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26.12.07

Ratatouille

Três meses depois que o Mercv chegou aqui em casa, choveu tão forte que até faltou luz. Eu acendi uma velinha no quarto, confiando na explicação do Eduardo de que nenhum animal se aproxima do fogo, e, antes mesmo de ele terminar a frase, nós ouvimos um barulho de plástico retorcido, seguido daquele cheiro enjoativo de fósforo queimado: o peludo acabava de tostar os bigodes na chama tremeluzente.

Essa teoria do instinto de sobrevivência é mesmo furada. No domingo passado, um ratinho sem noção apareceu no meio das plantas aqui do jardim, ignorando a existência de dez felinos! Pelo barulho, eu achei que fosse um passarinho machucado e quase botei a mão nele. Argh!

Claro que ninguém juntou coragem suficiente para matar o bicho. Ele não sabia cozinhar como o Remy, do "Ratatouille", mas tinha a mesma cara simpática e, quando encurralado, nos encarava com aqueles olhinhos pretos de piedade, falando pelos cotovelos.

A gente demorou quase uma hora para conseguir prender a criatura na caixa do sedex e dar-lhe uma nova chance de viver, desovando a embalagem no terreno baldio de um dos bairros vizinhos ― eu fiquei no carro, de pijama, e Eduardo saiu correndo feito um criminoso.


Obs: A foto é dos bigodes encaracolados do Mercv, tirada há dois anos, porque vocês não iam querer que eu clicasse o rato, né?

8 comentários:

Juliana disse...

Claro que a gente queria a foto do Remy!!! E aqui em casa acontece a mesma coisa. Uma vez, quando foi possível salvar um rato dos gatos, construímos uma "ferramenta resgatadora de ratos" (um pedaço de cano grosso com um saco de ração amarrado numa das pontas) pra pegar o bichinho e jogar num terreno vazio ao lado. Deu tudo certo, mas depois ficamos pensando: será que ele vai conseguir voltar pro lugar de onde veio e reencontrar a família??? Ai, ai, por que que a gente nasce assim com o coração tão mole?
Beijo,
Juliana.

Dani disse...

rsrs, sim ele é muito mais sexy, passei para deixar um beijo, um parabéns pelo trabalho que está desenvolvendo, e pedir mais informação sobre os gatinhos da Dna Lourdes, como anda, em que pé está?

Bjoks e uma virada de ano muito linda para vc

silvana disse...

Eu compreendo, outro dia quase torci o tornozelo para não pisar numa formiga. Ando matando apenas baratas, pernilongos e moscas. Em compensação, se não desse cadeia....

claudia disse...

Porque não?!

Já tive ratos, eles tem uma carinha tão bonitinha.

Gabi disse...

Achei que só eu queria salvar os ratinhos!! hahahahahahahahaha

Sanyra disse...

Aqui em casa só se mata barata..:)))

Denise disse...

Que ratinho corajoso hein bia?Pra entrar num quintal com 10 peludos tem que ser um rato ninja!!

Iááá!!!


Daniel

Beatriz Levischi disse...

"Ferramenta resgatadora de ratos" foi ótimo, Juliana!

Dani, sempre que escrevo sobre os esqueletinhos dou um link para a história completa, constantemente atualizada: http://gatoca.blogspot.com/2007/12/tudo-o-que-voc-sempre-quis-saber-sobre.html. Nela, aparecem todos os números relacionados ao caso da dona Lourdes (quantidade de gatinhos resgatados, em tratamento, esperando a adoção, adotados etc.). É só clicar. :)

Aqui em casa, confesso que estamos matando formigas também. Elas viraram verdadeiras pragas! Entram em embalagens fechadas, comem a ração dos bigodes, picam as Gudinhas.