Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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9.9.26

Macanudo: encontro do Cluboca do Livro

A ideia era escolher um dos 11 volumes de Macanudo publicados no Brasil, mas quem resiste a um quadrinho que junta coelho escritor, frajola com nome de cineasta italiano, pinguins ativistas, criança com questões existenciais, amigo imaginário sem gênero definido, duendes usando chapéus de pompom e uma figura misteriosa com nariz de cenoura?


Acabei comprando o primeiro e o especial de dez anos, para juntar com o quarto e o quinto, lembranças da exposição do Centro Cultural Correios, em julho de 2015, quando assisti ao Liniers compartilhar sua euforia numa folha em branco gigante ─ e comi algodão doce com a Amanda, que vocês acompanham por aqui há duas décadas.


Para ampliar, cliquem nas imagens



Ricardo Liniers Siri nasceu na Argentina, tem parentesco com um vice-rei fuzilado e, para a nossa sorte, não seguiu a carreira de publicitário. Aos 29 anos, encarou a crise política e econômica de seu país, a tensão mundial pós-ataque terrorista às Torres Gêmeas dos Estados Unidos e decidiu que os leitores de jornal mereciam "uma pequena carícia".

Por indicação da quadrinista Maitena, suas tirinhas "bacanudas" (em um misto de tradução livre e licença poética) começaram a sair no La Nacion, chegando ao Brasil em 2009 pela Folha de S.Paulo. De lá, tirei esta confissão: "Meus quadrinhos têm uma alma meio tangueira, uma coisa argentina de alimentar frustrações. Queremos ser pentacampeões, e isso nunca acontece. Queremos ter políticos honestos, e eles não aparecem".

Identificação explica o sucesso bananeiro da HQ, marcada pelo non sense e mais necessária do que nunca. Michel Gherman, professor de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, diz que o fascismo odeia o abstrato porque vem acompanhado por alteridade e pensamento crítico ─ compreender o outro exige a capacidade de imaginar uma realidade diferente da nossa. "Um mundo somente literal é um mundo militarizado".


No encontro, cada participante mostrou suas tirinhas favoritas e compartilho as minhas aqui, para vocês também se divertiram com os personagens líricos, melancólicos, reflexivos e amalucados do Liniers ─ que se desenha como um coelho, estratégia para ajudar a rir de si mesmo. Ele desconhecia o alter ego leporídeo de Matt Groening, mas recebeu a benção oficial do criador dos Simpsons quando sua cunhada passou a namorá-lo.


(Referência à comédia de ficção científica O Dorminhoco, sobre um dono de loja de produtos naturais e aspirante a músico de jazz que acorda do congelamento sem consentimento em um futuro distópico, onde os dissidentes têm seus cérebros eletronicamente simplificados.)

Fellini homenageia o diretor italiano Federico Fellini e divide suas aventuras com Enriqueta, uma garota introvertida, meio filósofa e apaixonada por livros.





Olga, um monstro azul e peludo, aparece apenas para Martinzinho e, contrariando a expectativa do autor, virou um dos personagens mais queridos do público ─ Liniers pretendia desenhar um boneco que protegesse o garoto, como o Han Solo de sua infância, só que não conseguiria pagar os direitos autorais ao George Lucas.


O Misterioso Homem de Negro brinca com os clichês visuais do mistério, em contraste com situações banais. "Fiz num dia em que estava me sentindo esquisito, pus nele capa e chapéu para ficar elegante, mas não achava que iam gostar, porque suas histórias não se fecham."



Os pinguins (e outros animais) traduzem sentimentos puros e o estranhamento do cotidiano, com uma boa dose de crítica social.


Já os duendes exploram o absurdo e o encantamento, isentos de qualquer racionalidade.


Tem, ainda, as tirinhas com famosos, como Picasso.


De formatos experimentais.



E que funcionam como chacoalhões amorosos.







Discussões anteriores

:: Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida
:: O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov
:: Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman
:: Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie
:: Felinos e Macabros, coletânea de contos de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker
:: Diário dos Gatos Yon & Mu, do japonês Junji Ito
:: A Mão Esquerda da Escuridão, da estadunidense Ursula K. Le Guin

7 comentários:

Anônimo disse...

Foi uma tarde maravilhosa! 😻👧📕🍷😊🐧

Lorena disse...

Excelente escolha : ) Aguardando o próximo livro...

Renata disse...

Puxa vida, fiquei encantada com essa curadoria!

Renata disse...

Só o Intrusinho está mais encantado com a HQ do que eu!

Anônimo disse...

Difícil dizer qual meu núcleo favorito!
Regina Haagen

Anônimo disse...

Ainda não adquiri livros da coleção Macanudos, mas lembro de uma tira publicada em algum lugar da internet que os personagens falavam do cheiro de livro novo...era tão realista que sinto cheiro de livro novo só de lembrar dessa tirinha...rs! 😊♥️

Amanda disse...

Nú! Faz tempo!!