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4.8.16

8 gatos, 1 cubículo imundo e logo cubículo nenhum

A filha me escreveu em março do ano passado pedindo ajuda para os bigodes da mãe de 68 anos (SP). Todos eram castrados, vacinados e gordinhos, mas moravam em um cômodo de 3 m², repleto de móveis velhos, poeira e teias de aranha. A interação humana se limitava às refeições. E a única janela ventilável, disputada em dias de sol, fracassava na missão de disfarçar o cheiro dos xixis e cocôs, que começavam nas caixas de areia, raramente limpas, e se espalhavam pelo chão.








Eu sugeri acompanhamento psicológico e, se a senhora aceitasse doar os animais, fotografaria todo mundo e divulgaria aqui no blog. A resposta chegou 16 meses depois, com uma reviravolta: os prisioneiros se tornaram personae non gratae e podem ir para a rua a qualquer momento. Alguns têm dez anos. Dez anos sem caminha, brinquedinhos, cafuné nas orelhas. Dez anos e descartados. As histórias de resgate são igualmente tristes, mas os peludos seguem acreditando no ser humano e, pasmem, esbanjam carinho.






Por favor, compartilhem. O Gatoca não conseguirá salvar essas vidas sozinho. :\

África (6 anos)

Com quatro semanas de existência, os irmãozinhos dividiam uma gaiola de 30 cm² no petshop do bairro, sem água nem comida. Como ninguém quer os pretolinos, exceto às vésperas do Halloween (e não é para amar), a senhora acabou pegando os três, mais o sialata. E não conseguiu doar nenhum. África adora companhia e dengo.


Fidelis (6 anos)

É um ronronento tímido. Desconfia de estranhos em um primeiro contato, mas, se não for pressionado, logo se põe a fazer graça.




Fortunato (6 anos)

Bonito e bonzinho, o afortunado não poderia ter outro nome. É o gato mais doce da casa: não pode ver alguém que já se atira nos pés.


Hexa (6 anos)

Parece arisca, mas, com pouco tempo de convívio, já distribui cabeçadinhas, lembrando a Copa do Mundo que não deve ser nomeada.




Bebê (8 anos)

Resgatada do motor de um carro estacionado na igreja, toda suja de óleo, a tigrada não havia completado um mês. Esbanja carência e não economiza nos miados para ganhar atenção.




Cocadinha (10 anos)

Apareceu na escola em que a senhora trabalhava, já adulta, com uma sacola inteira saindo pelo ânus ― provavelmente ingerida no desespero da fome. Dizem que fugiu da casa da vizinha, onde era criada em uma gaiola de pássaro. Quando a pegavam no colo, se urinava de pânico. Hoje, faz cara de brava para a fotografia, mas é ultrameiga. Só não troca muito calorzinho com os outros bigodes.




Mel (10 anos)

Conheceu o abandono ainda na barriga da mãe, que vagava perdida em Peruíbe quando sensibilizou uma amiga da senhora. Primeira quadrúpede do recinto, é quem dá as ordens. Mas exerce esse poder com tranquilidade e gentileza. E não dispensa um afago.


Vitória (2 anos)

Arremessada sobre a cobertura de uma quadra de esportes, há 12 metros do chão, e descoberta três dias depois, Vicky quase morreu de desidratação. Vive fora do cubículo imundo, mas sem contato com pessoas e animais. E precisa de um tutor experiente na arte da conquista, que não se intimide com o festival de fuzzzzzz.

8 comentários:

Unknown disse...

Uma da manha e eu aqui oensandobem como ajudar essa turminha. Fareibo possível pra divulgar as adoções. Tenho minha turminha de peludos e sei o quanto esses meninos e meninas devem precisar de carinho e atenção. Mãos à obra. Val Zerbini.

Anônimo disse...

Que tristeza meu Deus, aliás, cadê vc Deus?

Viviane Heimberg disse...

é.... entendi... deus trabalharia mais que papai noel se toda vez que alguem rezasse ele tivesse que tomar providencias, sendo que ele colocou o ser humano para cuidar do mundo aqui em baixo e botar mãos a obra.
Pede pra deus eliminar os corruptos e bostas que a gente cuida dos gatos.

https://multitrabalhosana.blogspot.com disse...

Sou de Curitiba, mas gostaria de adotar um. Será que é possível?

ValLindinha disse...

Muito triste! Todos gatos lindos, "gatos de calendário" e bem ou mal foram adotados por alguém, que não tem condições nem de cuidar de si. O que torna tudo mais triste ainda

Cristina Almeida disse...

Gente divulguei para minha prima aí de SP, eu moro em MG. Ela sempre ajuda nesses casos. Tomara que dê certo para eles.

Celina disse...

No momento a lotação aqui está esgotada e não participo de nenhuma rede social. Posso ajudar de alguma outra forma?

Beatriz Levischi disse...

Curitiba é muito longe para acompanhar o processo de adaptação. :\

Vocês viram que os gatinhos foram resgatados: http://blog.gatoca.com.br/2016/08/8-gatos-salvos-do-cubiculo-imundo-2_19.html? Agora, nós precisamos de ajuda para pagar a conta e de famílias de comercial de margarina para todo mundo. :)