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4.4.19

Sacrifício religioso, o ‘Dumbo’ de Tim Burton e empatia

Vocês devem ter visto que o STF decidiu, na semana passada, que sacrificar animais em cultos religiosos é constitucional. E que a Luisa Mell, indignada, virou racista aos olhos de muita gente. Como alguém que não segue religião nenhuma, confesso que custo a entender por que outra vida precisa pagar pelos nossos interesses — sejam eles financeiros, amorosos, de saúde ou, simplesmente, gratidão.

E não me refiro apenas aos rituais de matriz africana. Celebrar a ressureição de Cristo na Páscoa matando o bacalhau também não faz o menor sentido. Nem abater bicho sem insensibilizar, em pleno século 21, como pregam o islamismo (halal) e o judaísmo (kosher).

Esta semana, a decepção será com o Tim Burton, que estreia sua versão cinematográfica para "Dumbo", o elefante eternizado pela Disney como fofo e alado, mas que teve uma existência miserável para divertir os visitantes do zoológico de Londres — separado ainda filhote da mãe, comia torta, se embebedava com whisky, colecionava lesões por carregar muito peso e morreu atropelado.

Liberdade religiosa, prazer gastronômico e entretenimento são importantes. Mas jamais deveriam sobrepor o direito à vida. Sim, nossas leis ainda consideram animais como "coisas" — apenas outro de nossos muitos atrasos. Isso não anula, porém, sua senciência. Porcos, vacas, cavalos, galinhas sentem medo, tristeza, dor. Pior: são conscientes disso.

E nossa consciência, cadê?


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3 comentários:

Anônimo disse...

Pergunto sempre o que o animal tem a ver com a sua crença.
Nunca sabem responder.

Vilma disse...

Todos somos filhos de Deus, ninguém tem direito à tirar a vida de outrem, ainda mais quando esse alguém não tem opção de escolha.
Sou espírita, acredito em um Deus único, que ama a todos os seus filhos e não quer que nenhum seja sacrificado em beneficio de outros filhos, que se dizem, racionais.

Anônimo disse...

Existem inclusive centros de umbanda que não realizam sacrifícios animais!