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23.4.12

Bichos que curam

Eles enganam a dor, diminuem o estresse, ajudam a combater a depressão, retardam a evolução do Alzheimer. E agora estão nos hospitais!

Na terapia com animais, cães e gatos acabam se tornando amigos do paciente. E esse vínculo afetivo provoca reações químicas capazes de curar doenças que nem os métodos tradicionais conseguiram. Quem teve a ideia de utilizar os peludos em tratamentos terapêuticos por aqui foi a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), entre o fim da década de 1940 e início da década de 1950. Em vez de lobotomia, eletrochoque e outras técnicas agressivas, a médica alagoana investiu nos bichanos para reverter casos de esquizofrenia, ganhando projeção internacional. Confira as vantagens dessa dobradinha "homem e bicho".

:: 11 benefícios da terapia com animais

1) Facilita a comunicação
Cães e gatos conseguem se relacionar melhor com pacientes que têm dificuldade para expressar emoções, ajudando-os a enfrentar questões dolorosas.

2) Estimula o contato físico
Após brincar ou acariciar um peludo, o humor de todo mundo melhora, favorecendo a socialização no hospital. A estratégia colabora, inclusive, para as relações familiares.

3) Proporciona bem-estar
Pesquisas recentes demonstraram que tais práticas aumentam também os níveis de prolactina e de ocitocina, hormônios responsáveis pela sensação de prazer.

4) Acalma
Um gato ronronando no colo muda as ondas cerebrais do estado de alerta para o relaxamento, deixando qualquer um mais tranquilo. Fica mais fácil até pegar no sono!

5) Ameniza a dor
A frequência desse ronronar, entre 25 e 50 hertz, é a mesma utilizada na medicina esportiva para acelerar cicatrizações e recuperar lesões.

6) Ajuda a baixar a pressão arterial
Como cachorros e bichanos não julgam, os pacientes tendem a se sentir menos nervosos na presença deles.

7) Turbina a memória
Relembrar passagens da vida por causa de um bicho estimula a memória recente de quem tem Alzheimer, a mais afetada pela doença.

8) Incentiva a prática de exercícios
Ao jogar bolinhas para um cão, por exemplo, os idosos fazem uma atividade física leve, de forma lúdica e divertida.

9) Ameniza as crises de depressão
Interagir com um animal de estimação aumenta os níveis de serotonina no organismo, neurotransmissor que combate a doença.

10) Reduz o estresse
Fazer carinho em um pet (os cientistas garantem que serve até tartaruga!) diminui a ansiedade. E o paciente nem precisa morrer de amor por bichos.

11) Acelera a recuperação pós-ataque cardíaco
É que a sensação de responsabilidade e companheirismo proporcionada pelos peludos dilata os vasos sanguíneos.

:: Na prática!

Conheça três instituições que acreditam no poder de cura de cães e gatos 

Associação Internacional de Organizações para a Interação Homem-Animal (Iahaio)
www.iahaio.org
Reúne representantes de mais de 40 países, com a missão de divulgar os resultados benéficos da terapia assistida por animais em congressos pelo mundo. Dennis Turner, cientista comportamental e fundador da Iahaio, é um dos maiores defensores da iniciativa.

Instituto para Atividades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas (Ateac)
www.ateac.org.br
Visita autistas, portadores de deficiências múltiplas e crianças internadas em hospitais da região metropolitana de Campinas e São Roque. O contato com cães treinados melhora a saúde e, consequentemente, a qualidade de vida de mais de 1 mil pessoas mensalmente.

Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais (Inataa)
www.inataa.org.br
Leva cachorros para interagir com pacientes de asilos e hospitais desde 2008. A iniciativa ajuda a melhorar a saúde física, emocional e mental de cerca de 400 pessoas por mês, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos. Localizada em São Paulo, a organização não-governamental conta com o trabalho de 65 voluntários e 61 cães terapeutas.


* Texto escrito para a revista AnaMaria, da Editora Abril.

9 comentários:

Li disse...

Bia sabe se tem alguma instituição que aceite bichanos voluntários?
Gêmeos estão com cerca de 6 meses, acabaram os ciclos de vacinas e estão castrados há 1 semana e acredito que tem potencial para tal "serviço". Eles não se importam de andar de carro, não estranham outras pessoas ou outra casa e aproveitando que eles ainda são novinhos acho que podem ser treinados.

Rose disse...

A querida Pandora com certeza ajuda uma idosa. Pandora vive cutucando minha mãe, obrigando-a a fazer carinho e falar com ela. Certa vez, quando minha mãe teve um micro-avc e perdeu totalmente os movimentos, a fala, a consciência, Pandora se posicionou bem embaixo da mão dela e ficou sentada, com a cabeça encostada na mão. Não demorou muito, minha mãe começou a mexer os dedos, querendo fazer carinho na Pandora e logo depois começou a balbuciar o nome da linda. Foi a vez que ela mais rapidamente se recuperou de um desses episódios. Pandora só saiu do lado dela depois que ela estava completamente funcional outra vez. Um anjo bondoso.

Lyra Libero disse...

Nossa, assino embaixo. Todo hospital devia ter uma ala pra não só dar tudo isso de bom para as pessoas doentes que ali passam muito tempo, mas pra dar uma segunda chance (e um papel importantíssimo) pra bichinhos abandonados. Um gatinho ou um cachorrinho que tivesse carinho, comida, brinquedo, e atenção de pessoas que precisam, ia viver feliz, tenho certeza. Nos Estados Unidos já fazem isso (vi algumas reportagens). beijo Bia!

Anônimo disse...

Matéria muito bacana, como sempre, Bia! E tem gente que diz que idosos e crianças devem se manter afastados dos animais para não contraírem doenças. É mole isso? Os benefícios ultrapassam os malefícios, ainda mais porque pessoas normais vacinam, vermifugam e despulgam seus bichos, diminuindo exponencialmente os riscos de algum contágio. Rose, a Pandora é mesmo um anjinho, veio para a Terra ensinar bondade, amor, cuidado, dedicação e lealdade. Lindo vê-la assim com vocês, depois de tudo que a pequena (não tão pequena assim) passou.

Fowler T Braga Fiho disse...

Para a Li que quer saber de "gato voluntário". Procure a dra. Hanellore Fuchs, do Projeto Smile - http://www.bayerpet.com.br/responsabilidade/pet_smile.aspx

Bia texto duca, como sempre !

Andrea disse...

Muito legal seu post!
Sou voluntária da Ong ATEAC, e ficamos felizes quando encontramos notícias como essa sobre Terapia Assistida por Animais. Como vivenciamos a todo momento a importancia da interação homem-animal,gostaríamos que fosse um assunto muito discutido para levantar cada vez mais interesse das pessoas sobre o tema. Obrigada!

Anônimo disse...

Lindo texto. obrigada por escreve-lo e publica-lo.bj

Amanda disse...

ê Pan... =´-]

Beatriz Levischi disse...

Obrigada pela dica, Fowler. Eu pensei que o Brasil só investisse em cachorros, por causa da dificuldade de "adestrar" os bigodes. Todas as experiências com gatos que encontrei na internet eram gringas, acredita?

Pandorinha sempre me enchendo de orgulho! S2

Andrea, eu é que agradeço o trabalho da Ateac. Mantenham contato: bialevischi@yahoo.com.br. :)