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27.2.09

Notícias de Curitiba – parte 1

Resolvi publicar os dois meses de cartinhas da Miharu em quatro posts, para ninguém desistir de ler na metade. rs

31 de dezembro de 2008

Oi, Bia!

Como vai o coração de pudim? Fique sossegada que Merlin está bem e feliz. Toda vez que entro na horta, ele me "convoca" pra brincar de pega-pega, usando como troféu a sua blusa (que pareceria mais intacta se tivesse voltado da guerra). Ele é um cachorro muito inteligente e aprende fácil. Pela manhã, começou o foguetório, mas o floral já está fazendo efeito... Quando sentir saudades, venha visitá-lo!

2 de janeiro de 2009

Passei a virada dividida entre os bigodes e os focinhos. Merlin corria em direção ao barulho, voltava para a cerca, brincava um pouco, ciscava o chão feito galinha, punha-se a perseguir o próximo barulho. Sempre de rabinho enrolado e levantado. Parou de mastigar o sofá, que continua inteiro (com exceção daquela lateral sem espuma, do primeiro dia). Neste fim de semana, quero ver se começo a socializá-lo com os meus cachorros. Ele anda doidinho para brincar com a turma.

6 de janeiro de 2009

Sua camiseta está em petição de miséria. Depois da chuva, do barro e das mordidas, pouca coisa restou. As crianças agradecem as bolachas. Distribuo-as em frente o portão do Merlin e digo que é presente dele. Não sei se entendem, mas ficam todos perto e se deliciam. No primeiro intervalo sem água, coloquei o Ciro (cão Alfa) na horta e os outros começaram a latir. Oito focinhos quase se engalfinharam! Vou te pedir que converse com São Francisco de Assis e São Pedro, para mandarem um céu azul no próximo fim de semana.

*continua*

25.2.09

Bagagem extra – parte 3

Enfim, paz!

Quando Chocolatinha entrou no cio precocemente, ganhou um parceiro fiel de chiliques: onde quer que a criatura fosse com seu berreiro, Simba fazia questão de acompanhá-la, empolgando-se especialmente nos refrões. Semi-ensurdecida, achei melhor antecipar a castração da pequena.

A cirurgia não durou meia hora, mas ela demorou umas cinco para recobrar a consciência. Como de praxe, desfilou bêbada pela sala, trombou nas paredes, tentou comer a ração do pote sem que a boca abrisse. No dia seguinte, porém, já pulava de um lado para o outro, ostentando molas imaginárias nos pés.

*continua*


Capítulo anterior: Bagagem extra – parte 2

22.2.09

Bagagem extra – parte 2

Mudança de planos

Uma semana após o resgate, ao invés de voltar para o pet shop, Chocolate foi parar é no veterinário. Não queria saber de comer, enjoava com o cheiro de leite, passou a andar pela casa cabisbaixa, fugindo de carinho e dos outros bigodes. Culpa da sarna de ouvido.


Dr. E. limpou as orelhas negras, aplicou uma injeção de antibiótico para a febre e aconselhou comprarmos Foldan (além do vermífugo e do remédio antipulgas). Em quatro dias, o nariz trufado da pequena havia recuperado a cor e ela se encheu de confiança para revidar os ataques impiedosos da Clara Luz.

*continua*


Capítulo anterior: Bagagem extra

18.2.09

Gente que faz

Karina é meu braço direito aqui em casa. E o esquerdo também. Ela cozinha divinamente, recicla o lixo, briga com os vizinhos que ainda não se tocaram que o planeta está acabando. Hoje, levamos sua gatinha para castrar no Dr. E. e a família maluca queria, de qualquer forma, reembolsar a gasolina gasta no percurso. Minha amiga, se metade das pessoas do mundo tivesse a sua consciência, eu faria mil viagens de Utinga a Diadema.


P.S.: Naru se recupera bem, já passeou pelo apartamento, subiu na cama e nem ligou para o curativo do pós-operatório.

14.2.09

Bagagem extra

No dia 14 de fevereiro de 2007, João apareceu aqui em casa segurando uma criatura de rabinho quebrado e nariz sujo de chocolate. Tão pequena (quatro meses no máximo!), já vagava sem rumo pelas ruas bairro. Coloquei-a no carro, evitando olhar para a sua carinha de pelúcia, e dirigi determinada até o pet shop do Sonda. Três bigodes era mais que suficiente. Só que a gaiola de doação estava lotada e eles me pediram para voltar em uma semana. Começou aí o nosso amor.

Chocolatinha lembrava o coelho da Duracell, acompanhando-me para cima e para baixo. Quando corria, as patas pareciam desarticuladas. Seu pêlo cheirava a talco e bastava encostar-lhe os dedos para ligar o motorzinho de ronrom. No ápice da fome, visitava os potes de ração de todo mundo, deixando o seu por último. Por várias vezes, peguei-a revirando o lixo da lavanderia, costume deprimente que demorou a largar. Apesar de adorar um cafuné, morria de medo de colo.

Clara ficou furiosa com a concorrência. Para falar a verdade, bom anfitrião mesmo só o Mercv, que acabava levando de graça os fuzzzzzz recebidos dos outros gatos. Eles tinham os mesmos olhos de ressaca ao acordar, o focinho rosa de felicidade e trejeitos singulares para brincar de bolinha ou dormir em cima da pata.

*continua*


P.S.: Eu sei que vocês já conhecem essa história, mas é que eu resolvi continuar a novelinha da pequena. :)

Aniversariante do mês – fevereiro de 2009

Antes, eu achava que a Chô* preferiria ser filha única. Hoje, sei que ela gosta é de se sentir exclusiva em meio à penca de bigodes. Almejando comemorar o segundo aniversário da pequena em Gatoca, comprei um ratinho florescente só para ela (entregue a portas fechadas!), deixei que a criatura comesse o sachê de salmão antes de todo mundo e ainda passei a madrugada encolhida na cama para que ela pudesse deitar de atravessado.


*Novelinha: Conheça a história da Chocolate

12.2.09

Doce de batata doce

Hórus voltou ao veterinário, na sexta-feira passada, mas Dr. E. nem precisou se dar ao trabalho de tirar os pontos da cirurgia de castração, porque o pequeno o fizera sozinho, em casa mesmo. Deve ter pensado, inclusive, que a picada das vacinas e o calor insuportável foram castigo pela arte. Em resposta, passou a tarde jogado, sem querer saber de comer, nem brincar.


Do vermífugo, porém, o figura adorou. Engoliu o comprimido sozinho, ganhou duas lambidas de requeijão e continuou me encarando com o nariz sujo, à espera da terceira. Enquanto o barrigão de vermes se recusa a ir embora, aproveitamos para lhe encher de apertos, religiosamente retribuídos com um ronronar de bateria de escola de samba adentrando a Sapucaí.


Todo dia, o peludo arruma um objeto diferente no escritório para transformar em diversão, um miado inédito para pedir carinho, um canto novo para dormir. Alguns filhotes deveriam ser proibidos de crescer...


P.S.: Juro que não recebi um centavo da Sony pela propaganda. Até porque minha pobre digital é de 2005... rs

11.2.09

Importação de bigodes cancelada!

Parece que Renata se enganou ao pensar que o povo do sul preferia focinhos e os bigodes de Curitiba acabaram sendo doados por lá mesmo. Obrigada, de qualquer forma, pela ajuda de vocês na divulgação. E não esqueçam que o pequeno Hórus continua preso aqui no escritório, esperando sua vez de ganhar uma família de comercial de margarina. Quem cuida de dez, cuida de 11, mas perde a chance de ajudar todas as outras vidas que ainda estão na rua, desviando de pedras, comendo lixo, dormindo em buracos. Juntos nós podemos fazer a diferença! :)

9.2.09

Exército de um homem só – parte 3

Super-herói

Desafiando a ciência, o pequeno Mercv não se intimidava com fogo, escapava dos apertões herméticos, travava batalhas homéricas com o próprio rabo, cabia em caixinhas de remédio, pendurava-se nas prateleiras com os dentes, roubava as comidas que caíssem da mesa antes que a gente conseguisse ajuntar, dormia no meio das investidas contra a Severina, escalava obstáculos variados.


Sobreviveu a um copo estilhaçado, aos tropeções que vivíamos dando nos potes de ração espalhados pela casa, à janela que fechou misteriosamente em seu nariz, à cadeira de rodinhas que lhe atravessou a pata. Foi nessa época que afloraram os dons especiais para abrir portas e gavetas, acender e apagar luzes, girar a alavanca da torneira do banheiro, desligar o computador. Questão de sobrevivência, eu diria.

Como todo personagem dotado de super poderes, aliás, o peludo também tinha seu lado negro. Durante meses, lutou contra o vício nos produtos de limpeza da lavanderia e a mania de degustar escondido a areia do banheirinho. Abraçava paredes em plena luz do dia, lambia o pé das visitas, soltava pum nas sacolas de supermercado e se fazia de desentendido.

*continua*


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5.2.09

Exército de um homem só – parte 2

Para quem nunca havia tido um animal de estimação na vida, era deveras estranho observar o Mercvrivs se mexendo sozinho pela casa, cheio de vontades próprias. E sem pilha! Quando a gente voltava estressado da rua, dava de cara com seus bigodes gigantes e o mau humor derretia feito manteiga. A bolinha de pêlo não miava, quase não comia, brincava menos ainda.

"Você nem vai perceber que ele existe", Eduardo chegou a argumentar para me convencer sobre a adoção. Perdi a conta de quantas vezes gritei com o gênio ao telefone, enquanto corria atrás do filhote, tentando limpar os rastros descontrolados de diarréia. Até que, desconfiada da prescrição de vitaminas da veterinária aqui do bairro, decidi levar o pequeno à clínica de Utinga, onde os felinos da família Perez se consultavam há mais de dez anos.

Anemia, infecção e virose compunham o diagnóstico do frajolinha, que eu mal conhecia e já roubara uma lágrima do meu estoque de lubrificação ocular em público. Frágil daquele jeito, só um milagre conseguiria reverter a situação. Comprei a gôndola inteira de Gatorades da padaria e, nos dias seguintes, aprendi o significado de ter o tal coração fora do corpo, que bate cada segundo em sintonia ao seu.


Mercv, por sua vez, descobriu o prazer de surfar em nossos chinelos, de fazer bagunça de madrugada, de lamber pasta de dente, de afiar as garras na CPU, de beber água com sabonete, de escalar nossas pernas nuas, de estraçalhar o ratinho de gatária, de urinar no pufe da sala, de dormir esparramado no meu colo, de picar papel higiênico, de se lambuzar de mamão, de dançar mambo.

*continua*


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2.2.09

Deus da Guerra

Estou tentada a rebatizar o pequeno Hórus de Seth. A criatura passa o dia no meu colo, hipnotizada pelos cachos de cabelo, e quando algum deles faz o mínimo movimento, dá um salto desengonçado, erra o alvo balançante e acaba, invariavelmente, com as cinco garras cravadas no meu rosto. Comer pizza em frente à Delegacia de Defesa da Mulher nem pensar!