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18.10.18

Brasil pode ter Secretaria Nacional de Políticas para Animais!

Hoje rolou uma reviravolta no cenário político do país. Mas nossa justiça tem dificuldade com imparcialidade, eleitor fanático arruma justificativa para tudo e candidato escroque vai continuar sendo escroque. Vamos conversar, então, sobre o encontro do Haddad com representantes de 150 ONGs que atuam em defesa dos animais?

Iniciativa da vereadora de Salvador Ana Rita Tavares, o evento ocorreu hoje à tarde, em São Paulo. E o presidenciável se mostrou bastante sensível à causa, especialmente com relação à exportação de bichos vivos para abate no exterior. Contou que está aprendendo muito com a filha, que abraçou o veganismo este ano, e que a família já reduziu bastante o consumo de carne, ovos e laticínios.

E se comprometeu a realizar um sonho antigo de protetores e ativistas pelos animais: criar um órgão federal para cuidar do tema (vídeo na íntegra aqui). Luli Sarraf, amiga e fundadora da Celebridade-Vira-Lata, marcou presença e falou bonito, inclusive, honrando os 18 mil votos (recorde no partido!) para deputada federal.

Mais do que vencer as eleições, importa quem está ao nosso lado nas trincheiras. E Gatoca luta com os melhores corações ― sintam-se inclusos!


Chocolate não babou no catnip, é suor de batalha

11.10.18

Cotidianices como resistência

Tem sido cada vez mais difícil sair da cama. Como se emendar a manhã corrente com a da eleição pudesse me poupar de ter pessoas egoístas e preconceituosas nos círculos de afeto. E as notícias absurdas não lidas se tornassem menos absurdas. E o medo de tempos sombrios respeitasse os limites oníricos.

Mas eu levanto porque tenho nove gatos me ensinando que, independente do gramado inundado pela chuva, a vida segue. E alguns milhares de leitores esperando que este projeto também siga. Ainda não deu para voltar à programação normal e lançar a websérie. Cá estou, porém, praticando a resistência da Eliane Brum.

Na coluna do El País, ela sugere transformar luto em verbo: "É preciso resistir primeiro nas pequenas coisas do cotidiano. No amor, na amizade, no sexo, no prazer de ver um filme ou ouvir uma música, num café bem coado. E, principalmente, no prazer de estar junto".

Continuemos juntos. Não há tempestade que dure para sempre.

10.10.18

Vamos construir pontes!

Leitores que estão pensando em escolher o Bolsonaro no segundo turno, existe um jogo de manipulação de informação rolando nestas eleições e vocês têm todo o direito de sentir medo, raiva, frustração. Mas façam o esforço de abrir o coração para as linhas abaixo e, se elas não ressoarem aí, podem fechar de novo, combinado?

Em 28 anos de mandato na câmara, o deputado Jair Bolsonaro apresentou 171 projetos de lei e só conseguiu aprovar dois (isenção de Imposto sobre Produto Industrializado para bens de informática e autorização para o uso da fosfoetanolamina sintética, a "pílula do câncer"), o que significa que não tem muita influência entre seus pares.

E daria para fazer coisa para caramba nesse tempo, com um cargo político. Em duas décadas, por exemplo, esta jornalista trabalhou em uma ONG que pautou a criação de diversas políticas públicas na área da educação, escreveu matérias que deixaram um tico melhor a vida de milhares de leitoras das classe C e D (éramos recordistas de cartas e e-mails na editora), fundou o Gatoca, que reescreveu a história de centenas de animais e suas famílias.

Não, o Partido dos Trabalhadores também não era minha primeira opção. Justamente porque ficou 13 anos no poder e não teve coragem de realizar as reformas necessárias para diminuir a desigualdade social no país. Mas nós não estamos "comendo nossos cachorros", né? Nem na Venezuela estão, embora a situação lá seja realmente triste.

Essas mentiras, cuidadosamente arquitetadas, pretendem instaurar o pânico, desumanizar quem enxerga as coisas diferente, transformando em inimigo, e, sem que a gente se dê conta, eleger um cara que flerta com o fascismo italiano. E vocês não são fascistas. Eu também não sou bandida, feminazi, vagabunda. Vamos conversar. :)

Amigos que pretendem escolher o PT no segundo turno, dialoguem com seu entorno ― 20,3% da população se absteve de votar no primeiro turno. Haddad tem boas propostas de governo (neste especial da BBC, dá para comparar os candidatos) e uma delas é promover um amplo debate para a construção de políticas públicas nacionais de proteção e defesa dos animais, em especial na área de educação (página 58).

Não, eu não esqueci que ele vetou o projeto de lei que proibia o aluguel de cães para guarda, quando foi prefeito de São Paulo, justificando que cabia à União decidir a questão. Mas sua gestão também sancionou as leis que permitem animais no transporte público, autorizam moradores de rua a levar seus peludos para os abrigos e proíbem a produção e comercialização de foie gras na cidade ― essa a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes derrubou, infelizmente.

Teve ainda a inauguração do Hospital Veterinário Público no Tucuruvi e do novo Centro Municipal de Adoção de Cães e Gatos, em Santana, ambos na zona norte. Bolsonaro, por outro lado, quer acabar com o Ministério do Meio Ambiente, abrir a Amazônia para exploração desenfreada, liberar a caça e comemorar esse retrocesso todo com rodeios e vaquejadas (detalhes e vídeos do próprio candidato fazendo essas afirmações neste post).

Não leiam robôs, de bits ou de carne e osso, que compartilham os mesmos clichês, textos sem embasamento, vídeos grosseiramente editados. E toneladas de ódio. Leiam pessoas que vocês sabem que estão na luta de mangas arregaçadas, com respeito às diferenças.

O deputado disse no Jornal Nacional, aliás, que vai botar "um ponto final em todos os ativismos no Brasil" (vídeo aqui). E, em entrevista à Jovem Pan, insistiu que "ativismo não é benéfico" (vídeo aqui). Gatoca faz ativismo há 11 anos. E quer continuar fazendo.

Compartilhem este post-convite. Vamos construir pontes!

5.10.18

Nós continuaremos lutando

Ontem, eu publiquei um post com argumentos bem-fundamentados e uma dezena de matérias (dos veículos mais variados) para quem respeita os animais não votar no Bolsonaro. Fatos, não opiniões. Os comentários raivosos chegaram antes dos leitores (compassivos) que acompanham o projeto (pacífico) e sem qualquer contra-argumento.

Palavrões, gifs, ameaças, disco quebrado no PT e na Venezuela. Não se deram ao trabalho de ler nada, assistir nenhum vídeo, abrir nenhum link. Um ataque orquestrado de robôs, não pessoas de verdade, ainda que feitas de carne e osso. Entrei em uma espiral descendente de desânimo, sensação de impotência, medo do futuro.

De madrugada, tive um insight: é esse massacre psicológico que os bandidos usam nas ligações falsas de sequestro, feitas de dentro do presídio. A gente sabe que é mentira, já ouviu falar em outros 200 casos e se pega tremendo inteiro com a gritaria ― tem gente, inclusive, que transfere a grana.

Proponho aqui, então, um esforço-estratégico conjunto: paremos de ler esses comentários. Ignorem, deletem, vão fazer outra coisa. A nhaca passa e a gente consegue enxergar com mais clareza: o ser humano sempre teve esse lado trevas. Nós, protetores de animais, estamos em contato com ele diariamente.

E lutamos.

E vamos continuar lutando.

Porque ninguém derruba quem tem um ideal. #EleNão

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Apesar do chorume, o post alcançou 6,6 mil pessoas no Facebook em menos de 24h, um record para o blog. E 1,1 mil clicaram para ler o texto. Somando quem veio de outras redes sociais, já são 4 mil visualizações. Continuem compartilhando! Nós temos até domingo. :)

A gente preferiu adiar o lançamento da websérie, aliás, para ela não ser ofuscada pelas eleições ― e esse lamaçal de ódio. Na semana que vem, voltamos à programação normal. E mais fortes.

4.10.18

Quem respeita os animais não vota no Bolsonaro

Quem respeita outros seres humanos também não, já que o deputado (que em 27 anos de mandato e 171 projetos de lei apresentados só conseguiu aprovar dois) é machista, racista, homofóbico e sádico. Mas foquemos nos bichos, assunto deste blog. Aí vão quatro motivos para vocês escolherem qualquer outro candidato nesta eleição:

1) Enfraquecimento do Ministério do Meio Ambiente
Bolsonaro pretende unificá-lo com o Ministério da Agricultura e nomear um ruralista para coordenar as duas pastas, promovendo um retrocesso sem precedentes nas políticas de preservação e utilização sustentável de ecossistemas, biodiversidade e florestas.

Se alguém tem dúvidas, vale assistir ao vídeo do Vista-se, em que ele afirma que "o meio ambiente consegue fazer um estrago no que não deveria ser feito". Isso mesmo: o meio ambiente prejudicando o ser humano, não o contrário. Ontem, aliás, a bancada do agronegócio oficializou seu apoio.

2) Exploração da Amazônia
Em mais de uma oportunidade, o deputado defendeu a exploração da Amazônia para extração de recursos minerais, condenando a criação de unidades de conservação na região. Ele também criticou em Rondônia o número de áreas florestais protegidas no país, alegando que isso "atrapalha o desenvolvimento".

3) Incentivo aos rodeios e vaquejadas
O candidato considera eventos que exploram e torturam os animais "uma festa, uma tradição, que deve ser comemorada em todo Brasil". Ainda tem a cara de pau de dizer que o bicho é mais do que bem-tratado, gerando emprego e renda. Está tudo aqui.

4) Liberação da caça
No rodeio de Rio Verde, em Goiás, ele declarou que, se for eleito, a caça no país "terá burocracia zero", chamando a prática cruel de "esporte saudável". Pesca em área proibida também aparece em seus discursos.

Como bônus, Bolsonaro debocha de protetores e admitiu ter praticado zoofilia. Para vocês não dormirem com essa imagem mental perturbadora, deixo uma foto fofa da Guda ― e meu post engajado com duas indicações de amigos-candidatos e um monte de referências bacanas para votar com consciência no domingo. #EleNão