Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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31.5.26

Saudade (o fim de uma Era?)

Esta é a primeira despedida que começa em um post de aniversário ─ e vai terminar no próximo post. Só percebi com ele escrito, mas na vida real não perdi uma pista: quando começou a sobrar cada vez mais ração no pote e menos peso na balança, o último dia em que você desceu para xeretar o estúdio do Leo e voltou correndinho pelo gramado (27 de abril), a última vez em que subiu nas prateleiras para tomar sol (12 deste mês).

E na segunda roubou o último carinho no lavabo, enquanto eu fazia xixi grogue de sono, na quarta não quis mais lamber o sachê da madrugada na colher, na sexta arriscou os últimos passos. A experiência de ter apenas um gato é muito louca! Todos os cocôs e vômitos só podiam ser seus e davam inveja, para uma renal de 19 anos. Você morreu com as mucosas coradas.

Acho que posso dizer de velhice porque, afinal de contas, de velhice mesmo ninguém morre ─ algum órgão precisa parar de funcionar. Gosto da ideia da vela se apagando, privilégio com que Keka também contou, mas, no seu caso, parece que alguém esqueceu uma fresta de janela aberta e sobrou um finalzinho de pavio sem queimar.


De manhã, você até arrumou forças para pular no sofá, ignorando a escadinha improvisada. E ficou pendurada pelas garras no cobertor, porque as patas traseiras já estavam escorregando para os lados, como nas dancinhas do Axl Rose. Passava, então, uma eternidade imóvel e do nada se punha a desequilibrar pela casa, como a criatura do Frankenstein ─ só faltavam os raios.

Escrevo chorando, mas sei que ainda vou rir desses momentos. Como rio de ter te batizado de Vaquinho e mudado para Jujuba ao descobrir que era menina. Ou quando lembro do seu jeito maluco de usar o primeiro bebedouro elétrico ─ revisitado nesse finalzinho, com empoleiramento, cabelo molhado e competição de remo. Dizem que idosos voltam a ser crianças, né?


A gata que rasgou meu braço para fugir da caixa de transporte, inventou o carinho Playcenter, demorou 13 anos para ronronar e só aceitou colo aos 18, partiu deitada no meu peito, após 18 meses de tentativas de substituir o calor da gangue com caminha de tubarão e tapete térmico ─ os encardidos vivem mais para compensar os cafunés que deixaram de ganhar, Guebis estava certa.

Chicão, em descrédito com Leo, até providenciou sol. Acontece que você não morreu sozinha ─ levou contigo duas décadas e deixou dez lutos. Eu continuo acordando no nosso horário, passo pelo lavabo vazio, não dou sachê para ninguém no sofá. Pela primeira vez, nos últimos seis anos, não posso pausar a tristeza com os cuidados da próxima despedida.

E não sei o que fazer com o tubarãozinho.

22.5.26

19 anos de Jujuba

Eu não imaginava que ela iria tão longe, assustadinha, antissocial, desfalcada de família. Depois, comecei a acreditar que iria ainda mais longe. Agora, represo para adequar expectativas, porque a magrela passou a viver em câmera lenta ─ a alimentação, a caminhada, o silêncio substituindo os miados, como naquelas cenas que antecedem o momento de chorar nos filmes.


Faço carinhos cada vez mais leves, acordo cada vez mais vezes, registro tudo, mesmo sabendo que não será igual. Nunca mais. A última a menos.



*Novelinha: conheça a história das Gudinhas

Outros aniversários: 2025 | 2024 | 2023 | 2022 | 2021 | 2020 | 2019 (especial Dia do Abraço) | 2018 | 2017 | 2016 | 2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009

15.5.26

Tapete térmico para gatos: quando e qual vale a pena?

Atualizado em 18 de maio de 2026

Bastaria contar que escrevo este post de jaqueta e polainas, enquanto Jujuba dorme esticadona no sofá da sala. Mas não é para isso que vocês insistem na metodologia fenícia de buscar informação em blog, né? Já fazia um tempo que eu pensava em comprar um tapete térmico para a magrela, que comemorará 19 anos na próxima sexta-feira, sem o calorzinho da gangue e brigada com a caminha de tubarão.

Só que comentaram no Cluboca, nosso grupo maravilhoso de apoiadores, que ele pegava fogo se dobrasse e o preço não ajudava ─ os baratos vinham com manual e controle em chinês e não indicavam a utilização por animais. Com a sarcopenia avançando e a lembrança das madrugadas de 2ºC em Araçoiaba da Serra, porém, resolvi investir a grana do conserto do carro, que podia esperar mais um pouco.


Parêntese porque nunca falei de sarcopenia aqui: trata-se da perda sensível de massa muscular que acompanha o envelhecimento ─ o bicho pode continuar comendo normalmente e, mesmo assim, emagrecer. Na Jujuba, que também é renal, já sinto algumas vértebras da coluna, o que dificulta o corpo de se manter aquecido.

Escolhi, então, um modelo veterinário, com material difícil de arranhar e parcialmente resistente a xixi e vômito ─ precisa limpar rápido, mesma recomendação do acquablock. A empresa ainda tem certificado da Anvisa, como vocês viram na foto do dia em que o entregador gentilmente levou o pacote até o SUS. E Mari acabou dando o tapete de presente para a pequena. ❤️

O manual diz para colocar no chão, mas preferi bancar o risco de ajeitá-lo no sofá, fazendo um sanduíche com o cobertor em que Jujuba já está acostumada a deitar ─ Lorena usa no pé da cama, para compartilhar o quentinho com os bigodes. Humanos e felinos todos vivos até o momento.

Para garantir, também respeito a instrução de deixar na temperatura mais alta (42ºC) por no máximo 25 minutos, depois baixar para 27ºC, já que o tapete foi desenvolvido para que o próprio corpo do gato mantenha esse calor ─ vegana nem pode aproveitar o churrasquinho!

Dá gosto de ver a magrela sonhar, enquanto minhas olheiras se aprofundam. 😂

8.5.26

Cluboca do Livro: autor gateiro envolvido em polêmica

Confesso que perguntei aos participantes do clube se achavam que valia a pena bancar essa escolha e a resposta não deixou dúvidas. Quem me apresentou Neil Gaiman foi o mesmo namorado que me apresentou para o Mercv, duas décadas atrás, e Belas Maldições, agora mais conhecido como Good Omens, inaugurou meu encantamento literário pelo britânico de vozeirão.

Não tinha livro melhor, portanto, para puxar discussões acaloradas sobre obra x autor, destruição de reputação orquestrada, descredibilização da vítima, o maniqueísmo das religiões, a existência (ou não) de livre-arbítrio ─ ainda que outras publicações reflitam melhor a paixão de Gaiman pelos bichanos, como Coraline e Sandman: Um Sonho de Mil Gatos.

Vale dizer, ainda, que Good Omens é coescrito por Terry Pratchett, o autor de ficção mais vendido na Inglaterra dos anos 90. Ele conta a história de uma freira satanista distraída, que estraga um esquema de troca de bebês ao entregar o Anticristinho para o casal errado, dando início a uma série de erros cômicos que ameaçarão o Armagedom.


Na versão audiovisual, Michael Sheen e David Tennant estão maravilhosos como o anjo Aziraphale e o demônio Crowley ─ a terceira e última temporada da série estreia no dia 13 de maio, em episódio único de 90 minutos, justamente por causa das acusações de abuso sexual envolvendo Gaiman.

Já nosso encontro ocorrerá no domingo de 28 de junho, entre 16h e 19h, pelo WhatsApp. Para participar, basta apoiar o Gatoca com qualquer valor a partir de R$ 15, escolher uma bebida e comprar ou emprestar sua edição favorita ― usando os links abaixo, uma porcentagem vem para nós. Eu lerei pela BiblioSP Digital, para testar a iniciativa gratuita da Prefeitura de São Paulo. :)

- Good Omens: Belas Maldições em papel
- Good Omens: Belas Maldições em e-book
- Qualquer item adquirido na Amazon partindo deste link ajuda o projeto


Discussões anteriores

:: Vou te Receitar um Gato, da japonesa Syou Ishida
:: O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgakov
:: Um Homem Chamado Ove, do sueco Fredrik Backman
:: Um Gato entre os Pombos, da inglesa Agatha Christie
:: Felinos e Macabros, coletânea de contos de autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker
:: Diário dos Gatos Yon & Mu, do japonês Junji Ito
:: A Mão Esquerda da Escuridão, da estadunidense Ursula K. Le Guin (que ainda não tive tempo de contar aqui no blog)

1.5.26

Gato come plástico para salvar a própria vida

Pensem em um animal famélico, que precisa revirar o lixo para disfarçar as costelas destacadas, se esgueirando da crueldade humana. Nos dias de sorte, ele consegue um resto de frango preso aos ossos. Na maioria dos outros, porém, tem de se contentar com legumes aniversariantes de geladeira.

Agora esqueçam tudo isso, porque Intrú é só cara de pau mesmo.





Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos
:: A gente veio aqui para beber ou se banhar?
:: Descobri por que Intrú atacou meu rosto!
:: Relacionamento tóxico com o gato