Chocolate Tamanho Família só queria saber de ficar esparramada sobre o cobertor que eu havia ajeitado no quartinho. Certa manhã, quando a forcei a caminhar para aproveitar o sol tímido que despontara no quintal, tive de agüentar um rosário interminável de lamentos. De hora em hora, então, eu a colocava no colo, acariciava seu barrigão e assistia a gordinha fazer massinha na minha perna, completamente hipnotizada.
Estratégias de convivência pacífica
Para evitar que a futura mamãe apodrecesse no quartinho, embora eu achasse que ela estava realmente gostando da idéia, arrumei um jeito de dividir a casa em duas partes (ela morria de medo dos bigodes e os bigodes não morriam de amores por ela): quando abria a porta da lavanderia que dava para o corredor externo, deixava o resto dos cômodos e o jardim da frente para os veteranos. Se fechava os bagunceiros na sala, levava a gordinha para passear pelos quartos. Acontece que sempre tinha um infeliz que ultrapassava o bloqueio e Clara chegou a partir para cima da coitada duas vezes com uma seqüência impiedosa de tapas, enquanto ela se encolhia assustada embaixo do armário da cozinha.
*continua*

Capítulo anterior: Golpe da Barriga – parte 2









