Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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3.4.26

Esgotamento

Nesta madrugada, Jujuba me acordou às 2h40 e às 6h. Acho que se sente sozinha, última sobrevivente de uma gangue de dez, e o cérebro de quase 19 anos também parece perder o rumo. Diminuindo cada vez mais a altura da passada, vou até a cozinha, esquento o sachê batido no mixer e dou de colherinha — três, quatro, cinco, dependendo da animação.

A essa etapa, ela já se esfregou em todo o perímetro do lavabo, enquanto me espera fazer xixi. Intrú se põe a miar, porque qualquer ser vivente que ganhe comida ou carinho no recinto precisa dividir com ele. Abro uma latinha de molho da Pet Delícia, polvilho a ração seca como croutons para evitar uma doença renal se empilhando à FeLV, lavo potinho na água invariavelmente gelada.

Sempre demoro para pegar no sono de novo. Nem sempre com sucesso. Um ano e cinco meses dessa rotina quebrada, quebrada junto — Clara começou a morrer em 2020 e os cuidados paliativos só foram passando de um gato a outro.


Ainda ontem, esperei por uma hora na UBS, enquanto os olhos ardiam e vazavam contra a vontade. Perdera a consulta com a médica, confirmada na noite anterior, porque simplesmente não lembrei de ir — para o exame de sangue já havia errado o dia. Os resultados indicam estresse e anemia. Não há feijão no mundo que vença a privação de sono — escrevi "provação", ato falho que o terapeuta faria questão de apontar, se não tivesse desistido de ser terapeuta.

Insisto na ioga, no brócolis, nas caminhadas de 40 minutos, mas queria mesmo era dormir — e estar menos magra na foto do aniversário. E parar de derrubar as coisas no chão. Este post é um desabafo e, ao mesmo tempo, um agradecimento: sem o apoio (financeiro e emocional) de vocês ficaria impossível continuar.

9 comentários:

Anônimo disse...

Abraços 🩷🙏🏽q venham paz e ❤️‍🩹

Aline Silpe disse...

Querida Bia, queria estar aí pra te abraçar pessoalmente. Enquanto isso não acontece, receba meu carinho do planalto central.

Neide Rodrigues disse...

Ah, Bia!!! Sabemos que não é fácil, mas estamos aqui para ouvir seu desabafo e retribuir com carinho. Receba meu abraço virtual.

Anônimo disse...

Sinta-se abraçada Bia! Em todos esses anos do Gatoca você vem resistindo bravamente e a cobrança da fatura em forma de esgotamento físico e mental veio 😥😟... Força e fé aí! Mandando orações e vibrações positivas! 🙏👏🫂🤗👐

Anônimo disse...

Amiga, consigo imaginar um pouco o que vem passando. Sei que ouvir coisas como “só os fortes aguentariam isso” soa mais como um castigo do que um elogio, mas o que posso te dizer é que tem coisas na vida que a única coisa que podemos fazer é seguir em frente, dia após dia, dando o nosso melhor, dentro do que podemos. Quem te conhece, quem sabe o que você fez e faz tem a certeza que seu maior defeito é esse coração enorme, aí dentro de você. Ainda bem. Que sorte a nossa ter você. Que sorte dos bichinhos. E do mundo. A calmaria vai chegar.

Renata disse...

Ah, Bia querida! Quanto amor e cuidado com esses gatinhos e com os membros do Gatoca tambêm! Mas é preciso cuidar de você também!

Anônimo disse...

Um abraço, Bia! Nós estamos do teu lado. ❤️

wcris disse...

Bia querida, se eu pudesse passaria um mês aí fazendo as coisas para você descansar, se alimentar direitinho e dormir bastante. Mas conseguir quem fique aqui cuidando das facções felinas e uma dog que se acha cat...
Receba aquele abraço -colo que acolhe, acalenta e repõe energias 🤗

Erika disse...

Comecei a ler seu blog quando adotei a minha primeira gatinha, a Zelda. Zeldinha bebê era o terror, super arisca. Adotei mais dois para fazer companhia pra ela, pra ver se adoçava a tigrinha. Ajudou um pouquinho. Alguns anos depois vieram mais vários outros, e virei oficialmente a louca dos gatos.
Mas dai também veio a doença renal. Em 2022 levou a Mia, a segunda gatinha do trio original (chamo eles de "Os Três Originais", hahah). No mesmo ano, o terceiro, meu amorzinho Wiki, foi diagnosticado também. Desde então não durmo uma noite inteira. Tentava sempre manter a barriguinha dele cheia para evitar os vômitos. Ele se foi ano passado, com 17 anos. E do grupo dos velhinhos, sobrou a Zelda. Ela me acorda de três a quatro vezes por noite para pedir comida e água. Às vezes, ela só quer colo. Daí eu lembro de um de seus posts, que você diz que "os encardidos vivem mais para compensar os cafunés que deixaram de ganhar antes". É, depois de 18 anos, ela aceita ficar no colo e ainda ronrona! <3
Leio seu post sorrindo, mas ao mesmo tempo com lágrimas nos olhos. Entendo bem o seu cansaço. Um abraço, Bia! Obrigada por sempre segurar minha mão, virtualmente. Espero poder retribuir o carinho!