Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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20.2.26

O mito da tranquilidade do interior

Eu definitivamente não funciono com barulho. Meu cérebro se recusa a transformar em ruído de fundo e, se tiver um sem-noção falando ao celular durante o filme, te conto o diálogo inteiro, contra zero cena do telão ― por isso parei de ir ao cinema, aliás. A mudança para uma cidade rural (sem cinema) prometia resolver esse problema.

Mas o brasileiro não entende muito bem o conceito de vida em sociedade, né? Precisa fazer a festa da chácara reverberar madrugada adentro, deixar gerações de gatos perambulando sem castrar, botar fogo para limpar o terreno e encher as casas vizinhas de fuligem ― a "síndrome do personagem principal" (ou protagonista), alimentada pelas redes sociais, tem sotaque verde e amarelo.

Até abril do ano passado, os saruês, as frutas colhidas do pé, nossa piscina inflável, o gatil dos bigodes emprestado para a ioga e as tardes de leitura na rede compensaram o estresse humano.


Eis que a prefeitura resolveu asfaltar sete quarteirões, com um elenco único de geringonças ― a favorita apelidei de trator do Tim Burton. E a obra nunca mais acabou.

7 comentários:

Renata disse...

Jesus! Que tormento!

Vivian disse...

Nem um minuto de silêncio

Gláucia Almeida disse...

Faz tanto tempo que não passo férias, Carnaval ou outro feriado no campo, que ainda guardo lembranças bucólicas! Pelo quase desuso da palavra dá para imaginar quanto tempo faz 🤭🤭🤭

Anônimo disse...

Amigaaaa, que horror. Muda para São José dos Campos? É o universo te falando isso, hein? ;)

wcris disse...

Gente, que abuso! Eu tb ia pirar, não consigo isolar o barulho. Ele cria uma barreira física em minha criatividade, até nas ações mais "automáticas" tipo escovar dentes, ele interfere.

wcris disse...

O pior é que obra de prefeitura, muuuuitas vezes, se arrasta meses, anos, até toda a facção se locupletar nos rios do dinheiro público.

Lúcia Verônica de Oliveira Trindade disse...

Zoada da peste👀