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3.3.10

A primeira primavera

Sábado, teve almoço na casa da Pandora para comemorar um ano da doação de conto de fadas. Surpreendentemente, ela se lembrou do aperto que a gente passou juntas em 2008 e quase me derrubou com a recepção esfuziante. Era outra cachorra! Gorducha, confiante, brincalhona. Até seus olhos brilhavam diferente.


Inúmeras cartinhas contaram a história dessa transformação a distância. Quando o nome da Rose aparecia entre os e-mails, eu já sabia que passaria os minutos seguintes entre risadas e fungadas, feito uma desequilibrada emocional – só faltava a televisão e o pote de sorvete.


Primeiro, veio a descoberta do adestramento. Em um passado remoto, alguém ensinara a pantera a sentar, deitar, rolar, dar a patinha. Toda vez que a família chamava a Preta, aliás, ela se apresentava abanando o rabo. Depois, foi a vez da paixão por bolas. Pan corria atrás, arremessava para o alto, para os lados, mas não devolvia.


O primeiro roubo envolveu as bolachas com requeijão do café da manhã. E evoluiu para o assado do almoço (metade inteirinha!). Em um mês, a cara tristonha dera lugar à de menina safada, conquistando bípedes e quadrúpedes. Todo mundo queria brincar com a grandona. Até a mal-humorada da Zelda.


As caminhadas matinais pelo condomínio logo causaram dependência. No dia em que não pôde ir junto, a birrenta se jogou contra a porta da sala, arranhou o batente, grudou o nariz na janela para fazer cena. De auto-estima renovada, o lado pastor também não tardou a aflorar. Bastava um estranho adentrar o recinto para que a criatura se colocasse em posição de ataque.


Nas horas vagas, porém, Pan não se acanhava em pedir colo. Nem em enrolar-se o máximo possível para caber nele. Quando Detlev batia com a mão na altura do peito, ela se jogava em cima dele, encostava a cabeça no peito e ficava quietinha, só curtindo o carinho. Se ninguém lhe dava bola, distribuía cabeçadinhas de alerta.


Uma bela tarde, as amigas resolveram arrancar a frente da sua casinha para ventilar melhor. E a peluda ganhou essa mansão de 1,50 m e dois quartos – um fechado, para as noites frias, e o outro aberto, para as de verão (o telhado personalizado ainda levanta, facilitando a limpeza!).


Obrigada, Rose querida, pelas flores desses 13 meses! :)

19 comentários:

Amanda disse...

ok, faça o favor de mandar estes post depois das 7 da noite. to pagando o maior micão aqui.

Anônimo disse...

Toda vez que uma doação dá certo, acendo um incenso pra S. Francisco, com muita gratidão, porque é difícil. Mais que arrumar namorado, dinheiro emprestado e outros.
Falando em doação, estamos com 2 (gatas) filhotinhas pretas, 4 mestiços de siamês pra doação. Alguém????
Abs.
Ana Maria

Norma disse...

Que linda! O olhar mudou mesmo.

Alegra muito a gente!

Beijos, Bia!

Anônimo disse...

Oi querida,que felicidade,uma família assim não tem preço.
Que linda sua mansãozinha.


Bjus,Janice.

Bella disse...

Tanto a Pandora quanto você merecem ter encontrado essa família de comercial de margarina. Parabéns para as duas e para toda a família linda da Pandora!!!

PS: a foto dela no colo me fez rir demais, é muito engraçado um cachorro desse tamanho gostar de colo!!!

Trio parada dura + duas. disse...

ai, quanta emoção. acompanhei o processo da Pandora e sei que pra vocês duas foi complicado, mas hoje dá para ver que era apenas o tempo que alguma força maior precisava para arranjar essa família maravilhosa pra ela!
PS - aquele projeto empacou. estou trabalhando em um outro que começará as filmagens essa semana, mas não é sobre bicho, é sobre gente. quem sabe no futuro?? ainda quero fazer! beijos.

Tânia (Marienkäfer Laden) disse...

Sua forma de escrever é ótima, não é à toa que vc é jornalista, rsrsrs.
Eita cachorrinha linda, hein! Dá gosto ver como ela tá sapeca! Parabéns!!!!!!!
Bjos!

Doll disse...

E tem gente que ainda me diz que adotar animais adultos não da certo, que vira lata é feio e mimimi... Taí a prova que o amor controi milagres!!!!!

To chorando feito besta apertando um dos meus bigodes!!!

Beijos!

Rose disse...

Ô Beatriz, obrigada a você por ter resgatado Pandora e cuidado dela quando ninguém mais cuidou. E obrigada a você por nos ter confiado a pequena, que só nos dá alegrias. E foi muito legal voc6e e Mariana poderem vir para o almoço. Repetiremos.
E sobre adotar cães adultos, como disse Doll, não há problemas que não sejam resolvidos com paciência e carinho, que é tudo que os cães (e os gatos) pedem de nós.

Anônimo disse...

Ah, se todos fossem iguais a vocês...

Gloria disse...

Por vários post's venho perguntando pela Pandora e pelo Marley e agora vc nos presenteia com Primeira Primavera.Estou no trabalho e me debulhando e rindo ao mesmo tempo.Que Deus abençoe a Rose e sua linda família, que sejam exemplo e motivo de inspiração para todos nós,para não nos perdermos no caminho.
Bjs e MUITO OBRIGADO!

Michelle disse...

Que felicidade!!! Parabéns mesmo, como dizem é mesmo muito difícil um doação. Ontem mesmo, fui ao wal mart e encontrei um gatinho preto e branco miando sem parar, entrei em desespero, pois não é fácil a gente se importar com as coisas, a maioria volta para sua casa e sua vida, sem se importar com o que vê, mas não eu..e o pior, sem espaço e sem ter o que fazer. Mas comprei Wiskas saché e conversei com um pessoal do pet shop, mas nada... mas encontrei um guarda, e ele me disse que o gatinho é cuidado por uma mulher da limpeza e ele devia estar com fome, por isso miava..isso me deixou um pouco mais calma.
é duro...
Bjos

anapaul disse...

Bia!
pelos meus cálculos, a Aimée está fazendo um aninho! Ela está enorme, não tão grande quanto os outros porque os velhos cresceram pros lados... E está quase preta também, escureceu muito!
Finalmente vou livrá-la da ração de filhote que ela nunca gostou!
É uma gatinha feliz, brincalhona, saudável e muito miona. Queria que todos os gatinhos que passam pelos lares temporários tivessem destinos como os da Aimée. Infelizmente, chega mais gente quero doar do que adotar gatos.
Continue com seu trabalho de melhorar muito a vida dos felinos. Eles merecem!

beijos!

Ana

Beatriz Levischi disse...

:)

Gostei da comparação entre encontrar famílias de comercial de margarina e conseguir um namorado ou dinheiro emprestado, Ana Maria. rs

Natali, não esqueci do seu e-mail, viu? Só está faltando tempo para respondê-lo com o carinho merecido. :\

Você sabe que eu sou sua fã, né, Rose?

Ana (Paul), dê um aperto de parabéns na Aimée por mim.

Bernadete disse...

Coisa linda! A Pandora, a adoção e sua dedicação. O olhar fala muito.

Guiga disse...

LINDO DEMAIS!!!! Só de lembrar da foto dela atiradinha na calçada me dá um nó na garganta!
Que pessoal bacana, né? Ah, se todo mundo fosse assim! :D

Vanessa disse...

Que linda! é claro q ela ia lembrar de vc, que a salvou da morte certa!!!
:0)
legal vc colocar notícias dela!
Vanessa

Bia disse...

A Guiga me enviou teu blog. Além de Beatriz e jornalista, eu também sou adotante de gatos e cachorros. E tô aqui ensopada de chorar com a história da Pan. Em pleno escritório.

Beatriz Levischi disse...

Pandora foi meu maior exercício de desapego, xará. Ainda bem que São Francisco mandou uma família mais que especial para ela. :)