gatoca para criar o calendário do Felinos Urbanos, o coração deu a volta no rosto puxando o sorriso. E ela fez questão de incluir o bigode que lhe presenteou com uma mordida, para mostrar que toda vida merece ser protegida. O meu chegou hoje, rendendo até foto da Keka encolhidinha. Quem mais topa ajudar a castrar e vacinar os ferais de São Luís, no Maranhão? ;)
Ah, vocês preferem focinhos? Não tem problema! O calendário do Celebridade Vira-Lata, que participará do nosso mutirão, em fevereiro, está cheio deles. Com o dinheiro arrecadado nas seis edições, Luli já esterilizou 7 mil animais de comunidades pobres, protetores independentes e organizações não governamentais pequeninas.
Vocês colocam a mão no bolso agora e lembram que fizeram uma coisa bacana o ano inteiro. ♥
Ah, vocês preferem focinhos? Não tem problema! O calendário do Celebridade Vira-Lata, que participará do nosso mutirão, em fevereiro, está cheio deles. Com o dinheiro arrecadado nas seis edições, Luli já esterilizou 7 mil animais de comunidades pobres, protetores independentes e organizações não governamentais pequeninas.
Vocês colocam a mão no bolso agora e lembram que fizeram uma coisa bacana o ano inteiro. ♥
3.12.14
Um frajola para chamar de meu
Há nove anos, Mercvrivs* cabia em uma mão. A viagem de Utinga a São Bernardo demorou 25 rosários. E eu mal respirava com medo de quebrá-lo. Oitenta e sete bigodes, bicos e focinhos depois, nós dois encouraçamos.
*Novelinha: Conheça a história do Mercv

*Novelinha: Conheça a história do Mercv
2.12.14
Papel gourmet
Você deixa em cima da mesa do escritório um folder de pão de queijo vegano, boletos do condomínio e do convênio médico, e um pedido veterinário de remédios. A gata despreza o pedido veterinário, experimenta a pontinha de um dos boletos e cai matando no folder do pão de queijo vegano.

1.12.14
A Volta dos que não Foram
Atualizado em 2 de dezembro de 2014
A história da Penélope continua fazendo inveja aos roteiristas de Hollywood (se você pegou o filme começado, clique aqui). Quatro meses depois da castração, ela voltou a entrar no cio! Sim, castrada. Gritava desafinadamente pela casa, se esfregava em tudo que via, batia nos filhotes. A gente esperou 60 dias para excluir a hipótese de problema comportamental e, no último sábado, o ultrassom encontrou um pedacinho remanescente de ovário perto dos rins.
Dá para ser mais sortuda? Dá! Graças a esse mesmo ultrassom, a veterinária também descobriu uma "nevasca" de sedimentos na bexiga da Pretolina, indicando possível infecção, confirmada pelo exame de urina, que poderá ser tratada no início. Pê entrou na faca de novo, com um corte bem maior do que o primeiro, e terá de comer ração especial durante três meses. Mas continua doce e ronronenta, a espera de uma árvore de Natal para chamar de sua.
Update: Pê e os bebês foram castrados com o maior carinho pela Drª. Ana Lúcia, do Pet Land, que fará também o mutirão do Gatoca. Após a gestação, pode ocorrer um aumento do tecido adiposo ao redor dos ovários, mascarando o quadro. A Drª. deixou de almoçar no sábado para reoperar a gatinha no único horário que eu conseguiria levá-la, sem me cobrar um centavo ― incluindo o exame de ultrassom. Eu só escrevi o post para orientar vocês que isso acontece e tem solução. :)
Epopeia da família Cartoon na busca por um lar:
:: Como tudo começou
:: Nasceram!
:: Comédia romântica que virou drama
:: Drama que virou romance
:: Bebês de chocolate
:: Bolão e batizado
:: Para matar de ternura
:: A primeira ida ao vet a gente nunca esquece
:: Castração da Sessão da Tarde
:: Família Cartoon em oferta: Lindinha
:: Família Cartoon em oferta: Lilica
:: Família Cartoon em oferta: Pedrita
:: Família Cartoon em oferta: Batatinha
:: Família Cartoon em oferta: Patti Maionese
:: Família Cartoon em oferta: Penélope Charmosa
:: Batatinha na telinha
:: Happy ending: Lindinha
:: Happy ending: Patti Maionese
:: Sad ending: Batatinha
:: Campanha "Cansei de Ser Gato sem Família"
A história da Penélope continua fazendo inveja aos roteiristas de Hollywood (se você pegou o filme começado, clique aqui). Quatro meses depois da castração, ela voltou a entrar no cio! Sim, castrada. Gritava desafinadamente pela casa, se esfregava em tudo que via, batia nos filhotes. A gente esperou 60 dias para excluir a hipótese de problema comportamental e, no último sábado, o ultrassom encontrou um pedacinho remanescente de ovário perto dos rins.

Dá para ser mais sortuda? Dá! Graças a esse mesmo ultrassom, a veterinária também descobriu uma "nevasca" de sedimentos na bexiga da Pretolina, indicando possível infecção, confirmada pelo exame de urina, que poderá ser tratada no início. Pê entrou na faca de novo, com um corte bem maior do que o primeiro, e terá de comer ração especial durante três meses. Mas continua doce e ronronenta, a espera de uma árvore de Natal para chamar de sua.

Update: Pê e os bebês foram castrados com o maior carinho pela Drª. Ana Lúcia, do Pet Land, que fará também o mutirão do Gatoca. Após a gestação, pode ocorrer um aumento do tecido adiposo ao redor dos ovários, mascarando o quadro. A Drª. deixou de almoçar no sábado para reoperar a gatinha no único horário que eu conseguiria levá-la, sem me cobrar um centavo ― incluindo o exame de ultrassom. Eu só escrevi o post para orientar vocês que isso acontece e tem solução. :)
Epopeia da família Cartoon na busca por um lar:
:: Como tudo começou
:: Nasceram!
:: Comédia romântica que virou drama
:: Drama que virou romance
:: Bebês de chocolate
:: Bolão e batizado
:: Para matar de ternura
:: A primeira ida ao vet a gente nunca esquece
:: Castração da Sessão da Tarde
:: Família Cartoon em oferta: Lindinha
:: Família Cartoon em oferta: Lilica
:: Família Cartoon em oferta: Pedrita
:: Família Cartoon em oferta: Batatinha
:: Família Cartoon em oferta: Patti Maionese
:: Família Cartoon em oferta: Penélope Charmosa
:: Batatinha na telinha
:: Happy ending: Lindinha
:: Happy ending: Patti Maionese
:: Sad ending: Batatinha
:: Campanha "Cansei de Ser Gato sem Família"
28.11.14
Etiqueta ao bebedouro
Jujuba Pascolato ensina como tomar água com requinte e sofisticação.
P.S.: Os gatos bebem água com a pata para não encostar os bigodes no pote, sabiam? É que eles são cheios de terminações nervosas, que servem para identificar se o bichano consegue caber em determinado lugar ou como estão as condições do ar para caçar aquele insetinho barulhento. Melhor optar pela tigela tamanho GG, de cachorro.
P.S.: Os gatos bebem água com a pata para não encostar os bigodes no pote, sabiam? É que eles são cheios de terminações nervosas, que servem para identificar se o bichano consegue caber em determinado lugar ou como estão as condições do ar para caçar aquele insetinho barulhento. Melhor optar pela tigela tamanho GG, de cachorro.
27.11.14
Chove, dos dois lados da janela
Há 11 anos, a tristeza me pega na curva. Eu acho que vai ser um dia normal e ensopo o tapete de ioga. Ou a cabeça do Mercv. Ou o peito do Leo. Com ela (a dona do sorriso da foto, não a tristeza herdada), muita coisa teria sido mais fácil. E muita coisa não existiria ― como este blog. Mas saudade de mãe não brinca em gangorras de prós e contras. Não bate ponto com intervalo para almoço. Não se preocupa com o que os outros vão pensar.
E hoje eu senti. Sempre pressa. Sem peso.
E hoje eu senti. Sempre pressa. Sem peso.

26.11.14
Água sanitária e animais não combinam
Aposto que a maioria de vocês já ouviu uma história trágica envolvendo água sanitária (ou cândida, alvejante, lixívia, hipoclorito de sódio) e bicho de estimação ― eu vivi uma, sem ter culpa. Quando ingerida, ela pode causar insuficiência respiratória, lesões no esôfago e no estômago, parada cardiorrespiratória e até morte. O que quase ninguém sabe é que basta inalar o produto repetidamente para se intoxicar.
E olha que o focinho dos peludos dá um pau no nosso! Na sequência de fotos abaixo, Guda está "viajando" porque sentiu o cheiro das três gotas de água sanitária que eu misturei ao sabão em pó para lavar um pano de prato encardido. Esse comportamento, com esfregadas e roladinhas, equivale ao êxtase do catnip, só que nada inofensivo. Na dúvida, melhor usar outra coisa. E aproveitem para pendurar na geladeira nosso post sobre primeiros socorros. ;)
E olha que o focinho dos peludos dá um pau no nosso! Na sequência de fotos abaixo, Guda está "viajando" porque sentiu o cheiro das três gotas de água sanitária que eu misturei ao sabão em pó para lavar um pano de prato encardido. Esse comportamento, com esfregadas e roladinhas, equivale ao êxtase do catnip, só que nada inofensivo. Na dúvida, melhor usar outra coisa. E aproveitem para pendurar na geladeira nosso post sobre primeiros socorros. ;)

25.11.14
A arte imita a vida
Nas telas de Gatoca, também existe desigualdade. Bigodes que acumulam brinquedinhos, que roubam comida dos amigos, que não dividem cafuné (muito menos colo), que se recusam a usar o banheiro comunitário, que se esparramam no almofadão com vista para a fonte d'água, enquanto o resto da família mora espremida na periferia.

24.11.14
O segredo do Gatoca
Em 2000, eu larguei o emprego concursado de bancária para realizar o sonho de ser jornalista ― com 9 anos, brincava de apresentar o Jornal Nacional no Polo Norte. Fui escolhida para trabalhar no Terra, época da bolha da internet, pelo texto, porque sequer sabia abrir dois navegadores ao mesmo tempo. "Aprendi" em uma semana a programar, tratar imagens, fazer upload no Cumbuco, o servidor de Porto Alegre. E chorava toda noite no Urubupungá.
Quando a Dani Bertocchi voltou de férias, marcou uma reunião para conversar sobre meu desempenho, segurando uma folha repleta de rabiscos. O coração foi encolhendo a cada comentário. Só me restava pedir demissão ― a empresa merecia alguém que soubesse fazer o serviço. Surpresa, ela me deu este mantra vitalício: "Estou te criticando porque você é boa e pode melhorar. Senão, não perdia meu tempo".
Os anos passaram. E eu segui aprendendo na marra a atuar com periferia em ONG, a entender as leitoras da classe C, a revisar revista de madrugada, a blogar sobre animais, a assentar tijolos, a dizer "não". Era boa e podia sempre melhorar. Quatorze calendários novos depois, Dani me convidou para uma nova parceria. A primeira vez que me pagam para postar no Facebook. :)
Eu levei quatro horas para escolher as dez matérias (trata-se do maior portal feminino do país!), escrever os textinhos e caçar as imagens nos bancos. Precisava fazer bonito. E fiz. Mas sei que ainda posso melhorar.
Quando a Dani Bertocchi voltou de férias, marcou uma reunião para conversar sobre meu desempenho, segurando uma folha repleta de rabiscos. O coração foi encolhendo a cada comentário. Só me restava pedir demissão ― a empresa merecia alguém que soubesse fazer o serviço. Surpresa, ela me deu este mantra vitalício: "Estou te criticando porque você é boa e pode melhorar. Senão, não perdia meu tempo".
Os anos passaram. E eu segui aprendendo na marra a atuar com periferia em ONG, a entender as leitoras da classe C, a revisar revista de madrugada, a blogar sobre animais, a assentar tijolos, a dizer "não". Era boa e podia sempre melhorar. Quatorze calendários novos depois, Dani me convidou para uma nova parceria. A primeira vez que me pagam para postar no Facebook. :)
Eu levei quatro horas para escolher as dez matérias (trata-se do maior portal feminino do país!), escrever os textinhos e caçar as imagens nos bancos. Precisava fazer bonito. E fiz. Mas sei que ainda posso melhorar.

21.11.14
Unidos por um bisturi - capítulo 4
O que Nenê, Simba, Sansão, Tom e Maru têm em comum ― além dos bigodes e de morarem em bairros humildes? Eles deixaram de multiplicar o sofrimento nas ruas. Por causa do projeto Um Post por Dia para Salvar Vidas (e da Natali Souza :*), a Gatto de Botas doou cinco castrações ao Gatoca, feitas com anestesia inalatória.
O atendimento dos bichanos, aliás, foi inteiro VIP (ou seria VIC?). Quando a tigradinha começou a se debater na caixa de transporte, as meninas lhe arrumaram um quarto na internação com cafunés. E eu devolvi a moça de antibiótico comprado, para os R$ 37 não saírem das necessidades básicas ― nem o pós-operatório terminar em tragédia.
Tata adotou o primeiro gato do meu bairro, para caçar ratos. E se apaixonou. Os vizinhos gostaram da ideia e acabaram amolecendo também. As esquinas do mundo escondem histórias incríveis. E pessoas também.
*fim*
Capítulo anterior: Unidos por um bisturi – parte 3

O atendimento dos bichanos, aliás, foi inteiro VIP (ou seria VIC?). Quando a tigradinha começou a se debater na caixa de transporte, as meninas lhe arrumaram um quarto na internação com cafunés. E eu devolvi a moça de antibiótico comprado, para os R$ 37 não saírem das necessidades básicas ― nem o pós-operatório terminar em tragédia.

Tata adotou o primeiro gato do meu bairro, para caçar ratos. E se apaixonou. Os vizinhos gostaram da ideia e acabaram amolecendo também. As esquinas do mundo escondem histórias incríveis. E pessoas também.
*fim*
Capítulo anterior: Unidos por um bisturi – parte 3
20.11.14
Unidos por um bisturi - capítulo 3
Existe gente que troca presente mesmo tendo servido, que repassa para outra pessoa sem nem tirar da embalagem, que esquece o embrulho de fita colorida no bar. E existe gente que não se importa se o "presente" for uma vida. Dona Maria acabou sobrando com o Tom porque a neta não quis mais o brinquedo ― nem só para preparar bolos e contar histórias servem as avós.
E já tinha resgatado o Maru, abandonado no lixo (sempre dá para piorar, né?). Quem me colocou em contato com a humana e os bichanos, que moram em um bairro igualmente pobre de Santo André, foi a Carol, mãe do Ganglere. Enquanto a gente conversava, eu não fazia ideia de que os animais adotados é que haviam salvo sua tutora de um câncer de mama.
*continua*
Capítulo anterior: Unidos por um bisturi – parte 2

E já tinha resgatado o Maru, abandonado no lixo (sempre dá para piorar, né?). Quem me colocou em contato com a humana e os bichanos, que moram em um bairro igualmente pobre de Santo André, foi a Carol, mãe do Ganglere. Enquanto a gente conversava, eu não fazia ideia de que os animais adotados é que haviam salvo sua tutora de um câncer de mama.
*continua*

Capítulo anterior: Unidos por um bisturi – parte 2
19.11.14
Unidos por um bisturi - capítulo 2
Simba não é amarelo. E de leão também não tem nada. Diferente da maioria dos gatos aqui do bairro, não quer saber de sair de casa. Passa a maior parte do tempo meditando na fruteira de três prateleiras, prática que destoa de sua forma esbelta. Foi presente do namorado da Renata, mãe da Nenê, para Tata, sua tia. As duas moram no mesmo terreno, com outra parente. Eu sempre confundo as campainhas.
Sansão não puxou o irmão adotivo. Adora uma rua. E uma boa briga. Vira e mexe aparece com a cabeça machucada e unhas enfiadas pelo corpo. Certa vez, tomou uma paulada de gente que quase encerrou sua carreira. Tata não tinha dinheiro para levá-lo ao veterinário e tratou o estrago quase que xamanicamente. A história do peludo começou em Ribeirão Pires, quando sua mãe resolveu dar cria dentro do carro da família.
*continua*
Capítulo anterior: Unidos por um bisturi - parte 1

Sansão não puxou o irmão adotivo. Adora uma rua. E uma boa briga. Vira e mexe aparece com a cabeça machucada e unhas enfiadas pelo corpo. Certa vez, tomou uma paulada de gente que quase encerrou sua carreira. Tata não tinha dinheiro para levá-lo ao veterinário e tratou o estrago quase que xamanicamente. A história do peludo começou em Ribeirão Pires, quando sua mãe resolveu dar cria dentro do carro da família.
*continua*

Capítulo anterior: Unidos por um bisturi - parte 1
18.11.14
Unidos por um bisturi - capítulo 1
Antes de completar 4 meses, Julie virou Nenê. E engravidou (mas isso a gente ainda não sabe). Renata, apesar de já ter tido um gato assassinado pelos vizinhos, alega ser impossível prender a tigradinha em casa. E só não ficou sem ela também porque um casal que trocou a privacidade do cinema para namorar na rua de madrugada me avisou sobre a existência da tutora ― eu contei a primeira parte dessa história, lembram?
Nenê consegue superar o Sparky e o Lázaro em grudice. Saiu do terreno em obras aqui do bairro para fazer uma sucessão de poses engraçadas no meu colo, enquanto ronronava como se estivesse dentro de um megafone. E não custou a arrancar um sorriso do policial à paisana que tomava conta do trator ― sim, há pessoas que roubam tratores.
*continua*
Nenê consegue superar o Sparky e o Lázaro em grudice. Saiu do terreno em obras aqui do bairro para fazer uma sucessão de poses engraçadas no meu colo, enquanto ronronava como se estivesse dentro de um megafone. E não custou a arrancar um sorriso do policial à paisana que tomava conta do trator ― sim, há pessoas que roubam tratores.
*continua*

17.11.14
Dexter, um milagre e duas rosquinhas para viagem
O cenário era de sacrifício animal: sangue esguichado ao lado do arranhador, portas respingadas, borrões vermelhos espalhados por toda a sala. Mas os bigodes me receberam animados e limparam os potes de café da manhã. Com o coração na boca, eu olhei cada pata, cada orelha, cada nariz, cada rabo, cada caixa de areia. Nenhum sinal de tragédia, exceto pela cabeça do Simba, que ostentava outra daquelas feridinhas que levaram dez caixas de remédio para desaparecer.
Em vez de continuar tratando a infecção de pele bacteriana, Dr. N. preferiu investir no corticoide, para levantar a imunidade. E receitou uma pomada humana antifúngica e anti-inflamatória, porque pegaria mal prescrever um Pai-Nosso e três Ave-Marias. Eu aproveitei e pedi um check-up do loiro, incluindo hemograma e função renal, pois 11 anos merecem ― e no R&K a gente ganha 30% de desconto.
Ele voltou para casa do avesso e Gatoca agora tem mais um mistério sanguinolento insolúvel.
Em vez de continuar tratando a infecção de pele bacteriana, Dr. N. preferiu investir no corticoide, para levantar a imunidade. E receitou uma pomada humana antifúngica e anti-inflamatória, porque pegaria mal prescrever um Pai-Nosso e três Ave-Marias. Eu aproveitei e pedi um check-up do loiro, incluindo hemograma e função renal, pois 11 anos merecem ― e no R&K a gente ganha 30% de desconto.
Ele voltou para casa do avesso e Gatoca agora tem mais um mistério sanguinolento insolúvel.

14.11.14
Despedida sem abraço
Cinco pessoas sabem o número do meu telefone fixo. Quando ele toca, o coração vem à boca. Hoje, a profecia se confirmou: meu avô morreu. Seu Domenico sempre foi um cara duro, de poucos afagos ― nós nem temos fotos juntos. Brigava com meu pai de voz grave, obrigava minha avó a cozinhar banquetes com ingredientes em promoção, ceava antes de todo mundo no Natal, trocava os canais da TV até não sobrar ninguém na sala.
Na única visita que me fez, ainda na casa antiga, contou, rodeado pelos bigodes, que seu avô serviu o gato da família no almoço e depois apareceu com a cabeça, para o horror das crianças. Sensibilidade não era seu forte. Quando chegou minha vez de retribuir, na UTI, de barba por fazer, ossos à mostra e sem o sorriso de resina, não o reconheci. A fortaleza impenetrável havia virado fragilidade. Não se mexia, não falava, respirava por fios, mas chorou assim que toquei seu peito.
Uma lágrima comprida, sem começo nem fim. Pedido de desculpas e vale-afeto. Para uma próxima vez.
Na única visita que me fez, ainda na casa antiga, contou, rodeado pelos bigodes, que seu avô serviu o gato da família no almoço e depois apareceu com a cabeça, para o horror das crianças. Sensibilidade não era seu forte. Quando chegou minha vez de retribuir, na UTI, de barba por fazer, ossos à mostra e sem o sorriso de resina, não o reconheci. A fortaleza impenetrável havia virado fragilidade. Não se mexia, não falava, respirava por fios, mas chorou assim que toquei seu peito.
Uma lágrima comprida, sem começo nem fim. Pedido de desculpas e vale-afeto. Para uma próxima vez.

Registro querido do primo Rafael Levi
13.11.14
7 perguntas e respostas sobre prisão de ventre
Cães e gatos também ficam com o intestino preso ― e não só por ansiedade, estresse ou depressão. Saiba o que fazer para dar uma forcinha
1. O que causa prisão de ventre?
Há várias explicações para que o animal tenha dificuldade de evacuar. Bigodes e focinhos são capazes de engolir coisas que a gente nem imagina, como pedras, chupetas, bolinhas de borracha, prendedores de roupas e partes de brinquedos. Esses objetos podem obstruir o intestino, assim como as clássicas bolas de pelos e até alguns tipos de medicamentos. Existe ainda o risco de as fezes grudarem na região anal de um bicho mais peludo, formando um "tampão" que impedirá futuras idas ao banheiro. Mas a principal vilã da prisão de ventre é a alimentação inadequada.
2. Como identificar os sintomas?
Um animal com dor ou cólica intestinal certamente se comportará de forma diferente, deixando claro que tem algo errado. Se ele tentar fazer cocô sem sucesso, a suspeita de prisão de ventre estará confirmada.
3. Há risco de morte?
Nos casos mais graves, sim. Se um objeto perfura a parede do intestino, por exemplo, causará uma infecção generalizada na barriga, matando em pouco tempo.
4. Qual é o tratamento mais adequado?
Algumas vezes, um simples laxante dá conta do recado. Outras, necessita-se de remédio para dissipar os gases. Há situações que só a cirurgia resolve.
5. Existem soluções caseiras?
Mel, mamão, aveia, azeite, óleo mineral, chá e outros alimentos que soltam o intestino de crianças também podem ser usados com cães e gatos.
6. Como evitar?
Oferecendo uma dieta equilibrada de fibras, proteínas, gorduras e carboidratos. É por isso que muita gente opta pelas boas marcas de ração. Elas concentram tudo o que os peludos precisam e na quantidade certa, poupando a barriga dos donos de passar horas no fogão.
7. Quantas vezes por dia o animal deve evacuar?
Depende da qualidade do alimento ― alguns bichos fazem até quatro cocôs por dia! Quanto mais ruinzinha for a ração, mais eles terão de comer para se sentirem saciados. E maior será o volume de fezes.
FONTE: Nivaldo Albolea, veterinário
* Texto escrito para a revista AnaMaria, da Editora Abril.
1. O que causa prisão de ventre?
Há várias explicações para que o animal tenha dificuldade de evacuar. Bigodes e focinhos são capazes de engolir coisas que a gente nem imagina, como pedras, chupetas, bolinhas de borracha, prendedores de roupas e partes de brinquedos. Esses objetos podem obstruir o intestino, assim como as clássicas bolas de pelos e até alguns tipos de medicamentos. Existe ainda o risco de as fezes grudarem na região anal de um bicho mais peludo, formando um "tampão" que impedirá futuras idas ao banheiro. Mas a principal vilã da prisão de ventre é a alimentação inadequada.
2. Como identificar os sintomas?
Um animal com dor ou cólica intestinal certamente se comportará de forma diferente, deixando claro que tem algo errado. Se ele tentar fazer cocô sem sucesso, a suspeita de prisão de ventre estará confirmada.
3. Há risco de morte?
Nos casos mais graves, sim. Se um objeto perfura a parede do intestino, por exemplo, causará uma infecção generalizada na barriga, matando em pouco tempo.
4. Qual é o tratamento mais adequado?
Algumas vezes, um simples laxante dá conta do recado. Outras, necessita-se de remédio para dissipar os gases. Há situações que só a cirurgia resolve.
5. Existem soluções caseiras?
Mel, mamão, aveia, azeite, óleo mineral, chá e outros alimentos que soltam o intestino de crianças também podem ser usados com cães e gatos.
6. Como evitar?
Oferecendo uma dieta equilibrada de fibras, proteínas, gorduras e carboidratos. É por isso que muita gente opta pelas boas marcas de ração. Elas concentram tudo o que os peludos precisam e na quantidade certa, poupando a barriga dos donos de passar horas no fogão.
7. Quantas vezes por dia o animal deve evacuar?
Depende da qualidade do alimento ― alguns bichos fazem até quatro cocôs por dia! Quanto mais ruinzinha for a ração, mais eles terão de comer para se sentirem saciados. E maior será o volume de fezes.
FONTE: Nivaldo Albolea, veterinário

* Texto escrito para a revista AnaMaria, da Editora Abril.
12.11.14
Bailado jornalístico
Trabalhar com gatos é aprender a valsar. Você desliza a cadeira para um lado, eles acompanham. Desliza para o outro, eles se reposicionam. E, na frente do monitor, sempre tem um rabo, corpo, cabeça. As criaturas ainda conseguem dormir assim, só para não abandonar o salão.

11.11.14
Um é pouco, dois é bom, dez vira Gatoca
― Qual é o coletivo de gato?
― Gangue.
Eu amo os bigodes ― mesmo com suas arisquices, as roupas empesteadas de pelo, os remédios para alergia na cabeceira da cama, as viagens escassas. Mas não canso de repetir aos adotantes corações de pudim: bichanos não gostam de viver em grandes grupos. Em algum momento, que a gente nunca consegue dizer exatamente qual, surgirão as brigas e os xixis fora da caixa.
Se eu soubesse disso há sete anos, teria dado à Guda e suas filhotas a oportunidade de ganhar uma atenção mais exclusiva. E, talvez, elas não se tornassem bichos do mato. Chocolate, aliás, adoraria se esticar em um sofá só dela, para reclamar da novela com uma turma de velhinhas aposentadas. E o apertamento ainda continuaria animado com Mercv, Clara e Simba.
Acontece que agora nós já viramos aquelas famílias de comédia romântica, com uma coleção de lágrimas, suspiros e gargalhadas no roteiro. E eu não imagino minha vida com tanto espaço vazio entre os pés.
― Gangue.
Eu amo os bigodes ― mesmo com suas arisquices, as roupas empesteadas de pelo, os remédios para alergia na cabeceira da cama, as viagens escassas. Mas não canso de repetir aos adotantes corações de pudim: bichanos não gostam de viver em grandes grupos. Em algum momento, que a gente nunca consegue dizer exatamente qual, surgirão as brigas e os xixis fora da caixa.
Se eu soubesse disso há sete anos, teria dado à Guda e suas filhotas a oportunidade de ganhar uma atenção mais exclusiva. E, talvez, elas não se tornassem bichos do mato. Chocolate, aliás, adoraria se esticar em um sofá só dela, para reclamar da novela com uma turma de velhinhas aposentadas. E o apertamento ainda continuaria animado com Mercv, Clara e Simba.
Acontece que agora nós já viramos aquelas famílias de comédia romântica, com uma coleção de lágrimas, suspiros e gargalhadas no roteiro. E eu não imagino minha vida com tanto espaço vazio entre os pés.

10.11.14
Purê de batata especial
Ingredientes:
- 6 batatas médias
- 1 tico de leite de soja
- 1 colher caprichada de margarina vegetal
- Sal a gosto
Modo de preparo:
Cozinhe as batatas até ficarem macias. Descasque-as ainda quentes, sem queimar as mãos, e amasse bem. Observe seu gato sem noção pular na pia com o pé dentro do prato e sair correndo assustado. Certifique-se de que o tempero especial segue em segredo, coloque as batatas em uma panela e leve ao fogo (baixo), acrescentando o leite, a margarina, o sal.
- 6 batatas médias
- 1 tico de leite de soja
- 1 colher caprichada de margarina vegetal
- Sal a gosto
Modo de preparo:
Cozinhe as batatas até ficarem macias. Descasque-as ainda quentes, sem queimar as mãos, e amasse bem. Observe seu gato sem noção pular na pia com o pé dentro do prato e sair correndo assustado. Certifique-se de que o tempero especial segue em segredo, coloque as batatas em uma panela e leve ao fogo (baixo), acrescentando o leite, a margarina, o sal.

7.11.14
Ressignificação de objetos
Se tem algo que os bigodes fazem melhor do que comer e dormir, é descobrir novos usos para objetos da casa ― priorizando o conforto e a comodidade, claro. Vocês já pararam para pensar, por exemplo, que...
Um pedaço de mesa e um cone de segurança embrulhado em sisal viram um excelente mirante?
O mouse tem a anatomia perfeita para aquele banho relaxante?
A acústica do banheiro convida a refletir sobre a vida?
O escorredor de louça pode embalar uma comprida noite de sono?
Obs.: Vejam também as 15 maneiras de armazenar e organizar bichanos, post de 2010 que continua atualíssimo.
Um pedaço de mesa e um cone de segurança embrulhado em sisal viram um excelente mirante?

O mouse tem a anatomia perfeita para aquele banho relaxante?

A acústica do banheiro convida a refletir sobre a vida?

O escorredor de louça pode embalar uma comprida noite de sono?

Obs.: Vejam também as 15 maneiras de armazenar e organizar bichanos, post de 2010 que continua atualíssimo.
6.11.14
O tempo do amor
A pergunta que mais me fazem aqui no blog é se vai demorar para o gato recém-adotado se acostumar com a nova família, a casa diferente ou o amigo peludo ― os comentários do post sobre adaptação não me deixam mentir. E muita gente se frustra quando eu respondo que pode levar três dias, uma semana, dois meses, dependendo do animal.
Eles não imaginam que a Pipoca só se deixou tocar aos 5 anos, quando chegou muito perto de morrer. E que eu esperei sete anos para ter a Chocolate enrodilhada assim no colo.
Uma dobradinha de Pipoca e Chocolate fora dos quiosques gourmet, então, era impensável.
E o que dizer das Gudinhas, que cresceram aqui e ainda se assustam quando nós caminhamos em sua direção? Jujuba, a mais arisca, está aprendendo agora a ganhar carinho-playcenter ― aquele em que a criatura passa correndo, com um misto de medo e prazer, e volta para o fim da fila.
O fato é que cada coração tem seu ponto de ebulição. Basta respeitar.
Eles não imaginam que a Pipoca só se deixou tocar aos 5 anos, quando chegou muito perto de morrer. E que eu esperei sete anos para ter a Chocolate enrodilhada assim no colo.

Uma dobradinha de Pipoca e Chocolate fora dos quiosques gourmet, então, era impensável.

E o que dizer das Gudinhas, que cresceram aqui e ainda se assustam quando nós caminhamos em sua direção? Jujuba, a mais arisca, está aprendendo agora a ganhar carinho-playcenter ― aquele em que a criatura passa correndo, com um misto de medo e prazer, e volta para o fim da fila.

O fato é que cada coração tem seu ponto de ebulição. Basta respeitar.
5.11.14
Verdades universais
1) Não importa quanto você gaste com caminhas e brinquedinhos de pet shop, os bigodes vão preferir o lixo reciclável ― com destaque especial às caixas de papelão e bolinhas de papel.
2) Em todas as espécies, sempre tem um parente folgado, que fica com a melhor parte do beliche e ainda espalha a perna para o seu lado.
3) Gatos saem bem na foto até fazendo cara feia.
Obs.: Nestes links (1 e 2), há um monte de dicas bacanas para entreter bichanos, cachorros e filhotes, sem colocar a mão no bolso. ;)
2) Em todas as espécies, sempre tem um parente folgado, que fica com a melhor parte do beliche e ainda espalha a perna para o seu lado.
3) Gatos saem bem na foto até fazendo cara feia.

Obs.: Nestes links (1 e 2), há um monte de dicas bacanas para entreter bichanos, cachorros e filhotes, sem colocar a mão no bolso. ;)
4.11.14
Superação
Chocolate fez coaching. Descobriu emoções que bloqueavam seu crescimento gatal, mapeou resistências e crenças limitantes, mudou padrões repetidos inconscientemente por gerações e gerações felinas, aprendeu a iluminar seus cantos escuros. É a única peluda de Gatoca que chega perto do aspirador de pó. E rola sobre seus medos.

3.11.14
Vômitos ornamentais
O fim do papel higiênico define a data da próxima compra de supermercado aqui em casa ― pode acabar o arroz, o sabonete, os produtos de limpeza, mas nunca o papel higiênico. E justamente quando os rolos estão contados, os bigodes decidem organizar um torneio de vômitos. O campeão dessa vez foi o que começou na janela, escorreu pela parede, caiu na mesa de jantar e terminou no chão. Nenhum peludo apareceu para retirar a medalha.
Update: com o calor, as bolas de pelos se multiplicam e costumam provocar mais vômitos. Vejam como minimizar os estragos.

Simba, modelo e ator de Gatoca, porque vocês não iam querer os vômitos, né?
Update: com o calor, as bolas de pelos se multiplicam e costumam provocar mais vômitos. Vejam como minimizar os estragos.
31.10.14
Halloween da sorte
Nós não nos comunicamos mais como na Idade Média. Não nos deslocamos mais como na Idade Média. Não cozinhamos mais como na Idade Média. Por que, raios, continuamos acreditando que gato preto dá azar? Todo Dia das Bruxas, uma grande marca ou veículo de comunicação ajuda a perpetuar esse mito de quando os cultos pagãos que envolviam os bichanos se tornaram heresia. E dezenas de animais são torturados.
Pois o Gatoca resolveu aproveitar a data para convencer vocês de que azar mesmo é não ter uma pretolina carinhosa dessas para apertar no Halloween. Com história de cinema, Penélope espera um lar desde janeiro.
E três de seus bebês, que nem nasceram negros, também acabaram "sobrando". Batatinha foi doado e devolvido porque sentiu falta das irmãs e ficou dois dias sem inteiros comer.
Lilica viajou até a zona leste para passar o resto do sábado na lavanderia da minha sogra, pois a adotante mentiu que as janelas tinham telas.
E Pedrita sequer despertou interesse, apesar de todo o dengo.
Se estiver superlotado aí, ajudem a divulgá-los, por favor. Mamãe e filhotes são uns amores e não merecem passar o Natal em um quartinho apertado. Sem contar que a sessão de fotos da campanha deu o maior trabalho. Para vocês terem uma ideia da complexidade da coisa (rs):
Bora sensibilizar um amigo? ;)
Pois o Gatoca resolveu aproveitar a data para convencer vocês de que azar mesmo é não ter uma pretolina carinhosa dessas para apertar no Halloween. Com história de cinema, Penélope espera um lar desde janeiro.

E três de seus bebês, que nem nasceram negros, também acabaram "sobrando". Batatinha foi doado e devolvido porque sentiu falta das irmãs e ficou dois dias sem inteiros comer.

Lilica viajou até a zona leste para passar o resto do sábado na lavanderia da minha sogra, pois a adotante mentiu que as janelas tinham telas.

E Pedrita sequer despertou interesse, apesar de todo o dengo.

Se estiver superlotado aí, ajudem a divulgá-los, por favor. Mamãe e filhotes são uns amores e não merecem passar o Natal em um quartinho apertado. Sem contar que a sessão de fotos da campanha deu o maior trabalho. Para vocês terem uma ideia da complexidade da coisa (rs):

Não basta pisar no cachecol, é preciso fazer cara feia

O sombrero só não ficava na cabeça
Bora sensibilizar um amigo? ;)
30.10.14
Teoria que vira prática
Na quinta-feira passada, os idealizadores dos projetos apoiados pelo Wings For Change, em parceria com o Instituto Asas e a Fundação Telefônica, se reuniram para comer, beber e conversar sobre mudar o mundo. Eu senti vontade de ajudar a recuperar o bioma dos rios Pinheiros e Tietê com o Mil Orquídeas Marginais, cair na estrada com a S.A.S. Brasil para tratar as comunidades carentes do sertão e ensinar a molecada a comer direito com o quebra-cabeça do Meu Dia Alimentar. Há muita coisa incrível sendo feita por aí!
Triste foi chegar em casa de madrugada e ver que o Gatoca ainda tem um trabalhão pela frente para ensinar as pessoas a cuidarem melhor de seus animais de estimação e a arregaçar as mangas por um planeta mais bacana para bípedes e quadrúpedes. Esta tigradinha apertável se atirou no meu colo e me fez acionar um monte de gente até descobrir que tinha tutora ― quando os filhos estão presos, quem se preocupa com os riscos que o gato corre solto?
Superlotada, eu busquei ração e água no apertamento, coloquei a pequena na garagem da família e voltei no dia seguinte para bater um papo. Renata adotou outros dois bichanos das ruas do bairro, mas nenhum é castrado, por falta de grana. Nas próximas semanas, vai rolar uma excursão ao veterinário. Ainda que passe longe do ideal, a gente sempre pode fazer algo. Repitam em voz alta antes de dormir. E compartilhem histórias inspiradoras nos comentários. ;)

Triste foi chegar em casa de madrugada e ver que o Gatoca ainda tem um trabalhão pela frente para ensinar as pessoas a cuidarem melhor de seus animais de estimação e a arregaçar as mangas por um planeta mais bacana para bípedes e quadrúpedes. Esta tigradinha apertável se atirou no meu colo e me fez acionar um monte de gente até descobrir que tinha tutora ― quando os filhos estão presos, quem se preocupa com os riscos que o gato corre solto?

Superlotada, eu busquei ração e água no apertamento, coloquei a pequena na garagem da família e voltei no dia seguinte para bater um papo. Renata adotou outros dois bichanos das ruas do bairro, mas nenhum é castrado, por falta de grana. Nas próximas semanas, vai rolar uma excursão ao veterinário. Ainda que passe longe do ideal, a gente sempre pode fazer algo. Repitam em voz alta antes de dormir. E compartilhem histórias inspiradoras nos comentários. ;)
29.10.14
Incêndio e animais
Você ouve os estalidos e pensa que o cachorro da vizinha arrumou uma nova brincadeira. O barulho aumenta, a primeira chama aparece na janela e a musiquinha do atendimento eletrônico dos bombeiros nunca termina. Até o caminhão chegar, você repassa 34 anos de memórias. O incêndio não era na sua casa, mas você se toca que não saberia como salvar os dez gatos, que entraram em pânico só de sentir o cheiro da fumaça.
Tem gente que fala que é preciso uma caixa de transporte para cada animal. E como segurar? Outros sugerem que se coloque todo mundo em um lençol molhado e arraste feito uma trouxa. Eu certamente me sentiria o Chaves, caçando uma parte dos bigodes enquanto a outra foge, em um looping infinito. Na internet, há a instrução de deixar para trás quem não puder ser carregado (bípede e quadrúpede) e avisar um bombeiro para resgatar. Difícil, hein?
Pois essa experiência triste me fez descobrir o serviço de emergência animal. No caso do vizinho, que diziam ter 30 bichanos, os próprios bombeiros acionaram o Fofão Ambulância Veterinária, que já chegou com roupa especial para enfrentar o fogo. Mas eles também atendem chamadas particulares, a qualquer horário, aqui no ABC, em São Paulo, no litoral e até no interior. Vale a pena pesquisar se existe algo parecido perto de vocês e deixar o telefone colado na geladeira.
Tem gente que fala que é preciso uma caixa de transporte para cada animal. E como segurar? Outros sugerem que se coloque todo mundo em um lençol molhado e arraste feito uma trouxa. Eu certamente me sentiria o Chaves, caçando uma parte dos bigodes enquanto a outra foge, em um looping infinito. Na internet, há a instrução de deixar para trás quem não puder ser carregado (bípede e quadrúpede) e avisar um bombeiro para resgatar. Difícil, hein?
Pois essa experiência triste me fez descobrir o serviço de emergência animal. No caso do vizinho, que diziam ter 30 bichanos, os próprios bombeiros acionaram o Fofão Ambulância Veterinária, que já chegou com roupa especial para enfrentar o fogo. Mas eles também atendem chamadas particulares, a qualquer horário, aqui no ABC, em São Paulo, no litoral e até no interior. Vale a pena pesquisar se existe algo parecido perto de vocês e deixar o telefone colado na geladeira.

Procura-se calor!
Não é só água que anda escassa em São Paulo. Este ano, a Campanha do Agasalho do AUG teve o pior desempenho da história. Foram arrecadados cerca de 700 itens, contra 2,3 mil de 2013. Nós ficamos chateadas porque deixamos de ajudar vários protetores independentes e dezenas de animais passaram o inverno encolhidos em abrigos improvisados.
Mesmo que os termômetros marquem temperaturas mais amenas, as madrugadas costumam ser geladas. E quem não dorme do lado de fora não percebe. Na próxima edição, lembrem de separar aquele paninho que seu melhor amigo não usa mais ― ou comprem um baratinho. É triste demais passar frio. Principalmente se você não pode pedir socorro.
Mesmo que os termômetros marquem temperaturas mais amenas, as madrugadas costumam ser geladas. E quem não dorme do lado de fora não percebe. Na próxima edição, lembrem de separar aquele paninho que seu melhor amigo não usa mais ― ou comprem um baratinho. É triste demais passar frio. Principalmente se você não pode pedir socorro.

Doações do ponto de São Bernardo, monitorado por mim
27.10.14
A função das coisas
Para que servem os amigos? Para roubar fotos ridículas do nosso Facebook e publicar no jornal. ♥
Para que serve a grande imprensa? Atualmente, para fazer a gente passar nervoso. Você perde um tempão explicando o projeto, a repórter escreve a matéria redondinha e a editora inventa que haverá vários mutirões na linha fina, se recusando a corrigir o equívoco. No texto da Isis Correia, estava claro que a maior parte do dinheiro arrecadado pelo Catarse seria investida no blog, para que ele continuasse ensinando, divertindo e inspirando mudanças. Vejam só:
Ativista faz campanha pela internet e consegue angariar fundos para esterilizar cães e gatos da comunidade do DER
Uma ativista de São Bernardo mobilizou internautas para arrecadar fundos e conseguir castrar 50 cães e gatos na comunidade do DER. A ideia de levantar ajuda pela rede é da jornalista Beatriz Levischi, 34, que mora próximo à comunidade e mantém há sete anos o Gatoca (www.gatoca.com.br), projeto independente de texto e imagem que ensina, diverte e inspira mudanças em prol dos direitos e bem-estar dos animais.
Além dos textos, que contam principalmente as peripécias dos dez peludos de Beatriz, o Gatoca já socorreu voluntariamente 87 bichos, entre cães, gatos e aves, e encaminhou a maioria para novos lares. A ideia agora é esterilizar os animais de uma das áreas mais carentes da cidade e evitar, nos próximos cinco anos, o nascimento de cerca de 13 mil filhotes (considerando a média de duas crias por ano), que provavelmente passariam fome e frio nas vielas da antiga favela.
"A cirurgia não serve apenas para impedir crias indesejadas, aliás. Ela deixa o bicho mais caseiro e carinhoso, acaba com a marcação de território e reduz absurdamente a chance de desenvolver câncer de mama, útero e próstata", explica Beatriz.
As castrações serão feitas em fevereiro de 2015, por veterinários especializados em mutirões. Voluntários baterão de porta em porta na comunidade para explicar os benefícios e cadastrar os animais. Idosos e portadores de doenças pré-existentes receberão cuidados especiais. Haverá até aparelho de ressuscitação para emergência. Bigodes e focinhos voltarão para a casa com a dose do dia de antibiótico e anti-inflamatório e seus tutores receberão os contatos da equipe para tirar dúvidas.
A campanha foi lançada em agosto e ficou no ar até o inicio deste mês, em um site de financiamento coletivo, com o intuito também de angariar fundos para reforçar o trabalho educativo do blog. “Não há mudança no mundo sem investimento em educação e eu cansei de só enxugar gelo”, diz Beatriz. Os 240 apoiadores do projeto concordam com ela: as doações ultrapassaram os R$ 19,5 mil necessários à empreitada.
E aí, mando a comunidade do DER cobrar do Metro os mutirões extras?

Para que serve a grande imprensa? Atualmente, para fazer a gente passar nervoso. Você perde um tempão explicando o projeto, a repórter escreve a matéria redondinha e a editora inventa que haverá vários mutirões na linha fina, se recusando a corrigir o equívoco. No texto da Isis Correia, estava claro que a maior parte do dinheiro arrecadado pelo Catarse seria investida no blog, para que ele continuasse ensinando, divertindo e inspirando mudanças. Vejam só:
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‘Vaquinha' banca mutirão de castração de animais carentes em São BernardoAtivista faz campanha pela internet e consegue angariar fundos para esterilizar cães e gatos da comunidade do DER
Uma ativista de São Bernardo mobilizou internautas para arrecadar fundos e conseguir castrar 50 cães e gatos na comunidade do DER. A ideia de levantar ajuda pela rede é da jornalista Beatriz Levischi, 34, que mora próximo à comunidade e mantém há sete anos o Gatoca (www.gatoca.com.br), projeto independente de texto e imagem que ensina, diverte e inspira mudanças em prol dos direitos e bem-estar dos animais.
Além dos textos, que contam principalmente as peripécias dos dez peludos de Beatriz, o Gatoca já socorreu voluntariamente 87 bichos, entre cães, gatos e aves, e encaminhou a maioria para novos lares. A ideia agora é esterilizar os animais de uma das áreas mais carentes da cidade e evitar, nos próximos cinco anos, o nascimento de cerca de 13 mil filhotes (considerando a média de duas crias por ano), que provavelmente passariam fome e frio nas vielas da antiga favela.
"A cirurgia não serve apenas para impedir crias indesejadas, aliás. Ela deixa o bicho mais caseiro e carinhoso, acaba com a marcação de território e reduz absurdamente a chance de desenvolver câncer de mama, útero e próstata", explica Beatriz.
As castrações serão feitas em fevereiro de 2015, por veterinários especializados em mutirões. Voluntários baterão de porta em porta na comunidade para explicar os benefícios e cadastrar os animais. Idosos e portadores de doenças pré-existentes receberão cuidados especiais. Haverá até aparelho de ressuscitação para emergência. Bigodes e focinhos voltarão para a casa com a dose do dia de antibiótico e anti-inflamatório e seus tutores receberão os contatos da equipe para tirar dúvidas.
A campanha foi lançada em agosto e ficou no ar até o inicio deste mês, em um site de financiamento coletivo, com o intuito também de angariar fundos para reforçar o trabalho educativo do blog. “Não há mudança no mundo sem investimento em educação e eu cansei de só enxugar gelo”, diz Beatriz. Os 240 apoiadores do projeto concordam com ela: as doações ultrapassaram os R$ 19,5 mil necessários à empreitada.
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E aí, mando a comunidade do DER cobrar do Metro os mutirões extras?


