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29.8.13

Fisioterapia também cura animais

Saiba tudo sobre o tratamento que faz cães e gatos sentirem menos dor e até recuperarem a habilidade de andar, sem precisar de remédio!

Xavier foi resgatado pelas meninas do Adote um Gatinho, no início do ano passado, com a coluna quebrada e uma lesão de medula quase total. O atropelamento em Jandira lhe rendeu uma cirurgia, alguns pinos e o diagnóstico de que ele dificilmente voltaria a andar.

Na casa da voluntária Daniela Xavier, porém, o peludo tentava levantar, subia a escada com as patinhas da frente, escalava a cama e, quando sonhava, mexia as patas traseiras como se estivesse correndo. Esses sinais fizeram a veterinária da ONG recomendar um tratamento combinado de fisioterapia e acupuntura.

Hoje, o bichano já consegue ficar em pé e dar meia dúzia de passos cambaleantes com sua fraldinha. A família que o adotou mora em Jundiaí, mas vem para São Paulo toda semana para não interromper as sessões milagrosas. Stella Sakata, veterinária especializada em fisioterapia, esclarece as principais dúvidas sobre o tratamento que pode mudar a vida do seu amigo também.

Em que casos a fisioterapia é recomendada?
Ortopédicos, como artrite, artrose, displasia coxofemoral e do cotovelo, luxação de patela, ganho de musculatura, consolidação óssea, reabilitação pós-operatória de fraturas, reparo de tendões, ligamentos e amputações. Neurológicos, como hérnia de disco, dor na coluna, paralisia, síndrome vestibular e da cauda equina e doenças virais. E para situações gerais, como controle da dor, redução de edemas, cicatrização de feridas, obesidade e doenças respiratórias.

Com que bichos ela obtém melhores resultados?
Com cães, gatos, cavalos... Eu atendo alguns animais silvestres também, como coelhos e macacos. Só em aves que não dá para fazer.

Quais são os benefícios do tratamento?
A fisioterapia consegue prevenir e curar lesões causadas por atividades realizadas diariamente pelo bicho, de forma não invasiva. Isso significa que é possível desinflamar, cicatrizar e tratar a dor sem o uso de medicamentos, poupando os rins, o fígado e outros órgãos.

E a recuperação é mais rápida?
Sempre.

Quanto tempo costuma demorar?
As sessões duram de 30 a 40 minutos, dependendo da patologia. E a recuperação total leva entre dez e 20 sessões. Quando o animal é muito velhinho, porém, o tratamento acaba se tornando contínuo, com manutenção semanal.

Existe alguma contraindicação?
A princípio, não. Mas o veterinário deverá avaliar o bicho para saber que conduta tomar e quais exercícios e aparelhos recomendar.

Dá para fazer em casa?
Sim, vários exercícios e alongamentos podem ser feitos em casa. O básico é o de sentar e levantar. Mas, se o animal estiver com dor, não vai conseguir. E, se o dono não souber manipular direito, acabará agravando o quadro, em vez de ajudar. Por isso deve-se consultar um especialista. Ele ensinará a forma correta de dar sequência ao tratamento fora do consultório.

:: Socorro paliativo

Casos agudos
Seu amigo acabou de operar, caiu da escada ou machucou o joelho? Faça gelo no lugar da lesão por 15 minutos, quatro vezes ao dia, durante quatro dias. A forma mais barata de compressa é colocar o gelo picado dentro de um saquinho de supermercado. E não se esqueça de usar uma toalha para evitar queimaduras.

Casos crônicos
Dores na coluna, por exemplo, necessitam de bolsa de água quente durante 10 minutos, uma ou duas vezes por dia, até passar o incômodo (que costuma ocorrer nos dias frios). Basta aquecer um tecido no micro-ondas ou encher uma garrafa pet com água morna.

* Texto escrito para a revista AnaMaria, da Editora Abril.

27.8.13

Sexta festinha do Gatoca

Eu menti quando disse que havia chegado a hora de mobiliar a casa nova. Ainda faltava pintar cinco portas e nenhum ser humano, encarnado ou desencarnado, me convenceria de que essa tarefa aparentemente simples levaria duas semanas. Mas levou, porque a gente precisou desmontar os acabamentos todos, lixar a madeirada até encher os dedos de farpas e dar três demãos de fundo para esconder os restos de verniz, mais duas de tinta.

Por que eu estou falando de reforma no post sobre a comemoração dos seis anos de Gatoca? Porque se não fosse a comemoração dos seis anos de Gatoca, ninguém tirava meu corpo dolorido da cama. E valeu cada gemido de vértebra! Denise veio de avião para doar uma sacola de broches e chaveiros artesanais lindos de morrer (aguardem!). Natália, Arielly e Michele contaram peripécias fresquinhas dos bigodes que passaram por estas bandas. Alice arrancou sorrisos até dos garçons.

E eu abracei amigos que esticam meus horizontes, sem pagar a conta. Obrigada por mais um ano!


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Festinhas anteriores: 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008

22.8.13

Serviço de personalização gratuito

Você precisa alterar o contrato social da sua empresa há um semestre, mas nunca sobra tempo. Quando finalmente consegue se acertar com o contador, coletar a assinatura dos sócios e agendar a ida ao cartório para o dia seguinte, entre as últimas demãos de tinta na porta de entrada da casa nova, dá de cara com esta obra de arte.

20.8.13

Humildade em forma de cão

Mike é um cachorro tão fofo que faz festa até para petisco integral.

O que você está esperando para levá-lo para casa?


Epopeia do Mike na busca por um lar:

:: Como tudo começou
:: Combo canino: amor e diversão
:: Som mágico

14.8.13

Mimetismo

Gatoca tem flores com e sem pelos.

10.8.13

Sexto aniversário do Gatoca

Os 78 bichos socorridos (incluindo uma pomba!), as 786 postagens, os 7,7 mil comentários de vocês e as 1,1 mil curtidas na fan page do Facebook já seriam motivo suficiente para comemorar. E eu convidaria leitores paulistas e estrangeiros para comer, beber, falar de gatos e dar risada no Barão da Itararé, como nos anos anteriores. A festa vai mesmo rolar, no sábado do dia 24, a partir das 18h ― almejando agradar madrugadores e boêmios. Mas, desta vez, os brindes hão de se multiplicar!

É que duas grandes mudanças estão a caminho: a primeira para os bigodes de Gatoca, que ganharão uma casa só deles (ou melhor, só nossa), e a segunda para os animais abandonados, que eu ainda não posso contar. Essa reviravolta na vida me obrigou a diminuir o ritmo de trabalho (remunerado) e a atualização deste blog, como vocês devem ter percebido. E até bico de pedreira eu fiz para economizar ― foram quase 12 meses quebrando parede, pintando teto, lixando porta.

Agora, chegou a hora de "mobiliar" o cafofo felino. A gente vai precisar de prateleiras para turbinar a ambientação, já que o "apertamento" é cinco vezes menor do que os peludos estão acostumados; caminhas, porque a compra do sofá ficará para a próxima encarnação; telas nas janelas, por motivos óbvios; banheiros fechados, para evitar refeições aromatizadas; e do combo antipulgas + dedetização, estratégica que nunca funcionou no casarão com jardim.

Se vocês se divertiram com os textos do blog nestes seis anos, vibraram a cada final feliz, adotaram um amigo, aprenderam a cuidar melhor do que já existia ou se inspiraram a fazer sua parte por um mundo mais decente e querem nos dar um presente, depositem a grana do cinema no Banco do Brasil (agência: 1561-x, conta corrente: 6830905-8) ou no Itaú (agência: 0185, conta corrente: 08360-7). Mas, peloamordedeus, não tirem a ajuda de outros protetores e ONGs. Aqui, a gente aperta e dá um jeito. E, na festinha (dia 24, hein!), eu aperto todo mundo. :)

5.8.13

Já ouviu falar em CED?

Você não mora em um casarão nem está a fim de arrumar confusão com a família, mas fica se coçando de vontade de ajudar os bigodes e focinhos que vivem nas ruas toda vez que lê um post sobre as aventuras do coração de pudim aqui no Gatoca? Foi por isso que eu aceitei o convite da Kuka Fischer e da Otávia Mello para participar do I Encontro Nacional de CED.

Eu até sabia que a sigla significava "captura, esterilização e devolução animal". Só que precisava de mais argumentos para convencer os leitores deste blog (e a mim mesma) a praticar a última parte. Seis anos colecionando doações de comercial de margarina fazem a gente torcer o nariz à ideia que alguns bichos nunca terão uma família. Mas é a mais pura verdade. Não existem lares para todos. E nem todos (leia-se "os ariscos") querem um lar.

E lá rumei eu ao centrão para assistir às palestras da Maria Quideroli, idealizadora do projeto Operação Gato de Rua (SC), da Fernanda Conde, veterinária especializada em castração precoce, da Neide Ortêncio Garcia, funcionária do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, do Feliciano Filho, deputado estadual (com direito a conversa do lado de fora), e da Otávia, amiga e fundadora do Felinos Urbanos (MA).

Entre a latinha de Jesus, presente do Maranhão, e os cupcakes coloridos do lanche de encerramento, muita coisa bacana foi dita. Com o olhar de jornalista, eu fiz então este resumo sobre o que um novato cheio de vontade de mudar o mundo precisa saber para transformar teoria de CED em prática. Relatos de veteranos nos comentários são bem-vindos.

Por que castrar

Nos últimos seis anos, a população humana cresceu 3,6%, a canina 60% e a felina 152%. Logo, logo, vai ter mais bicho do que pessoas no planeta. Passando fome e frio. A solução está na castração por saturação. É preciso esterilizar, segundo Feliciano, entre 75% e 85% dos animais de um bairro e, só depois, partir para outro. Enquanto o poder público se omite, nós podemos quebrar o galho fazendo nossa parte.

Como proceder

Primeiro, você vai precisar de uma armadilha ― animais de colônia dificilmente vêm no colo. O ideal é que ela seja acionada manualmente, para o bicho não fugir sem pisar no gatilho e para evitar a captura de gambás, lagartos e outras criaturas que não integram nosso público-alvo. Depois, deve-se escolher para atuar um lugar de abandono frequente, como parques, cemitérios ou construções abandonadas.


Prepare a armadilha com uma comida atrativa, espere o peludo entrar, leve-o para casa e dê ração antes do período de jejum. No dia seguinte, se o veterinário disser que está tudo bem, ele pode ser castrado com a técnica do gancho, criada pelo Werner Payne, que tem um pós-operatório tranquilo, pois o corte é minúsculo, e não precisa de retorno para tirar os pontos.

Não esqueça de pedir o cortinho na orelha, para identificar que aquele animal já foi esterilizado e não sofra com novas capturas. A devolução pode ser feita após 24h, no local de origem, porque o bicho estará medicado com antibiótico, anti-inflamatório e analgésico de efeito prolongado. Deixe potes de comida e água, para ajudar no pós-operatório.

Exceções

Animais domiciliados que vivem soltos são devolvidos para os (ir)responsáveis ― sim, eles também entram na dança! Bigodes e focinhos doentes ou dóceis não devem voltar para a rua. O primeiro grupo precisa de tratamento e o segundo pode realizar o sonho da casa própria. Edward, Flea, Snow e os bebês do cemitério de Santos não me deixam mentir. Peça ajuda aos amigos com a divulgação.

Fêmeas barrigudas darão mais dor de cabeça. Se você resolver soltar, logo a bichinha estará prenhe outra vez e não vai querer entrar na armadilha. Se resgatar e esperar o nascimento dos filhotes, corre-se o risco de a mãe rejeitar a cria (e até comer os pequenos) por estresse. A decisão pela castração imediata dependerá de um veterinário que tope e de internação, já que a recuperação demora mais tempo.

Colônias que sofrem com envenenamento, atropelamento, fome e maus-tratos precisam ser remanejadas. Escolha uma área verde ou uma construção abandonada, com a permissão dos donos ou responsáveis, claro, que tenha fonte de alimento e água, pouco tráfego e vizinhos amigáveis. O local pode ou não ser habitado por outros bichos ― basta colocar os novatos longe até rolar a adaptação.

Sopa no mel!

Quer pegar mais segurança? Comece o trabalho em uma comunidade carente. Elas são a origem dos animais de rua, já que as famílias costumam não ter o mínimo nem para elas mesmas, e o manejo contará com a colaboração dos donos dos peludos ― um contato de confiança, para sensibilizá-los, facilitará bastante a vida.

Antes de colocar a mão na massa, faça um levantamento dos bichos que vivem no local (sexo, idade, condição de saúde). Invista na conscientização dos moradores sobre a importância da cirurgia, incentivando a castração precoce. E não deixe de separar uma grana para os bigodes e focinhos que precisam de tratamento para poderem ser operados.

Também vale a pena atuar no controle de zoonoses, doenças transmitidas a seres humanos ― vermífugo e vacinação são essenciais nesses lugares. Outra coisa importante é pedir para o responsável assinar um termo escrito de comprometimento com a cirurgia e de responsabilidade pelo animal, evitando futuros perrengues.


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