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30.5.08

Pane no sistema! – parte 4

Dilema materno

Três dias após o nascimento das pequenas, Guda se deparou com o dilema da mulher moderna: dedicar-se à família ou investir tempo e esforços em projetos pessoais? Cansada da função de cabideira entocada, bastava abrirmos a porta do quarto para que ela atravessasse ventando, ainda que fosse preciso arrastar a ninhada toda no peito. Por outro lado, se alguém fizesse menção de se aproximar da favelinha, a leoa instantaneamente dava meia volta, pisando duro. Seu miado até engrossou. Sorte que as rebentas passaram a guardar os resmungos para ocasiões especiais, como a tortura da hora do banho ou os recorrentes momentos em que a gorducha resolvia deitar-se descompromissadamente sobre elas.

Primeiros passos

Pimenta foi a primeira a abrir os olhos, além de outras precocidades contadas aqui no blog. Mesmo sem enxergar, cerca de duas semanas depois, as cinco meninas já estavam dando voltas bêbadas pelo edredom que margeava a caixa de papelão. E ninguém batia a esperteza das frajolas! Guda não cansava de trazê-las de volta pelo cangote, completamente desesperada, a cada nova aventura.

*continua*


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28.5.08

Pane no sistema! – parte 3

Cabideira anti-social

As voltas da Guda pela casa passaram a durar cerca de dois segundos e meio, intervalo máximo entre os chorinhos dos brinquedos de borracha recém-nascidos, ansiosos pelo cabide leiteiro materno. Durante o dia, enquanto as bolinhas de pêlo pisoteavam-se para tapear o frio, a mãe orgulhosa alternava afagos personalizados, conseguindo a proeza de envolver todos num único abraço. Tamanha era a corujice da criatura, que quando viu Mercvrivs espiando a cena pela janela do quartinho, pôs-se a pular e grunhir assustadoramente, como se o Homem do Saco estivesse prestes a levar seus pimpolhos.

Tudo que entra...

No momento em que me dei conta de que precisava encher o pote de ração da barriguda de três em três horas, achei melhor comprar-lhe um recipiente extra. Aproveitei e já trouxe também aqueles de ferro com areia embaixo para impedir que a água passeasse sem rumo pelo piso de madeira. Como não encontrei bacias gigantes, Guda continuou a esvaziar a areia do prato improvisado a cada usada. E eram dezenas por dia (ou, ao menos, pareciam)!

*continua*


Capítulo anterior: Pane no sistema! – parte 2

26.5.08

Alice em busca do País das Maravilhas

Sábado passado, teve reunião das voluntárias do Adote um Gatinho e eu finalmente conheci a sede localizada na Barra Funda. Ao contrário das outras meninas, porém, evitei decorar nomes e manias da população rotativa, pois tal situação me deprime além da conta. Um abrigo é sempre um abrigo, por mais que ofereça segurança, ração à vontade, atendimento veterinário cinco estrelas. Nenhum protetor consegue dar atenção diferenciada a tantos animais, comida especial nos finais de semana, presente de aniversário, colo durante o temporal.

Eis que Alice vem roçar em minhas pernas, desesperada por carinho, comprovando a tese. Nunca vi um felino capaz de fazer massinha no chão duro, enquanto caminha. Contaram-me que sobrara para trás num despejo, junto com a irmã e mais dez gatos, demorando uma eternidade para acostumar-se com a falta de sorte.

Um ano depois, sua triste sina parecia prestes a mudar, quando o casal de Sumaré que acabara de adotá-la resolveu devolvê-la porque era muito grudenta (!). Alice entrou em depressão, adoeceu, passou dias internada. Ao voltar para o abrigo, ficou separada dos demais habitantes provisórios, protegida de novas contaminações, mas nunca mais recuperou o peso perdido.

Ela adora gente, bolinhas, cafuné. Possui pelagem tricolor rara, olhos verdes e precisa urgentemente de um lar. Começa hoje em Gatoca a corrida rumo ao País das Maravilhas! Conversem com suas famílias, encaminhem o link deste post aos amigos, pensem em idéias mirabolantes. E sigam o Coelho Branco!

24.5.08

Pane no sistema! - parte 2

Dez bigodes em casa!

Já ouviram falar na lenda das gatas que comem os filhotes recém-nascidos? Pois Guda seguiu o caminho inverso e vomitou mais duas bolinhas de pêlo na madrugada pós-parto, aumentando o montante para cinco. Existe a possibilidade, também, dos girinos pretos e brancos terem se desdobrado, descolado, multiplicado. O fato é que, no dia seguinte, a família inteira estava limpinha e o sangue do local havia misteriosamente desaparecido. Como elas conseguem? Uma antiga chefe chamaria de "autonomia delirante". Confesso que eu sentia calafrios ao pensar no fim que levariam os cocôs daquela população toda...

*continua*


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22.5.08

Pane no sistema!

Guda estava mesmo grávida, não eram gases. O relógio marcava 19h quando nasceu o primeiro filhote britânico: após duas semanas intermináveis, um barulho de patinho de borracha vazava do quartinho. Eu confesso que só percebi porque estranhei a ausência da gorducha na porta de geladeira. Ela escolheu um dia congelante (como o que resolvemos acolhê-la) e deu à luz dentro da caixa de papelão escura, no único cômodo da casa iluminado por 60 W, virada para o fundo.

Ainda assim, eu fiz um vídeo de péssima qualidade para a posteridade. Nosso primeiro parto, com duração de menos de duas horas, tinha cinco tons de marrom sujo e muitos sons engraçados. Os bebês (um preto, um branco e um malhado) pareciam ratos, com cabeça de vaca e nariz de palhaço.

*continua*

21.5.08

Aprendendo a fazer buscas

Mês passado, veio parar aqui no Gatoca gente que procurava convites de aniversário do Rei Leão, boneco de plástico que reza o Pai Nosso, enfeites em potes de Danoninho, fotos de pererecas suadas (!), imagens de grão de feijão, machos peludos, simpatias para ficar briguenta, textos sobre os hábitos alimentares da igreja, Tiranossauros lutando, vídeos de entregadores do China in Box.

Um menino digitou no campo de busca do Google que tinha 15 anos e pretendia "ficar mais gostosinho". Vários outros nós cegos continuaram sem saber se os vegans matam baratas, se existe pimenta venenosa, se limão é bom para a calvície. Saiu frustrado, ainda, o tiozão que queria dicas de como pintar os bigodes brancos. Nossos bigodes (brancos, pretos, marrons e amarelo) agradecem as visitas! rs

20.5.08

Família tricolor adotada em peso!

Certas notícias exigem que se prepare o espírito do receptor com antecedência. Ontem, Mariana Bellegarde enviou-me um e-mail contando, de supetão, que a família tricolor resgatada do armário das baratas* fora inteirinha adotada e eu quase enfartei!

Lagartixa conquistou o carinho de Adrienne Firmo, moradora da Zona Leste. Tartaruga ficou com Alessandro Mendosa, pai da gatinha Sandy. Minhoca virou a princesa de Marcela Barboza. E Íris, a mãe, rumou para a casa de Júlia Cabral, em Pinheiros, onde não desgruda de Suri, uma frajolinha filhote também doada pelo AUG, e Tofi, a cachorrinha vira-lata de três meses.

Abrigar um animal abandonado temporariamente desentope as veias coronárias:

Oi, Bia!

Meu coração está radiante. É isso mesmo: a cada gatinha que ia embora, eu ficava mais feliz. Pensei que não serviria para lar temporário, que me apegaria demais, que meu apê viraria a sucursal dos felinos. Quando vi Susan em apuros, porém, decidi que precisava ser forte. Aceitei, consegui e mal posso acreditar! É uma alegria saber que as meninas foram entregues a boas famílias e terão a vida que todo bichinho merece! Confesso que quase me deixei levar pelo jeito meigo da Lagartixa, mas acabei resistindo. A experiência valeu tanto a pena que já estou com outra mamãe de barriga cheia, para começar tudo de novo!

Beijos

Mariana Bellegarde



*História completa dos montinhos de ossos da dona Lourdes, constantemente atualizada.

19.5.08

Golpe da Barriga – parte 7

O aniversário

Um ano se passou (acharam que eu ia contar a história das meninas antes do dia 22?! rs), Isnard desapareceu e barriGuda acabou virando Guda, a mãe mais babona de todo o universo. Separá-la das filhas equivalia a sentenciá-la à morte, sem venda nos olhos! Ultimamente, porém, as pequenas andam tão endiabradas, que a coitada deu para se esconder embaixo da minha cama quando chega a hora de deitar, na esperança de passar despercebida e se livrar do agito noturno.

Terça-feira, dia 6, antecipando as comemorações do seu aniversário, eu deixei-a ficar no quarto. Como agradecimento, agüentei a criatura passeando em cima de mim a madrugada inteira, toda feliz. O café da manhã teve ração da lata, que ela só aceitou comer depois de se certificar que ninguém mais queria. A bolinha nova foi trocada pela encardida, toda furada de dente, para que as mimadas pudessem brincar com o penacho colorido. Nem da caixa de panelas inox ela pareceu fazer muita questão. Bem que dizem que a maior alegria de uma mãe é ver seus rebentos feliz. Eu também dormi com o coração cheio. :)

* FIM *


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Outros aniversários: 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009

18.5.08

Gatoca de alma nova!

Decidi mudar o arquivo do Gatoca, pois se continuasse a organizar pela chegada dos bigodes aqui em casa, "Pane no sistema" teria milhares de textos, já que contempla a fase atual, contra meia dúzia das outras categorias. Agora, clicando no menu lateral, vocês podem ler as peripécias de cada peludo, os especiais publicados em datas comemorativas, as pequenas conquistas desses nove meses de blog, os melhores posts, o epopéico caso dos montinhos de ossos da dona Lourdes (antes e depois dos resgates), várias outras tentativas atabalhoadas de socorro animal, incluindo ratos e pombas! As séries contam a história dos dez felinos protagonistas e vêm sendo escritas nos seus respectivos aniversários. Façam o favor de prestigiar, porque perdi o final de semana inteiro nessa reestruturação! rs

17.5.08

Golpe da Barriga – parte 6

Versatilidade vocal

Chocolate Tamanho Família aprendeu rápido que a cozinha era o templo das gostosuras da casa e a geladeira, o altar onde devia ajoelhar-se a cada refeição familiar. Se demorávamos para nos sensibilizar com sua cara de grávida pidona, o barrigão logo passava a ocupar DUAS cadeiras da mesa em protesto. Quando os falsetes pela ração da lata deixavam de causar comoção, ela tirava do bolso um miado completamente diferente, como se estivesse sendo dublada. Chegou a simular som de porta rangendo, de criança chorando, de cachorro abandonado, de velha ranzinza.

Contagem regressiva

O barrigão da futura mamãe parecia crescer de meia em meia hora. Dr. E. até havia comentado que a gestação das gatas durava apenas dois meses, mas eu não fazia a menor idéia de quando aquelas bolinhas de pêlo decidiriam pegar no batente, muito menos quantas eram (torcia em silêncio, porém, por uma ninhada de três, número simpático a adoções emergenciais).

*continua*


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16.5.08

Golpe da Barriga - parte 5

Abre parêntese: essa novelinha é da Guda, cujas filhotas estão quase completando um ano de vida, gente! Não tem ninhada nova vindo por aí, graças a São Francisco de Assis! Achei melhor explicar também que troquei o título dos posts, atendendo a pedidos, para que as Gudinhas ganhem uma série exclusiva. Fecha parêntese.

Não se mexe com quem está quieto

Depois de invadir a favelinha três vezes com a espada em punho, Clara Luz levou uma surra da Chocolate Tamanho Família! Na primeira investida, a obsessiva entrou pela lavanderia quando eu abri um milímetro da porta para jogar o guardanapo no lixo. Na segunda, pulou o vitrô do banheiro, que alguém esquecera aberto. E na última, aproveitou a micro-fresta da janela do próprio quartinho, alargando o buraco obstinadamente com a cabeça. Não preciso dizer que o incidente a deixara toda dengosa, né?!

Arrumação para a maternidade

Quando voltamos do almoço de Dia das Mães na casa do Eduardo, a barriguda estava tão branquinha e macia, que parecia ter ficado de molho no Comfort. Pelo jeito, os preparativos para o grande dia haviam começado! Na hora de dormir, inclusive, ela passou um tempão no meu armário, procurando um cantinho para se acomodar. Desconhecendo as necessidades de grávida (e tendo constatado que banheiro e potes de comida jamais caberiam junto com os sapatos), porém, levei-a de volta ao quartinho.

*continua*

ANTES


DEPOIS


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15.5.08

O que seria do Gatoca sem vocês?!

Aos nove meses de existência (porque os dois primeiros foram gastos com o layout precário - rs), Gatoca acaba de ultrapassar os 1.000 comentários! Para comemorar a participação animada a cada peripécia dos bigodes e, simultaneamente, desculpar-me pela distância das últimas semanas, resolvi responder as mensagens atrasadas aqui neste post!

Lili, Inês, Mônica, Claudia Regina, Camila, Francine, Thiane, As Mimadas, Lyra e mãe da Guiga, sejam bem-vindas! :)

Bella e Sônia, parece que Romeu e Julieta continuam na mesma situação.

Celina, como está o Dangô? "Marley & Eu" vale muito a pena! Só tome cuidado para não acordar inchada no dia seguinte. rs

Márcia, eu não tenho caixa postal, mas o Mercvrivs disse que podemos abrir uma se a Petúnia ensinar como. Em 2006, viajei ao Canadá para escrever sobre intercâmbios culturais e fiquei impressionada com a gentileza do povo, a limpeza das ruas, a qualidade do sistema educacional, as casas sem muros (como nos filmes), os esquilos fugindo das máquinas fotográficas. Foi a única vez que saí do Brasil. Não queria mais voltar.

Meu o olho esquerdo está bem melhor, mas não dá para saber se sobrou algum grau antes da cirurgia de miopia completar seis meses. Eu comecei a usar óculos aos dois anos de idade e lentes de contato, aos 14. Só que o organismo resolveu rejeitá-las depois de velha e ninguém merece entrar no mar de armação na cara para conseguir voltar para a esteira.

Lisy e Lu Fuoco, valeu pelos textos! Lu, você já pensou em bloquear o acesso dos peludos à rua, evitando novos riscos?

Juliana, minha voz ao telefone é péssima, você não perdeu nada. O convite para a festa do Adote um Gatinho estava no blog das meninas. Pode repassar as dicas de cuidados felinos aos amigos, claro! Adorei o episódio das pílulas espalhadas pela sala! Em "Bigodes alados" aparecem dormindo com a Guda a Jujuba, a Pipoca e a Keka.

Cris Senna, apesar do sufoco (e da falta de familiaridade desta jornalista com segredos de maquiagem, combinação de estampas de almofadas e vídeos de modelos em baladas paulistanas), trabalhar na Editora Globo foi uma grande experiência. Obrigada pela indicação!

Michelle e Gisele, será que conseguimos papear no sábado?!

Kalu, se os bigodes viverem 32 anos, vou direto para o céu!

Silvana, como está a resgatinha? Você não esclerosou, não: as novelinhas serão publicadas somente nos respectivos aniversários dos protagonistas.

A atual, aliás, conta a saga da Guda, que completou um ano aqui em casa e todo mundo ainda confunde com a Chocolatinha. Não tem ninhada nova vindo por aí, gente. Graças a São Francisco de Assis! rs

Já vi que se tomar coragem de escrever um livro, venderei quatro exemplares. Ueba!

Charles, a Lili sarou?

Ana Cláudia, BBB (Blog dos Bigodes da Beatriz) foi ótemo! Agüenta firme, porque seu peludo vai precisar de você mais do que nunca agora. Depois, a gente te dá colo.

Silvana Tavano e Maria Amália, garanto que não atiro confetes despropositados. "Diários da Bicicleta" e "Na Contramão do Pelo Contrário" ganharam uma leitora assídua, apesar do tempo curto.

Ana Paula, que fim levou o resgatinho dos bombeiros? Deixe a Minhau solta com a turma, mas não force a aproximação. E se rolar briga feia, intervenha. Aqui, Chocolate e Clara ainda pegam fogo, sem sinal de progresso.

Kiki, não consegui assistir o vídeo do milho.

Débora, acho que mãe faz falta até para quem tem 90 anos.


Obrigada pelas palavras de carinho, pelas histórias engraçadas, pelos ataques de ira partilhados. Quando a vida começa a pesar, eu lembro que existe este blog e tudo fica com gosto de bala. :)

14.5.08

Mercvrivs & Eu

Antes de me encantar pelo algodão com pernas mais comum de uma ninhada de cinco, eu criticaria ferrenhamente alguém que perdesse tempo enterrando um cachorro. Ontem, estava aos prantos com o final de "Marley & Eu". Que o desfecho é triste, todo mundo sabe, mas constatar que passarei por isso, no mínimo, dez vezes ao longo da existência roubou-me o sono.

A simples idéia de ver partir o bigode que forçou as janelas desse coração escaldado para o amor entrar, cheio de cores, cheiros e gostos, faz o corpo inteiro doer. Como decidir a hora de dizer adeus? Nem com todo o sofrimento de minha mãe eu consegui! Olha que ela sempre pregou preferir morrer a terminar numa cama de hospital. Mas e se tivesse reconsiderado?!

Queria poder obrigar Mercv a jamais cruzar a ponte do arco-íris sem mim. Agarro-me, no entanto, à esperança infantil de que nunca deixarei de ouvir seus passinhos pela casa. Às vezes, a vida parece intensa demais para a minha pequenez.

Golpe da Barriga - parte 4

Subversivos caricatos

Quando Simba conseguia furar o cerco armado em torno da futura mamãe, corria direto para a favelinha e se esmagava na parede do fundo, onde as mãos não alcançavam, com ar de vitória. A alegria transformava-se rapidamente em embaraço, porém, se a gente resolvesse levantar a caixa de papelão. Chocolatinha Extra P escondia-se sob o fogão, almejando espiar a intrusa sem ser expulsa no rebanho. Barriguda respondia a todas as investidas dos bigodes com miados que mais pareciam apitos de carnaval.

Badaladas

O primeiro trajeto que Chocolate Tamanho Família decorou foi o que levava ao jardim de inverno do meu quarto. Acontece que ela insistia em atravessar dando saltitos engraçados, com medo de encontrar os outros gatos, e o barrigão acompanhava balançando feito sino. Quando finalmente chegava na janela de vidro, as perninhas de trás até arriavam.

*continua*


Capítulo anterior: Golpe da Barriga – parte 3

13.5.08

Bigodes alados

Yone Sassa, amiga de grande coração que abrigou uma das ex-queletinhas da dona Lourdes temporariamente ano passado, acabou de me contar que os posts do Gatoca ganharam vida em seus sonhos, enchendo a madrugada de ontem de bigodes. Esse deve ser o maior elogio para uma escrevinhadora de histórias. :)

12.5.08

Golpe da Barriga - parte 3

Corpo mole

Chocolate Tamanho Família só queria saber de ficar esparramada sobre o cobertor que eu havia ajeitado no quartinho. Certa manhã, quando a forcei a caminhar para aproveitar o sol tímido que despontara no quintal, tive de agüentar um rosário interminável de lamentos. De hora em hora, então, eu a colocava no colo, acariciava seu barrigão e assistia a gordinha fazer massinha na minha perna, completamente hipnotizada.

Estratégias de convivência pacífica

Para evitar que a futura mamãe apodrecesse no quartinho, embora eu achasse que ela estava realmente gostando da idéia, arrumei um jeito de dividir a casa em duas partes (ela morria de medo dos bigodes e os bigodes não morriam de amores por ela): quando abria a porta da lavanderia que dava para o corredor externo, deixava o resto dos cômodos e o jardim da frente para os veteranos. Se fechava os bagunceiros na sala, levava a gordinha para passear pelos quartos. Acontece que sempre tinha um infeliz que ultrapassava o bloqueio e Clara chegou a partir para cima da coitada duas vezes com uma seqüência impiedosa de tapas, enquanto ela se encolhia assustada embaixo do armário da cozinha.

*continua*


Capítulo anterior: Golpe da Barriga – parte 2

Foto da Umaga na casa nova!

http://gatoca.blogspot.com/2008/05/esqueletinhos-palavras-ao-vento_08.html

P.S.: A ex-queletinha agora se chama Nina e ganhou um irmão felino que atende pelo nome de Dink.

10.5.08

Especial Dia das Mães 2008

Ser mãe é estar junto...


...trocar carinhos, confissões, angústias e sonhos.


Mas também faz parte saber a hora de brigar...


...e de impor limites.


Dedico este post à minha mãe, que não chegou a conhecer Gatoca, e às milhares de mães felinas abandonadas pelo mundo, que não tiveram a chance de dar a seus filhotes uma família como a nossa.

9.5.08

Golpe da Barriga – parte 2

The day after

Almejando melhorar a estadia da Chocolate Tamanho Família na garagem, improvisei um banheiro no pratão do vaso de flor e roubei tupperwares da cozinha para comida e bebida. O cobertor fedia desgraçadamente a mofo, mas ela só o abandonava para esconder-se dos curiosos sob o meu carro.

Quando a previsão máxima de temperatura bateu 16ºC, resolvi trazer a favelinha para dentro de casa. Isnard avisara que não decidiria sobre a adoção antes da viagem a trabalho e seria desumano deixar a barriguda congelando por tempo indeterminado, num imóvel com tantos cômodos. Principalmente porque toda vez que me ouvia na sala ela chorava.

Quentinha e segura, a futura mamãe nem se importou com o tamanho limitado do quartinho de bagunça. Mercv, Clara, Simba e Cho permaneceram dominando o resto do território, igualmente felizes. E eu insisti no esforço de não lhe dar um nome, porque dá-la depois disso ficaria bem mais difícil.

*continua*


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8.5.08

Esqueletinhos: palavras ao vento

Atualizado em 12.05.08

Lembram da cartinha da Thaís, dizendo que Umaga teria um lar com muito amor até que fosse para o céu dos gatinhos? Pois soube que ela se separou do marido no final de abril e não pensou meia vez em desovar a ex-queletinha*. Sorte que Susan arrumou-lhe um cantinho na semana seguinte, com vista para a Avenida Paulista, sob os cuidados de uma professora de história e seu filho advogado. A pequena agora se chama Nina e ganhou um irmão felino que atende pelo nome de Dink.


*História completa dos montinhos de ossos da dona Lourdes, constantemente atualizada.

7.5.08

Golpe da Barriga

Na manhã do dia 7 de maio de 2007, dona Jane tocou a campainha aqui de casa para dizer que minha gata grávida estava dormindo na soleira de sua porta e quase foi atropelada por um carro ao tentar segui-la rumo à feira. Eu não tenho bigodes que mendigam no jardim dos vizinhos, muito menos grávidos, mas achei melhor checar e dei de cara com a Chocolate tamanho família: mesmo nariz sujo de cacau, mesmo corpo branco com as extremidades escuras, mesmos olhos azuis. E uma barriga invejável!

Deixei-a ficar na garagem, esperando convencer algum amigo a adotá-la. Pelo bairro, os bombonzinhos se multiplicariam como gremlins, engordando as estatísticas de animais famélicos e maltratados. Sem demonstrar vontade alguma de partir, a futura mamãe logo transformou o capacho da entrada em cama e ainda compôs uma sinfonia de miados engraçados para louvar o primeiro pote de ração.

Numa das vezes em que saí para conferir se estava tudo bem, encontrei Clara Luz sentada ao seu lado. Na visita seguinte, Mercvrivs e Simba haviam se juntado à rodinha de fofoca. Soltei, então, a pequena Chocolate para ver se a natureza as fazia reconhecer-se, mas, ironicamente, esse foi o único contato que rendeu ruídos de calabouço.

*continua*

6.5.08

Tem mensagem para você!*


*Como nem todo mundo deve ter pego essa fase da internet, achei melhor explicar: as fotos acima são da caixinha do correio aqui de casa.

4.5.08

Cada doido com a sua mania

Eu já estava na contagem regressiva para a quermesse aqui do bairro, quando papai resolveu cozinhar um panelão de pinhão e dividir com a gente. Eis que Chocolate também se interessou pela guloseima junina e ontem, na hora do lanche, a semente saiu voando da minha mão, atravessou a cozinha e se chocou contra o chão. Para a minha surpresa, porém, ao invés de comê-la, a pequena pôs-se a estapeá-la alucinadamente, como se fosse uma das bolinhas de alumínio.

1.5.08

Parquinho

Observar a Pimenta brincar no jardim me faz lembrar dos tempos de pré-primário, quando Mariana e eu voltávamos exaustas da escola, com o uniforme completamente imundo. Mamãe vivia ameaçando jogar no lixo e papai não casava de perguntar se a gente andava com os pés ao contrário, para conseguir gastar o tênis de velcro bege mais na parte de cima que na sola. Detalhe: no dia em que tirei essas fotos, a pestinha ainda estava com os pontos da castração!