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28.10.13

Mudança com gatos (e sanidade)

No dia de trazer os bigodes para a casa nova, São Pedro colaborou com sol e céu azul. As Gudinhas fizeram manha, mas acabaram entrando resignadas na caixa de transporte. E eu achei graça da sinfonia de miados ao longo do trajeto, porque havia dormido todas as oito horas a que um ser humano tem direito e sobrou tempo até para a meditação. Chegando ao apertamento, as caras eram de curiosidade. Muita coisa diferente para narigar. E não demorou para que cada membro da gangue encontrasse seu cantinho entre o box e o tanque de lavar roupa ― extremos do imóvel de abundantes 60 metros quadrados.

Esse foi o relato que eu imaginei escrever para vocês durante o interminável quebra-quebra da reforma. E nem uma palavrinha sequer pôde ser reaproveitada (motivo da minha ausência por aqui). O dia 14 de outubro passou voando, da faxina ao supermercado. E, quando eu consegui buscar os bigodes, exausta, já estava escurecendo. Pimenta não ofereceu resistência. Mas Jujuba retalhou meu braço fugindo da caixa de transporte e o pânico se instalou no recinto, rendendo uma hora de caçada e viagens parceladas de carro. Se me contassem o que se sucederia, eu teria pego o retorno.

Os ingratos odiaram o apertamento. Puseram-se a brigar uns com os outros e a destruir e sujar com as patas de barro do antigo jardim tudo que o Leo e eu levamos 12 meses para construir. Só o Mercv não participou da arruaça, porque precisou ser tirado à força da caixa de transporte na manhã seguinte ― para se enfiar embaixo do fogão, de onde não conseguia sair sozinho. Eu fiquei tão nervosa que espalmei as mãos na parede e amarguei a semana sem força para apertar nada. De madrugada, Pipoca gritava. Loucamente. Sem parar. E a habilidade de raciocinar foi me abandonando.


Eu pensei em desistir, me matar, matar os dez gatos. Mas acabei enviando aos amigos um pedido de ajuda com o título: "Estou vivendo no inferno". E comprei tampões de ouvido. O mundo se tornou cor-de-rosa! Descansada, sem a cabeça doendo e o coração trovejando no peito, eu pude dar aos pequenos o tempo que eles precisavam para descobrir as vantagens do apertamento e se acostumar com a nova rotina ― além do espaço menor, a ração não fica mais à vontade por causa da Pipoca, que tem insuficiência renal, e a própria Pipoca, quase um ano e meio de apartheid depois, virou uma intrusa para o grupo.


Minha principal ocupação passou a ser caçar dissidentes e tentar integrá-los na panelinha mais receptiva. Sim, os bigodes se dividiram em guetos: a galera da cama (um em cada ponta!), da almofada 1 e da almofada 2 ― a estante, pintada especialmente para eles, foi sumariamente rejeitada e no colo do Mercvrivs só cabe o Mercvrivs. Pipoquinha continua bufante, principalmente com as irmãs. E eu ainda gasto um tempão borrifando fuços para ver se os infelizes entendem que não podem subir na pia da cozinha. Mas não sinto mais vontade de chorar até parar de respirar (o que não é difícil para uma asmática). E fiz esta listinha para poupar vocês do sufoco que a gente enfrentou:

– Mudem durante o dia ― à noite tudo fica mais difícil, inclusive os humores.
– Levem paninhos e objetos com o cheiro dos peludos.
– Tenham paciência.
– Providenciem caixas de papelão e outros esconderijos.
– Ofereçam guloseimas ou espalhem brinquedinhos pela casa.
– Tenham paciência.
– Deem uma ajuda na adaptação com florais, homeopatia ou feromônio.
– Exercitem o desapego ― das coisas materiais, não dos gatos.
– Tenham paciência.
– Usem tampões de ouvido na hora de dormir.
– Cultivem amigos para dizer que tudo vai ficar bem.

13 comentários:

karina inamine disse...

Quando nos mudamos (são 2 gatas) para um apartamento maior, com varanda face norte (escolhido por causa do sol para as gatas), viemos todos de uma vez (coisas, pessoas e gatas), coloquei as 2 no meu quarto e as coisas delas no meu banheiro.
Elas passaram o dia todo enfiadas na caixa de transporte, só saíram depois que todo mundo foi embora. Levou alguns dias, mas elas acostumaram com o lugar novo!
E sim, tudo vai dar certo!
Boa sorte...para todos!

Silvia Freitas disse...

Humm..mudanças pra felinos é complicado mesmo. Mas depois de uma adaptação, tudo volta ao normal.
Boa sorte!

Anônimo disse...

poxa Bia q chato...e eu q sempre achei q gatoca fosse um paraiso do mundo felino...mas,gatinhos são assim mesmo...eu q moro já fazem 30 anos em apartamento,entendo a revolta deles...ainda mais se antes tivesse um quintal pra explorar,e agora não mais...mas,nao desanime não...eles logo vao se acalmar vc vai ver...so q com o espaço menor,eles vao se estranhar mais,e fato...falo por experiência própria...e o seu marido?o q ele diz disso tudo?porq tem muitos por ai,q ou trocavam de mulher,ou sumiriam com os gatos,depois de todo este estresse felino...mas,de qualquer maneira te desejo boa sorte...vc sabe q vc e minha idola ne?sempre te desejo o melhor...abraço Bia...DA GATEIRA DE CURITIBA><JAMILE

Em busca de corpo e alma disse...

Moro com 8 gatos em apertamento pequeno. Menor que o seu e sinceramente fico a me perguntar se os 50m2 que havia no anuncio do aluguel não é contando o corredor da laje. Na verdade quando me mudei só tinha Tancinha e Branca. Com o tempo apareceu Miature, resgatada na pça da Sé acuada por 2 caes famintos.(hj me pergunto pq não salvei os 2 aus aus,rs. O nome já denuncia o gênio da pequena). Nisso apareceu Cacau que mais tarde foi para um lar melhor. Mas a desbotada Capitu, verão rabicó de sua Clara, surgiu e acabou vindo para casa. Nisso achei que a quantidade de gatos já havia dado e que já estaria bem de proteção felina contra os maus espritos.... O tempo passou e outros gatos cruzaram meu caminho. Alguns foram para lares e me mandam fotos no final do ano. As que foram rejeitadas pelos olhares, ficaram no meu coração. Usei feromônios, comprei aquelas caixinhas de areia que parece um transporte, adequei as telas e vira e mexe eu grito aos céus o PQ meus sutiãs estão destruídos, não tenho mais meias finas e andar com roupas com pelos. Mas, nisso eu olho aos meus pés e me deparo com um deles me olhando e meu coração se enche de paz novamente. Paciência é a chave. Muitas vezes ela some e te deixa com gatos saltando do guarda-roupa em sua cabeça, outros mordendo suas batatas das pernas ao levantar. Outros jogando as coisas de cima da geladeira ou armário, como uma rebelião para sair. Até o momento que vc se depara miando no escritório, enquanto usa fones de ouvido, ou pensando no que poderia levar pros pequenos. Desejo boa sorte!

Lisa Castro disse...

Irei passar por isso essa semana valew demais pelas dica!!! Espero que tudo dê certo pra vcs :D

Adrina disse...

Eu mudei há quase dois anos, e na época tinha onze gatos mais uma hóspede com cinco bbs recém nascidos. Como mudei para um lugar maior foi muito tranquilo, e acho que ajudou muito termos levado os moveis. Primeiro trancamos os gatos nos quartos vazios do apartamento velho, levamos a mudança para a casa nova e só quando todos tinham ido embora buscamos os gatos. Mas acho que os moveis é que fizeram a diferença. Quando deixamos eles no aparamento antigo vazio eles entraram em desespero, e quando chegaram na casa nova e reconheceram os objetos foi muito, muito tranquilo

Gloria disse...

Sei o quanto é complicado mudançaXpet's. Já encarei 4 mudanças(1 interestadual) com essa turma imensa que tenho, hoje 19 gatos e 9 cães. Agora acho que o pior vai ser a questão do espaço, gatos costumam ficar estressados quando perdem "território". Tomara que o feromonio ajude. Bjs e boa sorte na nova casa. Beijão no Simba.

Projeto Caos disse...

Você foi uma das leitoras selecionadas para participar do quadro "Estou vivendo no inferno". Envie "tudo vai passar" para *555 e concorra a 800 decibéis de miados! ^^

Jackie Morena disse...

Bia, eu passei por 2 mudanças em 3 meses. Sai de uma cidade no interior pra sampa com dois gatos. Foram 6 horas de.miados dentro de um onibus de viagem. Fiquei o primeiro periodo na casa dos meus pais, que nunca tiveram bichos. Bento saiu explorando td em 15 min, e nesse tempo aprendeu a abrir as portas dos quartos. Capitu passou 48 horas alternando entre estar embaixo do meu cobertor, encostada em mim ( e eu sentia ela tremer....) ou embaixo do guarda roupa... mas com uns 15 dias as coisas foram normalizando... eles estranharam a reduçao de espaço (meu ape tinha 95 mts, o dos meus.pais, 42 mts...) e a.presença de outras pessoAs (eu morava so...) depois de 3 meses, aluguei um ape pra mim. Essa segunda mudança foi mais tranquila. So alguns bairros de diferença, um ape maior, e os moveis do antigo ape instalados nesse - acredito que isso ajudou muito, por conta dos cheiros conhecidos. Eu pude ver a felicidade deles qdo viram minha cama no quarto... pularam encima e rolavam de alegria.... eu sei que give muita sorte, pq o bento e muito sociavel e se adaptou super rapido, e meus pais ajudaram me fazendo perceber que os gatos eram bem vindos... tanto que depois que sai pro meu ape, eles adotaram um gato pra eles :) agora eu tenho um irmao felino....

Kelly Resende disse...

Beatriz, a mudança de um lugar maior para um menor e que não tem jardim realmente deve ter causado mto stress nos gatinhos, mas que bom que vc não desistiu deles! Com o tempo vão acabar se acostumando e se adaptando. Aqui são 5 gatos no ap e as vezes rola um stress, mas temos a vantagem de não termos morado em casa antes, então tirando um que era de rua, os outros não sabem o que ter um jardim pra chamar de seu, coitadinhos. rsss
Boa sorte aí na adaptação. PS: Sua mudança é defitiva ou é só enquanto reforma a casa?
Abraços.

Elaine Bombicini disse...

Querida!!!! que épico! mas o bom é que depois da tempestade, amaina-se o coração de todos. Tenho certeza que tudo vai ficar muito bem!! Mas o "bom" da experiência é o compartilhamento e eu adorei o "tenham paciência" .... nunca mudei com tantos pets, mas mudei com dois pastores gigantes pra Belém do Pará, construímos duas jaulas para os caras porque caixa plástica só cabia meio corpo... o macho Hannover na época pesava 72 kg e não haviam caixas possíveis, por isso foi permitido no voo duas jaulas!!!! mas ao chegarem exploraram dias o novo espaço, e tudo ficou bem... Mas essas histórias com muitos bigodes me impressionaram muito! Boa sorte e vida longa ao bonitos! beijosssssss

Anônimo disse...

e o Mike, onde foi parar?

Beatriz Levischi disse...

Nós sobrevivemos, gente! Obrigada por compartilharem histórias piores. :)

Leo tem três filhas, Jamile. Não pode reclamar dos bigodes. rs

A mudança é definitiva, Kelly ― pelo menos enquanto eu não ganhar na loteria sem jogar.

Mike continua com meu irmão, esperando sua família definitiva. :\