Ninguém sabe como Catrina foi
parar no gramado do predinho do Leo. Mas, se essa história não começa com abandono, certamente tem como protagonistas tutores irresponsáveis, que permitiram o passeio sem volta pelo bairro. E, em menos de dois meses, La Muerte rodou por três lares temporários ― a primeira oferta não conta, porque a pessoa conseguiu nos enrolar por semanas e, acreditem,
mudar de ideia.
Do
apartamento da dona Sônia, a vesgolina precisou sair em cinco dias, porque ela voltaria de viagem com os cachorros. No do Jubão, ficou
um mês de janelas fechadas, já que o proprietário não permite telar. No da Marina, a
coisa ia bem até Micolina resolver atacá-la do nada e a convivência se transformar em um festival de fuzzz (que segue até hoje).
Aí, vieram as doações fracassadas. Primeiro para a zona norte: família fofa e casa grande, mas com
muro baixo, que não impediria o acesso à rua ― e toca voltar com a gata torrando no sol para a Vila Mariana, engolindo a frustração. Depois, para a zona leste: casa grande também e dois irmãozinhos felinos, mas o exame de sangue deu "fraco positivo" para
FeLV e a vesgolina perdeu de novo, além da viagem, a chance de ganhar um lar.
Sim, leucemia felina merece um parágrafo à parte. Nós fizemos a coleta no laboratório mais próximo (que não era tão próximo assim) e esperamos duas horas pelo resultado no quartinho da futura-ex-adotante, La Muerte dentro da caixa de transporte, eu sentada no chão. E, enquanto Dr. Lauro explicava que havia demorado para enxergar o tracinho que transformaria nossas vidas e sugeria um repeteco do teste em 30 dias, meu coração pausou.
Causada por um vírus, a FeLV enfraquece o sistema imunológico, mas pode ser assintomática e até curável, dependendo da resistência orgânica do animal. Catrina está ótima, só que o estresse de morar com o inimigo não favorece o quadro. E, se saudável coleciona tantas desfelicidades, imaginem doente! Quem topa me ajudar a reescrever este exame?
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