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23.10.13

Menos "umbeagle", mais coração

Desde que o homem aprendeu a criar as ferramentas que o colocaram no topo da cadeia alimentar, os animais são sacaneados. O caso dos beagles do Instituto Royal só despertou comoção porque eles têm carinhas fofas ― qualquer adulto (simpatizante ou não da causa) há de concordar comigo. Acontece que bichos "não fofos" também sentem dor, medo, tristeza. Assinar petição de internet não muda nada na vida de ninguém. Mas cada um de nós pode rever meia dúzia de hábitos e abrir mão de prazeres que estão longe do imprescindível. Por compaixão.

1) Compre produtos de empresas que não testam em animais
Cãezinhos apertáveis como os de São Roque só entram na última etapa dos experimentos de toxidade. Ratos e coelhos sofrem muito mais em nome da ciência. Vários testes são desnecessários e para a maioria há métodos alternativos. Sem contar que a "sutil" diferença entre nossos organismos tira do mercado anualmente 30% dos medicamentos, que não causaram problema nos bichos. Leia a entrevista com Ray Greek, assista à conversa com George Guimarães e consulte no site da PEA as empresas amigas dos animais.

2) Seja vegetariano
Você provavelmente abriria mão do bifinho se tivesse de caçar seu próprio almoço, certo? Pois os animais criados em cativeiro enfrentam uma vida infinitamente mais miserável do que os selvagens. E uma morte ainda pior. Paul McCartney garante que, se os abatedouros possuíssem paredes de vidro, todo mundo se tornaria vegetariano. Inúmeras matérias comprovam isso ― compartilho aqui as da Super e da Trip, mais leves, para não chocar ninguém. Comece experimentando bons restaurantes vegs e participe da Segunda sem Carne. Ou assista aos vídeos do Instituto Nina Rosa.

3) Não use lã, couro, seda, pele, pena
Bois, aves, ovelhas, raposas, chinchilas e bichos-da-seda precisam muito mais deles do que nós. O casaco fofinho da Gisele passou a vida confinado em uma jaula. Sua blusa de lã foi tosquiada com pedaços de pele junto, porque os tosadores recebem por volume, trabalhando com pressa. Para retirar a seda, mergulha-se os casulos em água quente, matando as larvas. Cada bolsa e sapato da vitrine omite um assassinato com requintes de crueldade. Não faltam opções sintéticas (inclusive fashion!). E elas geralmente custam mais barato.

4) Adote seu próximo bicho de estimação
Amigo não se compra. E há milhares de animais na rua precisando de um lar ― o olhar de agradecimento deles vale mais do que qualquer pedigree, acredite. Quem paga por uma vida financia a exploração de matrizes ao esgotamento e tende a descartá-la quando perde a graça, dá trabalho, adoece ou envelhece. Por isso até você, que sonha com aquele peludo de raça, pode encontrá-lo em um abrigo, sem colocar a mão no bolso. Visite a ONG mais perto de sua casa.

5) Castre o pequeno antes do primeiro cio
A cirurgia não serve apenas para impedir crias indesejadas. Cães e gatos esterilizados ficam mais caseiros e carinhosos, param de fazer xixi em tudo para marcar território, têm menos chance de desenvolver câncer de mama, útero e próstata, vivem mais tempo ao nosso lado. Em várias cidades, dá para operar de graça. Informe-se!

12 comentários:

Thays Gomes disse...

Texto maravilhoso! Parabéns!

Amanda Herrera Massucatto disse...

Cara, como escreve bem, vou te contar viu...

Ana Oliveira disse...

Adorei o texto, parabéns!

Daniela disse...

Ótimo texto! Os ítens 2 a 5 eu já pratico há algum tempo. Recentemente comecei a pesquisar sobre o primeiro, principalmente sobre cosméticos e descobri ótimos sites que vendem apenas produtos cruelty free. Ou seja, não é uma mudança tão difícil.

Isis Correia disse...

Há muita resistência ainda dos homens da ciência sobre essa conversa que tem me rendido umas dores de estômago ai. No fim, percebo que o grande incômodo é que mostramos a eles que pode ser diferente e o diferente incomoda demais. Sair da zona de conforto é sempre um incômodo.

Aline disse...

Esse é o tipo de texto pra ler e guardar pra SEMPRE! Eu ainda não sou isso tudo aí. E sofro de verdade por isso, pois sei que é assim que é certo. Mas estou tentando. E acho que o que vale é tentar mudar um pouco a cada dia, tentando sempre ser uma pessoa melhor.

Vânia disse...

Parabéns, Bia, tenho mudado muitos hábitos por conta de fazer parte da luta pelos animais e tenho percebido uma certa dose de hipocrisia no caso dos beagles....mas, ainda acredito q dias melhores estão por vir..obrigada pelo lindo texto!

Fowler T Braga Filho disse...

Muito bom o post mas, em nome da cautela, cabe uma observação.
No caso do item 1, há de se tomar um cuidado a mais ao escolher o fabricante que não testa em animais.
Ele pode dizer que não testa em animais mas, pode pagar a terceiros para fazer isto. Já aconteceu com a Natura e pode acontecer com outros.
A Ecologie Cosméticos sempre garantiu que seus produtos não são testados em animais, entretanto, a Harty Cosméticos vendeu a marca para a Bom Bril ( Bril Cosméticos). A Bom Bril está na lista dos que testam em animais. Uma das primeiras ações quando compraram a marca foi cortar o patrocínio que era mantido com o Projeto Focinhos Gelados e SOS Fauna.

Anônimo disse...

Em geral, amo seus textos mas este só tem uma palavra para classificar: PERFEITO!

Anônimo disse...

ainda não consegui me tornar vegetariana...infelizmente...e quanto aos produtos q não fazem testes em animais,e o tipo de informação q eu mesma não tenho...mas quanto ao restante,seu texto esta muito ótimo,como sempre...abraço Bia.DA GATEIRA DE CURITIBA><JAMILE

Anônimo disse...

É... Diante do que foi dito, só posso parodiar o Obélix:"Nós, gateiras, somos todas loucas",rss

Regina Haagen

Isis Correia disse...

Gostaria de contribuir com mais uma informação: quando eu soube da venda da marca Ecologie para a BomBril eu entrei em contato com eles e enquanto isso fui pesquisando informações "lado B" a respeito dessa linha de cosméticos por ai, no caso, com fontes minhas que trabalham para o setor de Saúde da Vigilância Sanitária do Governo de São Paulo. As respostas que confrontei com as informações de fora da empresa batem: "Não utilizamos matérias-primas proveniente de sacrifícios de animais, solicitando de nossos fornecedores garantia do mesmo através de certificados de procedências obtidos através de auditorias. E Não testamos em animais". Bem, essas informações valem para a Bril Cosméticos, o braço cosmético da BomBril, coisa que não podemos dizer sobre os produtos de limpeza e que não pesquisei. Mas, com a filosofia vegana na veia mesmo só temos a Surya e a Feito Brasil. E são as marcas mais difíceis de ter acesso no mercado. Mas de fato são as únicas preocupadas com as questões reais que nos preocupam também. E devido a falta de leis por aqui essas tiveram o capricho de correrem atrás de certificação internacional vegana, o que não é nada barato ainda. A Bril tem o coelho parecido com o simbolo da organização cruelty-free estilizado na embalagem. Ainda estou investigando se é da organização internacional mesmo ou se foi algo adaptado só como identidade visual mesmo. Mas, pessoalmente, não coloco a mão no fogo por nada nessa planeta Terra. Infelizmente com uma política ainda velada em relação a questões de testes e insumos, ficamos muito expostos. Confiamos, pero no mucho.