Gatoca

Educação, sensibilização e mobilização pelos animais

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27.2.26

Duelo de fontes para gato: inox ou cerâmica?

Não fez muito calor no verão, mas a previsão do tempo promete que ele virá fora de época, então vocês já podem se preparar. Qual bebedouro elétrico deixa a água mais fresquinha para os bigodes? Sempre me perguntei e acabei começando pelo de barro, que o pessoal chama afetadamente de cerâmica, porque custava mais barato.

Só que ele pesa uma tonelada e o material poroso não é lá muito fácil de higienizar. Em julho do ano passado, aproveitando a promoção, finalmente comprei um modelo de aço inox. Mais leve, mais silencioso, mais bonito (se ignorar as marcas de dedo), com indicador do nível de água.

Mas a limpeza continuou chata, por causa do sistema de filtragem, precisei usar o carregador do celular velho para ligar na tomada, pois não veio com adaptador, e a luz de led, originalmente forte, parece uma discoteca quando o líquido está acabando.



A parte da limpeza resolvi cortando com a faca quente o depósito do carvão ativado ― só coloco água filtrada e lavo todas as peças a cada três dias.


O led fica bem mais fraco se virar a bomba para o lado. E nunca, jamais, em hipótese alguma, deixo a fonte chegar perto de secar.


Faltava testar qual dos bebedouros performaria melhor no calor araçoiabano. Escolhi um dos raros dias com sensação térmica de 39ºC.


(29ºC no cômodo menos abafado da casa, a lavanderia, onde Intrú tenta fazer parte da família.)


E usei um termômetro infravermelho, que Leo pegou emprestado dos pais. Apontando para a água de dentro do recipiente de inox, ele marcava 25,2ºC, enquanto temperatura do pratinho era de 26ºC. Já o interior do recipiente de barro indicava 25,5ºC e o pratinho, 25,6ºC, praticamente a mesma coisa.


(Gatoca tem também dois potes tradicionais, um de plástico grandão, que alcançou 26,4ºC, só porque fica em um ponto onde nunca bate sol, e outro de inox, que me surpreendeu ao ostentar 24,9ºC.)

Para tirar a prova, meti o dedão no fluxo das duas torneirinhas e realmente não senti diferença ― o bebedouro de barro humano deve ganhar a competição porque a água fica parada dentro, sem contato com o ar. Independente do material, instale a fonte em um local fresco, turbine com gelo e mantenha a higienização em dia.

Lembrando que gato não tem o costume de se hidratar como a gente, porque a água de que precisavam na natureza vinha dos animais caçados ― 70% do organismo, contra apenas 30% de matéria sólida. E que, em algum momento, a maioria dos tutores se deparará com um diagnóstico de doença renal, portanto, vale o esforço.

20.2.26

O mito da tranquilidade do interior

Eu definitivamente não funciono com barulho. Meu cérebro se recusa a transformar em ruído de fundo e, se tiver um sem-noção falando ao celular durante o filme, te conto o diálogo inteiro, contra zero cena do telão ― por isso parei de ir ao cinema, aliás. A mudança para uma cidade rural (sem cinema) prometia resolver esse problema.

Mas o brasileiro não entende muito bem o conceito de vida em sociedade, né? Precisa fazer a festa da chácara reverberar madrugada adentro, deixar gerações de gatos perambulando sem castrar, botar fogo para limpar o terreno e encher as casas vizinhas de fuligem ― a "síndrome do personagem principal" (ou protagonista), alimentada pelas redes sociais, tem sotaque verde e amarelo.

Até abril do ano passado, os saruês, as frutas colhidas do pé, nossa piscina inflável, o gatil dos bigodes emprestado para a ioga e as tardes de leitura na rede compensaram o estresse humano.


Eis que a prefeitura resolveu asfaltar sete quarteirões, com um elenco único de geringonças ― a favorita apelidei de trator do Tim Burton. E a obra nunca mais acabou.

12.2.26

Descobri por que Intrú atacou meu rosto!

Quem olha para esta coisa apertável, que ao menor deslize do Leo com a porta aparece sereiúdo na cama, louco para fazer parte de uma família, não imagina a fera que me atacou dez vezes ― primeiro, porque não era castrado, depois porque os hormônios responsáveis pelos comportamentos sexual e territorial demoram para baixar e rolou ainda um episódio de agressividade redirecionada.


Mas, quando o frajola pulou no meu rosto com as garrinhas para fora, 521 dias haviam se passado da cirurgia e acabei culpando a frustração de estar sempre do lado errado das portas de vidro ― a FeLV me impede de juntá-lo com a Jujuba, uma senhorinha de quase 19 anos.

Eis que recentemente assisti ao veterinário Tiago Franco explicar que olhar fixo para um gato menos sociável, em constante estado de alerta, pode parecer uma ameaça, gerando ansiedade e estresse. E preciso confessar que, sim, tenho o costume de enfiar o carão na fuça deles, falando fininho e beijando o nariz. Agora sei que mereci.



Epopeia do Intruso

:: Como tudo começou
:: Serial killers sempre voltam à cena do crime!
:: Ronrom, ataques e caos
:: Amansando a fera
:: Intruso: 1 sucesso e 2 bombas
:: Um morto muito louco e perdão felino
:: Cartinha de um gato excêntrico ao Papai Noel
:: Nossos presentes de Natal, com penetra
:: O que acontece com gato que vai para a rua
:: Férias do Intrú
:: Procuram-se madrinhas
:: Intrú ganhou madrinhas e um chalé!
:: 59 dias sem acidentes!
:: O primeiro brinquedinho... que ele nem viu
:: Teste: o desaparecimento do frajola
:: Intrú ganhou um cobertor e me emocionou
:: O primeiro colo (sim!)
:: A primeira ioga
:: A primeira brincadeira de caçar (sem mortes!)
:: O desafio de aquecer um bicho que não entra em casa
:: 17º quase-aniversário do Gatoca e bastidores
:: A escova perfeita para aventureiros
:: Vigilantes do Peso Felino
:: Um ano do gato que eu não sabia que precisava
:: Dia de levar o pet ao trabalho
:: Ele não quer uma casa, quer uma família
:: Quando as Cataratas do Niágara visitaram Intrú
:: Um post mal-humorado fofo de Natal
:: O gato que só falta tocar a campainha!
:: Intrú adoeceu antes de ganhar uma casa
:: Ressurreição e mordidas literárias
:: Quase grudinho
:: Lado errado?
:: História de filme: a vida dupla de Intrú!
:: Agressividade por frustração?
:: Garoto propaganda do boletim +Gatoca
:: Um bicho que quebra expectativas (e outras coisas)
:: Intrú conseguiu morar dentro de casa ― parcialmente
:: Por que gato não deve ir para a rua, nem no interior
:: Destruiu o estúdio e se jogou da janela
:: Dois anos do frajola que ninguém quis
:: Amores brutos
:: A gente veio aqui para beber ou se banhar?

6.2.26

Quando a unha do gato atravessa a almofadinha

Quanto mais velhinho seu amigo fica, menos tende a afiar as garras e mais rápido elas viram armas, investindo contra as próprias almofadinhas ― defeito grave de projeto. Eu sabia disso, até alertei aqui no blog. Mas juntou Natal, Ano-Novo, aniversário e, como Jujuba é pouco simpática à manipulação, acabei negligenciando a manicure.


Não deve ter passado um mês ― nós notamos, inclusive, que ela estava mais paradona e culpamos a idade, acompanhada pela doença renal e uma possível artrose. Só que o estrago já estava feito. Em alguns dedos, as garras dividiram as almofadinhas ao meio, como dá para ver pela foto que estraçalhou meu coração.


Com muita paciência (e longos intervalos), consegui ir cortando e limpando as lesões ― usei Dakin, um antisséptico salvador que os bigodes podem lamber sem morrer, pois é usado por odontologistas. Há casos, porém, que precisam de intervenção veterinária para desencaixar o Lego do mal e tratar a inflamação.

Se vocês não querem enfrentar esse desgosto, compartilhei meus truques para cortar a unha de bichanos antissociais no ano passado, justamente com a cobaia em questão. E recentemente substituí a tesourinha de duas décadas por este alicate ergonômico, com trava de segurança ― a mão fica um pouco mais longe dos dentes, mas ainda resta a que segura a pata para tomar mordida. 😂



Importante! As garras ajudam no equilíbrio e na mobilidade do animal, incluindo os atos de pular e escalar, portanto, não podem ser extraídas (onicectomia) — sem contar que isso é proibido no Brasil, desde 2008, pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. Quem não quer ter o sofá customizado deve investir em enriquecimento ambiental.