Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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31.7.26

Gatos históricos de Paris ─ e a viagem à França (#1)

Atualizado às 19h57

Quando elas decidiram comemorar nossos 30 anos de amizade em Paris, eu estava cuidando da Keka, senão teria respondido com a complacência destinada às crianças que ostentam rabiscos como Picasso. Os planos seguiram, Keka partiu, emendei os cuidados com a Jujuba e nos intervalos tentava acompanhar os vídeos temáticos que se acumulavam no grupo.

Não é que me faltasse só corpo (e emocional), eu também não saberia de onde tirar a grana para uma viagem internacional ─ nem bate e volta para a praia rolava há sete anos. Mas não adiantava argumentar. Aceitariam minha ausência apenas em caso de morte ─ da gata, o que acabou acontecendo, na semana anterior. E tudo saiu ainda mais caro pela possibilidade de cancelamento.


Eli pagou o hotel com cama extra, Fê trocou milhas pela passagem de avião, MFê comprou o ingresso mais alto para a torre Eiffel, aquele que incluía champanhe, Bá escolheu um restaurante vegano do Guia Michelin e a camiseta girls trip ficou por conta da Tati. Minha participação se resumiu a desenhar a baby look de zoeira, com a ajuda do Leo, e ligar o computador por quatro madrugadas até conseguir ingressos gratuitos dos museus mais disputados ─ acordada eu já estava.


De peruca e sorriso congelado na torre


Fazendo valer a camiseta na Cloud Cakes

No pacote, ainda entrou a Disney, com hospedagem do Toy Story e a icônica queima de fogos no castelo, um sonho que minha mãe não viveu para realizar e de que Eli me outorgou representante (motivo da cara inchada na foto). Nem fui a melhor das companhias ─ precisava desesperadamente dormir, sofria com o frio embrulhada em múltiplas camadas de roupa, não podia comer em qualquer lugar, sempre sobrava para trás fotografando.


Esnobando seu Valdisney


Sendo esnobada de volta


Sentindo saudade

Espero retribuir o carinho com esta série ─ tinha tanta coisa incrível para ver que muitas vezes o contexto passava batido. E estendo também a vocês, que me conheceram uma década depois, já gostando de gatos ─ aos apoiadores, trouxe presentes. E Intrú ganhou um Remy, o ratinho de Ratatouille, para assassinar sendo fofo.

Bouquinistes

Às margens do Sena, eles compõem a maior livraria a céu aberto do mundo, uma tradição que vem do século 16, hoje considerada patrimônio cultural imaterial da França ─ os bouquinistes aparecem até no clipe novo da Céline Dion. Cerca de 900 caixas verdes fixadas ao parapeito do rio se desdobram em barracas para comercializar 300 mil livros usados, de edições antigas a raridades, cartazes, cartões postais, gravuras, selos e colecionáveis.


Para ampliar, cliquem nas imagens


Jardim de Luxemburgo

Abriga o palácio que atualmente serve como sede do Senado, a Fonte Médici, plantas escupidas como estátuas e estátuas que parecem reais. Talvez não seja o caso deste gatão, encomendado para representar poder e proteção, mas seu criador tem uma história legal: Jean-Baptiste Henraux recuperou a pedreira de mármore do Monte Altíssimo, na Itália, de onde Michelangelo retirou os blocos para a Basílica de San Lorenzo ─ e em que descobriram recentemente uma sala secreta com estudos atribuídos a ele.



Shakespeare and Company

Inaugurada por George Whitman em 1951, a livraria foi considerada por Sylvia Beach uma "sucessora espiritual" da sua, ponto de encontro para escritores expatriados como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e T. S. Eliot ─ Beach publicou Ulysses, de James Joyce, quando ninguém mais ousava fazê-lo! Mesmo a Shakespeare and Company atual teve entre seus visitantes Anaïs Nin e Julio Cortázar.


Eles provavelmente dividiram o espaço com algum mascote, porque quatro cachorros e oito gatos vêm se revezando na função ao longo de sete décadas, incluindo Aggie, encontrada na seção de mistério, batizada em homenagem à Agatha Christie e falecida no Halloween de 2022 ─ quem nos recebe agora é a canina Djuna (Barnes), mas até porquinho já passou pela librairie independente mais famosa do mundo.


Como não pode fotografar do lado de dentro, aceitem estas imagens clandestinamente tortas da sala de leitura. rs



Catedral de Notre-Dame

Se tem coisa que católico sabe fazer é igreja maravilhosa. A arquitetura gótica da Notre-Dame, cuja construção durou 182 anos (entre 1163 e 1345), guarda o único monumento funerário medieval sobrevivente em seu local original. E Simon Matifas de Bucy, bispo de Paris entre 1290 e 1304, descansa eternamente acompanhado por ele: o leão, símbolo de coragem e proteção, lembram?




Igreja de Santo Eustáquio

Em Paris, há uma igreja inteirinha dedicada a São Francisco de Assis, a Église Saint-François-d'Assise, localizada no 19º distrito, mas só fiquei sabendo depois. O Chicão que trago para representar o padroeiro dos bichos é da Église Saint-Eustache, uma das mais visitadas da cidade por sua arquitetura gótica tardia e por ter o maior órgão da França.


Projetada pelo arquiteto italiano Domenico da Cortona e construída entre 1532 e 1632, ela batizou Madame de Pompadour, casou Molière e velou a mãe de Mozart!


Faubourg Daimant

Acho que nunca comi nada tão chique. E sensacional! O Faubourg Daimant junta alta gastronomia e culinária à base de plantas, "inspirando-se nas tradições burguesas da França". Neta de um restaurador vietnamita, a chefe Alice Tuyet é vegana há oito anos e se diz obcecada pelo bem-estar animal. Olha a felicidade da vegana aqui!



Nós pedimos o "menu experiência", que oferecia uma amostra generosa de cada prato. Escolhi destacar o caviar de algas bretãs, porque caviar sempre tem ovas de peixe, né? Mas também fiquei impressionada com o carpaccio de rabanete, o repolho recheado, as cenouras glaceadas e a berinjela à milanesa ─ esqueçam a ideia de vegetal com gosto de vegetal. Quando não cabia mais meio croquete, chegou a sobremesa: bolo, pavlova e ganache.


LaCrèma

A sorveteria artesanal que forma fila na porta também é vegana e de uma brasileira. Fundada pela mineira Roberta Faria, LaCrèma trabalha com máquinas que movidas à água, colheres de biscoito comestível, frutas que os supermercados recusam pela aparência, açúcar de beterraba não refinado. E chantilly grátis!


A casquinha da foto combina chocolate de Madagascar com cookies & cream, mas também experimentei os sabores de gianduia e pistache, memória afetiva. Zero diferença dos sorvetes preparados com leite de vaca!


Disney Paris

Quem não se encanta com a Disney carrega uma pedra no peito ─ eu me derretia até com a Montanha Encantada do Playcenter! Este Gato de Cheshire, também conhecido como Gato Que Ri, decora a Fantasyland, parte do parque destinada a crianças de até 7 anos. Fiquei com vontade de espiar o labirinto de Alice no País das Maravilhas? Fiquei. Mas tomei vergonha na cara e fui passar medo na montanha-russa do Indiana Jones.


Na história de Lewis Carroll, escrita em 1865 e reinterpretada até hoje, o Gato de Cheshire consegue sumir e reaparecer quando quer, além de dar conselhos enigmáticos ─ é dele a manjada frase: "Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve". O meu, sem querer, levou a um conto de fadas.



Em breve...

:: Gatos históricos de Paris ─ e a viagem à França (#1)
:: Os gatos dos museus D'Orsay e L'Orangerie (#2)
:: O gato (desaparecido) de Monet e o jardim de Giverny (#3)
:: Os gatos famosos do museu do Louvre (#4)

8 comentários:

Aline Silpe disse...

Ahhhhh, feliz demais por vc, Bia!

Anônimo disse...

Encerramento de um ciclo com chave de ouro trés chic! Quem tem amigos tem tudo! Que venham mais experiências maravilhosas para você compartilhar conosco Coração de Pudim! 🥰♥️🙏🌻

Renata disse...

Que delícia de relato! Obrigada por compartilhar com a gente essa experiência! Estou curiosa pelos próximos capítulos!

Anônimo disse...

Sempre teremos Paris! 🥰🥂🍾♥️🇫🇷🗼 Aguardando Gatoca na próxima aventura em algum lugar do planeta! 😻😽😺

Anônimo disse...

Que delícia de viagem!!!

Anônimo disse...

👏🏼👏🏼👏🏼

Anônimo disse...

👏🏼👏🏼👏🏼

Anônimo disse...

Amigas maravilindas da Bia! Adorei as camisetas customizadas! 😄😀♥️