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29.8.15

Oitava festinha do Gatoca

Lembro dos aniversários que juntavam fácil 50 pessoas. Da fileira do cinema preenchida pela turma do colégio técnico. Das excursões aos museus de São Paulo. Em algum momento das duas últimas décadas, as relações se virtualizaram. E a gente passou a botar o nariz cada vez menos para fora de casa ― ou da tela do computador.

Não seria diferente com a festa de oito anos do Gatoca: toneladas de carinho por e-mail, WhatsApp e Facebook, os fiéis companheiros para o abraço real. Denise adotou um dos ex-queletinhos da dona Lourdes, o caso que me trouxe para a proteção animal. E casou com Fernando, que viaja para a Croácia e nos diverte gravando vídeos de roupão.

Yone nunca faltou a uma comemoração do projeto. Mari e Jubão compram rifa, divulgam os resgatados para os amigos, me incentivam a continuar ambicionando (um e-book, um vlog, um mundo melhor). E Leo amassa barro junto na favela, abre mão do cinema para levar gato para a zona norte, cozinha feijoada vegetariana, dorme sentado enquanto escrevo este post.

Isso precisa ser agradecido em átomos. ♥


A caminho do Genésio, vermelho-paixão


Os gateiros que a gente escolhe


Família de três


Fernise


O milagre da unha pintada

Festinhas anteriores: 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

26.8.15

Complexidade felina

Quem não gosta de gato não gosta de gente. Gato é o bicho mais parecido com o ser humano que existe! Inclusive nas esquisitices.

21.8.15

Os últimos de nove

Eu já fui uma pessoa que andava pela rua despreocupada, sem enxergar os bichos que esperam uma chance de deixar de andar pela rua preocupados. Já ignorei a incompetência do poder público em lidar com a questão. Já telefonei para ONG pedindo resgate de 30 gatos e não tomei uma desligada na cara. Em setembro de 2007, com uma senhora de blusa pendurada no corpo por pregadores, descobri a proteção animal.

A história é longa, ganhou coletânea nestes links: 1 e 2, e se reflete em cada par de olhos que o Gatoca ajuda. Quando essa ajuda chega tarde, lembro das palavras da Susan, que acabaram virando meu mantra: "Foque nas vidas salvas". Dezenas em oito anos. E sete bazares de Natal do AUG, quatro campanhas do agasalho, um arraial, três produções de textos para a agenda e o calendário ― e a quarta em processo.

Porque eu virei voluntária. E quem troca de lado do balcão aprende a dar em vez de pedir. Mas Su se sensibilizou com a campanha do DER, no ar desde abril, e me ofereceu duas vagas na ONG para tirar os últimos filhotes da favela.


No domingo, Julia Roberts e Benedict Cumberbath se despediram do barraco sem janelas e entraram para o site de doação de bichanos mais famoso do país.


No domingo, eu voltei no tempo e tive certeza de que pularia o muro daquele cortiço da Vergueiro de novo.



Leiam também:

:: Panfletagem por uma causa nobre
:: Inscrição em três etapas - parte 1
:: Inscrição em três etapas - partes 2 e 3
:: Protetor é quem cuida
:: Mutirão de castração é para os fortes
:: Se há uma chance, Gatoca é a favor
:: Da favela para Hollywood!
:: Mutirão de castração é para os fortes - parte 2
:: O primeiro de nove!
:: Sementes
:: Adoção platônica
:: Adoção Gremlin
:: Quase famosos
:: Ossos e um coração partidos
:: Felicidade que nunca chega
:: Descanso merecido
:: Para bater recordes de bilheteria!
:: A arte de enxugar gelo
:: Quando a coisa fica preta
:: Desfecho frustrante
:: Refilmagem
:: Favela com emoção
:: Conscientização: o trabalho por trás dos holofotes
:: Ossos e um coração colados
:: NeverEnding Story
:: De Hollywood para o Japão
:: De Hollywood para os palcos
:: Halloween da sorte 2015
:: De Richard Gere para os braços do Pepê
:: Black Friday fracassada

18.8.15

Refilmagem

Durante 17 dias, a imagem do Johnny Depp na janela acompanhou meu café da manhã, os banhos corridos em tempo de crise, as noites musicadas pela Anchieta. Em dois fins de semana, eu voltei ao DER para convencer Silvana a devolver o pequeno, mas não a encontrei. E o celular, informado pela mãe, sempre dava caixa postal. No terceiro, a porta se abriu desconfiada.

Os mesmos vizinhos que comentaram que o gatinho sofria disseram a ela que eu o levaria a força, ignorando meu porte de lutadora da Somália. Misto de fofoca e inveja, a única verdade sobre o desfecho do tigrinho é que a família realmente acreditava se tratar de uma tigrinha e comprou todo o seu enxoval rosa.


Sim, enxoval, porque tem até arranhador ― e o plano ambicioso de parcelar a casinha de R$ 260 da Cobasi.


Silvana trabalha até tarde como auxiliar de dentista e Marcelo madruga em um armazém que abastece lanchonetes famosas. No tempo que sobra, porém, eles enchem o peludo de carinho, dão banho com xampu especial, colocam na tigela pink ração premium para filhotes, se divertem com os brinquedinhos escondidos no buraco aberto pelo pedreiro.


Johnny dorme toda noite com Thiago, um garoto de 8 anos apaixonado por animais. E não vai mais para a rua porque o casal perdeu Pelongo com uma martelada na cabeça, desferida por outro vizinho gente boa. Quando as sementes da nossa conversa germinarem, há uma boa chance de o bigodinho ganhar um amigo quadrúpede ― as telas já virão para a primavera.

Agora, a gente pode lembrar desta imagem. :)



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13.8.15

7 jeitos de esquentar seu amigo

Cães e gatos nascem com um casaco de pele politicamente correto, mas também sentem frio e estão mais propensos a adoecer no inverno

1) Providencie uma casinha
Principalmente se o animal morar no quintal. E não precisa gastar uma fortuna no pet shop. Usando a criatividade, bacias e caixas de papelão forradas com jornal viram cafofos aconchegantes. Só não vale instalá-los na corrente de vento ou debaixo do chuvaréu.

2) Improvise uma cama
Bichos que vivem dentro de casa farão a maior festa com aquele cobertor que você não usa mais. Para recém-nascidos órfãos, coloque uma garrafa com água quente sob a manta e troque sempre que ela esfriar.

3) Compre roupinhas
Cães idosos, magrelinhos ou com o pelo curto precisam de reforço para se aquecer. Escolha um modelo folgado e, se o animal parecer incomodado, tente um tecido mais leve. Gatos lidam melhor com temperaturas baixas e, como não curtem "penduricalhos", podem ser poupados da tortura.

4) Maneire no banho
Pelo molhado no frio baixa a imunidade, principalmente de bebês e vovôs. Quando a situação ficar insustentável, use água morna, seque seu amigo com cuidado e, para evitar choques térmicos, deixe-o no local do banho por 20 minutos.

5) Capriche na ração
Até nosso apetite aumenta o inverno, já que o metabolismo acelera para manter a temperatura do corpo, certo? Tome cuidado, porém, para não exagerar na quantidade de comida, porque obesidade também causa problemas de saúde.

6) Brinque mais com ele
Bichos sedentários sentem mais frio. Se você não quiser suar junto com o peludo, organize uma caçada a bolinhas ou ratinhos.

7) Abrace bem apertado
Existe coisa melhor nesta vida do que trocar calor assim?

FONTE: Nivaldo Albolea, veterinário


* Texto escrito para a revista AnaMaria, da Editora Abril.

10.8.15

Oitavo aniversário do Gatoca

Vocês têm noção de quantos números cabem em oito anos? 1.028 postagens, 8.616 comentários, 2.953 curtidas no Facebook, 105 bichos socorridos, 25 parceiros, R$ 21.110 financiados coletivamente (R$ 3.000 doados pelo Wings For Change), 240 apoiadores, 51 cães e gatos castrados em mutirão.

São milhares de motivos para comemorar (obrigada! ♥). E outros milhares para continuar a educar, conscientizar e mobilizar corações de pudim. A festa ocorrerá no Genésio, dia 15 agora, a partir das 17h. E a sequência do projeto depende de vocês: com R$ 0,33 centavos por dia, muitas vidas podem ser reescritas.

Participem do Clube do Gatoca na Kickante!

Tornem-se coautores de um mundo melhor.


7.8.15

Desfecho frustrante

Para a maioria dos moradores que caminham por esta viela no DER, o casebre da foto é uma construção comum: pequena, escura, em eterna reforma. Na janela aparentemente vazia, porém, a impotência me encara. Johnny Depp, o gatinho que sempre sentava ao lado da caixa de transporte esperando ter chegado sua vez de ganhar uma família bacana, acabou doado para a vizinha.


Filhote carinhoso e brincalhão, ele agora passa os dias enquadrado nesta moldura solitária, sem os irmãozinhos nem um ser humano sequer para acariciar-lhe as orelhas ― Silvana trabalha fora até tarde e jura que o tigrinho castrado no mutirão do Gatoca é fêmea.

Nós perdemos o timing. Ele, o happy ending.


P.S.: Dois bigodinhos ainda podem ter um final feliz. Escolham um dos cartazes da campanha e divulguem para os amigos. :)


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5.8.15

Abraço em forma de bytes

No conforto de sua casa, Itacira Ossiama lembrou que os gatinhos do DER dormem no chão de cimento (quando não tomam chuva nas vielas de terra batida da favela) e comprou estas cobertinhas. Elas não resolvem o problema do abandono na cidade. Mas deixaram sete vidas mais macias ― onde cabe um filhote, espremem-se dois. Ou três, quatro...


Do outro lado do planeta, Rosana Russo lembrou desta jornalista coração de pudim e arrumou um espaço na mala para os mimos japoneses da foto. Eles não mudam nossa relação desumana com os animais. Mas me animaram a continuar ensinando, conscientizando e inspirando quem tropeça neste blog a melhorar o mundo.


Cada comentário de vocês faz diferença. :)