A essa etapa, ela já se esfregou em todo o perímetro do lavabo, enquanto me espera fazer xixi. Intrú se põe a miar, porque qualquer ser vivente que ganhe comida ou carinho no recinto precisa dividir com ele. Abro uma latinha de molho da Pet Delícia, polvilho a ração seca como croutons para evitar uma doença renal se empilhando à FeLV, lavo potinho na água invariavelmente gelada.
Sempre demoro para pegar no sono de novo. Nem sempre com sucesso. Um ano e cinco meses dessa rotina quebrada, quebrada junto — Clara começou a morrer em 2020 e os cuidados paliativos só foram passando de um gato a outro.

Ainda ontem, esperei por uma hora na UBS, enquanto os olhos ardiam e vazavam contra a vontade. Perdera a consulta com a médica, confirmada na noite anterior, porque simplesmente não lembrei de ir — para o exame de sangue já havia errado o dia. Os resultados indicam estresse e anemia. Não há feijão no mundo que vença a privação de sono — escrevi "provação", ato falho que o terapeuta faria questão de apontar, se não tivesse desistido de ser terapeuta.
Insisto na ioga, no brócolis, nas caminhadas de 40 minutos, mas queria mesmo era dormir — e estar menos magra na foto do aniversário. E parar de derrubar as coisas no chão. Este post é um desabafo e, ao mesmo tempo, um agradecimento: sem o apoio (financeiro e emocional) de vocês ficaria impossível continuar.
6 comentários:
Abraços 🩷🙏🏽q venham paz e ❤️🩹
Querida Bia, queria estar aí pra te abraçar pessoalmente. Enquanto isso não acontece, receba meu carinho do planalto central.
Ah, Bia!!! Sabemos que não é fácil, mas estamos aqui para ouvir seu desabafo e retribuir com carinho. Receba meu abraço virtual.
Sinta-se abraçada Bia! Em todos esses anos do Gatoca você vem resistindo bravamente e a cobrança da fatura em forma de esgotamento físico e mental veio 😥😟... Força e fé aí! Mandando orações e vibrações positivas! 🙏👏🫂🤗👐
Amiga, consigo imaginar um pouco o que vem passando. Sei que ouvir coisas como “só os fortes aguentariam isso” soa mais como um castigo do que um elogio, mas o que posso te dizer é que tem coisas na vida que a única coisa que podemos fazer é seguir em frente, dia após dia, dando o nosso melhor, dentro do que podemos. Quem te conhece, quem sabe o que você fez e faz tem a certeza que seu maior defeito é esse coração enorme, aí dentro de você. Ainda bem. Que sorte a nossa ter você. Que sorte dos bichinhos. E do mundo. A calmaria vai chegar.
Ah, Bia querida! Quanto amor e cuidado com esses gatinhos e com os membros do Gatoca tambêm! Mas é preciso cuidar de você também!
Postar um comentário